Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

quinta-feira, setembro 30

O imobiliário e as autárquicas

O Jornal do Imobiliário, distribuido pelo diário da Rua Viriato, tem uma notícia premonitória para as próximas autárquicas.

Tem a foto de António Costa (ex-ministro da Justiça e actual eurodeputado do PS) e outra de Carmona Rodrigues (ex-ministro das Obras Públicas e actual presidente da Câmara de Lisboa). O título é «Costa vs Carmona em Lisboa».
«Ainda não são candidatos», mas são «os nomes mais fortes para travarem o combate» pela Câmara de Lisboa em 2005, pode ler-se no texto.

Na página 3, o Editorial, de Pedro Sousa Dias, tem o títutulo: «Os "Amigos dos Imobiliário"».
[Se é verdade aquela velha máxima que os mercados «antecipam» as decisões, então António Costa que se vá preparando para a viagem de regresso de Estrasburgo]
Fica registado!
|| Nuno Simas, 20:39 || link || (0) comments |

De Jan Garbarek à existência de Deus

Jan Garbarek deu, este ano, um concerto fabuloso em Lisboa, no CCB, revisitando temas jazzísticos de Visible World e Rites. A lotação não esgotou. O que encheu a sala foi a magia do som do saxofone do norueguês.

Outro concerto de Garbarek, esse sim verdadeiramente memorável, aconteceu em 1995, no Convento do Beato. Ao saxofone de Garbarek juntou-se o The Hilliard Ensemble, na altura em que foi publicado o álbum Officium. A mistura entre as obras litúrgicas, a cappella, do quarteto britânico e o saxofone de Jan Garbarek foi magistral.

Os quatro cantores [David Jones, Roger Covey-Crump, John Potter e Gordon James] percorriam lentamente os claustros [um autêntico profectorium enquanto cantavam. Garbarek ia acompanhando, ora com sax tenor ora com sax soprano.
Sons divinos!

Quem me conhece, sabe que sou ateu, mas aos meus amigos católicos já confessei que, a converter-me, seria pela música.

Jan Garbarek acaba de lançar um novo álbum. Chama-se In Praise of Dreams

|| Nuno Simas, 17:48 || link || (0) comments |

Bússola política (II)

O que tem graça é fazer a "Bússola Política" todos os dias. Hoje, por exemplo, estou mais de esquerda e mais libertário do que ontem. Deve ser porque estamos no princípio do mês. Em podendo, sou libertário à brava.

PS - Não publico a minha bússula porque sou um analfabeto tecnológico e não consigo pôr a imagem. Mas digamos que me encontro mais ou menos no centro do quadrante inferior esquerdo.
|| JPH, 15:47 || link || (1) comments |

Bússola política (II)

O que tem graça é fazer a "Bússola Política" todos os dias. Hoje, por exemplo, estou mais de esquerda e mais libertário do que ontem. Deve ser porque estamos no princípio do mês. Em podendo, sou libertário à brava.

PS - Não publico a minha bússula porque sou um analfabeto tecnológico e não consigo pôr a imagem. Mas digamos que me encontro mais ou menos no centro do quadrante inferior esquerdo.
|| JPH, 15:47 || link || (0) comments |

quarta-feira, setembro 29

Bússola política

Quer saber até que ponto é de esquerda ou de direita ou de coisa nenhuma? Pois muito bem, então faça
este teste
, já disponível no farol da imprensa ocidental. E publique-o. Eu hei-de publicar o meu brevemente. A versão original, americana, está aqui.
|| JPH, 13:13 || link || (0) comments |

terça-feira, setembro 28

Sinto-me enganado... e a culpa foi do algoritmo!

Afinal a ministra da Educação enganou-nos a todos: a lista de colocação dos professores nas escolas não foi feita «à mão», como prometeu, mas sim por computadores... Uma modernice!... E é um insuspeito dirigente sindical da Federação Nacional dos Professores (FNE), Augusto Pascoal, que explicou a «coisa» à Lusa.

Disse ele que as listas foram processadas por via informática e não manualmente: «Não seguiram a via manual mas sim a informática com um operador informático que conseguiu um algoritmo que resolveu o problema.»

Desculpem lá, um algoritmo?...

