Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

sexta-feira, abril 30

Margarida e a carta comum

Muito alvoroçada está Margarida no dia do vapor: espera a primeira carta de João Garcia que, como tinha sido combinado, será enviada para casa das primas Peters. Margarida vai ao chá em casa das Peters, presentes tio Mateus Dulmo e Luís da Rosa. Depois da conveniente sujeição a alguma espera e implícito sofrimento, D. Corina Peters leva Margarida ao quarto e entrega-lhe a jóia do vapor. João Garcia, por deficiente educação sentimental, dirige a carta às duas – é certo que o texto tem umas passagens excessivamente enigmáticas para D. Corina, onde se fala de uma mão com uma serpente cega, mas João Garcia, que como se verá não sabe o que pensam as mulheres, dirige a carta às duas. A uma tão grande desolação Margarida reage com um desinteresse súbito – um clássico, também este, da educação sentimental.
|| asl, 13:34 || link || (0) comments |

quinta-feira, abril 29

Volta-se para André Barreto

Margarida discorre sobre as virtudes do casamento por interesse antes do anel da serpente cega cair ao largo da Terceira. Depois do encontro com o jovem poeta, hesita mais uma vez, mas hesita como sempre, como hesitou desde o início. Voltará para André Barreto, porque as mulheres e os homens voltam sempre para André Barreto e não se pode pedir muito a Margarida, no Faial de 1919. Quem lhe dê outro final e outro destino que me perdoe o hiper-realismo.
|| asl, 13:15 || link || (0) comments |

quarta-feira, abril 28

A Margarida de Nemésio

É já depois de velho que Vitorino Nemésio se dedica à escrita erótica. Esses textos eram escritos para "Marga", Margarida Vitória, marquesa de Jácome Correia, uma figura estonteante da aristocracia micaelense. A pouco canónica autobiografia de Margarida Vitória - "Os amores da cadela pura" - é das peças mais violentas sobre o modus vivendi das famílias açorianas do século XX. Houve tentativas de apreensão da edição, choro e ranger de dentes. Não gostei especialmente dos "Amores...", mas é um bom retrato de família. Já estive na sala de jantar em que Margarida Vitória, em pequenina, jantava. (Mota Amaral comprou o palácio dos Jácome Correia, por meia dúzia de tostões, e instalou lá a sede do Governo Regional dos Açores, mudando-lhe o nome para Palácio da Conceição). Aquela sala de jantar, negra, forrada a madeira, é, também ela, uma biografia.
|| asl, 22:50 || link || (0) comments |

Margarida e Nemésio

Vitorino Nemésio recolheu as personagens do Mau Tempo no Canal quando o pai o transferiu compulsivamente do liceu de Angra do Heroísmo para o liceu da Horta, onde teria menos oportunidades de se distrair - o liceu deu muito que fazer a Nemésio que só o viria a terminar com mais de vinte anos, no Continente, e dessa atenção ficou-nos o melhor romance português do século XX (pronto, um dos, se quiserem).
É provável que João Garcia seja uma projecção do próprio Nemésio e Margarida uma projecção de um amor que, no Faial, Nemésio tivesse encontrado. Mas é igualmente aceitável acreditar que Margarida seja Nemésio, um Nemésio aristocrata e fêmea, que pode ou não escolher ficar amarrada à ilha. Na vida, Nemésio cortará com um destino de Margarida – só fará duas grandes viagens aos Açores, que escreveu no “Corsário das ilhas”, mas é “torturado” permanentemente com a “maldição” do canal.
Sim, João Garcia era um tímido conformista.
|| asl, 22:46 || link || (0) comments |

É a ironia, pá!

Andei eu aqui apostada em propôr ao governo um programa de comemorações para o 31ºaniversário do25 de Abril, ainda mais evolutivo, e o Barnabé cai-nos em cima, que só pensamos em comida e mais não sei o quê. Fico sempre desolada quando a ironia, essa desalmada, não é correspondida.
|| asl, 16:34 || link || (2) comments |

segunda-feira, abril 26

LFCM

Eu passei o dia a tentar escrever alguma coisa de jeito, onde se percebesse o prazer, a surpresa, a delícia de receber no Glória Fácil, e ouvir - foi a MJO que mo leu ontem ao telefone - o lindíssimo poema abaixo postado. Passei o dia a pensar em Budapeste e em como agradecer-lhe. O dia está a acabar, muito óbvio: obrigada, Luís
|| asl, 20:51 || link || (0) comments |

Camarões, Natal, 24 de Abril

Ó meu querido Duarte, eu hei-de "ressarcir-te" dos camarões que esturricaram, olá se hei-de. E, como sempre, insistir na história de que estavas mais nervoso do que eu.
|| asl, 14:48 || link || (0) comments |

25 de Abril é evolução para mim há muitos anos

O meu filho nasceu nos 20 anos do 25 de Abril. De então para cá, a revolução esvaiu-se nas profundezas da história. Enquanto a televisão passa as imagens das chaimites do Salgueiro Maia, os miúdos gritam e eu vou ver do vinho. A imagem de Francisco Sousa Tavares ao megafone passa, eu frito rissóis. Há conversas cruzadas, política sim política sim, mas o que me preocupa é se eles não batem na Sara ou se a Sara não bate neles (muito).
O meu 25 de Abril é o bacalhau ficar no ponto e ó quão difícil a perfeição.
Sempre me comoveram as imagens do Largo do Carmo, os homens de cabelos compridos em parada excepcional, mas não no 25 de Abril. E se a mousse de chocolate acaso não fica prestável fica tão triste a minha revolução.
Abril é, para mim, evolução há muitos anos. De resto, a criatura evolui a olhos vistos, alheia às minhas nostalgias maternais. Penso que, com este curriculum, poderia ter dado um importante contributo para a comemoração dos 30 anos do 25 de Abril. É tarde.
Mesmo assim, farei chegar ao Governo um programa de comemorações para o 31º aniversário do 25 de Abril (11º aniversário, para mim, do fim do 25 de Abril)

- Bola de carnes
- Rissóis, croquetes, pastelinhos variados
- Leitão assado
- Feijoada (à portuguesa ou à brasileira, também fica bem e invoca-se o encontro de culturas)
- Bacalhau no forno
- Coca-cola, sumol de laranja, sumos variados, cerveja, whisky
- Bolo de aniversário com o símbolo do Benfica
- Gomas, rebuçados,
e obviamente pastilhas elásticas, essenciais para a participação do ministro Paulo Portas no cerimonial.
|| asl, 13:25 || link || (0) comments |

A estúpida

O pior da paixão é a estúpida vulnerabilidade (dizem-me e eu vejo-os, modos incompatíveis com as exigências da modernidade)
Prefiro os românticos do século XIX: morriam, menos patéticos
|| asl, 13:05 || link || (0) comments |

domingo, abril 25

Espanto (II)

É claro que sou ingénuo, que não devia atirar os foguetes antes da festa acabar, etc, etc. No post 'Espanto' disse que, hoje, os blogues de direita ou estão calados ou estão de esquerda. Enganei-me, evidentemente. Não tinha reparado no "25 de Abril, nunca", de Rui Albuquerque (RA), no Blasfémias.

