...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]
Terça-feira, Janeiro 31
Coerência
O homem que passou a campanha eleitoral a dizer que os votos "não têm dono" fala agora do "seu" milhão de votos.
|| JPH, 11:36
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Segunda-feira, Janeiro 30
Saudades, ai saudades

Uma senhora que passou "15 dias na estrada com o animal político" que dá pelo nome de Mário Soares resolveu reproduzir no seu
blogue algumas das pérolas com que ele foi presenteando a audiência. Com a devida vénia, eis algumas:
-
Ena mas que grande alfaiataria! [Numa megastore da Mango...]
-
Eu já sinto o declique. [Clique?]
-
Não se deixem ir no canto da cereja. [Sereia?]
-
Eu mandei-lhe um SOS... [SMS?]
-
Quero uma coisinha leve... olhe, traga-me uma trouxazinha de ovos. [Numa pastelaria das Caldas, logo de manhãzinha]
e, a terminar, a melhor de todas:
-
Comigo é sempre na brecha!
|| JPH, 20:36
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Olé!

[Picasso]
Confirma-se.
Ele está entre nós. E entrou a matar!
|| JPH, 19:44
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RECTIFICAÇÃO
O "Roma" começa às 23h00 e não às 23h30, como por lapso escrevi. Obrigado ao leitor António Pereira pela rectificação.
|| JPH, 19:34
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Um post bucólico (i)
O Alentejo estava bonito. Hoje de manhã. O sol. A neve. O frio.
|| nuno simas, 17:20
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O blog mais que perfeito
Com a Constança,
O Espectro já era um blog perfeito. Agora, com o Vasco Pulido Valente não sei o que diga.
|| asl, 16:36
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Excelentes notícias
1. Chegou a época da lampreia. Eu e um PC amigo já começamos a salivar.
2. Vasco Pulido Valente
has entered the building. E, a seguir, quem? Ruben de Carvalho e a sua América? António Barreto e o seu Douro? António Pedro Vasconcelos e os seus futebóis? João Bénard da Costa e os seus filmes? Jorge Sampaio e a sua hipocondria?
|| JPH, 14:50
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Planos para um belo dia de sol de Inverno (hoje)
Já os tenho. Foi só folhear os jornais e apareceram-me logo, evidentes e incontornáveis. Nada me desviará dos meus objectivos, prometo. Às
21h30 tenciono afundar-me no sofá, com um alguidar de pipocas no colo, sintonizar o
Hollywood e regressar aos velhos episódios dos
Sopranos. A mãe Soprano ainda é viva e só isso vale tudo.
Depois, pelas
22h30, mudo para o canal 2 da RTP. Para essa hora está marcada a estreia em Portugal de uma série absolutamente a não perder,
Curb your enthusiasm, (em português,
Calma, Larry!). O protagonista é Larry David, um dos criadores do Seinfeld. Repito: absolutamente a não perder.
Chegado o intervalo publicitário aproveitarei para recarregar o pipocame. De seguida, novo mergulho para o sofá. Às
23h30, ainda no
canal 2, começará o primeiro episódio de
Roma, uma grandiosa co-produção HBO-BBC.
Nota final, ainda sobre televisão. Este fim de semana passei os olhos pelo Eixo do Mal. Graças ao eminentíssimo prof. dr. Luís Pedro Nunes, director do Inimigo Público, fiquei finalmente a saber naquele programa algo que antes não sabia. O nome da coisa é
Family Guy. Estreará sexta-feira, na SIC Radical, pelas 20h30. Repete sábado às 11h30 e domingo às 22h30. Abram o apetite com este
excerto. A coisa promete, olá se promete.
|| JPH, 13:32
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Sexta-feira, Janeiro 27
Hamas: uma IPSS no poder? (II)
Vá lá,
Luís, tente raciocinar comigo, se conseguir. Vou fazer isto por pontos, para ser mais fácil, ok? Então é assim:
1. A componente social do Hamas existe, eu sei.
2. Aparentemente essa componente social terá sido muito importante para ganhar as eleições.
3. Parte dessa componente social consiste na assistência às famílias dos bombistas suicidas.
4. Ou seja: parte da componente social existe
ao serviço do terrorismo. Uma coisa (o aspecto social) decorre da outra (o terrorismo).
5. E isso - para mim mas não para si, já percebi - retira-lhe qualquer espécie de mérito.
Isto é a primeira parte do argumento. Agora vamos à segunda. Calma. Não falta muito. Leia devagar. Sugiro que vá sublinhando as frases com um dedo indicador à medida que vai lendo, talvez facilite. Ok? Então é assim:
1. São irrelevantes para efeitos da negociação com Israel os hospitais e as creches do Hamas.
2. Simplificando ainda mais: o que interessa, na negociação com Israel, é a componente político-militar do Hamas.
3. E essa, embora isso lhe custe a admitir, é sinistra. E foi essa que venceu.
4. Não o preocupa isto? Pelo que lhe
li, não.
Última nota: Reparei na fotografia que escolheu para o
post com que comentou a vitória do Hamas. Foi buscá-la ao
Google Images. Uma foto elegante. Direi mesmo, algo chic. Uma escolha reveladora sobre quem a escolheu.
|| JPH, 15:31
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Quinta-feira, Janeiro 26
Hamas: uma IPSS no poder?
Sim, parece que sim, segundo
certos autores. E eu acredito. Tenho andado a ler umas coisitas sobre o Hamas e outras instituições de solidariedade social muito famosas no Médio Oriente. Confirmo a importância da dimensão social do Hamas. Sei, por exemplo, que providenciam imenso apoio às famílias dos bombistas suicidas. São uns filantropos, lá no Hamas.
|| JPH, 19:44
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O ovo
Fiquei espantado com o artigo de ontem de Eduardo Prado Coelho. Passo a citar o destacado apoiante de Alegre:
"António Vitorino, Jaime Gama, Vitor Constâncio não estavam interessados em ser candidatos. Acontece. Manuel Alegre, sondado em quarto lugar, não aceitou de imediato e ficou a reflectir. É compreensível. Soares não resistiu e propôs-se a Sócrates. Acontece."
Nesta meia dúzia de frases - que não me parecem escritas naquele registo ultra-irónico
à contrário que EPC por vezes utiliza - fico a saber que, afinal:
1. Alegre poderia ter sido o candidato oficialmente apoiado pelo PS;
2. Só não o foi porque ficou a "reflectir", permitindo que Soares se antecipasse;
Muito bem. Interessantes revelações (pelo menos para mim). Que permitem, legitimamente, perguntar:
1. Não terá feito Alegre os possíveis e os impossíveis para
não ser o candidato oficial do PS?
2. Como poderia ter protagonizado o discurso que protagonizou sendo o candidato oficialmente apoiado por um partido?
3. Que mais-valia eleitoral teria Alegre se não pudesse ter explorado o discurso da "crise dos partidos"?
4. Ou seja: não acabou por ser uma enorme vantagem para Alegre o facto de o PS
não o apoiar?
Tem-se pensado que Alegre explorou o discurso da "crise dos partidos" como consequência da rejeição da sua candidatura pelo PS. Mas experimentemos, por uma vez, virar o raciocínio do avesso: Alegre fez por
não ser o candidato do PS precisamente porque essa era a única forma de poder continuar a ter o discurso da "crise dos partidos" (que aliás já tinha feito na disputa pela liderança do PS que travou com Sócrates). Depois de ter lido a crónica de EPC isto parece-me uma evidência.
Findas as especulações, segue o meu modesto julgamento moral desta história: Não gosto de políticos que gerem 30 anos de carreira política sem um único beliscão. E que o fazem pela recusa sistemática de assumir funções de risco, precisamente porque na única vez que o fizeram - Alegre foi o secretário de Estado da Comunicação Social no famoso "caso
O Século" - se deram tremendamente mal, jurando para nunca mais. Assim é muito fácil. Mas isto não é política - porque político que é político vai à guerra e dá e leva. Isto é outra coisa, gestão de carreira apenas.
"Políticos" assim fazem-me sempre lembrar uma frase que um dia Vasco Pulido Valente dedicou a Durão Barroso (outro artista...): "
Perfeitinho que nem um ovo. Não tem ponta por onde se lhe pegue."
PS. E agora para algo completamente diferente. Para que não me voltem a acusar de "mau perder" presidencial, decidi adequar a nossa Discoteca ao presente momento de regozijo geral com a eleição do prof. Cavaco Silva.
|| JPH, 13:54
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Hamas
Muito se tem discutido, ao longo dos tempos, se os povos têm (ou não) características (psicológicas) que os identifiquem perante os outros. Se (e porquê) uns são mais festivos e outros mais macambúzios, se uns são mais organizados e outros não, etc, etc, etc. Ou seja, se os povos não poderão ter, como os indivíduos, marcas rigorosamente únicas, por via de multiplos factores (cultura ancestral, clima, vizinhanças, por exemplo).
No contexto desta interessante discussão antropológica, pergunto-me: poderão os palestinianos ser um pouco estúpidos?
|| JPH, 13:13
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das eleições presidenciais...
... só me apetece falar dos derrotados. do vencedor (quer se goste ou não...) é um homem que nasceu boliqueime, governou portugal durante dez anos, faz umas caras esquisitas quando não gosta das perguntas que lhe fazem e o que há a dizer é que o povo é soberano (apesar das tais seis décimas do poeta alegre!) e que vamos ter este senhor em belém até 2016 (pela "ordem" natural das coisas e das eleições) e que não vale a pena a esquerda vir agora chorar que "ah e tal, mais uma semana e ganhávamos isto..." porque para isso tinha de ter preparado as presidenciais há mais tempo com uma candidatura mais forte, que não foi o caso da de mário soares - sem dúvida a mais importante figura da política portuguesa nos últimos 50 anos - que provou que não basta ser o pai da democracia para meter a democracia no bolso e achar que ganha todas as eleições (nem que seja à segunda volta...com 22 ou 23 por cento à primeira volta) e devia ter percebido que a história não se repete a não ser como farsa e que já não era possível recuperar dos 8 por cento das sondagens como em 1985... não, os portugueses têm o maior respeito por si (como eu!) mas a maioria acha que o seu tempo passou. por mais graça que achem ao seu estilo mordaz de campanha e os seus dichotes contra cavaco. afinal, os portugueses ou grande parte deles (mais exactamente 2.746.689, segundo o stape) preferiram aquele senhor de boliqueime e menos de metade preferiram o voto na poesia do dr. alegre que pouco mais lhes deu do que algumas frases feitas, um vago perfume anti-sistema, anti-partidos (tão em moda...) que inebriou mais de um milhão de almas (mais exactamente 1.125.077, segundo o stape) como se manuel alegre representasse algo de novo na política e não pertencesse a um partido, o da rosa com um "p" e um"esse", o mesmo do dr. soares e do engº sócrates. mas não, o que mais me impressionou na campanha foi o candidato do pêcê: jerónimo de sousa. o ortodoxo (que é!) deixou o fato de jerónimo-ortodoxo na sede da soeiro e fez uma volta a portugal com o fato de
bon vivant e
très charmant para desestabilizar corações e dinamitar o pêcê daquela imagem departido fechado; foi o jerónimo-homem, que chora ao ouvir o seu nome gritado por crianças e que não esconde o sorriso ou abraço nas arruadas, que mostrou a família, a mulher, a ganhar ao partido fechado que vive aquela ilusão do"colectivo"; jerónimo foi o homem que ganhou votos. o partido é o mesmo do austero cunhal, que continua a achar que a urss foi uma grande perda, como disse domingos abrantes em 2004. o líder é que tem um estilo diferente. além de operário, que foi, mostrou-se como homem, que é. cuidado, jerónimo, ainda vão achar, lá no colectivo da sede da soeiro, que é humano demais...
post scriptum: francisco louçã levou um banho de humildade à força (e menos de 290 mil votos...) e vai ter de maturar a ideia de que não há milagres e nem é com uma varinha de condão que se ratam as canelas do pêcê.
|| nuno simas, 01:31
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Quarta-feira, Janeiro 25
Mais uma canção política (João e Maria)
Esta, por exemplo, é um lamento de um socialista que, até ao último dia acreditou que o eng. Sócrates queria ganhar as eleições presidenciais
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
|| asl, 18:31
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Chico for ever
Foi ao
Pedro Mexia que um destes dias pareceu que "Sinal Fechado" era sobre o amor. Ontem, por acaso, esta canção de amor de 1985 ("Palavra de Mulher" pareceu-me um tema político. Sobre as presidenciais.
V
ou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar pra trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor, eu vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera.
Espera
Me espera
Eu vou voltar
|| asl, 18:22
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Terça-feira, Janeiro 24
Uma bela ideia
A criação do
blogue do Provedor dos Leitores do PÚBLICO. O escrutínio dos jornalistas aumentou exponencialmente desde que há blogues em Portugal. Ou, pelo menos, tornou-se mais perceptível para os jornalistas a opinião que o seu trabalho suscita junto de alguns dos seus consumidores. Daí não veio nenhum mal ao mundo - muito pelo contrário, quanto mais escrutínio melhor.
Seguindo o mesmo princípio, não se pode deixar deixar de aplaudir fortemente a ideia de Rui Araújo, o novo Provedor dos Leitores do PÚBLICO. E dizer mais: todos os grandes orgãos de comunicação social deviam ter um provedor e todos os provedores deviam fazer o que fez o do PÚBLICO. Os ganhos compensam enormemente eventuais incomodidades. Ninguém está nesta profissão porque ela é fácil. E se está - está mal.
Já coloquei uma ligação permanente ao blogue na rubrica
Novidades, ali na coluna do lado direito, logo a seguir à
Discoteca.
|| JPH, 21:20
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Hoje, 24 de Janeiro de 2006...
só me apetece ouvir isto.
And on, and on, and on, and on again...Pelas exactíssimas mesmas razões de que o João falou
aqui: "
Palavra por palavra. Esta é a canção que qualquer pai gostará de dedicar a um filho."
May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the star
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever youngForever Young, Bob Dylan
|| JPH, 14:49
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Segunda-feira, Janeiro 23
um bastardo é um bastardo é um bastardo, já dizia o shakespeare, e não estava a falar de jornalistas
aquele senhor que dá pelo título (vitalício? isto das eleições e da vontade popular é realmente um mistério, o manel alegre que o diga) de presidente do governo regional da madeira teve esta semana outro acesso dos dele: agora deu em processar jornalistas. não sei do motivo alegado em todos os casos, mas no caso do meu colega joão miguel tavares (com quem quase nunca concordo mas que é um querido) a causa prende-se com aqueles ditos do sr presidente sobre os jornalistas (que eram uns bastardos, disse ele, para não lhes chamar filhos da puta) e com o facto de o jmt ter escrito, no dn, que o sr podia dizer n'importe quoi que tanto lhe fazia.
'bem pode ele espernear, gritar e insultar -- fica giro na tv, dá uns artigos nos jornais, mas quem realmente liga? alberto joão existe somente para nos divertir e entreter. é o bobo da corte. faz palhaçadas alberto joão, faz', escreveu o jmt -- na senda de muitos outros que já disseram e escreveram que o dito é inimputável pelas razões, depreende-se, pelas quais geralmente se considera que as pessoas são inimputáveis.
vai daí, parece que o sr alberto se amofinou e zuca, processou. vai-se a ver e ainda se queixa de difamação. ora se há caso em que fazia sentido poder uma pessoa processar-se a ela própria por propalar indecente e má imagem de si mesma era o do governante da infeliz porém aprazível ilha (o jmt chama-lhe 'ilhota', mas eu não subscrevo: até é grandita). mas a não poder ser assim pelo menos por enquanto (enquanto não mudam o código penal ou fazem um especial para a madeira, já que quase tudo por lá é especial) proponho ao sr que alargue o seu campo de tiro: cá por mim, não escrevi nos últimos anos uma linha sobre ele (embora guarde com desvelo um textito que nos idos de 92 teve a amabilidade de escrever sobre mim e uma reportagem publicada na grande reportagem no sempre saudoso diabo) precisamente por considerar que não merece que se lhe dê importância -- e porque, felizmente, não vivo na madeira.
se vivesse na madeira estou certa que não desconsideraria com tanta bonomia os dislates do sr, nem despediria com tal indiferença os seus desmandos. mas daqui ele é apenas caricatura, por mais virulento e insultuoso que se represente, e todos os gestos soam a folhetim colombiano. ele é o que é o que é e faz questão de o ser de o ser de o ser. e se finge irritar-se por alguém dizer ou escrever ou pensar dele aquilo que ele quer que pensem -- sem deixar alternativa, aliás -- é porque acha que assim, com mais uma cambalhota, nos surpreende e diverte, e porque quer ter a certeza de que ainda estamos a olhar.