Ora bolas, então o culpado não era o ex-ministro David Justino, do PSD? O mesmo que dava a entender, este fim-de-semana, em duas-entrevistas-duas, que não tinha nada a ver com o «falhanço» [Santana Lopes dixit] da colocação dos professores e com aquelas trapalhadas todas do programa informático? [Quase apetecia perguntar se David Justino confirmava ou não que tinha sido ministro da Educação.

A culpa não era, como se poderia aferir pelas palavras do ex-ministro, do secretário de Estado, Abílio Morgado, do CDS/PP?

A culpa não era daquela senhora Joana Orvalho, directora-geral, que foi despedida via Expresso?

Mas se a culpa foi do algoritmo, estão TODOS absolvidos. PARABÉNS!

|| Nuno Simas, 19:30 || link || (0) comments |

'Post' que talvez conduza a uma reflexão sobre a liberdade individual e sabe-se lá que mais

Quando o Nuno nos explica tudo sobre a perspectiva judaica do aborto, a mim dá-me vontade de lhe perguntar:

- E tu Nuno, que perspectiva tens sobre o aborto?
|| JPH, 11:24 || link || (0) comments |

Seja bem vindo!

Já me tinham avisado: Filipe Nunes Vicente (aka FNV) estava para regressar. Confirma-se. Hoje de madrugada voltou à nau do Mar Salgado. Pois que seja muito bem vindo. Este vasto oceano blogosférico precisa de ser navegado por marinheiros assim.

PS - Hei-de um dia conseguir fazer um 'post' sobre o Mar Salgado sem metáforas náuticas. Juro!
|| JPH, 10:53 || link || (0) comments |

sexta-feira, setembro 24

Perguntas que carecem de resposta urgente

O Gato Fedorento saiu da grelha da SIC/Radical? Sim ou não?

Se sim, porquê? E será recuperado onde? E quando? E com o mesmo formato ou com outro?

Resposta ao nosso mail, ali à esquerda. Obrigado.
|| JPH, 16:29 || link || (0) comments |

Mimos de Paris

Veio sempre tanta coisa de Paris: cegonhas e criancinhas, exilados e emigrantes, a semiologia e eu sei lá. Ontem, chegaram aqui uns mimos barnabaicos. Mas o que tem o sítio, o que é que tem?
P.S. O André disse que o último filme de Agnès Jaoui é imperdível. "O Gosto dos Outros" já tinha sido uma das melhores coisas de há duas "saisons" atrás. Ai, Castella!
|| asl, 01:02 || link || (0) comments |

quinta-feira, setembro 23

O que se repete

Dizes que dormirás nas Flores como se fosse no Faial. E não será assim, não ouvirás as vozes dos fantasmas, a maldição dos Dabney e a de Margarida Terra, e nem podes fingir que o gin não tem gin e a protecção da Nossa Senhora do Almoxarife. Não se deve desafiar a geografia, a única coisa que se repete.
|| asl, 16:43 || link || (0) comments |

Sade, São Paulo, Mitrokhine

Há por aí (na blogosfera) algum psicanalista que não se importe de dar uma consultinha à borla? Pergunto isto porque tenho uma dúvida: que insondáveis mecanismos do subconsciente (ou doutra coisa qualquer) levam um tipo a saltar da leitura da "Filosofia na alcova" (que não conseguiu acabar) para uma (excelente) biografia de Paulo de Tarso (de Alain Decaux, na Quetzal) e depois para os "Arquivos Mitrokhine" (D.Quixote).

Há explicações psicanalíticas para o fio da leitura que um homem vai seguindo? Para poder ser considerado uma pessoa saudável, o que deve este tipo ler a seguir?
|| JPH, 15:28 || link || (0) comments |