Haveria (há) uma imensidão de coisas a dizer para contrariar aquele texto. Mas eu, para já, só queria salientar a sua profunda sinceridade. RA recusa pertencer a uma direita envergonhada que tem medo de dizer que é de direita ou que, em dias como o de hoje, tenta ser um bocadinho menos de direita, quiçá até ligeiramente de esquerda. Assim é mais clarinho. Sublinho: a sinceridade.

Ora bem, a possibilidade da sinceridade é, justamente, uma das grandes "conquistas de Abril" (o chavão não me assusta). É pena que RA não o tenha dito. Mas para isso há duas explicações:

1. Só lhe interessa afirmar o que lhe permite concluir que "25 de Abril, nunca";
2. Se dissesse antes do 25A o que hoje diz, nenhum mal daí resultaria para a sua própria pessoa. As suas verdades são tão autorizadas hoje como eram no anterior regime. Já as minhas, nem por isso. Hoje posso falar, "dantes" isso ter-me-ia custado a liberdade. Imagine RA, por exemplo, o que lhe teria acontecido, "antes", se tivésse publicado algures um texto intitulado "28 de Maio, nunca"? Não consegue imaginar, não é? Explico-lhe porquê: Porque você, RA, nunca o teria escrito.
|| JPH, 21:37 || link || (0) comments |

micropaisagens

"o primeiro vestígio da beleza
é a cólera dos versos necessários"

Carlos de Oliveira para este dia tão luminoso
|| mjo, 19:34 || link || (0) comments |

Espanto

No curto intervalo de uma intensa laboração dei uma voltinha pela blogosfera de direita. Espantei-me: os blogues de direita, hoje, ou estão de esquerda ou estão calados. E eu a pensar que só respeitavam os feriados santos. Afinal não.
|| JPH, 19:28 || link || (0) comments |

Cumprir Abril

Foi para isto que se fez Abril? Foi? Toda a gente no laréu, ele é manifs, ele é Costa da Caparica, ele é imperiais e tremoços, e eu aqui a trabalhar que nem um desalmado! Foi para isto, a tal da revolução? P'la parte que me toca, declaro: Falta cumprir Abril! Essa é que é essa!
|| JPH, 19:21 || link || (0) comments |

Agradecimentos II

Obrigada ao amigo de Budapeste pelo belíssimo poema que nos enviou. Deixou-me comovida.
|| mjo, 15:31 || link || (0) comments |

Mais Walser

Em breve, "Jakob von Gunten".

Obrigada Francisco Vale.
|| mjo, 15:16 || link || (0) comments |

sábado, abril 24

"Lisboa, 1975"

De Budapeste recebemos este poema, com dedicatória prévia: "Para o glória fácil, com amizade, esta brincadeira a partir da Elegia do Amor de Teixeira de Pascoaes, em comemoração privada do 25 de Abril."


Lisboa, 1975
Lembras-te, meu amor,
das tardes estivais
em que iamos os dois
tão só manifestar
para junto do Povo
Unido e dos demais,
onde a História pudesse
ouvir-nos conspirar?
Tu levavas na mão
um papel exaltado
e davas-me o teu braço;
e eu, absorto, sonhava
teu corpo que perdi...
E ao longe a multidão
era um arfante abraço,
que logo se juntava
ao que eu sonhava aqui.
A harmonia da luta
ganhava teus sentidos.
A multidão operária
em breve diluía
na massa o teu perfil
e os sonhos escondidos...
Erravam pelo ar
canções da Utopia
- canções que de bem longe
as classes oprimidas
traziam na lembrança...
Olhavas para mim,
cuidando, qual criança,
no sentido da História:
esquecíamos assim
o rumo da vitória...
Olhavas para mim...
Meu corpo rude e bruto
vibrava como as massas
no Palácio de Inverno...
Oh, dor, ainda hoje escuto
nessas palavras de ontem
juras de amor eterno.
E vejo-te no meu sonho,
eterna como meta
- não te alcança o amor,
não te entende o poeta.

LFCM

Em nome do Glória Fácil, um grande obrigado.
|| JPH, 17:12 || link || (0) comments |

Antes que seja tarde...

...e antes que me esqueça e antes que não tenha tempo e antes de tudo o resto, ponderável ou imponderável, gostaria de dizer três palavrinhas aos senhores militares - todos: os oficiais, os sargentos, as praças - que fizeram o 25 de Abril, os que fizeram sabendo o que estavam a fazer, os que o fizeram desconhecendo, os que fizeram pensando que estavam a fazer outra coisa contrária ou diferente daquilo que acabaram por fazer, queria dizer-lhes a todos eles, independentemente, enfim, das razões oficiais, oficiosas ou simplesmente verdadeiras que os levaram a fazer o que fizeram, sabendo ou não os riscos que estavam a correr, queria dizer-lhes, mesmo àqueles que foram obrigados a fazer aquilo, e aos outros que agora não o voltariam a fazer se soubessem no que a coisa veio a dar, gostava que soubessem que tenho três palavrinhas para lhes dedicar, só três, as que me ocorrem agora (é tarde, perdoem-me): obrigado, obrigado, obrigado. Do fundo mais fundo do meu coração.
|| JPH, 00:58 || link || (0) comments |

sexta-feira, abril 23

"Um fait-divers intimista"

- Tens um blogue?
- Sim, tenho um blogue.
- E o que é o teu blogue?
- É assim uma brincadeira. Uso-o como um brinquedo.
Já tive dezenas de diálogos destes. Sempre tive alguma dificuldade em definir o "Glória Fácil", mas não era preciso, a não ser em diálogos destes. Hoje, o Rogério Rodrigues definiu o Glória Fácil de uma maneira perfeita: "Um fait-divers intimista". É isso, é o que o Glória é para mim.
|| asl, 21:58 || link || (0) comments |

Tesoura passa a ternura

Filipe Oliveira mandou-nos um "mail" onde lembra que a escrita inteligente às vezes é inteligente, por exemplo, quando substitui "tesoura" por "ternura". É bonito, Filipe.
|| asl, 21:43 || link || (0) comments |

Um "mail" do Rogério Rodrigues

O Rogério Rodrigues mandou este 'mail' que eu só não tenho pudor de escarrapachar aqui na íntegra porque o dia de hoje não está a correr muito bem. Quanto ao resto, é o Rogério de sempre, sempre desassossegado como o Assis Pacheco

