Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

terça-feira, agosto 30

E Alegre se fez triste...

Manuel Alegre preferiu ficar onde estava e não avançar por dividir a esquerda. Até porque sabia que a sua candidatura a Belém estava condenada.

Em Viseu, notou-se tristeza nas palavras do poeta. E azedume nas palavras do político.

O deputado-poeta queria ir às eleições, mas o seu ex-amigo Mário Soares atravessou-se no caminho. E desistiu. O poeta não conseguiu levar a melhor sobre o político!!!!

Manuel Alegre escreveu um poema que Adriano Correia de Oliveira cantou nos tempos de resistência ao fascismo. A música é de José Niza.

Para quem nunca leu, cá vai o poema sem pontos finais nem vírgulas.

E alegre se fez triste

Aquela clara madrugada que
Viu lágrimas correrem no teu rosto
E alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno Agosto
Ela só viu meus dedos nos teus dedos
Meu nome no teu nome e demorados
Viu nossos olhos juntos nos segredos
Que em silêncio dissemos separados
A clara madrugada em que parti
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
Por onde o automóvel se afastava
E viu que a pátria estava toda em ti
E ouviu dizer adeus essa palavra
Que fez tão triste a clara madrugada
Que fez tão triste a clara madrugada
|| Nuno Simas, 21:46 || link || (3) comments |

e agora, algo de completamente diferente

muito bom o texto de antónio guerreiro no actual do expresso de sábado passado, uma reflexão sobre questões relacionadas com isso a que se chama homossexualidade, na sequência de um outro muito bom texto de joaquim manuel magalhães, a propósito da aprovação dos casamentos gay em espanha e da espantosa de admirável e certeira forma como o primeiro-ministro espanhol explicou porque é que aquela medida é uma obrigação de um governo socialista e de uma sociedade que se quer justa, livre e onde, como se diz na declaração de independência dos eua (ou será na constituição? ai, estes meus pobres neurónios...), o direito à procura da felicidade é para todos.

com estas acções e estas palavras, zapatero colocou-se na vanguarda da civilização -- como todos os que se opõem a estas acções e palavras, de bin laden a bento xvi, passando por todos grunhos e grunhas do planeta, se remetem à barbárie.

é nestas alturas que eu, que tive uma avó nascida em barcelona, lamento amargamente que ela não tenha por lá ficado e constituído família em terra de gente com ganas.
|| f., 13:57 || link || (0) comments |

no country for old men (resumo roubado na net)

Set in our own time along the bloody frontier between Texas and Mexico, this is Cormac McCarthy’s first novel since Cities of the Plain completed his acclaimed, best-selling Border Trilogy.Llewelyn Moss, hunting antelope near the Rio Grande, instead finds men shot dead, a load of heroin, and more than $2 million in cash. Packing the money out, he knows, will change everything. But only after two more men are murdered does a victim’s burning car lead Sheriff Bell to the carnage out in the desert, and he soon realizes how desperately Moss and his young wife need protection. One party in the failed transaction hires an ex–Special Forces officer to defend his interests against a mesmerizing freelancer, while on either side are men accustomed to spectacular violence and mayhem. The pursuit stretches up and down and across the border, each participant seemingly determined to answer what one asks another: how does a man decide in what order to abandon his life?A harrowing story of a war that society is waging on itself, and an enduring meditation on the ties of love and blood and duty that inform lives and shape destinies, No Country for Old Men is a novel of extraordinary resonance and power.
www.cormacmccarthybooks.com
|| f., 13:52 || link || (3) comments |

cormac

e para não destoar da veia literária que atravessa este blogue, incito à leitura do novo cormac mccarthy. para abrir o apetite, o sr meio eremita deu uma entrevista à vanity fair, a segunda da vida, onde se descobre que passa parte do tempo entre cientistas, num instituto lá do texas onde é o único escritor. o homem das planícies, dos cavalos e dos lobos e das paixões sangrentas, que detesta proust e henry james e incensa moby dick, no meio de cientistas? surprising indeed.
|| f., 13:43 || link || (0) comments |

vivó

vivó nuninho, viva! voltou! regressou das profundezas silentes lá onde se acoita meses a fio! viva, viva!
|| f., 13:41 || link || (0) comments |

Luiz Pacheco, agora a despropósito e com a ajuda de Espuma dos Dias

Peço emprestado um pedaço de post em Espuma dos Dias.

É um excerto de um dos melhores textos do Pacheco, o outro. É de "A Comunidade", na sua versão da Contraponto (1964).

"Quando a dor no peito me oprime, corre o ombro, o braço esquerdo, surge nas costas, tumifica a carótida e dá-lhe um calor que não gosto; quando a respiração se acelera em busca duma lufada que a renasça, o medo da morte afinal se escancara (medo-mor, tamanha injustiça, torpeza infinita), (...) aperto a sua mão débil e branca. Quero acordá-la. E digo: «não me deixes morrer, não deixes...» Penso para comigo, repito para me convencer: «esta pequena mão, âncora de carne em vida, estas amarras suas veias artérias palpitantes, este peso dum corpo e este calor, não me deixarão partir ainda...» E aperto-lhe a mão com força, e acabo às vezes por adormecer assim, quase confiante, agarrado à sua vida.
Ah, são as mulheres que nos prendem à terra, a velha terra-mãe, eu sei, eu sei ! São elas que nos salvam do silêncio implacável, do esquecimento definitivo, elas que nos transportam ao futuro, à imortalidade na espécie (nem teremos outra) pelo fruto bendito do seu ventre (eu sei, eu sei...)"
|| Nuno Simas, 02:20 || link || (0) comments |

Uma noite de leitura no computador (ACTUALIZADA)

Gosto de contos. Tanto como de romances. Os contos são romances supersónicos, romances concentrados. Daí não ser fácil escrevê-los! Em Portugal, apesar de bons contistas, o género não tem muitos seguidores.

A revista Ficções, de Luísa Costa Gomes, escritora, é uma excepção.

Há uma edição papel (11 números normais e seis temáticos... férias, guerra filmes) e há a edição on-line. A primeira é boa companheira de viagens e férias - estão lá os clássicos (portugueses e não só) e outros menos conhecidos. Além dos totalmentes desconhecidos.

Foram trinta e tal páginas que estive a ler esta noite. Páginas que resultam da Oficina de Escrita de Conto 2005. São bons textos.

Gostei! Gosto de contos. Tanto como de romances.