quarta-feira, setembro 22

O velho e o galã de novela

O José Eduardo Agualusa é um dos meus escritores preferidos -talvez o melhor de todos os "rapazes" que costumo ler. Justamente, como diz a revista Época (não consigo agora fazer links e cheguei lá através do Ivan d'A Praia)"virou um escritor em moda no Brasil". A revista Época diz que também é pelo "visual de galã de novela" - ora, não é visual de galã de novela que faz de Agualusa um grande escritor em qualquer parte do mundo, embora ele, o visual de galã de novela, seja uma existência material. Adiante. Diz A Época que foi "o visual de galã de novela e principalmente os romances leves e povoados de aventuras que converteram esse angolano de 43 anos, e aparência de 25, em figura popular no meio cultural". Caetano foi o primeiro a chamar a atenção para os "links" que Agualusa permanentemente faz entre África, Europa e Brasil.
O que me desgostou no homem do visual de galã de novela não foram as críticas ao pessimismo de Saramago. Percebo-as. O impressionante é que um galã de novela acabe a crítica a dizer de um homem de 80 anos que é "um velho". Obrigadinha.
|| asl, 22:34 || link || (0) comments |

Terrivelmente doces

Passei o dia a falar com pessoas que têm vozes doces e cantadas. Maus hábitos. Risco os dias que faltam até ao dia de rumar a terra não firme. E aí, que estupidez, a mão estremece.(Obsessivamente voltarei aos lugares onde fui feliz)
|| asl, 22:11 || link || (0) comments |

Outono

Com o Outono voltam os hábitos e dá-se por finda a anormalidade estival (não estou a falar de política). O blog é um hábito, como qualquer outro. A Julinha não se habituou.

|| asl, 22:10 || link || (0) comments |

terça-feira, setembro 21

Choque anti-tecnológico

"Não podemos depender de máquinas", disse há uns minutinhos o PM para justificar o caos na colocação dos professores. Portanto: vai ser tudo feito à mão. Boa! Desta não me tinha lembrado! E o "e-government", qu'é feito dele? Será com pombos-correio?

Na lógica deste verdadeiro choque anti-tecnológico veremos no final da legislatura o PM a comunicar com os portugueses por sinais de fumo. Qual televisão qual quê! Rádio? Isso é muito sofisticado! Jornais? Telexes? Nem pensar! Sinais de fumo, isso sim. Tenho a impressão que será tão confuso como agora. Provavelmente até menos.
|| JPH, 21:00 || link || (0) comments |

Por absurdo...

... é desta que o dr. Mira Amaral vai perder o direitozinho ao passezinho social. Agora que está na reforma!
Ora leiam a notícia aqui.
|| Nuno Simas, 13:12 || link || (0) comments |

E a taxa Tobin, dr. Bagão?

Aviso: o que vai ler a seguir é uma provocação!

Já regressei – sim, sim, as férias foram boas, mas curtas – e que vejo eu na blogosfera e não só?
Uma animada discussão sobre o fim das isenções fiscais dos PPR e PPR/E, por proposta desse perigoso esquerdista de inspiração católica, dr. Bagão Félix! Perigosos esquerdistas, como Vital Moreira, aplaudem, entusiasmados. Ainda que isso penalize as classes médias. Mas isso não deve interessar grande coisa!

Cá por mim, só me converto ao beato Bagão quando o progressista ministro aderir à ATTAC e adoptar a taxa Tobin (sobre operações cambiais). Sabem qual é? É aquela que o engº Guterres defendia quando punha a gravata de presidente da Internacional Socialista e que depois esquecia mal vestia o casaco de primeiro-ministro em Portugal.


|| Nuno Simas, 11:48 || link || (0) comments |

sábado, setembro 18

A refinaria

Vendo a fotografia, hoje, na capa do PÚBLICO, do imenso terreno ocupado pela refinaria de Leça da Palmeira...e sabendo que o Governo quer pôr aquilo à venda...e que Santana Lopes já garantiu que depois da venda não será permitida ali qualquer "especulação imobiliária"...eu percebi de imediato!

O governo quer dar a Matosinhos um magnifíco Parque da Cidade, todo florestado e cheio de riachos e relvados e escorregas e baloiços para as crianças e montes de mesas de pedra para as famílias do concelho fazerem grandes piqueniques ao fim de semana!

Sim, sim! Só pode ser isto! Quais prédios de luxo com grandes varandas viradas pró mar, quais condomínios fechados com seguranças privados, quais centros comerciais, qual quê! Quanto muito, uma habitaçãozinha social, coisas baixinhas (três andares, no máximo), a preços controlados, para o "povão" da cidade, os que moram nas "ilhas" do Porto e noutros bairros degradados, os casais jovens a iniciarem-se na vida laboral, enfim...como dizer?...esses.