ok, já vimos. agora podemos ir à nossa vida, que temos coisas sérias para tratar?
|| f., 19:09
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Notas presidenciais
1. Falhei por completo as minhas
previsões. Enfim, acertei numa vitória à primeira de Cavaco. Mas, no campo da esquerda, falhei tudo. Nunca supus que a rejeição a Soares - de que falei
aqui - assumisse as humilhantes proporções que assumiu (no seu próprio resultado e na consequente transferência de votos para Alegre). É definitivo: campanhas ultra-agressivas, como foi a de Soares em relação a Cavaco, não só não rendem um voto como subtraem (e muito). Soares só confirma, pelo tipo de campanha que protagonizou, os desaires de Santana e de, por exemplo, Carrilho. Isto só lá vai com falinhas mansas. Prova disso é a campanha de cemitérios levada a cabo por Alegre. Não me queixo nem censuro. É o que é e mais nada. No que toca a eleições subscrevo o velho princípio: os clientes têm sempre razão.
2. O resultado tangencial de Cavaco - e é tangencial, quer se queira quer não - prova que era possível à esquerda vencê-lo, em tendo-se organizado para isso. Não quis, não conseguiu, azar o seu. Pôs-se a jeito para um banho de humildade, e teve-o. Agora aguentem-se.
3. Uma vitória tangencial para Cavaco é melhor para Cavaco do que uma vitória esmagadora. Tendo 50,6 por cento ninguém lhe poderá agora pôr agora às costas toda a solução do famoso "problema nacional". Se tivesse obtido 55 (ou mais) por cento ninguém lhe desculparia o desgoverno do país. 50,6 por cento aliviam-lhe o peso da expectativa.
4. O Bloco enfrenta graves problemas. Francisco Louçã - cujo discurso comicieiro na noite eleitoral se revelou tremendamente patético - é um trunfo em esgotamento. E não se vislumbra alternativa interna à altura. O PCP de Jerónimo - essa extraordinária mistura de ortodoxia com mediatismo -, está-lhe a ganhar a guerra. Se fosse a Louçã aproveitaria os próximos três anos para mais um doutoramento nos EUA.
5. Há quem censure Sócrates por ter atropelado Alegre na noite televisiva de domingo. Sim, sim, pois, pois. Mas guerra é guerra e nas noites eleitorais a guerra faz-se num sítio: as televisões. Preferiam o quê, as televisões? Que os protagonistas políticos se pusessem em fila à espera de poder falar, tirando um tiquet, como na peixaria do supermercado, obedientes e pacientes? Os directores de informação são jornalistas. Façam então escolhas, que é para isso que lhes pagam. (Além do mais, não foi só Sócrates que atropelou Alegre; Jerónimo fez o mesmo com Marques Mendes e Cavaco, ao sair de casa, fez o mesmo com Jerónimo.)
6. Como será Cavaco em relação a Sócrates? Não sei. Ou melhor, sei o que a história ensina: no pós-25 de Abril nunca nenhum Presidente eleito se esforçou muito a ajudar governos em dificuldades. Preferiram todos - muito naturalmente - deixar em exclusivo para os chefes do Governo o papel de mau da fita. A bola está no campo de Sócrates. O qual saberá - presumo eu - que nenhum Governo ganha entrando em guerra com o Presidente.
[a actualizar]
|| JPH, 13:28
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Domingo, Janeiro 22
Mais dez anos
|| JPH, 21:18
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Sábado, Janeiro 21
Reflecti
|| asl, 19:06
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A melhor escritora
A melhor escritora é a Diana. Foi o Francisco que um dia disse e é verdade. Ela tem um blogue que eu não linko - nós sabemos que se ele for demasiado linkado, a Diana perderá a liberdade que tem. O blogue da Diana é um segredo de amigos, um segredo de conhecidos. O blogue da Diana é único. Ela não comanda a mão. Nós, os politicamente correctos, os que escondemos as nossas emoções para evitar "dar abébias", os que fingimos que friamente encaramos o universo, espantamo-nos com a Diana. eu não a linko. Ela é só nossa. Mas, para quem queira saber do que estou a falar, segue o seguinte:
eu nunca gostei de me analisar, mas aqui simplesmente sai, não comando a mão, sou desbocada por natureza, e sai tudo. Sai tudo e a tendinite faz doer. Sai tudo, quase tudo, sai 70 por cento da alma e ela pasma-se com delicadeza com que expulso demónios - digo-lhes: Demónios, não querem mais nada? Um whiskyzinho? Um táxi para casa? E eles fumam sempre mais um cigarro, tomam sempre mais um Famous Grouse, mas acabam por aceitar a boleia, a Isilda da Retalis, que sabe o meu número de dez dígitos do crédito do pasquim de cor e salteado, sabe o meu e o do Dave também, manda sempre, para os demónios, que são demónios de categoria, um Mercedes com ar condicionado, estofos em pele e tabelier de nogueira, perfumado de baunilha, é o táxi 665+1 (quem leu o post sabe que eu não gosto de escrever o número da besta), e os Demónios foram educados em Oxford, sabem que não têm como dizer não, e entram no carro, dizem, em uníssono, todos sentadinhos lá atrás, a um motorista de enormes bigodes: é para a tralha, se faz favor. Chegam aqui, abrem a gabardina, e por baixo não têm nada, estão em pelota, e aqui sai tudo, sai quase tudo, e, por isso, à noite, eu durmo melhor, ainda assim, apesar do sono andar perdido pelas ruas da minha cidade, durmo melhor, ainda assim, acordo cansada, tão cansada, mas durmo melhor.
|| asl, 14:08
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Quinta-feira, Janeiro 19
Porque este blog estava sem imagens há muito tempo
|| asl, 21:09
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Quarta-feira, Janeiro 18
aos que velam pelo nosso sono
quando era pequena não gostava de polícias. havia bastas razões para isso.
uma era o facto de eu ter a mania de cantar alto, a toda a hora e instante (parece que tinha uma vozita linda que o tempo se encarregou de escavacar -- hoje, nem no chuveiro afina) e o meu repertório constar apenas de canções proibidas que aprendia nos discos que o meu pai trazia para casa, pelo que me disseram que era proibido cantar com polícias à vista. tal pareceu-me, obviamente, uma monstruosidade, uma injustiça, um horror -- e eles uns monstros meus inimigos.
depois, um dia, já andava eu na escola, tive de ficar em casa porque havia manifs contra a guerra colonial e uma enorme confusão nas ruas. fiquei com a minha mãe à janela a ver o que se passava. passava-se gnrs a cavalo por todo o lado e gritos de fim da guerra (eu achava que gritavam 'inglaterra' porque tinha a mania da inglaterra e queria gritar com eles, mas a minha irmã, que tem mais sete anos e já andava metida como os do reviralho -- era assim que se dizia na altura --, apanhou-me na varanda aos pulos com o slogan e deixou-me em lágrimas: 'queres que o pai seja preso, ou quê?').
de repente, mesmo debaixo da janela onde eu estava com a minha mãe, apareceu um rapaz de óculos a correr muito, com dois cavalos da gnr atrás. um dos guardas puxou da espada e, num gesto de pólo equestre, deu com ela nas costas do fugitivo.
a espada cortou em dois o casaco de tweed do estudante. guardei essa imagem como numa foto antiga: o casaco suspenso da espada, o cavalo a deslizar no empedrado, o terror do perseguido no rosto virado para trás
e o grito da minha mãe.
não lhe conhecia essa voz, a voz da fúria e da revolta, uma voz de coragem que ainda hoje me estremece.
selvagens, disse ela.
o selvagem parou e deixou fugir o rapaz e ficou a olhar para ela durante uma eternidade.
e ela para ele
(e eu muito quieta, a pensar que eles iam subir as escadas e levar a minha mãe, a odiá-los com todo o ódio de que era capaz, a arquitectar vinganças e guerras e resistências)
depois o selvagem disse, muito devagar, para o outro ou para nós (estava ainda a olhar para a minha mãe): nunca mais acabamos isto hoje.
e foi-se embora.
levei muito tempo a desfocar esta imagem da polícia da polícia de hoje -- ainda estou nesse processo. a própria polícia está nesse processo -- é da natureza da polícia viver no plano inclinado entre a opressão e a protecção, a autoridade e o autoritarismo.
fiz reportagens sobre violência policial, contei os mortos causados pela polícia portuguesa (muitos, demasiados), investiguei histórias horrendas de homicídios policiais sem perdão nem castigo e polícias assassinos.
de caminho, fui conhecendo polícias. conheci por exemplo o josé carreira -- e o josé carreira reconciliou-me, ou conciliou-me, senão com os polícias todos, pelo menos com a ideia de polícia.
percebi que havia nobreza nisso -- na vontade de, como se lê nas portas dos carros da polícia americana, vigiar e proteger, e que não era só na esquadra de hill street ou nas câmaras (co)movidas do nypd blues.
percebi que lhes devo o meu sono e que ser contra a violência policial não é a mesma coisa que ser contra a polícia. e que lá porque os dirigentes sindicais da polícia de hoje não chegam aos calcanhares do josé carreira e fazem uma espécie de concurso entre facções a ver quem diz mais disparates e exige mais poderes abstrusos, não é por isso que devo achar todos os polícias ridículos.
(é capaz de ser só o processo normal de amadurecimento, que costuma transformar trotskistas e maoístas em social-democratas e anarquistas anti autoridade em boas mães de família, mas prontoS: deixem-me crer que descobri isto sozinha)
|| f., 21:23
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Lantejoulas
Estava eu a pensar "que pirosa" da gaja com o cinto de lantejoulas douradas, em pé no Balcão do Marquês. Que erro, que idiotia: tem um ego dourado, é muito feliz.
|| asl, 19:14
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Citação
Uma sedutora citação de um assumido sedutor da blogosfera, o Chico do
Mau Tempo:
Os arrumadores de carros da Almirante Reis são surpreendentes. Hoje de manhã, um esteve a discutir com o Fialho o aquecimento global. O outro, pediu-lhe emprestado o último livro do Paul Auster. Vou passar a pagar-lhes em citações.
|| asl, 14:39
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Albergue e ciúmes à espanhola
O meu afilhado, o meu ex-vizinho de cima, o meu confidente de outros tempos (sim, eles quando se casam abandonam-nos); aquele que me quis proibir de fumar alarvemente antes de entrar na maternidade; aquele com quem eu estive na Ponta da Madrugada e em tantos outros lugares e nos deprimíamos juntos a jantar no Mimo antes de apanhar o avião da noite; aquele que tomava conta do Manel no hotel Avenida quando eu ia beber café; ele, com quem eu conseguia chorar. ele abriu um
albergue espanhol. mesmo assim, abandonada, hei-de lá ir todos os dias.
|| asl, 14:19
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Terça-feira, Janeiro 17
A Constança
... e
O Espectro são o melhor que aconteceu à blogosfera depois da chegada de
Eduardo Pitta.
|| asl, 21:33
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Volver aonde não se esteve
Vila-Matas lê blogs e blogs do Peru, o país impossível, o país do polícia Lituma, o país de um dos mais belos vivos, o Llosa. No El Pais de hoje, a propósito de um post de um escritor peruano (Enrique Prochazka), Vila-Matas escreve: “
Magdalena, Chacarilla, el Virrey.Nunca había oído hablar de esos sitios que para Prochazka parecían muy familiares. Y me acordé de momentos inquietantes de algunos de mis viajes, me acordé de los crespúculos en los que me he encontrado muy solo caminando por calles extrañas a mi vida, calles ajenas pero que al mismo tiempo potenciaban em mí la sospecha de que tenía um domicilio fijo desde hacía años en esa ciudad extranjera por la que caminaba. Yo tenía allí un domicílio e volvía a casa". Já voltei a casa em sítios esquisitos, mas nunca consegui escrevê-lo.
Magdalena, Chacarilla, el Virrey
|| asl, 19:49
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A memória diária inventada
Eu assino por baixo o que escreveu o
Vasco Barreto. De cada vez que me apetecer escrever sobre o chorar, queridos amigos, não telefonem. Eu estou nas Bahamas, ou nos saldos do Chiado a comprar umas botas novas. Não se preocupem. É sempre tudo ao contrário.
|| asl, 18:30
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Vontade de bater no Haneke
Há ideias piores que ir ver um thriller à meia noite: passear por cemitérios, por exemplo (descontando, talvez, para o Manuel Alegre). Eu fui ver, à meia-noite de domingo, o “Nada a Esconder” e confirmo que não é recomendável. O filme, eventualmente; a meia-noite, de maneira nenhuma. A Juliette Binoche continua linda, mas é obrigada a a vestir a mesma bata durante toda a sessão. O Daniel Auteil é muito bom. Há uma sala de jantar forrada de livros. O filme é terrivelmente inquietante (para lá das cassetes, são os segredos de infância que o Auteil esconde da mulher). Eu gostei que se falasse do colonialismo francês e dos argelinos afogados no Sena em 1961. Mas o final dá vontade de bater em alguém. Não vale a pena dar a volta à cabeça: não há explicação plausível. Mandem mails ao Haneke.
|| asl, 18:07
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Pântano revisitado
Após as autárquicas de 2001 - as do "pântano" e da demissão de Guterres - abriram-se no PS vários processos tendo em vista a expulsão de militantes que tinham concorrido como independentes contra candidaturas oficiais do partido. De memória lembro-me dos casos da Mealhada e de Penamacor. Não sei como ficaram esses processos - mas parece-me que cairam porque os visados deixaram o partido. Mas o que interessa é o princípio que orientou a abertura dos processos: nenhum militante do PS pode fazer concorrência ao próprio partido.
Irá a direcção do PS seguir este caminho, face a Alegre? A ver vamos, depende de muita coisa, a começar pelos resultados de domingo. Se o fizer, Alegre tem em sua defesa um argumento de peso: o princípio de que falei aplica-se no caso de candidaturas do partido, oficiais, aquelas em que aparece o símbolo do partido no boletim de voto. Nas presidenciais não é o caso.
Mas há ainda nos estatutos do PS outro ponto por onde poderão pegar, se quiserem resolver o problema "à PCP": aquele que determina como "deveres dos militantes" os de "respeitar, cumprir e fazer cumprir os presentes Estatutos e seus regulamentos, bem como as decisões dos órgãos do Partido". Manifestamente, Alegre - que só avançou depois de o PS "decretar" o apoio a Soares - não está nem a "cumprir" e muito menos a "fazer cumprir" as "decisões dos órgãos do partido".
Há ainda um outro caminho punitivo que o PS poderá tentar contra Alegre: retirar-lhe a vice-presidência do Parlamento. Mas, aqui sim, o jogo é de altíssimo risco. É certo que, com a sua candidatura, o candidato-poeta desbaratou muitos apoios que tinha no seu grupo parlamentar. Mas poderá voltar a reconquistar alguns se a direcção do partido o quiser transformar em vítima. Neste cenário, dificilmente Alberto Martins se manterá na liderança do grupo parlamentar. E outros amigos de Alegre - Maria de Belém, Manuel Maria Carrilho - poderão ser tentados a entrar em choque frontal com a linha oficial do partido.
Chegado aqui recordo que a maioria absoluta do PS se faz apenas por seis deputados. Só Alegre e a sua irmã (também deputada) são (menos) dois. Uma maioria pendurada por quatro deputados dificilmente se poderá chamar de absoluta. O "fenómeno" Alegre tem condições para transformar o primeiro mandato de Cavaco muito mais "interessante" do que à partida se pensaria. O pântano, o pântano...
|| JPH, 13:43
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Estabilidade...
...é a marca deste blogue. Um tipo está três dias
off line e, ao regressar, verifica que está tudo rigorosamente na mesma. Mais estável do que isto não podia ser.
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Notas aos leitores
1. O post Leitura Recomendada foi actualizado com um mail de um leitor.
2. A banda sonora foi novamente mudada. Agora na nossa Discoteca roda Passover, dos Joy Division (album Closer), em homenagem à f..Para a Ana não há nada enquanto não voltar a postar.
|| JPH, 11:10
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Sexta-feira, Janeiro 13
Nota aos leitores
Sabe-se lá porquê - a campanha eleitoral?, o procurador-geral? - mudei radicalmente a onda da nossa Discoteca. Agora, em homenagem ao Nuno Simas, que (incompreensivelmente) gosta deste género de música, foi ali colocado Koyaanisqatsi, de Philip Glass.
|| JPH, 11:33
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Garcia Pereira