KarAna(nina) espero não a incomodar ao escrever-lhe este simples bilhete, a que vocês chamam post, afastado que estou da escrita para ser lida e das excrescências diárias esparramadas em letras.
Tenho apreciado a sua intervenção no Glória Fácil ( reconheço que há glórias fáceis e realizações difíceis, o que não é o seu caso) e daqui lhe envio o maior elogio que me cabe neste crepúsculo etário: não me desiludiu, como, estou certo, não desiludiria o meu compadre Assis Pacheco e alguns outros que a apreciaram quando a sua escrita se tornou visível, vinda de Caldas, com timidez e memória e o desejo de ser justa.
Até parece que estamos a celebrar o 25 de Abril como um funeral com música (desde que não seja do Vitorino).
Não. Apenas me transformei num leitor míope dos múltiplos blogues que me completam a marketização dos jornais, me refreiam o desencanto e me acautelam sobre os excessos do cepticismo.
Leio o Glória Fácil como um fait-divers intimista, cheio de sensações de viagens e receitas de cozinha (confesso que não sei acender o fogão).
Mas, entre a prosa elegante, uma; turbulenta, outra, assomam, informaticamente, algumas estrelinhas que não me indignam nem fascinam, mas que contemplo com agrado.
Já o Causa Nossa está mais próximo de mim. Há uma inquietação geracional ou uma geração que ainda continua inquieta ( e aqui os factores não são arbitrários, antes se justapõem), que ainda se indigna que se pretende politicamente incorrecta para ser politicamente justa (caso Ana Gomes, cuja leitura me liberta e, simultaneamente, fustiga o meu conformismo), com a aprendizagem diária do blogueur compulsivo que é Vital Moreira (assumo como limitação minha que me fascinam mais os seus tempos de memória e viagens que propriamente as suas contestações jurídicas).
E viajo também pelo Barnabé, sempre à espera do acerto dos aforismos de Daniel Oliveira, da erudição de Rui Tavares e de alguma insolência tão ajustada à nossa paisagem crepuscular.
De quando em quando visito o meu amigo Pacheco Pereira hoje mais preocupado em imprimir bilhetes falsos para viagens ilusórias a Marte do que na procura da Terra. JPP recusa a si mesmo a coerência de que tanto precisa: quer resolver os seus terramotos interiores com a poesia, o que não lhe fica nada mal.
Mas estou à espera de Holderlin e Rilke...
Passeio pelo Blogue de Esquerda e tenho sofrido imenso com o destruir dos sonhos do Zé Mário Silva na decoração da sua casa nova.Ele também não quer uma casa; quer o Hermitage.

E regresso ao Glória Fácil depois de uma vista de olhos, rápida e impressiva, pelo acne juvenil que vai borbulhando em muitos dos blogues, confuso entre os blogueurs e os blagueurs.
Gosto das brumas dos Açores, desse instante sereno em que surpreendidos nos reconhecemos a nós mesmos.
Falam-me vocês do livro da Clara Ferreira Alves. Não sou leitor. Transformei-me num releitor. “Camus, une vie”, mil e tal páginas de Olivier Todd ( o mesmo da biografia de Brel e do polémico e longo e porventura injusto trabalho sobre Malraux), um tratado sobre a ética, sobre as origens sociais, sobre a Resistência, não sartriana, mas de Char, Malraux, Camus, Pascal Pia e outros, comunistas e anarquistas espanhóis, maçons e comunistas franceses, judeus, só judeus ou judeus-comunistas, um tempo heróico e despojado ( se quiser, Ana, empresto-lhe o livro, horrivelmente sublinhado); “O Regresso de Netchaiev” de Jorge Semprun, sobre os filhos dos maquisards e prisioneiros dos campos de concentração nazis que se tornaram terroristas urbanos após o Maio de 68 e que acabaram, já cinquentões e com barriga na alma, gente bem sucedidda e situada na sociedade, na política e nos negócios.
Por fim, o melhor, o único --- “Declínio e Queda do Império Romano” de Edward Gibbon (1790), a história da génese da Europa (não só, é claro), das migrações das hordas do Norte em direcção ao Sul e que se civilizaram trocando a banha, a manteiga e a cerveja pelo vinho, azeite e cristianismo.
A Ana acha mesmo que há tempo para ler a Clara Ferreira Alves? Nem o Santana Lopes. Troque-a pela “Rosa do Adro”.
Vai longo o bilhete, mas como não sou blogueur ainda não aprendi os limites da blague.
De resto, Ana, continue. Espero vê-la em breve e ler, deliciado -- não sei quando – o seu roteiro sentimental sobre os Açores.
Vale. Et carpe diem que Horácio regressa às suas terras por semear.

Apostila: O PSD e o PP querem a evolução em vez da Revolução. Tudo bem. O Governo precisava de uma figura tutelar: o São Darwin. Mas o darwinismo também tem as suas limitações. A prova escrita é o Luís Delgado. Quanto ao Morais Sarmento...
|| asl, 17:19 || link || (0) comments |

Terras do Nunca

Estive agora a ler as novidades do João. Há quatro horas atrás estive a almoçar com ele. Percebi aí, e depois no blogue, que o rapaz anda cansado. Não o levem a mal: o moço adora andar cansado.
|| JPH, 17:06 || link || (0) comments |

Vespeiro fedorento

Ontem vi o Gato Fedorento, na Radical. Um dos sketches era intitulado, se não erro, “O jovem artista que não vai a lado nenhum” (no blogue está “Vida e obra de José Meireles”). Retratava um jovem artista, de boina, que fazia poemas como este (cito de memória):

Pai
Pai.

ou

Tio-avô
Tio-avô.

ou

Primo distante que visita a família nos feriados religiosos
Primo distante que visita a família nos feriados religiosos.

Aquilo retratava o tal jovem-Meireles-de-boina também como escritor de humor – mas com a particularidade, única (e muito elogiada) de se destacar pela absoluta falta de piada dos seus escritos. E ainda o absoluto lambe-botismo entre o jovem-Meireles-de-boina e os seus amigos, todos Meireles.

Cheirou-me tudo a private joke, embora imensamente divertida, tanto para quem estava a “alcançar” a coisa como para quem não estava.

Em tempos, Pedro Mexia chamou “vespeiros” às redacções. Tinha (tem) toda a razão, claro. Mas parece que o “vespeiro” se estendeu à comunidade humorística. Eu não vejo mal nenhum. Pelo contrário: diverte-me. O “vespeiro” é criativo. Um grande bem haja, ó fedorentos! Welcome to the club!
|| JPH, 13:14 || link || (0) comments |

Escrita inteligente

A escrita inteligente é burra: substitui "amor" imediatamente por "anos". A escrita inteligente é burra e péssima gestora de clientes: entre os amantes e os aniversariantes, dá a mão aos segundos. É burra, a escrita inteligente: atrapalha a vida a quem, verdadeiramente, a sustenta.
|| asl, 12:28 || link || (0) comments |

"Bão Preto"

Há um montão de tempo – mais precisamente em 29 de Dezembro passado – escrevi aqui muito mal de uma peça infantil que fui ver com o rebento mais velho, “Bão Preto”, na “Comuna”. Ontem, passados quatro meses, recebi o seguinte mail:

Por pena minha só hoje reparei no seu comentário do dia 29 Dezembro de 2003 sobre o espectáculo "BÃO PRETO", mas como ainda vai a tempo aqui vai:

- Só mesmo um "sujeitinho" ignorante, mesquinho e sem nenhuma capacidade criativa e mental, não consegue perceber a mensagem do espectáculo (engraçado que tenho visto aqui crianças com 4 anos e percebem!) , porque embora aceite outras opiniões divergentes das minhas , têm que ser sustentadas por comentários e elações dignas de alguém que sabe e sente minimamente os valores humanos.

-Por ultimo e até porque não merece a pena gastar mais tempo com um gajo tão medíocre, bastou para isso analisar os teus comentários, quando dizes que passaste o tempo todo do espectáculo a imitar o Fernando Rocha, gostaria de te dizer ainda que com o comentário que fizeste acerca da linguagem (‘um criolês qualquer’), bem que te poderias juntar ao MAN (Movimento de Acção Nacional) ou então porque é que em vez de ires ao teatro , que não é o teu sitio, não vais para uma concentração Tunning ou ver montras para o Vasco da Gama e quando chegares a casa bates nos putos e na mulher, gritas VIVA PORTUGAL E FORA OS PRETOS.