No site, está disponível um dos melhores contos que li até hoje, "A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho", de Mário de Carvalho.
Imaginar cavaleiros árabes a descer a Avenida Gago Coutinho numa manhã caótica de trânsito em Lixbuna por um engano na máquina do tempo... Depois, vinha a brigada anti-terrorismo, o Exército, a PJ prendia-os por suspeita de pertencerem à Al Qaida do sr. Bin Laden! A SIC e a TVI interrompiam as emissões para os "directos", a CNN destacava uma equipa. Uau! Ah, se Mário de Carvalho actualizasse o conto!
|| Nuno Simas, 01:48 || link || (0) comments |

domingo, agosto 28

Um post pessimista

O "El Pais", o melhor jornal europeu, dedica hoje umas quantas páginas a Portugal no suplemento Domingo, com direito a editorial e tudo! E a imagem que passa é tudo menos boa. Pode resumir-se assim o artigo de Margarida Pinto: adeus às ilusões portuguesas. Surpresa? Nã… Se fosse possível o país olhar-se ao espelho, tudo o que veria era esse lado cinzento, sombrio e triste. Dava letra para um fado e tudo!

O cenário de fundo do artigo do "El Pais" é o verão quente dos incêndios e o título da peça é “As ilusões devastadas de Portugal”, ilustrada com a fotografia de uma mulher em lágrimas durante um incêndio na aldeia de Outeiro, distrito de Viseu.
É o retrato de um país devastado. O desespero causado pelos fogos é uma metáfora do estado do país e da falta de respostas para outros problemas – o desemprego nos 7%, as famílias endividadas, a desertificação, a falta de alternativas no Litoral, onde vive 80% da população, os 27 mil incêndios deste ano, o fantasma do défice, o aperto do cinto decretado por um primeiro-ministro que prometeu não aumentar impostos e afinal fez o mesmo que criticou ao anterior inquilino de S. Bento... e aumentou os impostos! Uma lista de mazelas à la carte!

O pessimismo não é invenção dos partidos de oposição: do PS no passado, agora do PSD - PCP e Bloco de Esquerda, longe do círculo de poder, “vivem” desse mercado nacional do pessimismo (e da desilusão) há muitos anos.

De José Gil, filósofo do momento e autor de “Portugal, o medo de existir”, o "El Pais" cita uma longa frase. A todos os títulos exemplar: “Os fogos adquiriram um valor simbólico de tudo o que está a acontecer em vários âmbitos, como se devastação alcançasse distintos níveis. (…) Essencialmente, instalou-se a sensação de que a terra é devastada por culpa nossa, pela nossa negligência e incompetência. E a fatalidade associada aos incêndios acabou por contagiar o pessimismo sobre o futuro da nossa economia. É uma tragédia nacional por culpa dos portugueses e de todos os Governos. Afinal, duvidamos se teremos a capacidade de dar a volta a isto”.

Há um ano, Margarida Pinto fizera uma reportagem, em vésperas das eleições legislativas e que já era um retrato muito a preto e branco da alma lusitana, muito citado nos jornais e rádios. Pessoalmente, achei muito certeiro esse esquisso feito pela jornalista.

No trabalho do jornal espanhol, António Costa Pinto é o optimista de serviço. O sociólogo afirma que o país mudou muito em 30 anos, após a queda da ditadura fascista de Salazar e Caetano – o paós modernizou-se, entrou para a então CEE, aderiu ao euro, baixou a taxa de analfabetismo. “Não há motivos para pensar que o país se esgotou e não tem saída”, diz. Certo. O problema também se mede nas expectativas. Bastar ler os índices de expectativa e de confiança dos empresários e esses andam pelas ruas da amargura. Independentemente de alguns índices económicos até serem menos negros, segundo os analistas. Mas não pega. Governar também é gerir expectativas, além das taxas e dos índices económicos, e nisso, que também é política, José Sócrates tem falhado tanto como os outros.

E falha ainda nos detalhes, no simbólico, o simbólico que vale mais do que dez despachos e cinco entrevistas. O acto simbólico de não resistir à tentação de dar cobertura à nomeação de Armando Vara para a Caixa Geral de Depósitos ou de Fernando Gomes para a GALP.

Não há Expo 98 nem Euro 2004 que nos valha. Resta o fado!

Post Scriptum: Vejo agora no noticiário da SIC-Notícias que “não há incêndios activos em Portugal”.
|| Nuno Simas, 23:23 || link || (0) comments |

sexta-feira, agosto 26

Os 25 anos de Thomas Mann


Os 50 anos da morte de Thomas Mann "perfizeram-se" neste Agosto (não sei se foram ou não suficientemente evocados, não dei por isso, estava de férias).
Interessam-me mais os 25 anos: era a idade que o homem tinha quando publicou "Os Buddenbrook".
|| asl, 19:55 || link || (0) comments |

provocação mesmo muito bem sucedida

o juanito peter pan lançou mais pérola neverlândica. parece que encontrou referências na lusa aos resultados preliminares de um estudo que assevera que o qi dos gajs é mais elevado que o das mulheres -- a partir dos 14 anos, parece. a diferença afere-se nuns cinco pontos de média, mas, ainda segundo o estudo, aumenta nos qis mais elevados.

ora isto é realmente muito interessante. thought provoking mesmo -- pelo menos para quem tenha qi pra isso, coisa da qual, de repente, não estou bem certa.

a autoria do estudo, a avaliar pelos nomes, é garante de qualidade: são gajos. logo, deve DE ser verdade.

portanto a questão de fundo é saber afinal de que género são os indigentes mentais todos que tenho conhecido. e, já agora, as génios todas que conheço, a começar pelas minhas amigas e a acabar em mim.

será que...???? oh, que horror. não pode ser. não podemos ser todas homens! não dizemos (muitos) palavrões! não temos (rapamos) pêlos nas pernas! não temos (espero) barba! não chamamos mulas (quase nunca) às outras gajas! não pensamos só (também nos lembramos da roupa) em sexo! e -- isto é a prova dos nove -- não estamos no governo nem nas administrações nem nas direcções de nada e sabemos como se liga a máquina de lavar loiça!

portanto voltem, talibãs, estão perdoados -- e já agora passem o detergente

(juanito, não tens de certeza um amigo na lusa que inventa estudos, pois não? desculpa a minha estupidez, prontoS -- i can't help it)
|| f., 16:46 || link || (0) comments |

A puta da realidade

Leio por aqui e por ali, pela blogosfera fora (aquela que leio), nos posts, nas caixas de comentários, nos correios dos leitores, inúmeras referências que revelam exaustão em relação à cobertura dos incêndios - e, como sempre, o bombo (principal, mas não único) da festa são as televisões.