Ontem ouvi a entrevista de Garcia Pereira na RTP-1. Já tinha ouvido outra, na semana passada, na TSF, por sinal bastante parecida. A minha decisão de não votar está em processo de revisão. Cheira-me que não é só a minha.
|| JPH, 10:13
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Quinta-feira, Janeiro 12
wilde
|| f., 20:31
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pró outro f.
o oscar explicou isso muito bem. 'só as pessoas
fúteis pensam que a futilidade é uma coisa fútil'
|| f., 19:40
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vazio
há dias em que as palavras parecem não ter núcleo. nenhuma espessura, nenhuma alma.
é como se tivesse perdido a capacidade de lhes invocar o sortilégio.
as minhas, bem entendido. as de agora.
olho para as dos outros (e mesmo para as minhas de ontem) num estupor maravilhado: por que é que eles conseguem e eu já não?
não seria grave se o caso não fosse o de viver disso -- e não apenas no sentido do que me paga os penne, a rucola e as botas prada.
|| f., 15:54
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Fernando Pessoa em banda desenhada
Queria ter escrito algo como
isto mas não tive tempo. Mas a questão já me tinha merecido doutas reflexões (ler o ponto 2
deste post).
|| JPH, 14:00
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Dúvida que procura resposta urgente (II)
|| JPH, 13:13
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Nota aos leitores
O post Isabel Pires de Lima foi actualizado com mais um mail de um leitor, Francisco Frazão.
|| JPH, 12:18
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Dúvida que procura resposta urgente (I)

