Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

terça-feira, janeiro 31

Coerência

O homem que passou a campanha eleitoral a dizer que os votos "não têm dono" fala agora do "seu" milhão de votos.
|| JPH, 11:36 || link || (0) comments |

segunda-feira, janeiro 30

Saudades, ai saudades



Uma senhora que passou "15 dias na estrada com o animal político" que dá pelo nome de Mário Soares resolveu reproduzir no seu blogue algumas das pérolas com que ele foi presenteando a audiência. Com a devida vénia, eis algumas:

- Ena mas que grande alfaiataria! [Numa megastore da Mango...]
- Eu já sinto o declique. [Clique?]
- Não se deixem ir no canto da cereja. [Sereia?]
- Eu mandei-lhe um SOS... [SMS?]
- Quero uma coisinha leve... olhe, traga-me uma trouxazinha de ovos. [Numa pastelaria das Caldas, logo de manhãzinha]

e, a terminar, a melhor de todas:

- Comigo é sempre na brecha!
|| JPH, 20:36 || link || (0) comments |

Olé!


[Picasso]

Confirma-se. Ele está entre nós. E entrou a matar!
|| JPH, 19:44 || link || (1) comments |

RECTIFICAÇÃO

O "Roma" começa às 23h00 e não às 23h30, como por lapso escrevi. Obrigado ao leitor António Pereira pela rectificação.
|| JPH, 19:34 || link || (0) comments |

Um post bucólico (i)

O Alentejo estava bonito. Hoje de manhã. O sol. A neve. O frio.
|| Nuno Simas, 17:20 || link || (0) comments |

O blog mais que perfeito

Com a Constança, O Espectro já era um blog perfeito. Agora, com o Vasco Pulido Valente não sei o que diga.
|| asl, 16:36 || link || (0) comments |

Excelentes notícias

1. Chegou a época da lampreia. Eu e um PC amigo já começamos a salivar.

2. Vasco Pulido Valente has entered the building. E, a seguir, quem? Ruben de Carvalho e a sua América? António Barreto e o seu Douro? António Pedro Vasconcelos e os seus futebóis? João Bénard da Costa e os seus filmes? Jorge Sampaio e a sua hipocondria?
|| JPH, 14:50 || link || (0) comments |

Planos para um belo dia de sol de Inverno (hoje)

Já os tenho. Foi só folhear os jornais e apareceram-me logo, evidentes e incontornáveis. Nada me desviará dos meus objectivos, prometo. Às 21h30 tenciono afundar-me no sofá, com um alguidar de pipocas no colo, sintonizar o Hollywood e regressar aos velhos episódios dos Sopranos. A mãe Soprano ainda é viva e só isso vale tudo.

Depois, pelas 22h30, mudo para o canal 2 da RTP. Para essa hora está marcada a estreia em Portugal de uma série absolutamente a não perder, Curb your enthusiasm, (em português, Calma, Larry!). O protagonista é Larry David, um dos criadores do Seinfeld. Repito: absolutamente a não perder.

Chegado o intervalo publicitário aproveitarei para recarregar o pipocame. De seguida, novo mergulho para o sofá. Às 23h30, ainda no canal 2, começará o primeiro episódio de Roma, uma grandiosa co-produção HBO-BBC.

Nota final, ainda sobre televisão. Este fim de semana passei os olhos pelo Eixo do Mal. Graças ao eminentíssimo prof. dr. Luís Pedro Nunes, director do Inimigo Público, fiquei finalmente a saber naquele programa algo que antes não sabia. O nome da coisa é Family Guy. Estreará sexta-feira, na SIC Radical, pelas 20h30. Repete sábado às 11h30 e domingo às 22h30. Abram o apetite com este excerto. A coisa promete, olá se promete.
|| JPH, 13:32 || link || (0) comments |

sexta-feira, janeiro 27

Hamas: uma IPSS no poder? (II)

Vá lá, Luís, tente raciocinar comigo, se conseguir. Vou fazer isto por pontos, para ser mais fácil, ok? Então é assim:

1. A componente social do Hamas existe, eu sei.
2. Aparentemente essa componente social terá sido muito importante para ganhar as eleições.
3. Parte dessa componente social consiste na assistência às famílias dos bombistas suicidas.
4. Ou seja: parte da componente social existe ao serviço do terrorismo. Uma coisa (o aspecto social) decorre da outra (o terrorismo).
5. E isso - para mim mas não para si, já percebi - retira-lhe qualquer espécie de mérito.