Estão fartas, as pessoas. Já não há paciência: o "popular" desesperado com o fogo; o bombeiro que se queixa da "falta de meios"; o ministro que diz isto e mais aquilo e mais aqueleoutro, sabe-se lá o quê, ninguém verdadeiramente o registou porque ninguém verdadeiramente está disposto a ouvi-lo; o Presidente da República que volta a invocar, pela enésima vez, a porcaria dos "desígnios nacionais" - expondo assim a sua triste impotência, para não dizer total dispensabilidade.

De todos os comentários que já li pela blogosfera fora, nem um único disse algo tão simples como isto: O problema essencial não é que se lê (ou não se lê) nos jornais, o que se ouve (ou não se ouve) nas rádios, o que se vê (ou não se vê) nas televisões. O problema essencial é mesmo a puta da realidade. E saber que, a não ser que chova (muito), para o ano tudo se repetirá, igualzinho, ponto por ponto, dia a dia, hora a hora. A puta realidade, volto a dizer.

Para o Governo (este ou outro qualquer), nada mais conveniente. Enquanto gastamos a nossa capacidade de indignação contra os mensageiros (a famosa "cobertura mediática"), não a gastamos contra a mensagem (os factos, a tal da puta da realidade). Não tarda nada há-de fazer caminho a proposta de não se transmitirem nas televisões os incêndios (Louçã lançou-a, António Costa deu-lhe eco, agora já vai no director da PJ). Boa ideia: é melhor é não falar na crise da Bolsa para não a agravar; ou no défice, para não o agravar; ou na miséria, para não a agravar; ou no "mensalão", para evitar que nos atinga.

Alienado é tanto um político que sugere às televisões que não filmem como um espectador que não percebe que o problema (principal) não é do jornalismo, é do facto em si mesmo. Estão um para outro. Merecem-se.
|| JPH, 16:09 || link || (0) comments |

provocação bem sucedida

tás enganado, juanito peter pan. a primeira coisa em que reparei quando voltei de férias foi outra, mas isso agora não se pode dizer. mas reparei também que precisavas de estímulo. para escrever no blogue, quer dizer.

resultou.

às vezes as minhas estratégias também resultam.

desta tua criada (vê lá se agora levas a sério a amabilidade e ainda me ofereces um detergente daqueles),
|| f., 14:15 || link || (0) comments |

Comércio do Porto

A Prensa Ibérica garantiu que os arquivos d'O Comércio do Porto e d'A Capital ficarão em Portugal. Foi o que li, ontem, no PÚBLICO. A intenção é cedê-los a entidades habilitadas para os gerir. Muito bem, é uma boa notícia. Só acrescento uma nota: de nada valerá ficarem os arquivos por cá se for para continuarem fechados, inacessiveis, mal tratados, a apodrecer, etc.

Quem quer que seja que tome conta deles deverá tratá-los, disponibilizá-los "on line", enfim, torná-los úteis (e nem me escandaliza nada que o serviço seja pago, estas coisas custam). Se não for assim então tanto se má como se me deu que os arquivos fiquem cá como em Espanha como no Burundi.
|| JPH, 12:45 || link || (0) comments |

Saudação

Que não te doam as mãos, ó interino!
|| JPH, 12:25 || link || (0) comments |

quinta-feira, agosto 25

Aqui ninguém se lembra de datas, mas enfim


Este blog fez dois anos no dia 10 de Agosto. Aqui ninguém se lembrou: os gajos nunca se lembram de datas, e eu também me esqueço mais do que devia. A f. entrou mais tarde, não sabe, está ilibada. O objectivo deste blog está revelado num dos primeiros posts aqui escritos por João Pedro Henriques. Por exemplo, poder escrever esparramado ou contar como as palavras nos apareceram.


Palavras que nunca escrevi (I)
Sou operário da escrita, por via do jornalismo. Escrever palavras é uma das minhas funções. Às vezes chego a uma e espanto-me:
- É a primeira vez que te escrevo.
e fico a olhá-la no computador, para ver se fica bem, se outra não estaria ali melhor. Pergunto-me:
- Por onde tens andado?
Mas há outras palavras que uso todos os dias, ao falar, e que tenho quase a certeza que nunca escreverei, pelo menos num jornal. Esparramado é uma delas. No outro dia apareceu-me. De manhã. Foi depois de dar biberon ao meu bébé mais pequeno, o que faço sentado na cama, com as costas encostadas à parede fria, para arrefecer a temperatura do corpo. Depois do biberon deito-o ao meu lado, na minha cama. E ficamos os dois ali, esparramados, a olhar para coisa nenhuma, até que o sono nos tome outra vez, tranquilo e morno, durante mais um ou duas horas. É das melhores horas do dia. JPH
|| asl, 21:10 || link || (0) comments |

quarta-feira, agosto 24

last but not the least

ah, há quanto tempo não tinha o prazer de escrever esta expressão que há uns anos toda a gente que dava uma entrevista ou respondia a um inquérito e se pretendia 'bem' usava a propósito e a despropósito.

isto por causa daquela espantosa produção fotográfica plasmada nas páginas da caras com o actual presidente da câmara de lisboa mais uma das filhas (a mais parecida com ele, diz ele -- sem comentários, juro que não comento) a fingir que jogam raguebi, estiraçados em cima de uma mota, etc.

lindo.

lindo, lindo, lindo.

peço a quem perceba destas coisas que reproduza as ditas fotos aqui no blogue, que eu não sei fazer nem tenho vagar.

ouvi dizer que o contendor carrilho já anda aí todo entusiasmado com a comparação com o vídeo do dinis, como se nunca tivesse aparecido em revistas com a família -- embora, como se sabe, sempre por acaso, como daquela vez que foi à feira do livro, recentemente, ou por exemplo quando foi a angola com a mulher numa viagem de regresso às origens dela.

claro que não convém esquecer que o sr carmona quando foi do vídeo manifestou a sua desaprovação, ao que me lembro com a 'utilização' do reduto privado numa campanha. mas vieram os tipos das relações públicas e zás. virá a seguir o hino -- ou o vira? o fandango? o samba? -- ao menino engenheiro?

a graça é que as fotografias de improviso e acaso do casal carrilho saem sempre com ar muito mais produzido que a produção do pai e filha carmona, que não podia ter um ar mais improvisado.