João Garcia protagoniza agora a campanha publicitária televisiva de um banco. Sempre que o vejo só me pergunto: mas quem foi o artista que lhe reconstruiu o nariz?
|| JPH, 10:22
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Quarta-feira, Janeiro 11
Faço minhas as suas palavras. Todas.
Dasse...!Tenho visto por aí muita reacção aos meus erros ortográficos e assim e essas coisas assim. Alguns, boas almas, dizem que é "falta de atenção". De qualquer maneira, aproveito para lamentar que não vos vou poder ajudar a ajudar-me. Tenho 32 anos. A última vez que não dei erros ortoráficos foi numa cópia que fiz no décimo ano (fazia, portanto, cópias aos 15 anos), depois de ter tido tratamento especial da Escola Secundária da Cova da Piedade por nunca terem visto ninguém a dar tantos erros ortográficos. Meteu psicólogo e tudo, que, além de outras coisas, me disse que nunca tinha visto nada assim. Fiquei alguma coisa orgulhoso. A professor de física era o que mais se exasperava. Não percebia como é que eu não conseguia decorar que se escrevia "frequência" em vez de "ferquência". Nada a fazer. O pior que me podem fazer, no entanto, é corrigir-me. Não gosto nada que me corrijam. Prefiro que gozem comigo. Que me chamem nomes. Que humilhem. Também bem gosto que me dêem pancadinhas nas nádegas com um chicote de tiras de cabedal.
maradona
|| JPH, 13:08
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Nota aos leitores
Os posts Isabel Pires de Lima e Post Intimista (XIV) foram actualizados com correio de leitores.
|| JPH, 12:03
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Terça-feira, Janeiro 10
Genealogia
Marius. Soares?
|| JPH, 16:02
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Leitura recomendada...
...ao dr. Soares (embora se calhar já seja tarde demais)