BOM MESMO ERA , E AVALIAR EXCLUSIVAMENTE PELO FORMA DO TEU COMENTÁRIO AO ESPECTÁCULO, QUE TE ATIRASSES DE UMA PONTE...MAS LONGE DE PORTUGAL....DEVIDO AO CHEIRO!!!!!

CARLOS BERNARDO

PS - Este comentário é pessoal e nada tem haver com a posição da Companhia , que embora tenha conhecimento, não perde tempo a responder a tais "sujeitinhos".”


Resposta: Prontos, prontos, já desabafou. Sente-se melhor?

|| JPH, 11:03 || link || (0) comments |

Assis Pacheco

"Variações em Sousa" foi reeditado pela Cotovia, com as alterações já feitas por Assis quando editou "A Musa Irregular". Eu gosto de tudo, mas muito deste segundo balcão de bombeiros.


Segundo balcão dos bombeiros

Nesse tempo eu já lera as Bronte mas
como era um adolescente retardado
passava a noite em atrozes dilemas
que mais vale: amar, ser doutrem amado?

ainda não descobrira o simples disto
nem o essencial disto que é tão claro
se tudo no amor vem do imprevisto
deitar regras ao jogo pode sair caro

por isso eu amo e sou ou não benquisto
depende do instante bem ou mal azado
amor tem alegria, tem enfaro
o happy end é coisa dos cinemas
|| asl, 10:53 || link || (0) comments |

quinta-feira, abril 22

Críticas/elogios

Deram-me ganas, ontem à noite, de criticar um conhecido "bloger". Escrevi no moleskine um textinho assassino. Acabava assim: "Por este andar, um dia destes estará no Governo. Um direito que lhe assiste, evidentemente".

Mas agora, mais de 12h depois, passou-me a vontade. Não vale a pena. O que me apetece, agora, é elogiar o FNV, marinheiro do Mar Salgado, pela prosa "Torpor Animi", entre outras.

Não conheço FNV. Nunca o vi, nunca nos cruzamos. Sei vagamente o que faz, por conhecimentos comuns. Não há aqui suspeitas de amiguismo. Queria só dizer que por ali passa alguma da melhor prosa da luso-blogosfera. Quando ele escreve sobre a dor, aquilo dói mesmo. Dói-me a mim, que estou aqui no quentinho, e doi-lhe certamente a ele muito mais do que a mim, que fala do que vive. Eu só pergunto: como se aguenta?
|| JPH, 13:37 || link || (0) comments |

quarta-feira, abril 21

Os contos de Clara Ferreira Alves

Não, não é ainda o tão falado romance. Clara Ferreira Alves acaba de lançar um livro de contos, "Mala de Senhora e outras histórias" (D. Quixote).
Ainda não comecei a ler, mas na contracapa há uma nota, escrita pela autora, que chama a atenção: trata-se da alusão ao conto "Um dia perfeito para o peixe-banana", de Salinger, cuja leitura, aponta Clara Ferreira Alves, lhe deu "mais prazer e proveito" do que muitos romances. Concordo. Salinger é um dos "mestres". E é isso que suscita alguma preocupação...
O conto não é apenas "é um género menor", é também um dos mais difíceis. Mas agora é tempo de ler CFA.
|| mjo, 21:17 || link || (3) comments |

Um bilhete de metro no cinzeiro

Johnny deixou de fumar há um ano e quatro meses. Agora sei que se curou. Quando um ex-fumador amachuca um bilhete de metro e o coloca no cinzeiro, usurpando-o (ao cinzeiro) à sua função primeira, já recuperou a prévia inocência. Força, Sofia!
|| asl, 16:57 || link || (0) comments |

A "instituição"

A propósito de uma queixa do PS contra a designação "Força Portugal" que a coligação PSD/CDS adoptou, o Tribunal Constitucional concluiu: "Portugal não é uma instituição". Eu bem me parecia.
|| JPH, 14:50 || link || (0) comments |

Blogless love

Lesses tu blogues e eu passava-te ao ouvido a minha password e então, posted by asl, os teus textos poderiam ser indissociáveis das minhas perplexidades
|| asl, 13:46 || link || (0) comments |

terça-feira, abril 20

Fontes seguras garantem que...

...a PJ está prestes a lançar uma grande operação de combate às redes de prostituição. Vai chamar-se "Pito Dourado".
|| JPH, 15:37 || link || (0) comments |

domingo, abril 18

volta no Verão

Nitin Sawhney: 10/10
|| mjo, 23:07 || link || (0) comments |

Difícil

Incapacidades objectivas em alguns casos, subjectivas em outros, ou concomitantemente objectivas e subjectivas, tornam a Glória difícil. Pedimos compreensão aos utentes.
|| asl, 15:51 || link || (0) comments |

sexta-feira, abril 16

Para o "Manel, 9 anos"

"Era um amieiro.
Depois uma azenha.
E junto
um ribeiro.

Tudo tão parado.
Que devia fazer?
Meti tudo no bolso
para os não perder".

Eugénio de Andrade, "Canção Infantil"
|| mjo, 19:17 || link || (0) comments |

"Bush"

A direita blogueira, que gosta muito de citar Vasco Pulido Valente, hoje ainda não o leu, vá-se lá saber porquê. A gente dá uma ajudinha e publica, na íntegra, com a devida vénia, o artigo de hoje no Diário de Notícias.

Bush
A conferência de imprensa de Bush, a terceira do seu mandato, a que assisti em directo, foi ao mesmo tempo extraordinária e assustadora. Em meia hora o mundo, que nós conhecemos, desapareceu. Com fervor, o Presidente explicava: a grande «missão histórica» da América era estabelecer uma democracia a sério no Iraque e, a seguir, pela influência e o exemplo do Iraque, em todo o Médio Oriente. Havia algumas dificuldades de percurso? Claro que sim. Como tinha havido com a democracia americana. Quanto à ocupação propriamente dita, não tinha uma ocupação semelhante, ou pior, levado à liberdade o Japão e a Alemanha? E essa liberdade, ou esse imortal desejo dela, que Deus pôs no coração de cada homem e, com certeza, também de cada iraquiano, não apelava ainda irresistivelmente à virtude apostólica da América? Iria agora a América trair o Omnipotente no Iraque? Ouvindo isto, qualquer pessoa (um europeu, pelo menos) começa por se rir. Mas, pouco a pouco, vem uma dúvida. Bush parece sincero, ingénuo, quase inocente. Olha para nós com olhinhos brilhantes de boneca, sem profundidade e sem malícia. Fala com uma convicção de adolescente. E, por mais que se queira, não se pode evitar a suspeita terrível: será que ele acredita naquilo? Será que não vê diferença entre o Iraque e a Alemanha e o Japão? Será que imagina realmente, na sua pequenina cabeça, um Iraque arrumadinho e rico, muito respeitador do Estado de Direito? O estereótipo do americano ignorante e simplório já passou de moda. Só que, de repente, ele está ali, na Casa Branca, com o seu ar simpático e bonzão, a preparar uma catástrofe. Um Bush cínico, um Bush hipócrita e mentiroso como Blair não meteria medo. Este Bush mete medo.