é a vida, não é? não há justiça. tss, tss.
|| f., 18:07 || link || (0) comments |

Gripe das aves



Com a quantidade de frangos que facilmente se adivinham para Alvalade nos próximos tempos, não sei se não será o caso de as autoridades sanitárias mandarem encerrar o estádio. Vem aí a gripe das aves, caso não saibam.
(de um mail recebido por um amigo)
|| JPH, 17:52 || link || (0) comments |

a propósito de nada

estava a falar com a ana agora mesmo ao telefone e concluímos, a propósito de umas fotografias que saíram de um casamento de um ex ministro, que não há como as núpcias para revelarem o mais esconso das almas. tudo o que é porcaria a boiar dentro das gentes precipita-se à superfície nessas alturas. por essas e outras, adoro, positivamente adoro, casamentos (desde que não seja o meu -- eu cá vou de encontro a isso, como diz o povo).

adoro aquelas rendas, aqueles bilros, aqueles cetins, aqueles excessos de laca, aquelas jóias do baú, aquelas xanatas de missanga, aqueles drapeados, aquelas faixas nas flatulentes panças dos senhores, aqueles sapatinhos de verniz a cintilar.

mas isto sou eu que, como já devem saber -- ou ainda não ouviram dizer? -- sou má como as cobras. e tenho a mania, e etc.

e, sobretudo, tenho uma queda para a trivialidade. deve DE ser de ler muito a vanity fair e ver pouca tv portuguesa
|| f., 17:48 || link || (0) comments |

orgulhos

acho muito mal que o governo não peça ajuda à europa nisto dos incêndios. até gosto da ideia do orgulhosamente sós (no meu caso, no singular) mas isto é demais. então não se pode pedir, por exemplo, à alemanha para trocar de clima connosco?
francamente.
em que é que andam a pensar?
|| f., 17:32 || link || (0) comments |

terça-feira, agosto 23

Blogues encerrados

Não lamento nem o encerramento do Fora do Mundo nem do Aviz pela simples razão de que tenho quase a certeza de que se trata apenas de um intervalo nas respectivas actividades internéticas. Estão de férias e férias não se lamentam, são um direito constitucional.

Por isso, os lamentos devem ir para quem os merece. Falo do Jaquinzinhose do Terras do Nunca. Vá lá rapazes, deixem-se de merdas. É para V.Exas um prazer conviver connosco. E vice-versa.
|| JPH, 15:40 || link || (0) comments |

O drama de Sampaio


Dei por mim a pensar, hoje de manhã - seriam umas 11h10/11h15, mais coisa menos coisa -, que o cenário Cavaco "versus" Soares nas próximas eleições presidenciais é mesmo o pior que podia ter acontecido a Jorge Sampaio e ao seu lugar na história como Presidente da República.

E isto porque, ganhe quem ganhar, a verdade é que, depois, Sampaio ficará sempre como um Presidente de transição. Alguém que se limitou a percorrer ou o intervalo do cavaquismo (se Cavaco ganhar) ou o intervalo do soarismo (se for Soares). Não deve ser agradável viver com esta perspectiva.

Por mim, é bem merecido. Tenho consideração política pelo percurso histórico de Jorge Sampaio. Agrada-me a independência desprendida que sempre revelou tanto em relação à extrema-esquerda clássica (trotsquistas, maoistas, estalinistas, leninistas, etc), como em relação ao PCP (e a coligação em Lisboa não o nega, pelo contrário, confirma-o) ou em ainda em face ao PS clássico, republicano, laico, maçónico, o PS herdeiro directo de Afonso Costa e que tem hoje em Soares, novamente - depois da fase do "socialismo na gaveta" - a sua figura máxima de referência.

Mas os últimos tempos do seu mandato, da demissão de Durão às eleições antecipadas de Fevereiro passado, foram maus de mais para ser verdade. Não convocou eleições quando Durão partiu para Bruxelas - e tinha a melhor razão de todas para o fazer, a quebra de um compromisso central do partido vencedor com o país; e convocou quando não o devia ter feito, porque nenhuma dissolução pode ser levada a cabo só porque o primeiro-ministro é incompetente. Abriu-se um precedente complicadíssimo, direi mais, gravíssimo.

Espero, sinceramente, que esta questão seja central nas próximas presidenciais. Não tanto saber se Sampaio fez bem ou mal - é irrelevante, agora - mas saber o que fariam Cavaco ou Soares numa situação semelhante. E darem respostas claras e firmarem compromissos para o futuro. Se não existirem, contem com mais uma abstenção: a minha.
|| JPH, 13:44 || link || (0) comments |

Comércio do Porto - uma causa



Agora que parte da blogosfera se entusiasmou com o seu poder, parecia-me importante uma nova movimentação de grupo para salvar os arquivos do Comércio do Porto, os quais, segundo li hoje no PÚBLICO, parecem correr o risco de ser transferidos para fora do país.

A mim o assunto nada me diz, directamente. Isto é, não peço isto para que me seja útil, por qualquer razão. Mas tenho a certeza que para o estudo da história do país - e do Porto em particular - seria importantíssimo ter esse espólio à mão de semear, cá.

Não me interessa, também, a quem compete resolver o problema. Tanto se me dá que seja uma entidade pública como privada ou uma mistura das duas. Quem for mais competente que o faça. Só gostaria de ver o espólio devidamente preservado (digitalizado, internetizado, acessível), cá.
|| JPH, 12:56 || link || (0) comments |

segunda-feira, agosto 22

i'm back, girls (and boys)

graças ao jph, tenho finalmente um f independente.

estou autodeterminada.

e sabe tão bem que até estou a pensar em tirar a carta (auto-determinada, perceberam? eheh)

é bom, prontoS.

e para provar o meu estado de absoluta boa vontade, entro de cabeça na campanha para salvar a never never land, vulgo terrasdonunca: ó joão (m fernandes), já repararaste naquele novo anúncio de detergente em que um gajo vestido de mordomo, antes de enumerar as superiores qualidades do dito, começa por estabelecer o público alvo, com um amoroso e irresístivel 'queridas amigas'? só para o caso de passar pela cabeça a algum incauto espectador de qualquer idade, credo, religião ou estado de alma que faz algum sentido um homem interessar-se pela limpeza do chão -- a não ser, é claro, que seja um mordomo vestido de palhaço.

não há propaganda global nenhuma de subjugação e achincalhamento da mulher, não, joão. são as minhas lentes de contacto que têm este problema de me pôr a ver coisas que já não existem. mesmo.