Isto é a primeira parte do argumento. Agora vamos à segunda. Calma. Não falta muito. Leia devagar. Sugiro que vá sublinhando as frases com um dedo indicador à medida que vai lendo, talvez facilite. Ok? Então é assim:

1. São irrelevantes para efeitos da negociação com Israel os hospitais e as creches do Hamas.
2. Simplificando ainda mais: o que interessa, na negociação com Israel, é a componente político-militar do Hamas.
3. E essa, embora isso lhe custe a admitir, é sinistra. E foi essa que venceu.
4. Não o preocupa isto? Pelo que lhe li, não.

Última nota: Reparei na fotografia que escolheu para o post com que comentou a vitória do Hamas. Foi buscá-la ao Google Images. Uma foto elegante. Direi mesmo, algo chic. Uma escolha reveladora sobre quem a escolheu.
|| JPH, 15:31 || link || (0) comments |

quinta-feira, janeiro 26

Hamas: uma IPSS no poder?

Sim, parece que sim, segundo certos autores. E eu acredito. Tenho andado a ler umas coisitas sobre o Hamas e outras instituições de solidariedade social muito famosas no Médio Oriente. Confirmo a importância da dimensão social do Hamas. Sei, por exemplo, que providenciam imenso apoio às famílias dos bombistas suicidas. São uns filantropos, lá no Hamas.
|| JPH, 19:44 || link || (1) comments |

O ovo

Fiquei espantado com o artigo de ontem de Eduardo Prado Coelho. Passo a citar o destacado apoiante de Alegre:
"António Vitorino, Jaime Gama, Vitor Constâncio não estavam interessados em ser candidatos. Acontece. Manuel Alegre, sondado em quarto lugar, não aceitou de imediato e ficou a reflectir. É compreensível. Soares não resistiu e propôs-se a Sócrates. Acontece."

Nesta meia dúzia de frases - que não me parecem escritas naquele registo ultra-irónico à contrário que EPC por vezes utiliza - fico a saber que, afinal:
1. Alegre poderia ter sido o candidato oficialmente apoiado pelo PS;
2. Só não o foi porque ficou a "reflectir", permitindo que Soares se antecipasse;

Muito bem. Interessantes revelações (pelo menos para mim). Que permitem, legitimamente, perguntar:
1. Não terá feito Alegre os possíveis e os impossíveis para não ser o candidato oficial do PS?
2. Como poderia ter protagonizado o discurso que protagonizou sendo o candidato oficialmente apoiado por um partido?
3. Que mais-valia eleitoral teria Alegre se não pudesse ter explorado o discurso da "crise dos partidos"?
4. Ou seja: não acabou por ser uma enorme vantagem para Alegre o facto de o PS não o apoiar?

Tem-se pensado que Alegre explorou o discurso da "crise dos partidos" como consequência da rejeição da sua candidatura pelo PS. Mas experimentemos, por uma vez, virar o raciocínio do avesso: Alegre fez por não ser o candidato do PS precisamente porque essa era a única forma de poder continuar a ter o discurso da "crise dos partidos" (que aliás já tinha feito na disputa pela liderança do PS que travou com Sócrates). Depois de ter lido a crónica de EPC isto parece-me uma evidência.

Findas as especulações, segue o meu modesto julgamento moral desta história: Não gosto de políticos que gerem 30 anos de carreira política sem um único beliscão. E que o fazem pela recusa sistemática de assumir funções de risco, precisamente porque na única vez que o fizeram - Alegre foi o secretário de Estado da Comunicação Social no famoso "caso O Século" - se deram tremendamente mal, jurando para nunca mais. Assim é muito fácil. Mas isto não é política - porque político que é político vai à guerra e dá e leva. Isto é outra coisa, gestão de carreira apenas.

"Políticos" assim fazem-me sempre lembrar uma frase que um dia Vasco Pulido Valente dedicou a Durão Barroso (outro artista...): "Perfeitinho que nem um ovo. Não tem ponta por onde se lhe pegue."