Perceberam? Ou é preciso fazer um boneco?


|| JPH, 14:02 || link || (0) comments |

"Lyotard" (II)

Ponderei se devia apagar o 'post' abaixo. Decidi que não. Um blogue é, acima de tudo, um diário. Registam-se, das mais variadas formas, as nossas disposições. E não me sentiria bem, hoje, se apagasse o registo da minha má disposição de ontem.

Ontem, em resposta a "Segismundo", escrevi um 'post' manifestamente desproporcionado face ao que lhe deu origem. Peço a "Segismundo" que não se ofenda. Foi um 'post' desproporcionado num dia desproporcionado. Não se repetirá.
|| JPH, 11:48 || link || (0) comments |

quinta-feira, abril 15

"Lyotard"

Alguém que se assina de Segismundo escreveu: "O João Pedro, fácil, cismou com o Bruno, por este se inclinar à análise dos afectos e respectivos processos subjacentes ou implícitos. A Ana, mais glória, ali mesmo ao lado, pelo contrário, simpatizou com os excursos do Bruno. Não é um mal. Também não é um bem. É o que é, uma diferença. Lyotard, embora não muito espirituoso, permitir explicar o caso."

Eu, o JPH, comento: a putazinha da arrogânciazinha culturalzinha da merdoca dá aos "Segismundos" anónimizecos cá jardinzinho o espaço todo para dizerem aos amiguinhos todos "viram, viram, atirei-lhe com o Lyotard, eh, eh, eh, e o gajo 'inda hoje 'tá a ver se percebe, eh, eh, eh - ou melhor: ih, ih, ih - o Lyotard, 'tão a ver? Sou bom, não sou?"

Claro que és bom, "Segismundo" - digo eu, o JPH. Continuará bom mesmo que, para lá de Segismundo, te chames apenas Xico.

|| JPH, 22:17 || link || (0) comments |

quarta-feira, abril 14

Limpbizkit III

O álbum que atirou que atirou a banda para o estrelato chama-se " Significant Other " (1999). Com êxitos bombásticos como " Nookie ", " Break Stuff " e o mais sereno " Re-Arranged ", a assolarem as tabelas de vendas e os tops radiofónicos e televisivos mundiais, os Limpbizkit asseguraram um lugar na história da música que se consolidou com a edição de " Chocolate Starfish and the Hotdog Flavoured Wather ". Tal como o seu antecessor, rapidamente se tornou em mais um recordista de vendas, arrecadando troféus de Melhor Grupo, Melhor Álbum entre outros, pela MTV. Temas como " My Generation ", " Take a Look Around " (m:i 2) e " Rolin' ''.
Aqui acaba a história dos Limpbizkit exibida em três edições.

Manel, 9 anos
|| mjo, 19:54 || link || (0) comments |

Limpbizkit II

As origens dos Limpbizkit remontam a 1995, a Jacksonville, na Flórida (EUA). Quem narra a história curiosa dos Limpbizkit, conta que num dos espectáculos dos Korn, na zona de Jacksonville"95, Fred Durst (artista de tatuagens) fez várias tatuagens ao baixista Fieldy. Deste encontro nasceu uma grande amizade entre os dois músicos. Numa posterior actuação na mesma cidade, os Korn ficaram tão impressionados com o som dos Limpbizkit que decidiram levar uma Demo Tape ao produtor Ross Robinson, também ele produtor dos Korn.
Manel, 9 anos
|| mjo, 19:28 || link || (0) comments |

Limpbizkit I

A banda norte-americana continua a ser uma das mais influentes e que mais impacto teve nos últimos anos, no seio da comunidade rap-metal.
Após três anos de interregno desde o lançamento do terceiro álbum, o colectivo liderado por Fred Durst regressa às lides musicais com "Results May Vary".
Manel, 9 anos
|| mjo, 18:50 || link || (0) comments |

terça-feira, abril 13

onde é a festa?

escolham lá o sítio para a "festa". eu estou cheia de fome.

(isto de comunicarmos através do GF tem piada...)
|| mjo, 21:01 || link || (0) comments |

A "responsabilidade" da guerra

Na caixa de comentário ao post "Pedro, o último apóstolo de Bush", no Barnabé, Pedro Lomba escreve: "No Iraque, aceitei e defendi que a guerra fosse travada e as coisas não correram bem. Cometeram-se erros e quem os cometeu deve assumir a responsabilidade."

Eis um argumento próprio, evidentemente, de claque futebolística: quando o nosso clube ganha, quem ganha somos nós; quando perde, são eles (os jogadores) que perdem.

Dado o tardio da hora, e o nó de fome que me aperta o estômago, não me vou pôr agora a teorizar sobre a forma como quem apoiou a invasão do Iraque não conseguiu, ainda, pôr a viola (toda, todinha) no saco. Mas esse é um caminho que terão de fazer. Aguardo, serenamente. Sentadinho, para não me cansar.
|| JPH, 21:00 || link || (0) comments |

Every Poem is an Epitaph

Tributo a LFCM


"Desfiz meu corpo nas vivas marés
que os versos me traziam. Solidão
mil vezes retomada, sombra e pó,
palavras que nos doem mais de perto:
tudo desfez meu corpo e neste mar
um navegante encontra o seu deserto".

|| mjo, 20:59 || link || (0) comments |

Festa

JPH, por mim a festa é nos três sítios - começa num e acaba no último. (Mas não pode ser até muito tarde, estilo acabar no Caldo Verde). Um blogue é uma económica maneira de passar recados, o telemóvel é uma despesa do caraças. Avisaste o Simas?
|| asl, 20:15 || link || (0) comments |

Em defesa do avatares

Um post rápido para vir em defesa do Bruno Sena Martins. Eu gosto muito do "Avatares de Desejo" e tenho gostado muito dos últimos posts dele, das tampas às "lógicas mais amplas que estritamente libidinais"... Mas amanhã falamos.
|| asl, 20:09 || link || (0) comments |

Então e a festa do blogue?

Ó meninas, então e faz-se ou não uma festa do blogue? É no Clube da Esquina ou nos Bichos ou no Tóquio? Quem é que não convidamos?
|| JPH, 19:58 || link || (0) comments |

"Economia ampla do desejo"

"Não estou certo da depuração do desejo numa apreciação de um homem em relação a outro, ainda que seja de facto hetero. Uma economia ampla do desejo deve atender a lógicas mais vasta do que a estritamente libidinal."

Sendo leitor do Avatares (link tecnicamente impossível) reparei neste comentário, assinado por "Bruno Martins" (presumo que o dono do blogue) num post com a foto de um jogador de futebol.

Achava eu que depois do "orgasmo oblíquo" do prof. Prado Coelho já tinha lido o máximo disparate possível sobre desejo e sexo. Intelectualiza-se a coisa e dá nisto. A "economia ampla do desejo" ? A "depuração do desejo" ? "Lógicas mais amplas do que a estritamente libidinal" ?

Temos o desejo/sexo tratado por uma espécie de Vitor Constâncio especialista (nas horas vagas) em aquicultura de bivalves. Mas admito (na minha infinita tolerância): pró engate talvez sirva. E, se for isso, então tudo bem.