f.
|| f., 23:31 || link || (0) comments |

wrong, wrong, wrong

you get them wrong before you meet them, while you're anticipating meeting them; you get them wrong while you're with them; and then you go home to tell somebody else about the meeting and you get them all wrong again.

since the same generally goes for them with you, the whole thing is really a dazzling illustration empty of all perception, an astonishing farce of misperception. and what are we to do about this terribly significant business of other people, which gets bled of the significance we think it has and takes on instead a significance that is ludicrous, so illequipped are we all to envision one another's interior workings and invisible aims?

is everyone to go off and lock the door and sit secluded like the lonely writers do, in a soundproof cell, summoning people out of words and then proposing that these word people are closer to the real thing than the real people that we mangle with our ignorance every day?

the fact remains that getting people right is not what living is all about anyway. it's getting them wrong that is living, getting them wrong and wrong and wrong and then, on careful reconsideration, getting them wrong again.

that's how we know we're alive: we're wrong.

maybe the best thing would be to forget being right or wrong about people and just go along for the ride. but if you can do that -- well, lucky you.

(philip roth, american pastoral)

f.
|| f., 23:10 || link || (6) comments |

sábado, agosto 20

Macro-causa

Cheira-me que o João "Terras do Nunca" Fernandes está com ideias de fechar o blogue. Acho mal. Mobilizem-se. Isto sim é uma causa. Uma macro-causa.
|| JPH, 18:59 || link || (3) comments |

Cães de guarda (IV)



Convém que a blogosfera nacional não leve demasiado a sério o seu poder político - porque é disso que se trata -, pelo menos para já. Não é por ter forçado o ministro Mário Lino a pôr cá fora um estudo sobre a Ota que se deve embandeirar em arco. Falta ainda muito caminho para se chegar ao panorama norte-americano. Mais do que auto-organização (que na blogosfera é um conceito sem qualquer sentido, absolutamente contra-natura), o que falta é persistência ou mesmo um certa capacidade para se tornar obsessiva (até à náusea) com determinados assuntos. Sendo que, neste caso da Ota, concordo totalmente com o Paulo Gorjão quando ele refere como decisivo o papel de Pacheco Pereira no processo (e, lá está, é de poder político que se fala).

Penso o mesmo quanto à capacidade para fazer a imprensa publicar notícias que nascem na blogosfera. Se fizermos bem as contas, são muito poucas, pelo menos no que toca a notícias de dimensão nacional. E, nesta contabilidade, não vale tomar em conta notícias investigadas por jornalistas que as antecipam nos seus blogues e só depois as publicam nos órgãos onde trabalham (como já aconteceu).

Nada, portanto, que se compare, de longe sequer, ao caso Dan Rather. Aliás, bem pelo contrário: a blogosfera política passa 99,9 por cento do seu tempo a transcrever notícias e comentar notícias dos media tradicionais, não acrescentando rigorosamente nada de noticioso que não se saiba já (veja-se o tratamento luso-blogosférico do "mensalão").

Não subestimo a capacidade de agenda setting dos blogues. Mas também não sobrevalorizo. Limito-me a constatar que - pelo menos por enquanto - se há agenda setting é dos media para os blogues e não o contrário. Haja calma.
|| JPH, 15:46 || link || (12) comments |

Cães de guarda (III)

Não sejamos ingénuos, como me parece que o Paulo Gorjão está a ser ao afirmar que "salvo excepções pontuais, quem não tem credibilidade não tem audiência". As excepções, sendo "pontuais", são graves e até já foram mais (o "caso" Muito Mentiroso") podendo perfeitamente poder voltar a sê-lo. Eu não subestimaria as "excepções pontuais".

Além do mais, a questão não é de "audiência" - que é escassa, apesar do crescimento do fenómeno blogosférico nacional - mas sim de "influência". Como bem explicou o Filipe Santos Costa, no Diário de Notícias, "os blogues de política são bastante lidos nas redacções dos media tradicionais e, desta forma, condicionam em certa medida o olhar da comunicação social". Por outras palavras: os blogues falam para poucos mas falam para quem tem influência, para quem os pode ampliar nos tais 'media' tradicionais. E nos media tradicionais há quem saiba distinguir o trigo do joio e quem não saiba (ou não queira, tanto faz). Um único blogue javardo pode condicionar toda uma campanha eleitoral ou um determinado momento político, como já aconteceu. E ninguém na blogosfera pode fazer nada contra isso, pelo menos em tempo útil.

Ao contrário do Paulo Gorjão parece-me que a blogosfera não tem, de facto, nenhum "mecanismo de auto-regulação". Não o lamento nem deixo de lamentar. Constato o facto. Como, em questões de blogosfera, sou absolutamente liberal - contra "auto-regulações" e "códigos éticos" e regulamentos afins - assumo o meu conformismo. Limito-me, de vez em quando, a mandar para a casota os "manueis" desta vida. Não vejo outro caminho.
|| JPH, 15:10 || link || (0) comments |

Cães de guarda (II)

Cães de guarda, portanto. É isso que o Paulo pretende. Na resposta, David Justino, do Quarta República, tirou-me todas as palavras da boca. Segundo escreveu, a ideia "parece assim reconfigurar-se em direcção a uma profusão de “mini-brothers” sedentos de denúncia e imaginando-se como guardiães de uma moral pública em acelerada degradação". E isto sendo ainda mais preocupante "quando alguns desses guardiães se manifestam sob a capa do anonimato, permitindo-lhes vasculhar, acusar, lançar suspeições, escrever as maiores barbaridades, sem que daí decorra o normal e saudável exercício da responsabilidade cívica e em alguns casos criminal". Em suma, é preciso ter sempre em conta que "a blogosfera é também, infelizmente, um extenso rol de casos de propagação de boatos, de lançamento de graves suspeições e de acusações muitas delas infundadas. Nela encontramos as expressões dos sentimentos mais mesquinhos, da ignorância militante e arrogante dos que se julgam tão conhecedores de tudo e mais alguma coisa".

Esta guerra faço eu minha, também. Aliás, já tinha aqui escrito uma coisa semelhante, num post de 6 de Maio passado.