PS. E agora para algo completamente diferente. Para que não me voltem a acusar de "mau perder" presidencial, decidi adequar a nossa Discoteca ao presente momento de regozijo geral com a eleição do prof. Cavaco Silva.
|| JPH, 13:54 || link || (0) comments |

Hamas

Muito se tem discutido, ao longo dos tempos, se os povos têm (ou não) características (psicológicas) que os identifiquem perante os outros. Se (e porquê) uns são mais festivos e outros mais macambúzios, se uns são mais organizados e outros não, etc, etc, etc. Ou seja, se os povos não poderão ter, como os indivíduos, marcas rigorosamente únicas, por via de multiplos factores (cultura ancestral, clima, vizinhanças, por exemplo).

No contexto desta interessante discussão antropológica, pergunto-me: poderão os palestinianos ser um pouco estúpidos?
|| JPH, 13:13 || link || (0) comments |

das eleições presidenciais...

... só me apetece falar dos derrotados. do vencedor (quer se goste ou não...) é um homem que nasceu boliqueime, governou portugal durante dez anos, faz umas caras esquisitas quando não gosta das perguntas que lhe fazem e o que há a dizer é que o povo é soberano (apesar das tais seis décimas do poeta alegre!) e que vamos ter este senhor em belém até 2016 (pela "ordem" natural das coisas e das eleições) e que não vale a pena a esquerda vir agora chorar que "ah e tal, mais uma semana e ganhávamos isto..." porque para isso tinha de ter preparado as presidenciais há mais tempo com uma candidatura mais forte, que não foi o caso da de mário soares - sem dúvida a mais importante figura da política portuguesa nos últimos 50 anos - que provou que não basta ser o pai da democracia para meter a democracia no bolso e achar que ganha todas as eleições (nem que seja à segunda volta...com 22 ou 23 por cento à primeira volta) e devia ter percebido que a história não se repete a não ser como farsa e que já não era possível recuperar dos 8 por cento das sondagens como em 1985... não, os portugueses têm o maior respeito por si (como eu!) mas a maioria acha que o seu tempo passou. por mais graça que achem ao seu estilo mordaz de campanha e os seus dichotes contra cavaco. afinal, os portugueses ou grande parte deles (mais exactamente 2.746.689, segundo o stape) preferiram aquele senhor de boliqueime e menos de metade preferiram o voto na poesia do dr. alegre que pouco mais lhes deu do que algumas frases feitas, um vago perfume anti-sistema, anti-partidos (tão em moda...) que inebriou mais de um milhão de almas (mais exactamente 1.125.077, segundo o stape) como se manuel alegre representasse algo de novo na política e não pertencesse a um partido, o da rosa com um "p" e um"esse", o mesmo do dr. soares e do engº sócrates. mas não, o que mais me impressionou na campanha foi o candidato do pêcê: jerónimo de sousa. o ortodoxo (que é!) deixou o fato de jerónimo-ortodoxo na sede da soeiro e fez uma volta a portugal com o fato de bon vivant e très charmant para desestabilizar corações e dinamitar o pêcê daquela imagem departido fechado; foi o jerónimo-homem, que chora ao ouvir o seu nome gritado por crianças e que não esconde o sorriso ou abraço nas arruadas, que mostrou a família, a mulher, a ganhar ao partido fechado que vive aquela ilusão do"colectivo"; jerónimo foi o homem que ganhou votos. o partido é o mesmo do austero cunhal, que continua a achar que a urss foi uma grande perda, como disse domingos abrantes em 2004. o líder é que tem um estilo diferente. além de operário, que foi, mostrou-se como homem, que é. cuidado, jerónimo, ainda vão achar, lá no colectivo da sede da soeiro, que é humano demais...
post scriptum: francisco louçã levou um banho de humildade à força (e menos de 290 mil votos...) e vai ter de maturar a ideia de que não há milagres e nem é com uma varinha de condão que se ratam as canelas do pêcê.
|| Nuno Simas, 01:31 || link || (1) comments |

quarta-feira, janeiro 25

Mais uma canção política (João e Maria)

Esta, por exemplo, é um lamento de um socialista que, até ao último dia acreditou que o eng. Sócrates queria ganhar as eleições presidenciais

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
|| asl, 18:31 || link || (0) comments |

Chico for ever

Foi ao Pedro Mexia que um destes dias pareceu que "Sinal Fechado" era sobre o amor. Ontem, por acaso, esta canção de amor de 1985 ("Palavra de Mulher" pareceu-me um tema político. Sobre as presidenciais.


Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar pra trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar

Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor, eu vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar

Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera.
Espera
Me espera
Eu vou voltar
|| asl, 18:22 || link || (2) comments |

terça-feira, janeiro 24

Uma bela ideia

A criação do blogue do Provedor dos Leitores do PÚBLICO. O escrutínio dos jornalistas aumentou exponencialmente desde que há blogues em Portugal. Ou, pelo menos, tornou-se mais perceptível para os jornalistas a opinião que o seu trabalho suscita junto de alguns dos seus consumidores. Daí não veio nenhum mal ao mundo - muito pelo contrário, quanto mais escrutínio melhor.

Seguindo o mesmo princípio, não se pode deixar deixar de aplaudir fortemente a ideia de Rui Araújo, o novo Provedor dos Leitores do PÚBLICO. E dizer mais: todos os grandes orgãos de comunicação social deviam ter um provedor e todos os provedores deviam fazer o que fez o do PÚBLICO. Os ganhos compensam enormemente eventuais incomodidades. Ninguém está nesta profissão porque ela é fácil. E se está - está mal.

Já coloquei uma ligação permanente ao blogue na rubrica Novidades, ali na coluna do lado direito, logo a seguir à Discoteca.
|| JPH, 21:20 || link || (0) comments |

Hoje, 24 de Janeiro de 2006...

só me apetece ouvir isto. And on, and on, and on, and on again...Pelas exactíssimas mesmas razões de que o João falou aqui: "Palavra por palavra. Esta é a canção que qualquer pai gostará de dedicar a um filho."



May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the star
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young


Forever Young, Bob Dylan
|| JPH, 14:49 || link || (0) comments |

segunda-feira, janeiro 23

um bastardo é um bastardo é um bastardo, já dizia o shakespeare, e não estava a falar de jornalistas

aquele senhor que dá pelo título (vitalício? isto das eleições e da vontade popular é realmente um mistério, o manel alegre que o diga) de presidente do governo regional da madeira teve esta semana outro acesso dos dele: agora deu em processar jornalistas. não sei do motivo alegado em todos os casos, mas no caso do meu colega joão miguel tavares (com quem quase nunca concordo mas que é um querido) a causa prende-se com aqueles ditos do sr presidente sobre os jornalistas (que eram uns bastardos, disse ele, para não lhes chamar filhos da puta) e com o facto de o jmt ter escrito, no dn, que o sr podia dizer n'importe quoi que tanto lhe fazia.

'bem pode ele espernear, gritar e insultar -- fica giro na tv, dá uns artigos nos jornais, mas quem realmente liga? alberto joão existe somente para nos divertir e entreter. é o bobo da corte. faz palhaçadas alberto joão, faz', escreveu o jmt -- na senda de muitos outros que já disseram e escreveram que o dito é inimputável pelas razões, depreende-se, pelas quais geralmente se considera que as pessoas são inimputáveis.

vai daí, parece que o sr alberto se amofinou e zuca, processou. vai-se a ver e ainda se queixa de difamação. ora se há caso em que fazia sentido poder uma pessoa processar-se a ela própria por propalar indecente e má imagem de si mesma era o do governante da infeliz porém aprazível ilha (o jmt chama-lhe 'ilhota', mas eu não subscrevo: até é grandita). mas a não poder ser assim pelo menos por enquanto (enquanto não mudam o código penal ou fazem um especial para a madeira, já que quase tudo por lá é especial) proponho ao sr que alargue o seu campo de tiro: cá por mim, não escrevi nos últimos anos uma linha sobre ele (embora guarde com desvelo um textito que nos idos de 92 teve a amabilidade de escrever sobre mim e uma reportagem publicada na grande reportagem no sempre saudoso diabo) precisamente por considerar que não merece que se lhe dê importância -- e porque, felizmente, não vivo na madeira.