(Seja como for, o "orgasmo oblíquo" do prof. EPC é, apesar de tudo, mais apelativo. São cá coisas.)
|| JPH, 19:29 || link || (0) comments |

Post absolutamente fútil

MJO, tens razão. Quando ontem me falaste na consagração do "Clube da Esquina" como bar oficial do Glória Fácil, disse que sim, que sim, mas sem muita convicção. Já temos, convictamente, um restaurante oficial - "Os Bichos" - e uma discoteca oficial, o Tóquio, mas faltava o bar. Sim, o Clube da Esquina é giro no Verão.
Mas ontem, depois de um regresso após o longo Inverno, já me sinto em condições de votar no Clube da Esquina para bar oficial: a música está óptima, a frequência OK, a menina que serve ao balcão é muito simpática, o gin (Bombay, claro) era muito bem servido. Tem máquina de cigarros. De que precisa mais a glória fácil? JPH, diz se concordas. Simas, pronuncia-te!
|| asl, 14:48 || link || (0) comments |

Livros com gelados

A minha livraria da minha vida é (será, ainda? não sei) a Galileu, em Cascais. Várias razões. Uma delas: ao lado existia a melhor geladaria do mundo, o Santini, que em alguns invernos fechava, deixando um recado na porta: "Fechados para descanso dos clientes". Ou este: "Fomos gastar o dinheiro que ganhamos".
|| JPH, 13:23 || link || (0) comments |

MJO

Juro que já morria de saudades da MJO. Faz-me muita falta tê-la ao meu lado na redacção. Ela, esplendorosa na sua ânsia de conhecimento, às vezes faz perguntas do género:
- Então e onde é que fica a 24 de Julho? - e já não me leva muito a mal a horas de gozo meu que se seguem.
Mas agora é a minha vez de perguntar, na qualidade de mouro ignorante, o seguinte: o que é "queijo prensado"?
|| JPH, 12:40 || link || (0) comments |

segunda-feira, abril 12

...ou antes pelo contrário


Nem toda a gente sabe que penso nunca voltar a Veracruz e às suas praias longíquas. Fui feliz aí, o mês passado, em noite de lua cheia, em Los Portales, nem antes nem depois dessa noite, no último mês de Julho da minha juventude. Mas penso nunca voltar, pois sei muito bem que a nostalgia de um lugar apenas se enriquece se se conservar como nostalgia, e que a sua recuperação significa a morte. (...)


É assim que começa o "Longe de Veracruz", de Enrique Vila-Matas, que a MJO me trouxe hoje......
|| asl, 20:55 || link || (0) comments |

Regresso

Na dispidida
Bo dame tristeza
Na bó partida
Bó entregame tormento
Na bó regresso
Bó ta trazerme ligria
Volta cretcheu
Fazeme feliz
Nem qué por um dia


(Isto é de Djack Monteiro, é cantado por Ildo Lobo e é muito bonito)
|| asl, 20:43 || link || (0) comments |

Albano

O único livreiro que foi meu amigo não o conheci numa livraria, mas num automóvel: deu-me boleia das Lajes para a Madalena do Pico e guiava a uma velocidade proibida. Na época, isso não me fazia muita impressão, mas o Zé Pedro chegou à Madalena branco. No dia seguinte, voltei a encontrar o livreiro no barco, no Cruzeiro do Canal. A primeira vez que desembarquei na Horta, às 9 da manhã, foi ao lado dele e foi ele que me levou direitinha ao Peters, e foi ele a única pessoa que alguma vez me convenceu a beber gin às nove da manhã.
- Isto quase não tem gin.
Só à hora do almoço, numa varanda do Hotel Fayal, soube que ele era livreiro. Disse-o outra pessoa.
- Não sabe que ele é livreiro?
Ele não tinha dito, mas já tínhamos falado do “Mau Tempo no Canal”, contara-me todas as personagens e já me tinha convencido a lê-lo. Foi nesse ano de 1992 que conheci Albano e o “Mau Tempo”.
A sua livraria, improvável no primeiro andar do Centro Comercial Solmar, em Ponta Delgada, passou a ser a minha casa em São Miguel. Albano ofereceu-me tantos livros que, muitas vezes, quando me apetecia algum esperava que ele saísse.
As manhãs de Ponta Delgada, que há tanto tempo não cumpro, eram assim: ou café na esplanada do Solmar e volta pela livraria do Albano, ou café no Central, junto à Matriz, com volta prévia pela Tabacaria Açoreana, ou pelo Gil. Nunca gostei muito da livraria do Gil. Gostava mais da livraria do José de Almeida, a Nove Estrelas, que tinha muitos livros sobre a açorianidade, na época em que essa coisa me ocupava excessivamente os dias.
O Albano foi uma das melhores pessoas que eu vi neste mundo e espero reencontrar no outro.
|| asl, 17:23 || link || (0) comments |

Pequena lição do mestre

"Nunca admitirei que o ofício de escritor consiste em melhorar a moral do seu país, em mostrar ideais elevados do alto de uma caixa, em administrar os primeiros socorros escrevendo livros de segunda categoria. O púlpito do escritor está perigosamente próximo do romance de cordel, e aquilo que os críticos chamam romance forte é geralmente um penoso amontoado de lugares-comuns ou um castelo de areia numa praia cheia de gente".

O mestre chama-se Vladimir Nabokov e este excerto foi retirado do livro "Aulas de Literatura", acabadinho de sair na Relógio d'Água.
|| mjo, 12:09 || link || (0) comments |

domingo, abril 11

Escrever para quê para quem

Lesses tu blogues e eu pressionava-te mais um bocadinho
|| asl, 14:45 || link || (0) comments |

Para JB

JB é um amigo, um irmão. Nunca me revelou que é um dos autores do Laranja Amarga (laranjamarga@weblog.com.pt). Descobri isso hoje, ao ler os seus textos, ao visitar o arquivo. Reencontrei, naquelas palavras, o meu querido amigo J.
Deixo aqui o excerto de um texto que poderia também ter sido escrito por mim (não é, J.?):

"Mas faltam coisas, claro. Livros, discos, sítios. Faltam-me cafés. Não se abdica de uma vida inteira de cafés assim de um momento para o outro. Apaixonei-me por pessoas em cafés. Apenas por vê-las passar. Não que alguma vez as tivesse chegado a conhecer - apaixonei-me apenas pela vida que lhes inventei. Sinto saudades do ceuta às Sete da matina, às segundas-feiras e às terças, quando me levantava cedíssimo para acabar trabalhos que tinha de entregar naqueles dias. Era o primeiro a chegar, traziam-me de imediato um café e o Público, depois o croissant com queijo prensado (ainda não apanhei um tão bom cá em baixo - tenho saudades disso). Só uma hora depois é que abria o laptop e começava a trabalhar. E tenho saudades dos sábados: aparecer no café lá pelas dez, comprar os jornais todos, passar na Leitura, comprar dois livros, passar na Fnac, comprar dois discos. Voltar ao ceuta, almoçar, ir ler e ouvir os discos, sair à hora do jantar - para o ceuta, claro".