Trata-se de uma biografia do super-hiper-mega jogador de basquetebol Michael
Air Jordan, escrita pelo jornalista do
Washington Post Michael Leahy. Não li. Mas um amigo que já leu explicou-me ao almoço que é a história de como um tipo muito, muito, muito, muito bom não consegue parar e acaba a carreira sendo uma trágica caricatura de si próprio. Alguém que o traduza para o dr. Soares, sff. Sem ofensa.
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Caro JPH, neste post é dito "tipo muito, muito, muito, muito bom não consegue parar e acaba a carreira sendo uma trágica caricatura de si próprio". Bom,eu sou um fã de Basquetebol ,mas não sou de Michael Jordan. Contudo, a afirmação que produz não é de todo verdadeira. Na ultima época que Jordan fez,ao serviço dos Whastingon Wizards (que não os Chigago Bulls, a sua equipa de sempre) era um jogador extremamente competivo, o líder da equipa, aquilo que os americanos no basquete chamam o "go-to guy",ou seja, em caso "em caso de problemas mete-se a bola nele e ele resolve". Na sua última época ,em 2002-2003, produziu uma média de 21 pontos e foi All-star,aos 40 anos!
Compreendo o ponto onde quer chegar no seu post, querer fazer uma compararação com Mário soares, contudo Jordan era melhor do que Soares algumas Soares foi e Jordan no seu ocaso foi melhor no ocaso de Soares.
João Melo
|| JPH, 15:43
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Mercado de inverno
Aqui e
aqui.
A ambos: divirtam-se. Acima de tudo, divirtam-se.
|| JPH, 15:25
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Cinefilia possível - compromisso 2006



Três filmes que verei este ano. Os três filmes que verei este ano.
|| JPH, 13:36
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Puro oportunismo

É a "homenagem" que Manuel Alegre pretende fazer a Sousa Franco, na lota de Matosinhos, dia 17. Para quem ingenuamente se deixa encantar com a postura "ética" do poeta, eis um gesto que desmascara tudo.
Segui aquela campanha (Europeias de 2004) do princípio ao fim (e o fim foi a morte). Por acaso até testemunhei os incidentes após os quais Sousa Franco morreu. O resultado obtido (a 1ª maioria absoluta alguma vez alcançada pelo PS) pode (e deve) ser creditado ao próprio Sousa Franco, à sua lista e também a Ferro Rodrigues, que liderava o partido e que o escolheu para cabeça de lista.
Ninguém mais pode agora tentar apanhar boleia da aura de "combatente" com que Sousa Franco passou à história. Por isso digo que se trata de puro oportunismo (para já não falar do mau gosto). Oportunismo só comparável ao facto de, já sob a liderança de Sócrates, Matilde Sousa Franco ter sido colocada nas listas de deputados pela simples razão de ser víuva de quem era.
|| JPH, 12:05
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Afinal
já não está amuado. São assim, as divas. Passa-lhes depressa. Felizmente há quem não as ature.
|| JPH, 11:55
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Isabel Pires de Lima
Destas danças na Cultura pouco entendo. Do assunto só sei o que alguns anos de observação me dizem: quando as "personalidades" da cultura começam a disparar sobre o Governo isso significa, geralmente, que o Governo está a ir bem. Mas posso, claro, estar enganado.
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Dança de cadeiras no D. Maria
Tem sido com surpresa e revolta que tenho acompanhado o que se está a
passar na sequência da notícia da substituição do director do Teatro
Nacional D.Maria.
Fui daqueles que recebi com optimismo a notícia da nomeação de
António Lagarto: é um cenógrafo/artista plástico de mérito
reconhecido e um homem de teatro com um percurso cheio. Esperei que a
sua proximidade com Ricardo Pais (e a linha de programação do Teatro
Nacional S. João) viesse trazer uma dinâmica que o Teatro Nacional
de Lisboa merecia, quer em movimentação de espectadores, quer no
impacto e relevância na cidade.
Mas não é isso que tenho verificado nos últimos tempos: a casa está
longe de andar cheia e não me parece que tenha operado a ressureição
que muitos lisboetas esperam de um teatro que pode ser referência na
cidade. É por isso que não me surpreende a indicação de um novo
director que se propõe a fazer funcionar a casa numa outra
perspectiva (embora desconheça se essa substituição foi feita de
forma correcta).
Esclareço uma coisa: não sou amigo nem de António Lagarto, nem de
Carlos Fragateiro, nunca trabalhei para eles, nem tenho planos de
trabalhar, nem tenho uma qualquer agenda que os inclua. Sou artista
plástico e autor de banda desenhada, tendo ao longo dos últimos 15
anos trabalhado em projectos de palco em teatros nacionais, salas de
vão-de-escada, salas de exploração comercial e até ao ar livre;
estive em projectos subsidiados pelo estado, noutros com
financiamento comercial, e noutros sem remuneração.
Tenho por isso isenção para afirmar que não me revejo na ideia de que
os "artistas" e "criadores" se insurgem contra a nomeação de Carlos
Fragateiro. Ainda por cima vejo no surgimento desta "carta à Ministra
da Cultura" uma forma cobarde dos seus impulsionadores de escamotear
a fulanização deste assunto e de conseguir arregimentar apoios: o SMS
que recebi ontem de alguém que me mobilizava para a vigília no D.
Maria e que dizia "merceeiro do teatro da trindade perigosamente
perto do d. maria" parece-me muito mais coerente. Repugna-me aquilo
que me parece ser um julgamento sumário de alguém que é um homem de
teatro e que dirigiu nos últimos anos uma casa onde pude ver
representado, em salas cheias, Luiz Pacheco, Inês Pedrosa, José
Saramago ou uma opera de José Eduardo Rocha.
O que me parece estar aqui em jogo não é uma preocupação isenta
acerca dos destinos do Teatro Nacional ou o respeito democrático pela
alternância de estratégias: é um acto de poder tendo em vista a
protecção de um território onde alguns têm o rabo bem assente. A
verdade é que a elite das artes está cheia de gente que passa a vida
a trazer argumentação ética e programática para caucionar opções que
são estéticas.
Se calhar precisamos mais neste momento de quem saiba fazer contas às
nossas artes, do que alguém para falar de Pinter à mesa do café.
António Jorge Goncalves
(artista plástico e autor de banda desenhada) ------------
Caro João Pedro Henriques, uma dúvida sobre o contributo de António Jorge Gonçalves a propósito da substituição no D. Maria: não lhe parece uma argumentação demasiado contaminada pela retórica das presidenciais? será Fragateiro o Cavaco do Nacional?
(Outra dúvida, já que tanto se insiste em números: alguém comparou o nº de espectadores do D. Maria e do Trindade? E que público é esse, vem por si ou chega - é só uma hipótese de trabalho - de autocarro alugado como nos comícios?) . Cumprimentos do
Francisco Frazão
|| JPH, 11:15
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NYC, This is not America (ii)
Às vezes, vou à Internet para tentar ver como está
Times Square.
|| nuno simas, 00:57
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NYC, This is not America *