Depois das garantias dadas pelo PM é impossível acreditar que aquilo se tornará numa espécie de Parque das Nações do Norte, uma coisa luxuosa e exclusivista! Nem pensar nisso, estão doidos ó quê?! Aquilo vai ser para o o povão usufruir de lés-a-lés e os ricos que fiquem lá pela Foz, que aí é que estão bem.

(É certo que este novo Parque da Cidade vai ficar aí a uma meia dúzia de quilómetros de um outro, o do Porto. Até já lá estive e fiquei com sensação que cabe lá a população inteira do Porto (e a de Matosinhos) e ainda sobra espaço. Mas também, verdade se diga, que fui lá a um sábado à tarde, aí pelas 16h30, fazia sol, lembro-me bem. A essa hora o povo do Porto e arredores costuma estar todo enfiado nas "matinés" do Norte Shopping, já se sabe. Não admira que aquilo me tenha parecido muito vazio...estupidez a minha...aquilo é pequeníssimo...é evidente que faz falta a Matosinhos um grande Parque da Cidade...e até lá podiam pôr um jardim zoológico, que o da Maia é longe.)
|| JPH, 19:46 || link || (0) comments |

sexta-feira, setembro 17

Isto sim, é um escândalo (II)

1. Ler o post anterior

2. Já leu? Ok. Sendo assim, é de justiça dizer (até ver...) que o ministro das Finanças parece ter, afinal, "vergonha na cara". Entrevistado ontem à noite na RTP-1, Bagão Félix considerou a reforma de Mira Amaral como "quase obscena" (não entendi o "quase" mas adiante). O ministro disse ainda que tinha dado instruções ao novo presidente da CGD, Vitor Martins, para alterar o tal esquema que permitiu a Mira Amaral encaixar mensalmente uma reforminha de 18 mil euros (3600 contos) mensais. Repito: até ver, parece-me que o sr. ministro reagiu como tinha de reagir.

3. Quanto ao resto da entrevista, confesso: não me desagradou de todo, até porque Bagão Felix se deixou de paternalismos quanto à gestão dos orçamentos familiares.

4. Evidentemente que o sr. Presidente da República se deve ter sentido muito reconfortado ao ouvir as sucessivas garantias por parte do sr. ministro de que manterá o compromisso (que viabilizou este governo) da contenção orçamental.

5. O Glória Fácil apurou que, na parte em que Bagão disse que o défice já não era uma "obsessão", Sampaio estava a "zapar" por outros canais à procura de um resumo do Sporting-Rapid Viena.
|| JPH, 14:01 || link || (0) comments |

quinta-feira, setembro 16

Isto sim, é um escândalo

Depois de um ano e nove meses na CGD, Mira Amaral pode vir a receber uma reforma de 18 mil euros (3600 contos) - denunciou a CGTP.

Isto sabe-se numa altura em que o ministro das Finanças, Bagão Félix, (que até tutela a CGD) desperdiça grande parte das suas energias a dar-nos lições de gestão doméstica.

Depois desta história da reforma de Mira Amaral, eu gostava de saber onde é que Bagão Félix arranja cara para dizer o que tem dito. Por mais que eu puxe pelos neurónios, não há maneira de desencantar uma frase elegante sobre este assunto. Não consigo melhor do que isto: devia era ter vergonha na cara, o sr. ministro das Finanças.
|| JPH, 15:27 || link || (0) comments |

quinta-feira, setembro 9

O insubmisso reacionário

Tenho um amigo reacionário, o David Dinis, que decidiu, com um amigo, fazer um blogue, O Insubmisso. Fica aqui nota do acontecimento. É importante porque fazem falta à blogosfera vozes que representem a direita inteligente.
|| JPH, 20:54 || link || (0) comments |

terça-feira, setembro 7

"Ai Açores"

No Causa Nossa Luís Nazaré escandalizou-se com o facto de o candidato da coligação PSD/CDS à presidência do governo regional dos Açores, Vitor Cruz, ter prometido que, em caso de eleição, baixará as as tarifas aéreas inter-ilhas em vinte por cento.