Acrescento agora: há-de sempre haver alguém (no plural ou no singular) disponível para usar com as piores intenções possíveis toda informação (a errada mas também a verdadeira) que contra uns e outros for aqui despejada. Estarei a fazer filmes? Talvez. Mas a verdade é que sigo há muito tempo, e sem razões para mudar de ideias, uma versão pessoal da velha lei de Murphy: tudo o que pode correr mal corre certamente pior.
|| JPH, 14:08 || link || (0) comments |

Cães de guarda (I)

Traduza-se, à letra, watchdog: cão de guarda. Ou mesmo cão de fila. Traduzo por uma razão simples: em inglês a expressão não tem - para nós, portugueses - a mesma violência da que tem quando traduzida. Se estamos a falar dos blogues enquanto "watchdogs", falemos então da forma que verdadeiramente dói: os blogues (e os bloguistas, claro) enquanto cães de guarda. Se o Paulo Gorjão, que defendeu o papel da blogosfera - e o seu próprio, portanto - como watchdog dos poderes, já tenho as mesmas dúvidas se o faria nos mesmos exactos termos usando a expressão "cão de guarda". Eu não o faria, pelo menos. Que me chamem "watchdog" ainda vá lá; "cão de guarda" já soa muito pior. E pior mesmo só "chui", isso é que nem pensar.
|| JPH, 13:28 || link || (0) comments |

quinta-feira, agosto 18

It takes two to tango

Cegueira seria não reconhecer que a desocupação dos colonatos de Gaza é um caminho correcto e que o principal protagonista dessa decisão tem de ser saudado por isso. Chama-se Ariel Sharon. Um dia escrevi aqui que a paz em Israel passaria, inevitavelmente, pela "eliminação democrática" (foi esta a expressão, não outra, exactamente esta, lembro-me bem) dos dois principais protagonistas da guerra, Arafat e Sharon. Entretanto Arafat morreu. Foi bem substituído, por alguém aparentemente de bom senso, Mahmoud Abbas. Sharon deixou de ter pretextos para continuar a ser um falcão puro e duro. No caminho da paz são precisos dois para dançar o tango. Fez por isso, também, ainda antes da morte da Arafat, eliminando sucessivas lideranças do principal braço armado palestiniano, o Hamas, o que, faço notar, na altura saudei aqui como actos militares perfeitamente legítimos.

Enfim: Sharon parece ter alinhado no caminho certo. Podem-me dizer que isto da desocupação de Gaza é acessório, irrelevante, interesseiro, etc, etc. Sim, mas é um começo. Obviamente, depois virá a Cisjordânia. Isso sim, o grande jogo - e aliás temo que este problema seja bem mais complicado que Jerusalém. Mas não estaríamos agora a falar da Cisjordânia se Gaza não tivesse agora a ser desocupada. Está-se no bom caminho, o qual, a bem dizer, era o único caminho possível. E, volto a dizer, Sharon é nisso protagonista. Do lado bom da história, finalmente.
|| JPH, 16:27 || link || (0) comments |

quarta-feira, agosto 17

E vão 356

Foi encerrado um blogue em que o Pedro Mexia escrevia.
|| JPH, 16:34 || link || (0) comments |

Jornalistas e procuradores do MP

Os jornalistas respondem muitas vezes aos comentários de que são alvo na blogosfera usando os mails e as caixas de comentários dos blogues onde são criticados. É um direito que nos assiste.

Já outros profissionais gostam de comentar nos blogues o trabalho dos jornalistas mas sem aceitar, em troca, que o seu trabalho seja escrutinado. Cegos, nem entendem que assim não lhes assiste qualquer espécie de autoridade para criticarem quem quer que seja.

E, para que não restem dúvidas - e para que ninguém enfie injustamente a carapuça -, digo claramente de quem estou a falar. É do meu colega do PÚBLICO António Arnaldo Mesquita, que se atirou contra um tal de "José" na caixa de comentários este post lido no Incursões.

Ora o Mesquita atirou contra este suposto "José" - magistrado do Ministério Público em Viana do Castelo - uma decisão judicial sua lá sua comarca, ao que o alegado "José" respondeu: "Já disse que não faria aqui nenhum comentário sobre assuntos que dissessem respeito ao meu munus profissional e estou farto de escrever que não escrevo aqui nessa qualidade."

E o diálogo continuou, assinando o Mesquita com o seu nome (aamesquita) e o "josé" com o seu evidente pseudónimo. E o dito "josé", a certa altura, lá comentou o caso em concreto suscitado pelo Mesquita, violando o princípio, que ele próprio estabelecera, de não comentar o seu "múnus profissional" (meu Deus, que pomposidade, esta do "múnus"!).

E é assim que deve ser. Os senhores procuradores do Ministério Público têm uma profissão tão pública como os jornalistas - e quando falo em procuradores do MP falo em todos os outros operadores judiciais, juizes, advogados, polícias, etc.

Portanto, não podem estar à espera de criticar actos concretos de jornalistas e, na resposta, não serem criticados pelos seus próprios actos concretos. E, aliás, se fossem crescidinhos nem sequer tentavam argumentar como o sr. magistrado do MP "José" tentou no princípio da sua conversa com o António Arnaldo Mesquita. Porque depois são forçados a recuar. Fica-lhes bem, claro. Mas dá dó ver, isso dá.

PS - Li com atenção o post do Paulo Gorjão sobre a constituição da blogosfera como "watchdog" do mundo político (e económico, suponho). Hei-de comentá-lo.
|| JPH, 14:33 || link || (0) comments |

quinta-feira, agosto 11

Um campeão, sem dúvida


[Armando Vara]

Eu nem sei como é que ninguém se lembrou de enviar este senhor aos mundiais de atletismo em Hensínquia. É que chegar de modesto caixa numa modesta dependência da CGD algures em Trás-os-Montes a administrador do dito banco é, para além de um caso de excelente mobilidade social, um evidente sinal de que temos aqui um campeão capaz de trazer para o país uma medalha de ouro. E numa modalidade inédita nos anais do desporto nacional: a do salto à Vara.
|| JPH, 19:05 || link || (0) comments |

quarta-feira, agosto 10

Mulheres e touradas

Isto começou assim: o Rodrigo Moita de Deus, uma das melhores penas de O Acidental insurgiu-se contra a tourada só com mulheres cavalareiras que a TVI promoveu há dias nas Caldas da Rainha. Por acaso até vi o espectáculo, eu, que estou a começar a gostar de touradas (e de fados, deve ser da idade e do sítio onde agora moro, porque isto há uns aninhos era impossível, pelo contrário, falavam-me em fados e touradas e eu puxava da pistola). E numa coisa lhe dou razão: a condescendência. A certa altura o cavalo de uma delas (a Sónia Matias, se não erro) levou uma marrada que até a mim me doeu. Se há coisa detestável na tourada é um cavaleiro que faz sofrer a sua montada. E o comentador televisivo foi muito simpático. E a audiência, na praça, não se manifestou. Eu chamei-lhe de tudo, à tal da Sónia. Isto, enfim, para dizer que nessa parte concordei com o Rodrigo (que, corrijo, não é uma das melhores penas do Acidental. É mesmo a melhor, pronto, tá dito).