Sim, eu sei, é um postal. Mas, o que querem, ando com saudades de Nova Iorque.
A foto é enganadora. Não nevou em Nova Iorque nas últimas semanas...
* O título não tem nada de anti-americanismo, é apenas o refrão de uma canção do David Bowie.
|| nuno simas, 00:27
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O DN
Uma palavra: gostei. Elegante. Graficamente limpo. Clássico. De jornal de referência.
|| nuno simas, 00:25
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Segunda-feira, Janeiro 9
Olha olha
Amuou... As divas, as divas...
|| JPH, 17:38
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A campanha na feira

[A feira do Relógio, em Lisboa, antigamente]
É uma mania antiga da política nacional em campanha. E uma mania de certa forma compreensível: é lá que se encontra gente. Seja como for, a coisa irrita. Falo da mania de os políticos em campanha visitarem feiras.
Nas feiras vigora aquilo a que, simpaticamente, se chama a "economia paralela". Ali os "empresários" não pagam impostos; e vende-se muita mercadoria (têxtil, sobretudo) ilegal, contrafaccionada; ninguém passa recibo, ninguém o exige. Tudo à margem da lei - e, por isso, tudo mais baratinho, para quem vende e para quem compra. O chamado pequeno comércio (pequenas lojas de pronto-a-vestir, pequenas mercearias, etc) tem tanta razão de queixa dos hipermercados como desta economia paralela.
Isto é ilegal, toda a gente o sabe, a começar pelos políticos. Só que estes, na sua ânsia de folclore e contacto "popular", assobiam para o ar e até acabam por legitimar a coisa. Pelos vistos, nas feiras não se importam de receber beijos e abraços (e também insultos) de quem não paga nem nunca pagou impostos. Depois não se queixem de não serem levados a sério.
Alguém irá concerteza argumentar que só me estou a preocupar com a arraia miúda, quando devia era dar atenção ao peixe graúdo. Dispenso o populismo barato e as respectivas lições de "moral". Evidentemente que toda a prioridade deve ser dada ao combate ao peixe graúdo, porque aí é que estão os milhões e a grande imoralidade. Do que aqui falei não é disso, é doutra coisa: de como a irresponsabilidade em campanha leva os políticos a fazerem coisas que lhes retiram autoridade/legitimidade para poderem exercer capazmente a função. As feiras são, de certa forma, uma metáfora.
PS 1.
Nem de propósito. Hoje um candidato visitou uma feira. Minutos antes de chegar a GNR passou pelo local apreendendo dezenas de DVDs ilegais. Os factos falam por si.
|| JPH, 16:10
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milagre
estas páginas de classificados do tal diário são de mais. entre os anúncios de 'sexys peludas' [??????!!!!!!!!!!! isso é bom????] 'completíssimas' ( o meu favorito é a secretária safada que realiza fantasias), encontra-se 'cuide dos seus animais. não os abandone' (é o chamado downer: tá uma pessoa a ler aquelas descrições hiper gráficas e zás, dá com esta convocação de cachorros de olhar doce e gatinhos despenteados -- cá pra mim foi a inês fontinha que arquitectou isto). mais apropriado é a pub 'sexo é vida', a cores berrantes, que promete aumento do pénis com o sistema alemão penimaster (eheh, das penimaster sistem, zer gut) e a resolução de 'casos de impotência total... na hora!'.
por 'na hora!' eles quererão dizer exactamente o quê? hum? tipo o manel com a maria na amora e aquilo a correr mal e zás, agarra no sistema handsome -up (que é como eles lhe chamam) e upa?
afinal há esperança, vêem? tudo se resolve.
|| f., 15:50
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elixir
o da eterna juventude parece que é uma miragem, e mesmo o do eterno entusiasmo (que vai dar no mesmo, ó, ó) mas nas páginas de um reputado (reputadíssimo) diário com nome de série televisiva com o kiefer sutherland encontrei esta 15ª maravilha da ciência, do mundo e do espaço sideral (e outros que haja, mesmo os intersticiais) que dá pelo nome de xarope de soja. este 'produto natural, [a vírgula é de origem] actua sobre: cancro, hemorróidas, varizes, colesterol, caroços [de azeitona, também?], miomas, dores ósseas, osteoporose'. mas, melhor ainda, o dito xarope 'purifica o sangue e estabiliza o sistema imunitário'.
eh lé!
não fala da próstata, mas deve ser só o o que falta. garantem-nos até que quem beba a mistela vive mais feliz e saudável.
é caso para pensar: felicidade e saúde é coisa de que precisamos todos, olá se precisamos, e os métodos clássicos de lá chegar, tipo comer bem, fazer exercício, dormir oito horas, não tomar alucinogéneos nem cortar as veias e rodearmo-nos de gente querida e interessante que goste mesmo de nós e arranjarmos uma ocupação fascinante com um salário milionário não só são praticamente impossíveis como nem sempre funcionam.
mas será que dá habituação? e ressaca? já me imagino agarrada ao xarope, sempre a correr para a casa de banho para mais uma colherada e quê, inaugurando um novo vocábulo da língua portuguesa, a xaropomania (fazendo de mim uma xaropomaníaca).
se calhar é melhor desistir e voltar para a minha gruta quentinha enquanto espero que o inverno passe
|| f., 15:03
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Nota aos leitores
O post "Vá lá, podia ser pior" foi actualizado com uma carta de uma leitora, Inês Sobral.
|| JPH, 13:57
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angústia
da mente em branco.
estou cataleptizada. não me apetece comentar nem analisar nem mencionar coisa nenhuma.
será do tempo? será a minha costela espanhola em desespero da siesta? será que de tanto fazer figura de ursa deu-me a falta da hibernação?
ooooohhhh que bocejo. que maçada. que chatice.
|| f., 13:49
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Domingo, Janeiro 8
A ler
O hilariante naco erótico de José Rodrigues dos Santos no
Codex 632 (
aqui transcrito) numa ainda mais hilariante versão
do it yourself de
Vasco M. Barreto.
|| JPH, 20:03
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Regresso aos clássicos (II)
Aqui no Glória Fácil tem-se falado muito sobre a beleza dos homens e das mulheres. No fundo a dúvida é sempre a mesma: do que falamos quando falamos de amor? Sendo o tema interessante, sou no entanto incapaz de o abordar publicamente. Pudores, já se sabe. Perante esta impossibilidade, mas não querendo apesar de tudo fingir que o assunto não me interessa, recorro à mesma solução de sempre: ir aos clássicos. Ponho-os a falar por mim e está o assunto resolvido.
Sit on my face and tell me that you love me
I'll sit on your face and tell you I love you too
I love to hear you oralise
When I'm between your thighs
You blow me away
Sit on my face and let my lips embrace you
I'll sit on your face and then I'll love you truly
Life can be fine if we both sixty-nine
If we sit on our faces
In all sorts of places
And play till we're blown awaySit on my face, Monty Phyton
|| JPH, 16:45
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Regresso aos clássicos (I)
Muito se tem discutido nos últimos dias o percurso de Ariel Sharon. Nestes momentos importa, como sempre, regressar aos clássicos, que tudo já explicaram. Aos pacifistas de todo o mundo dedico, portanto, este singelo hino (apesar de, lamentavelmente, estar interrompido a meio).
Never be rude to an Arab,
An Isreali, or Saudi, or Jew.
Never be rude to an Irishman,
No matter what you do.
Never poke fun at a Nigger,
A Spic, or a Wop, or Kraut.
And never poke fun at at...[EXPLOSÃO!]
Never be rude to an arab, Monty Python
|| JPH, 16:13
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Eu gosto mesmo é de andar de táxi. Isto sim é uma experiência enriquecedora, sabedoria popular a rodos. Quem me tira os táxis...
Não sei como não me lembrei disto antes… E bastou uma singela e breve viagem de táxi. Afinal, a explicação é simples!
Há um jackpot no euromilhões - mais de cem milhões de euros (mais de vinte milhões de contos). Ora, por apenas três euros, o preço da “corrida”, fiquei a saber a verdadeira razão dos jackpots nos jogos de azar (e sorte!).
Tentativa de reconstituição do diálogo com o
taxista (com algumas explicações
em itálico).
Taxista: Já viu? Vinte milhões de contos?Eu: Hã…
(o taxista guiava, apesar do frio da noite, com as janelas abertas, pelo que fiquei momentaneamente surdo)Taxista: O jackpot do euromilhões!
Eu: Ah…
Taxista: Não acha isto estranho?
Eu: Não!
Taxista: Eu acho. Eu desconfio. Eles ( “eles”, essa entidade indistinta, que tanto pode significar “os patrões”, “os políticos”, “o Governo” ou na versão "ele" chega a ser “Deus") têem "aquilo" (lá está esse outro clássico, o “aquilo”, que tanto pode significar computadores, como é o caso, como “o sistema” no futebol, etc.) dos computadores.
Ora se "eles" têm as apostas todas dentro "daquilo" dos computadores e sabem quais as apostas, é só escolher uma aposta que não está lá para arranjarem esta coisa dos jackpots! Isto é na Europa, mas olhe, cá, com o Totoloto, deve ser a mesma coisa! Amigo, aquilo que eu acho é que "isto" (ver "aquilo") é tudo para chupar o dinheiro à malta! Eu: Olhe, quando agora puder parar... Fico aqui.
|| nuno simas, 01:28
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Sábado, Janeiro 7
Nota aos leitores
Prossegue o tunning do Glória Fácil. O correio subiu até ao logotipo, vindo logo a seguir à descrição dos (ir)responsáveis por este blogue. Depois, tiramos uma coisa inútil que vinha logo a abrir a coluna da direita, os nossos profiles. Os nossos nomes estão lá em cima e isso chega. Depois - e esta é a principal novidade - introduzi na coluna da direita o serviço de últimas notícias do PÚBLICO, que se vai actualizando automaticamente. Só falta resolver o problema dos acentos, fica para depois.
|| JPH, 20:42
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A propósito de homens bonitos