Acrescenta Luís Nazaré: "Pouco lhe importa [a Vitor Cruz] a situação financeira da SATA, as regras básicas de funcionamento das empresas, a disciplina orçamental, pública e privada, ou outras questões "menores", totalmente ausentes das preocupações do populismo e da demagogia. Ele quer simplesmente convencer o eleitorado que, com a sua clique, os Açores poderão ser uma nova Madeira, chantagista e subsídio-dependente. O que pensará o Senhor Santo Cristo?"

Sim, sim, pois, pois. Por mim só recordo ao dirigente socialista Luís Nazaré que, há oito anos, quando disputava a presidência do governo regional, o socialista Carlos César prometeu exactamente a mesma coisa, e até invocando o facto de na República mandar um governo do seu amigo António Guterres. Só mais uma coisa: César ganhou.
|| JPH, 15:26 || link || (0) comments |

sexta-feira, setembro 3

Adolfo, o bicho do papel

Tenho um amigo, o Adolfo Palma, com quem um dia, há muitos, muitos, muitos anos, fiz uma lista para concorrer a uma associação de estudantes, a lista B.

Já tinhamos os dois andado separados naquelas guerras mas naquele ano decidimos-nos pela unidade. E apostamos numa campanha em grande, cheia de papelada para distribuir à malta e autocolantes e o diabo-a-quatro. A lista despertou algum entusiasmo e, inclusivamente, a adesão de miúdas muito giras, uma das quais, a Eva, brasileira, inventou um "slogan" assassino que por uns segundos nos abalou (a mim e ao Adolfo) a nossa "ética" de esquerda (mas depois deixamos passar porque, enfim, até tinha a sua eficácia). Era assim, o slogan:

VOTA NA B
QUE A EVA VAI COM VOCÊ


A campanha foi mesmo em grande. E cara, claro. Foi nessa altura que eu tomei conhecimento de uma pancada do Adolfo: a filatelia. Soube porque o Adolfo me disse que tinha vendido um selo da sua preciosa colecção para pagar a propaganda. Eu pensei "este tipo é doido" e nunca mais liguei ao assunto. O slogan da Eva foi de tal modo bem sucedido que, à última da hora, as listas da JSD e da JC fizeram uma aliança. Isto é: a B perdeu (naquela escola foi a história da nossa vida).

O Adolfo foi à vida dele e eu à minha. Foi jornalista (começámos quase ao mesmo tempo) e agora já não é. Deixou-se de políticas - mas continua atento. Há dias reencontrei-o e então percebi que, de todas as pancadas que tinha na altura, uma sobreviveu: a filatelia.

Hoje, 3 de Setembro, ele informou-me do lançamento de um blogue sobre o assunto. Perguntou-me se eu o não o achava "bonito pra caramba" e eu acho que sim. Chama-se Bicho do Papel. Vão lá e confirmem.
|| JPH, 22:04 || link || (0) comments |

HQEH

Não tenho por hábito fazer «isto», mas hoje é uma excepção. Peço licença a LFV para reproduzir um excerto de um texto. Divertido. Para amenizar o ambiente, muito carregado com aquelas postas dos «torpedos contra pílulas».

Homem que é homem
Luis Fernando Verissimo

Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar no que faria com a Feiticeira se a pegasse. Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 — uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas — você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinhas em conserva! HQEH arrota e não pede desculpas.
(...)
|| Nuno Simas, 21:12 || link || (0) comments |

«Torpedos contra pílulas» (iii)

Oh dr. Pedro Miguel*, vai uma perguntinha?
Para que quer V.Exª um debate sobre o aborto já este mês de Setembro se não quer mudar a lei propriamente dita até 2006? É só para «entreter» o povo?

Tenha cuidado, não vá alguém do seu partido propor um «livro branco» - aquela irritante moda do guterrismo - sobre s situação do aborto em Portugal!
(...)
pausa
(...)
Ah, dizem-me agora que a feitura do tal «livro branco» está em curso. O seu companheiro de partido António Pinheiro Torres, apoiante das teses anti-aborto, avançou com a ideia. Não era aquele estudo que era suposto estar pronto no final do ano passado, a pedido da Assembleia da República?