Acontece, todavia, que a certa altura o Rodrigo escreveu que nessas touradas as mulheres cavaleiras vão "vestidas de homem". Pois aí é que a porca torce o rabo (por assim dizer). Tenho por mim que a tourada é o espectáculo onde os homens mais se vestem como as mulheres: aquelas calcinhas muito justas (dos cavaleiros mas, ainda mais, dos homens do toureio a pé), aqueles debruados todos dos casacos dos cavaleiros, as cinturinhas sempre muito adelgaçadas, os coletes demasiado curtos (quer não toleram a menor pança, ou seja, que são totalmente anti-masculinos), e isto para já não falar nas meias de renda dos forcados. Tudo muito suspeito, devo dizer, ainda por cima numa coisa tão "macho man" como são as touradas.

(Aliás, em ajuda da minha tese veio a Rititi, que publicou uma fotografia que parece ser de um rabo de uma bandarilheira, percebendo-se, com toda a evidência, que é nos rabos femininos - e não nos masculinos - que aquelas calças ficam a matar.)

Enfim: percebo a reacção conservadora do Rodrigo. Não concordo, mas entendo. Mas quanto às vestimentas ele que me desculpe. Com a chegada das mulheres ao toureio começam finalmente a ver-se nas praças as roupas próprias da festa a serem usadas por pessoas para as quais parecem ter sido originalmente desenhadas. A bota começa a bater com a perdigota.
|| JPH, 19:17 || link || (0) comments |

Eu hoje acordei assim desfocada


Uma homenagem ao regresso do JPH, que só põe homens no blog com medo de levar na cabeça.
|| asl, 18:50 || link || (0) comments |

Ó Fernanda pá

Pois fica tu sabendo do seguinte: ainda não pus aqui nenhuma fotografia de mulher. Não calhou. Quem pôs foi a Ana. E as primeiras que ela pôs são de mulheres sem rosto em poses pornográficas, tiradas de um filme qualquer porno-chic que anda aí pelas salas. E depois o machista sou eu, né? Pois pois.
|| JPH, 15:56 || link || (0) comments |

Fotografias

As fotografias que eu aqui coloco aparecem sempre focadas. Já as da Ana aparecem sempre desfocadas. Ora isto faz-me pensar que as fotografias dos outros que aqui colocamos acabam por ser, de certa forma, fotografias nossas. Auto-retratos, por assim dizer.
|| JPH, 14:05 || link || (0) comments |

Mais dois ídolos

Este...

[Eric Tabarly, 1931-1998]

...e este

[Robert Capa, 1913-1954]

Dois heróis do século XX, dois grandes aventureiros, dois perfeccionistas. Dois monstros de referência em duas pancadas pessoais minhas de há muito tempo: a vela (Tabarly) e o jornalismo (Capa).

Foram, de certa forma, vítimas de si próprios. Tabarly dizia que se um marinheiro caia ao mar então é porque não fazia grande falta no barco. Na noite de 12 para 13 de Junho de 1998, velejando (em turismo, não em competição) ao largo do País de Gales, caiu ao mar e nunca mais ninguém o viu.

Já Robert Capa garantia que se uma fotografia não estava boa era porque não tinha sido tirada suficientemente perto. Morreu em 1954, na Indochina, quando uma mina lhe rebentou debaixo dos pés.
|| JPH, 13:43 || link || (0) comments |

terça-feira, agosto 9

All you need is one more song

A palavra `sexo´ foi a mais procurada na Internet pelos portugueses durante o primeiro semestre deste ano, divulgou hoje a Marktest
Lusa
|| asl, 19:48 || link || (0) comments |

The City.../Felix Krull

Em 1948, Gore Vidal publicou "A Cidade e o Pilar", uma novela sobre o amor homossexual. Mandou um exemplar ao seu venerado e já velho Thomas Mann, que lhe respondeu com uma simpatia banal, trocando-lhe o nome. "A Cidade e o Pilar" torna-se um "best-seller" mas Vidal, que a América tinha na boa conta de soldado cumpridor, numa besta célere.
Anos mais tarde, ficará a saber pelo biógrafo de Thomas Mann que a leitura de "A Cidade..." impulsionou Mann a retomar "Felix Krull", último romance iniciado na juventude.



"Sábado, fim de tarde, 25.10.50
Será possível começar de novo Felix Krull? Conheçoo suficiente do mundo, há gente suficiente, há conhecimento suficiente? O romance homossexual interessa-me não só pela experiência do mundo como pela viagem que oferece. O meu isolamento consegue apanhar experiência suficiente dos seres humanos, bastante para um romance sócio-satírico?

Domingo, 26.10.50
Ocupado com os papéis, confuso.
Continuei a ler o romance de Vidal.

Quarta, 29.10.50
Os papéis Krull (sobre a prisão). Sempre com dúvidas. Pergunto-me se esta música determinada por um "tema apaixonante" é apropriada aos meus ouvidos... Terminei o romance de Vidal, comovido, embora seja um pouco imperfeito e desagradável. Por exemplo, quando Jim leva Bob a um bar de homossexuais em Nova Iorque.
"

[Do diário de Mann citado por Gore Vidal no prefácio de "A Cidade e o Pilar", D. Quixote]
|| asl, 19:06 || link || (0) comments |

segunda-feira, agosto 8

Império Vidal

Burr
1876
Hollywood
Lincoln

Estes são os romances do Império que falta traduzir para português. Da fantástica saga de Gore Vidal há o "Washington D.C." na D. Quixote (embora quase já não se veja nas livrarias), o "Império" reeditado recentemente na colecção Mil-Folhas do PÚBLICO e "A Idade do Ouro", que encerra o "ciclo", editado no fim do ano passado pela editorial Notícias. Era um serviço à pátria que um editor bondoso fizesse o favor de os pôr aí à mão. Estão na Fnac em inglês, mas dá mais trabalho.
|| asl, 20:04 || link || (0) comments |