Com este eu casava (ainda sob influência de Lituma nos Andes)
|| asl, 17:17
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A cegueira
Há
quem persista na cegueira. Por exemplo em relação a Ariel Sharon - ou melhor, em relação aos que saudaram a evolução de Ariel Sharon e receiam agora as consequências da sua retirada de cena (como eu).
A cegueira consiste em não perceber que Sharon evoluiu.
Mudou. E para melhor. E o Sharon dos últimos tempos é um Sharon de ruptura com o velho Sharon, o que abriu campos de refugiados palestinianos à fúria sanguinária das milícias cristãos (sim, cristãs, por muito que isso vos custe) ou o que se foi passear provocatoriamente para o Pátio das Mesquitas, abrindo as portas à segunda Intifada.
Tanto este Sharon é de ruptura com o anterior Sharon que foi forçado a romper com o seu próprio partido, o Likud, formando um novo, o Kadima, porque no seu não lhe perdoaram a retirada de Gaza, algo absolutamente impensável no velho general uns meses ou anos antes. Portanto, se antes se criticava, não se podia em rigor poder continuar a fazê-lo, sob pena de se continuar a alinhar objectivamente na lógica do olho-por-olho-dente-por-dente que tem sido a desgraça daquela terra.
É tudo tão simples como isto. O resto é cegueira. Para não dizer pura ignorância.
|| JPH, 14:33
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Depois desta é que nem pensar

[Foto de Alfredo Cunha no JN]
|| JPH, 14:17
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Sexta-feira, Janeiro 6
Post intimista (XIV)

Não, f.,
o Lidl não. Até tenho um lá minha terra mas não uso. Dizem-me no entanto que é "muito em conta". Só que cobram pelos sacos de plástico e isso chateia-me. Prefiro o Intermarché. Naquele de que me sirvo há um belo talho. Eu gosto de talhos. Acho que foi o Martim que um dia me disse que nunca tinha visto um gajo como eu, que parava nos talhos a admirar a montra. Coisas de suburbano.
Once suburban, always suburban, acho que é isso. Não achas, f.?
-----------------
Olá,
Dando uma vista de olhos à vossa imensa produção não resisto a uma provocação ao JPH. A fascinação pelos talhos tem alguma analogia com aquele galo tarado que ia para a porta do talho para poder ver as galinhas nuas?!...Teresa GuimarãesNR. Talvez, quem sabe, nunca tinha pensado nisso, mas é bem possível.
|| JPH, 17:34
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livros e filmes esqueçam
anda toda a gente (incluindo neste blog) a fazer listas dessas.
|| f., 16:59
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e sapatos?
e botas? já disse que adoro sapatos e botas? tenho de aprender a pôr fotos nesta gaita para vos atormentar com as listas ilustradas dos meus sapatos e botas favoritos
(o martim do canil disse-me que o bento XVI usa uma marca que também aprecio. olha. paciência. por mim, não tenciono mudar -- mas eu sou uma fútil feminista vaidozérrima que gasta rios de dinheiro em sapatos. já ele parece-me mal: devia andar de xanatos cambados, a evidenciar a entrega e a misericórdia e a humildade e o despegamento pelos valores terrenos. mas ele é que sabe)
|| f., 16:55
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também gosto
de comida.
amanhã faço uma lista.
sopa alentejana, por exemplo. mnhaaaaaaaaammmmm
|| f., 16:54
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e gajas?
também gosto de gajas bonitas.
tenho uma lista, também
a uma thurman, anytime
a carrie ann moss (matrix, memento)
a diane lane
a angelica huston
a joan crawford (those eyes, those evil eyes)
a ava gardner e a cyd charisse (em pequena confundia-as)
uma gaja cujo nome nunca recordo, que só entra em indies, como o being john malkovich
aquela do twin peaks que andou com o jack nicholson e era do gabinete do public attorney no the practice, que passava na tvi com o nome causa justa
a madonna (eu adooooro a madonna, prontoS)
olha, são todas estrangeiras. paciência
|| f., 16:43
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tu é qu'és maluco
acho que sim, jph: uma
bomba de gasolina é o-b-vi-a-men-te parte da tua geografia sentimental. é isso e o lidl
|| f., 16:41
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habituem-se
não sei porquê está-me a apetecer falar de homens bonitos. acho até que vou fazer uma lista de todos os que me ocorrem.
por exemplo
o gabriel byrne
o gabriel byrne
o gabriel byrne (especialmente em miller's crossing, dos cohen)
o paul newman (ainda hoje, mas especialmente até há trinta anos)
o vincent cassel (toujours, baby)
o ralph fiennes (especialmente em strange days, da bigelow, com aquele lenço armani)
o jack gylenthal
o mark ruffalo em in the cut, da jane campion (tem uma cara um bocadinho chubby de mais, mas pronto, passa)
uma mão cheia de chineses e japoneses cujo nome não recordo (na maior parte dos casos nunca soube) que aparecem nos filmes do wong kar wai, do kitano (há um gangster no brother que é de morrer), do zhang yimou (que fez o the house of flying daggers, que tem dois dos homens mais bonitos que já vi na vida) e quejandos
o nuno lopes (o pai atormentado do Alice)
o clooney, prontoS
e, ta-nããã-nããã...
o pacheco pereira (mas só a cabeça e aquele ar de sofrido estoicismo face aos dislates do mundo em geral e dos colegas comentadores em particular -- tal qual um tribuno romano, estou sempre à espera de o ver de toga sentado nuns degraus de mármore)
e chega, não digo mais
|| f., 16:05
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Odeio odeio odeio (II)
Tens razão,. f.,
toda a razão. Senti o mesmo quando me fecharam a bomba da Galp à porta de casa.
|| JPH, 16:04
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sim
afinal sou uma conservadora
|| f., 16:04
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Post intimista XIII
Acabou a chuva. Sendo Inverno, temos um belo Sol de Outono. Passou-me a dor de cabeça. Chega de intimismos. Achas que exagerei,
Rui?
|| JPH, 15:57
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Post intimista (XII)