Tenho saudades de nós (e também da G. e do L.) no Ceuta. Até breve.
|| mjo, 00:55 || link || (0) comments |

sábado, abril 10

Eu vou/ eu vou

Eu vou/ eu vou/ para a mina agora eu vou
Eu vou/ eu vou/ para a mina agora eu vou

(Canção dos anões a caminho do trabalho, Branca de Neve despede-se à porta e sorri)
|| asl, 20:25 || link || (0) comments |

Empalhada

É na curva rente à torre da igreja rente ao portão da mata que está empalhada a minha infância.
Empalhada em boas condições, parece grotescamente viva.
O meu pediatra, outrora o mais belo homem da cidade, atravessa a praça solitário na sua sedução perdida.
Esvaziaram o lago, esconderam os patos e os pombos debicam o fundo de cimento. Ao menos, na relva, novos grupos de miúdos dão continuidade aos pequenos esplendores.
O meu café, onde tantas vezes tentei parecer inteligente, fechou.
O meu pediatra já não se passeia com deslumbrantes mulheres.
O infante patético que eu fui, em tanta perfeição empalhado (parece vivo) vê aberta a porta da igreja dos mortos e reproduz os gestos automáticos da infância - desvia os olhos.
|| asl, 19:12 || link || (0) comments |

Rui & Raposo

O Rui Baptista, criador do Amor e Ócio (sim, é esse mesmo, um dos blogs mais divertidos da blogosfera nacional), deixou-nos com inveja: "contratou" o Raposo Antunes, que já começou com as contestações. E isto é só o início...

(peço desculpa, mas não consigo linkar o amor-e-ocio.blogspot.com)
|| mjo, 01:29 || link || (0) comments |

Rembrandt, auto-retrato

Está datado de 1652 e exposto num museu de Viena.
Rembrandt pintou vários auto-retratos, mas há um que é verdadeiramente monumental — grandioso não apenas pelo tamanho da tela, como também pela imagem que nos cerca.
Rembrandt tem, nesta altura, quase 50 anos. Surge diante de nós com as mãos nas ancas, os ombros descaídos, um olhar sério e inquiridor. Veste um jaquetão que parece prestes a desfazer-se, não se sabe bem porque a luz, essa, projecta-se quase exclusivamente sobre a sua face. É neste rosto (gosto muito daquele nariz batatudo) que se concentra tudo: porque ali está toda a sobriedade, toda a serenidade que eu nunca conseguirei alcançar.

Gostaria de ir a Viena. Só para poder vê-lo de perto.
|| mjo, 01:13 || link || (0) comments |

sexta-feira, abril 9

A glória é difícil mas é nossa

A Maria José Oliveira feliz e finalmente voltou. Aguarda-se a todo o minuto o reforço Simas, já liberto de outros pesos. Muitos beijos aos co-proprietários deste blogue.
|| asl, 22:01 || link || (0) comments |

Budapeste

O Avatares de Desejo é lido em Moçambique. O Glória Fácil é lido em Budapeste. Páscoa feliz, LFCM!
|| asl, 21:58 || link || (0) comments |

Sódadi

É só assim, sódadi. Um bêjo di sódadi.
|| asl, 21:56 || link || (0) comments |

Raposo A.

O Amor e Ócio passou a sociedade por quotas, uma do Rui, outra do nosso Raposo. O nosso Raposo já começou a bater na "esquerdalhada amiga". O Rui sugere-nos o Johnny Depp despido (mr. Depp é um dos mais bonitos homens que anda por aí). A cada um o seu bocado de amor e ócio. Bãoláber.
|| asl, 21:53 || link || (0) comments |

Teste

É só para ver se consigo pôr isto a funcionar
|| asl, 19:26 || link || (0) comments |

quinta-feira, abril 8

La nieve en mi corazón

"La nieve está en mi corazón como el silencio en las habitaciones de los balnearios: densa y profunda, indestructible.

La nieve está en mi corazón como la hiedra de la muerte en las habitaciones
donde nacimos.

Nieva implacablemente sobre los páramos de mim memoria. Es ya noche entre los blancos cerrados.

Cuando amanezca, será ya siempre invierno".

Julio LLamazares
|| mjo, 23:47 || link || (0) comments |

Palavras bonitas em indonésio

Em bahasa indonésio, "party" diz-se pesta
|| asl, 14:48 || link || (0) comments |

Alegria Alegria

Porque está um dia fantástico e um sol optimista, ou melhor, otimista, aqui vai um caetanozinho muito jovenzinho


Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro, eu vou
sol se reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas
Em Cardinales bonitas, eu vou
Em caras de presidentes, em grandes beijos de amor
dentes, pernas, bandeiras, bomba e Brigite Bardot
sol nas bancas de revista me enche de alegria e preguiç
Quem lê tanta notícia
Eu vou por entre fotos e nomes os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou, por que não? Por que não?
Ela pensa em casamento, e eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento, eu vou
Eu tomo uma coca-cola, ela pensa em casamento
E uma canção me consola, eu vou
Por entre fotos e nomes, sem livros e sem fuzil
Sem fone e sem telefone no coração do Brasil
Ela nem sabe, até pensei em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou, por que não? Por que não?
Por que não? Por que não? Por que não?






|| asl, 13:21 || link || (0) comments |

quarta-feira, abril 7

Vidal

Gore Vidal, um dos maiores génios vivos, não é muito bem tratado em Portugal. Dos "romances do Império", só dois estão traduzidos, Washington D. C. e Império. Os outros, quem quiser, que os leia em inglês. Eu leio muito mal em inglês, mas ontem, ao atravessar a FNAC-Chiado - sim, aquela, muito 'in' na geografia blogosférica - não resisti ao "Burr", cronologicamente o primeiro - embora o primeiro a ser escrito tenha sido o "Washington D.C." (espero não me estar a enganar). Como leio mal em inglês, comprei também um dicionário de bolso bonitinho. Vamos a ver. Quando tiver novidades aviso.
|| asl, 17:34 || link || (0) comments |

Note-se que o Dylan é judeu.

A notícia de que Bob Dylan entrou num anúncio de "lingerie" só pode ser interpretada como uma confirmação da profunda preversão moral dos judeus. Ou não?
|| JPH, 16:44 || link || (0) comments |

Aviso

Para não pensarem que me converti definitivamente ao reacionarismo mais primário (sharonette, por assim dizer) devo anunciar que o meu raciocínio sobre o livro do Saramago (ou alguém mo empresta ou nada feito) também se aplica ao II volume da autobiografia do prof. Cavaco.
|| JPH, 16:40 || link || (0) comments |

Eu

Prontos, prontos, Ana, chega de umbismo. Assim estragas-me a minha brutice - que é a minha trade mark. E agora tratemos de coisas sérias: a que horas é que dá a bola? E quando é que nos vamos emborrachar?
|| JPH, 15:25 || link || (0) comments |