se vivesse na madeira estou certa que não desconsideraria com tanta bonomia os dislates do sr, nem despediria com tal indiferença os seus desmandos. mas daqui ele é apenas caricatura, por mais virulento e insultuoso que se represente, e todos os gestos soam a folhetim colombiano. ele é o que é o que é e faz questão de o ser de o ser de o ser. e se finge irritar-se por alguém dizer ou escrever ou pensar dele aquilo que ele quer que pensem -- sem deixar alternativa, aliás -- é porque acha que assim, com mais uma cambalhota, nos surpreende e diverte, e porque quer ter a certeza de que ainda estamos a olhar.

ok, já vimos. agora podemos ir à nossa vida, que temos coisas sérias para tratar?
|| f., 19:09 || link || (0) comments |

Notas presidenciais

1. Falhei por completo as minhas previsões. Enfim, acertei numa vitória à primeira de Cavaco. Mas, no campo da esquerda, falhei tudo. Nunca supus que a rejeição a Soares - de que falei aqui - assumisse as humilhantes proporções que assumiu (no seu próprio resultado e na consequente transferência de votos para Alegre). É definitivo: campanhas ultra-agressivas, como foi a de Soares em relação a Cavaco, não só não rendem um voto como subtraem (e muito). Soares só confirma, pelo tipo de campanha que protagonizou, os desaires de Santana e de, por exemplo, Carrilho. Isto só lá vai com falinhas mansas. Prova disso é a campanha de cemitérios levada a cabo por Alegre. Não me queixo nem censuro. É o que é e mais nada. No que toca a eleições subscrevo o velho princípio: os clientes têm sempre razão.

2. O resultado tangencial de Cavaco - e é tangencial, quer se queira quer não - prova que era possível à esquerda vencê-lo, em tendo-se organizado para isso. Não quis, não conseguiu, azar o seu. Pôs-se a jeito para um banho de humildade, e teve-o. Agora aguentem-se.

3. Uma vitória tangencial para Cavaco é melhor para Cavaco do que uma vitória esmagadora. Tendo 50,6 por cento ninguém lhe poderá agora pôr agora às costas toda a solução do famoso "problema nacional". Se tivesse obtido 55 (ou mais) por cento ninguém lhe desculparia o desgoverno do país. 50,6 por cento aliviam-lhe o peso da expectativa.

4. O Bloco enfrenta graves problemas. Francisco Louçã - cujo discurso comicieiro na noite eleitoral se revelou tremendamente patético - é um trunfo em esgotamento. E não se vislumbra alternativa interna à altura. O PCP de Jerónimo - essa extraordinária mistura de ortodoxia com mediatismo -, está-lhe a ganhar a guerra. Se fosse a Louçã aproveitaria os próximos três anos para mais um doutoramento nos EUA.

5. Há quem censure Sócrates por ter atropelado Alegre na noite televisiva de domingo. Sim, sim, pois, pois. Mas guerra é guerra e nas noites eleitorais a guerra faz-se num sítio: as televisões. Preferiam o quê, as televisões? Que os protagonistas políticos se pusessem em fila à espera de poder falar, tirando um tiquet, como na peixaria do supermercado, obedientes e pacientes? Os directores de informação são jornalistas. Façam então escolhas, que é para isso que lhes pagam. (Além do mais, não foi só Sócrates que atropelou Alegre; Jerónimo fez o mesmo com Marques Mendes e Cavaco, ao sair de casa, fez o mesmo com Jerónimo.)

6. Como será Cavaco em relação a Sócrates? Não sei. Ou melhor, sei o que a história ensina: no pós-25 de Abril nunca nenhum Presidente eleito se esforçou muito a ajudar governos em dificuldades. Preferiram todos - muito naturalmente - deixar em exclusivo para os chefes do Governo o papel de mau da fita. A bola está no campo de Sócrates. O qual saberá - presumo eu - que nenhum Governo ganha entrando em guerra com o Presidente.


[a actualizar]
|| JPH, 13:28 || link || (0) comments |

domingo, janeiro 22

Mais dez anos

|| JPH, 21:18 || link || (0) comments |