Nine songs

Talvez tivesse falhado "Nine songs" se não fosse a polémica, de um lado as bolas negras da Kathleen, do Vasco Câmara, do Pedro Mexia e do outro o João Lopes, quase sozinho, a gostar. O filme faz-se de sexo e rock and roll (com algumas linhas de coca à mistura), matérias estruturantes do "nosso modo de vida" de há umas décadas para cá - pelo menos desde que falhou a única revolução sexual seriamente empreendida até agora, a que foi desencadeada pela Igreja Católica, como sustenta João César das Neves, e bem.
Esse "modo de vida", o sexo e o amor precário, combatido em graus distintos pelos seguidores de João César das Neves e pelos fundamentalistas muçulmanos, é o assunto de "Nine songs", filmado com a crueza do sexo explícito e, a outro tempo, estranhamente subtil. Na Antártida, o protagonista sente agorafobia e claustrofobia ao mesmo tempo e diz que isso lhe lembra uma cama. Há mais que a bola vermelha do sexo cru (rara no cinema fora da pornografia) e do que a bola negra de vários críticos. Se eu conseguir entrar na água gelada é porque te amo, diz a dada altura o gajo. Pardon, mas aquilo tem, para além das pilas xl e dos rabos, algum, por assim dizer, lirismo.
|| asl, 15:29 || link || (1) comments |

sexta-feira, agosto 5

A blasfémia do mestre



E por falar em Gore Vidal. Estas noites impossíveis (alguém dorme?)toleram-se com a blasfémia do mestre, "Em Directo do Calvário". Priscilla, Nero, Pedro, Paulo, São Timóteo, ou Timotinho, obrigado a partilhar a cama com Paulo dia sim dia não. as questões entre os judeus e os cristãos, a rivalidade entre Pedro e Paulo, que também se queria baldar para Roma o mais depressa possível... O evangelho segundo Gore Vidal é um delírio. Estava à venda na Fnac praticamente de borla.
|| asl, 19:47 || link || (0) comments |

O ar condicionado

Lisboa impossível. Nuno Severiano Teixeira recordou esta semana no "DN" aquela frase em que Gore Vidal diz que o ar condicionado deu cabo da política americana. Enfim, este não é o clima de Washington, mas também tem havido demasiado ar condicionado.
|| asl, 19:44 || link || (0) comments |

Ide para o Algarve, ide! (II)

Ide para o Algarve, ide! Ide porque Lisboa está impossível: é o calor, é o fumo dos incêndios de Mafra.
As noites estão horrivelmente quentes - acima dos 30º C.
As noites de Lisboa fazem lembrar as noite de Marraquexe e aqueles ventos quentes que nos abafam a respiração e o sono.

Ide para o Algarve, ide! Se eu pudesse também ia!
|| Nuno Simas, 12:42 || link || (0) comments |

quinta-feira, agosto 4

Perdi a minha parker

Mudei de telemóvel e rendi-me ao Nokia. Especificamente:
à bateria do Nokia. O Siemens era romântico, as conversas ficavam em suspenso porque a bateria estava sempre a acabar e toda a gente sabe que isso, o tal do romantismo, fertiliza melhor na não-comunicação. Pelo menos é o que me dizem. Eu gostava muito do Siemens, mas por causa da letra. Gostava de escrever com o Siemens. Releio agora os "items enviados" do Nokia e os sms são chochos. Não gosto de escrever com aquela tinta.
|| asl, 20:16 || link || (0) comments |

Um post de gosto duvidoso, mas sem ultrapassar a fronteira do mau gosto...

Sempre que olho para o cartaz de Carmona Rodrigues - aquele em que o senhor está a arregaçar as mangas - sou assaltado pela dúvida: Carmona Rodrigues está a preparar-se para fazer um manguito?...
|| Nuno Simas, 12:39 || link || (0) comments |

quarta-feira, agosto 3

Boas notícias!

Chamem-me José e eu não respondo. O meu nome é Nuno.

Gavea é o portador da boa nova.
L. F. Verissimo (isso mesmo, sem acento) reviu e reeditou o seu primeiro romance, O Jardim do Diabo. Vale pena ir lá espreitar as primeiras linhas do livro. Divertido. Como sempre.
|| Nuno Simas, 13:54 || link || (0) comments |

Querida Ana

Hoje escrevo eu. Amanhã, porque está calor outra vez, talvez descansemos!...
|| Nuno Simas, 13:52 || link || (0) comments |

terça-feira, agosto 2

Envelhecer na erva

O domingo em Vilar de Mouros não tinha ninguém. Desse agrupamento, a maioria eram velhos com dores nas costas, velhos minhotos, velhos galegos, mas velhos cansados. Como eu, de resto. A imagem do Robert Plant não passou no ecrã gigante (para não se verem as rugas, we suppose, como já no ano passado tinha feito o Bob Dylan)
Quando o Plant acabou, os velhos todos, que como velhos a valer deveriam deitar-se cedo ou, pelo menos, ir trabalhar no dia seguinte a horas, foram-se embora. O Jorge Palma ficou a tocar para uma mão-cheia de resistentes (os velhos gaiteiros)e arrancou com uma canção em que comprimido rimava com deprimido. Nem sei o que vos diga. Mas ao menos o Palma deixou que a sua cara passasse no ecrã gigante e não está mal. Também não eram precisos os ecrãs gigantes: como estava lá pouca gente, mesmo deitada na erva e longe, uma pessoa conseguia ver bem o Palma (e já antes o Plant).
Novidades, novidades: as magníficas embora nojentas roullotes dos cachorros "Psicológico" vieram para fora do recinto, trocadas por uma instalação com ar limpinho mas que não se chamava "psicológico" o que, psicologicamente, perturbava logo o ambiente. As casas de banho continuam miseráveis (e quando se chega a velho repetir a experiência torna-se cada vez mais um non-sense), mas os rapazes passaram a ter uns urinóis "oficiais" ao ar livre, à vista de toda a gente (não posso descrever a instalação como deve ser, desviei os olhos comme il faut).
Vilar de Mouros é um contra-senso: é um festival para velhos, tem um cartaz de velhos, mas a erva, o deitar na erva, o andar quilómetros até à travessia da ponte, tudo é incompatível com a decadência dos corpos. (O meu, nesta altura do campeonato, já só está para o Coliseu). É um horror envelhecer na erva. Não volto mais.
|| asl, 21:58 || link || (0) comments |

Querido Nuno

Ainda bem que deste sinal de vida. Podíamos obrigar-nos a escrever pelo menos dia sim dia não para fingir que isto ainda é um blog. Um dia tu, outro dia eu. Ou então: um dia tu, no outro dia nada, ao terceiro dia eu, e depois outra vez intervalo. Ou vice-versa.
|| asl, 21:54 || link || (0) comments |