JPH

O bruto que há em mim sempre conviveu esplendidamente com o JPH. Com o JPH, posso dar largas a esse bruto, que adora humor “non-sense” e disparates avulsos. Acontece que o JPH é um falso bruto – isso eu sei há muito tempo, mas finjo que não sei. Para os dois, é mais fácil chegarmos à redacção e dizer:
- Atão pá
- Atão pá
Nunca nos damos com duas pessoas da mesma maneira. E, às vezes, “estabilizamos” de determinada maneira determinadas relações assentes em afinidades várias. A minha e a do JPH é antiga. Nenhum de nós se leva muito a sério e não temos paciência para pessoas que se levam muito a sério. Não gostamos os dois, como na anedota dos polícias, de acompanhar "intelectuais". Nem sempre é preciso falarmos muito para sabermos o que o outro pensa, mesmo que a tradução pública disso seja:
- Atão pá
- Atão pá
O bruto que há em mim está a habituado a ser gozado pelo JPH, nas suas distracções e outras desgraças. O bruto que há em mim goza o JPH. Ao longo destes anos já nos rimos muito – uma coisa que os dois gostamos muito de fazer – de nós e dos outros.
Depois dos mimos que o JPH me deixou aí num post abaixo, o bruto que há em mim ficou atarantado (os brutos ficam sempre assim em circunstâncias sensíveis), tão atarantado que só lhe ocorre dizer uma coisa:
- Atão pá?
|| asl, 13:55 || link || (0) comments |

Escrever para quem

É uma das técnicas de falar em público: no meio de um auditório fixa-se uma pessoa e fala-se para ela. A existência desse interlocutor - um rosto só - facilita a conversa. Às vezes, com a escrita, pode ser o mesmo: fixa-se alguém e essa fixação, em certas ocasiões, simplifica a escrita. Um rosto só, mesmo analfabeto.
|| asl, 13:30 || link || (0) comments |

Esta sim, é a verdadeira remodelação

Este nosso amigo agora vai ter menos tempo para blogar. Voltou a ser chefe - mas espero que não lhe passe pela cabeça deixar o blogue. Já o nosso colaborar secreto, que designamos genericamente por "Nuno Simas", deixou de ter desculpas para não postar. Ou não é assim, Nuninho?
|| JPH, 13:13 || link || (0) comments |

terça-feira, abril 6

"Sharonette"

Teve muita graça essa tua piada do "sharonette", Ana. Ontem fui à Assembleia e não houve quem não me gozasse - a começar, está claro, pelo Daniel "Barnabé" Oliveira. Por isso a tua graçola terá, evidentemente, uma resposta. Por ora não me ocorre nada.
|| JPH, 12:42 || link || (0) comments |

segunda-feira, abril 5

SOS pelo telemóvel

Aqui à porta, sentada no passeio, uma senhora discute pelo telemóvel. Discute com a mãe, segundo entendo. Discute alto, o problema era o destino de uma criança, filha dela, neta da senhora do lado de lá da conversa. Fugi da conversa, fugo sempre que me parece intima - verdadeiramente intima.

Hoje oiço conversas na rua (discussões familiares, conjugais, amorosas, laborais) que antes só muito raramente ouvia (e aí era preciso que os interlocutores estivessem cara-a-cara). Sei muito mais coisas que não devia saber - ou que pensava que só eu sabia porque só eu as vivia. As conversas de telemóvel fazem-me pensar que afinal, só uma coisa de essencial nos divide: o pudor (quer dizer: a educação). Não consigo deixar de falar ao telemóvel (com gente à volta) com uma mão a tapar-me a boca.

O problema, podem pensar, é da invenção do telemóvel. Pois não é: é de quem já perdeu o pudor todo. Desespero, solidão. A senhora que, sentada no passeio, à vista de toda a gente, berrava com a mãe, estava só a pedir socorro a quem passava. Eu, como sempre, fugi - não dou esmolas, não falo com desconhecidos.

Ou melhor: falo aqui. O que, afinal, não é muito diferente de discutir intimidades aos berros no meio de multidões.
|| JPH, 18:34 || link || (0) comments |

Ana

Ainda bem que estás de volta. Gosto muito mais (mas muito mesmo) do Glória Fácil quando cá estás. Não cessa de me espantar, a tua escrita. A Agustina que se cuide.

Quanto ao resto, pode estar descansada: está-me a passar a fase "sharonette" (que, paradoxalmente, resulta mais da ausência de convívio com o lóbi Sharon do Snob do que com excesso de convívio). Além do mais, é cansativo ser "sharonette". Naquela semana do assassinato do Yassin andei aqui num intenso tiroteio - e as audiências dispararam (o que me fez pensar que, na blogosfera, rende muito mais ser direita). Mas o tiroteio cansou-me e na semana passada adormeci.

E ia-me crescendo uma ilha na cabeça, a Terceira (que fiquei a gostar mais do que gostava), onde estive dois dias, o que tirava espaço às palavras. O Saramago irritou-me, como calculas (talvez um dia teorize sobre como é a própria "esquerda" que me empurra para a "direita"). Mas já não me sinto autorizado a dizer (como disse perante a "Paixão" do Gibson) algo do género "não li, não vou ler". Agora o argumento é outro: o tempo é escasso; a carteira também não se encontra particularmente recheada e portanto, quando houver tempo e se alguém me emprestar a coisa (para aquele peditório não dou) talvez a leia. Talvez...
|| JPH, 12:41 || link || (0) comments |

domingo, abril 4

Livrarias

O blogue mais sedutor que anda por aí está a falar de livrarias e a recolher histórias de livrarias. Vão à Natureza do Mal ver como é.
|| asl, 21:35 || link || (0) comments |

Escrever para quê para quem

Lesses tu blogues e eu esforçava-me mais um bocadinho
|| asl, 20:02 || link || (0) comments |

Lost in translation

O meu amigo A. já viu o "Lost in Translation" cinco vezes. O meu amigo A. é um homem sensível, doce, que gosta de cinema e de mulheres. Mas o meu amigo A. não viu o "Lost in Translation" só porque gostava muito. A. viu o "Lost in Translation" porque elas todas queriam ver o "Lost in Translation". E então A., comprava os bilhetes e, sensível, fingia sempre que era a primeira vez, para não as desconsolar. Silenciosamente, A., a cada visionamento ia descobrindo novos pormenores do Lost in Translation e é hoje o maior especialista da cena final.
|| asl, 17:38 || link || (0) comments |

Consulta

O Luís Eternuridade vai abrir um consultório para combater a realidade. Marquei consulta, mas há uma enorme fila de espera. Vou tentar a pequena corrupção: Luís, lembras-te, conhecemo-nos já há uns anos, somos os dois amigos da Alice.
|| asl, 16:45 || link || (0) comments |

sábado, abril 3

JPH

Ao nosso JPH, sempre em intenso convívio com o lobby pró-Sharon do Snob, anda agora a dar-lhe para bocas sharonettes. Prontos.
|| asl, 21:49 || link || (0) comments |

Ai o caraças dos polacos

É de Wislawa Szymborska este poema, no livrinho de papel acetinado, editado pela Cavalo de Ferro, "Alguns gostam de poesia".

Nada duas vezes

Duas vezes nada acontece
nem acontecerá. E assim sendo,
nascemos sem prática
e sem rotina vamos morrendo. (...)

Os dias não podem ser repetidos
não há duas noites iguais
não há dois beijos parecidos,
não se troca o mesmo olhar

Ontem o teu nome
em voz alta pronunciado
foi como se uma rosa
me tivessem atirado
|| asl, 16:21 || link || (0) comments |

Regresso

À realidade. A realidade. A REALIDADE. A realidade. A real idade. Arrelia dahhh! Arrelia...da-se!
|| asl, 14:24 || link || (0) comments |