* Santana Lopes

|| Nuno Simas, 18:21 || link || (0) comments |

Homem na cidade

O N. decidiu-se, finalmente, por fazer o seu blogue. O N. tem uma característica que me parece rara na blogosfera: é comunista. Parece-me que esta "esquerda vermelha" (como ele diz) tem aqui pouca ou nenhuma voz - mas admito, é claro, estar enganado, porque é impossível ter uma visão de conjunto da blogosfera.

O blogue chama-se "Um homem na cidade" (homem-na-cidade.blogspot.com). É um belo nome da mais bela canção que Carlos do Carmo canta (letra de Ary dos Santos, música de José Luís Tinoco). E o N., que eu conheço, é de facto um homem na cidade. Tomem lá o poema, grátis.

HOMEM NA CIDADE
Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem.

PS - O N. assina "ns" (e não é, juro, o nosso Nuno Simas). É um blogue anónimo, portanto - mas tenho a certeza que tanto como o Terras do Nunca, que toda a gente sabe quem é. Do que também estou certo é que o N. nunca usará o seu "anonimato" como condição de ajavardamento do conteúdo do blogue. E parabéns pela coragem de assumir a cor política. É de homem...na cidade.
|| JPH, 16:15 || link || (0) comments |

quarta-feira, setembro 1

«Torpedos contra pílulas» (ii)

Soberania. A vice-presidente do PSD Helena Lopes da Silva defendeu - doutamente, diga-se - a proibição da entrada do Barco do Aborto em portos portugueses invocando a «soberania nacional». Por isso estão lá, a 12 ou 14 milhas da Figueira da Foz, uns «barquinhos» da nossa garbosa Marinha, a vigiar aquele perigoso bando de médicos e enfermeiras que ameaçam a «soberania nacional».
Dúvidas: Estarão os «barquinhos» armados com torpedos? A via armada é uma hipótese? O slogan do dr. Portas, o ministro-da-Defesa-líder-do-CDS/PP-defensor-mor-da-hipocrisia-nacional, podia ser: «Torpedos contra pílulas.»

Irlanda. O dr. Portas, que tanto gostada Irlanda e do seu crescimento económico e tal, bem poderia lembrar-se desse exemplo: a Irlanda, país católico, DEIXOU ENTRAR o barco da organização WOW e conservou (espante-se!) a sua «soberania nacional». A Polónia também e até entrou na União Europeia.
|| Nuno Simas, 13:30 || link || (0) comments |

«Torpedos contra pílulas» (i)

Andei a remoer esta posta... mas pronto, não resisti. É mais forte do que eu.
Lá vai! Com uma especial dedicatória ao dr. Portas, o ministro-da-Defesa-líder-do-CDS/PP-defensor-mor-da-hipocrisia-nacional.

Hipocrisia. Ainda bem que o barco da organização Women on Waves (WOW) está em Portugal. Porque deu um abanão a esta naçãozinha que vive na sua suave hipocrisia nacional, fazendo de conta que não vê o problema do aborto.
O PS, por culpa do católico Guterres, anda de má consciência desde aquela derrota no referendo de 1998 e lá vai tentando falar no assunto de vez em quando; sem grande convicção.
O PSD, que não quer ser de direita, sabendo que o partido está dividido nesta questão, poderia até estar aberto a discutir o assunto e encontrar soluções, mas está amarrado; amarado, no Governo, a um partido de direita, chefiado pelo dr. Portas, que tem de responder ao seu nicho de mercado, com posições «duras», passadas a papel químico da Igreja. Além disso, o novo líder, Santana Lopes, está muito mais à direita de José Manuel Barroso e, no íntimo, mais próximo do seu amigo Paulo.
O PCP e o Bloco, mês sim mês não, voltam ao assunto. São coerentes: sempre defenderam a despenalização, a descriminalização do aborto.
Entretanto, milhares de mulheres portuguesas continuam a atravessar a fronteira para ir fazer abortos a Espanha. Ó dr. Portas: qual é a diferença entre ir a Espanha fazer um aborto ou apanhar um barco até às 14 milhas para o fazer a bordo do barco da WOW, em águas internacionais? Uma pista: a resposta não está em qualquer tratado internacional marítimo.
|| Nuno Simas, 13:18 || link || (0) comments |