Aquela que se foi nunca mais me ligou desde que se foi. Anda aí pelo país real a comer pasteis de feijão. Depois queixe-se...
|| JPH, 15:47
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odeio odeio odeio
quando destroem a geografia da minha vida.
fico danada. pior: fico até triste.
já o ano passado, no início do ano, o meu merceeiro, que há uma década me levava caixotes de fruta e legumes a casa -- caixotes com quilos de laranjas, limões, peros bravos de esmolfe, tomate, bróculos, courgettes e tudo isto por aqueles quatro andares sem elevador acima -- telefonou a dizer que ia fechar a loja. quase chorei.
agora foi o adamastor. a tabacaria onde eu mandava guardar a vanity fair está fechada. o senhor que me atendia desapareceu. o rapaz que trabalhava para ele também. as caixas de tabaco para cachimbo e os guias de portugal e as revistas estrangeiras todas penduradas à porta também. nem um papelinho a dizer: mudámo-nos para... nada. tive de ir à cena de bifanas na esquina da 1º de dezembro com a rua do carmo perguntar ao homem da frigideira o que tinha acontecido: 'venderam tudo e foram-se embora'.
não sei se estão a ver: todos os fins de mês lá ia eu ao adamastor e nem precisava de perguntar se já tinha chegado, eles punham logo a revista reluzente em cima do balcão e diziam 'a sua amiga [a joão, que manda lá guardar a revista também] ainda não veio'.
porra. isto custa. lá vou agora ter de mudar o mapa todo dos meus passos, seduzir outro dono de tabacaria, integrar outras caras na minha geografia.
odeio.
já sei que tudo é transitório e não sei quê, que não podemos ter nada como certo. mas não podia haver assim meia dúzia de coisas imutáveis, coisas sem importância que nos confortassem da terrível infiabilidade de tudo?
o mundo não podia ter assim uns compartimentos estanques para as mercearias, as tabacarias e os sapateiros, e já agora para os batons e o verniz das unhas, que as marcas passam a vida a descontinuar só para me prejudicar?
não chega já a amizade, o amor, a pele, o cabelo, o tempo, os empregos, as paisagens, os gostos e os pensamentos?
não podem parar quietos um bocado?
|| f., 15:45
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Post intimista XI

Quando se discute o prazer da escrita, lembro-me sempre de uma frase que alguém (não me lembro quem) me disse um dia: "Não gosto de escrever. Gosto de ter escrito."
|| JPH, 15:28
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Post intimista (X)

Recebi este ano muito mais SMS's de boas festas do que no ano passado. Estou a ficar velho. Faço cada vez menos inimigos.
|| JPH, 15:15
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Post intimista (IX)

Já almocei. Não havia sopa à alentejana. Fui-me por uma feijoada, que escolhi sem ver a lista. Mas depois vi que havia bacalhau cozido com grão. Arrependi-me da feijoada. Nunca mais escolho sem ver a lista. É a segunda feijoada em dois dias (a de ontem foi à brasileira, como na foto). Evitem piadinhas óbvias.
|| JPH, 15:03
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Post intimista (VIII)

A senhora com quem vou almoçar está praticamente afónica. Mas não é por isso que vou almoçar com ela. (*)
(*) -
...idem
|| JPH, 13:48
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Post intimista (VII)

Estou a ler um livro sobre bombistas-suicidas (
A minha vida é uma arma - Uma história moderna dos bombistas suicidas, de
Christoph Reuter). O autor está-me a parecer amigo dos terroristas. Não o comprei, deram-mo no Natal. Juro. (*)
(*) -
...sim...
|| JPH, 13:25
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Post intimista (VI)

Anteontem fui a uma mercearia comprar feijão verde. Estava a quase quatro euros o quilo. É um escândalo de que ninguém fala.(*)
(*) -
O costume...
|| JPH, 13:05
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Post intimista (V)

Hoje enchi o depósito da viatura. Comprei uma garrafa de água, um maço de tabaco (
Português Suave azul) e uma caixa de pastilhas
Trident Max Air. Custo: 44 euros. (*)
(*) -
Já sabem...
|| JPH, 12:27
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Post intimista (IV)

Do meu posto de observação vislumbro dois plátanos. Um já está completamente despido de folhas. O outro, ao lado, muito pelo contrário. Deve ser da diferença de idades. Ou então um é naturista e o outro não. (*)
(*) -
Já sabem a quem é dedicado. Chega de linques.
|| JPH, 12:22
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Post intimista (III)

Está-me a apetecer almoçar apenas uma sopa alentejana. Deve ser da dor de cabeça.(*)
(*) -
Dedicado ao Rui
|| JPH, 12:14
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Post intimista (II)

Estou com dor de cabeça. Já tomei dois Aspegic e não há maneira de passar.(*)
(*) -
Dedicado ao Rui.
|| JPH, 12:01
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Post intimista (I)

Logo agora que está a chover é que eu me esqueço do impermeável em casa.(*)
(*) -
Dedicado ao Rui. Desculpa.
Depois diz-me se estou a pisar o risco. Apago tudo se for preciso.
|| JPH, 11:58
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Apelo
Agradeço que blogues onde pessoas com vergonha são forçados a sair e pessoas sem vergonha ficam não
linquem o Glória Fácil. Nem que seja para elogiar. Sobretudo quando é para elogiar.
|| JPH, 11:27
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Até dia 22...
... vou ainda ser mais clandestino. Sobre política e presidenciais nem uma palavra.
Assegurando que estou (e continuarei) a divertir-me com a campanha, ir-me-ei entretendo com outras letras... Ando a reler As Farpas e a biografia do Álvaro Cunhal por JPP.
Depois, há um disco de Antonio Caldara
Cantate, Sonate ed Arie (Ed. Ramée).
|| nuno simas, 02:08
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Quinta-feira, Janeiro 5
Não admira que não passe da cepa torta.
1. No jornalismo nunca ninguém me processou.
2. Não consto da lista dos 38 jornalistas escutados no processo Casa Pia, divulgada ontem pelo
24 Horas.
|| JPH, 19:32
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Gajas Daily News
1. A Inês saiu do seu
umbigo e juntou-se ao
mau tempo. Assim que lá chegou começou a desarrumar a casa aos rapazes. As cuecas na gaveta das meias, as meias na das t-shirts, a pasta dos dentes deixada aberta, o comando da televisão debaixo de uma almofada (quando é para ser deixado rigorosamente sobre o aparelho), etc, etc, etc. Enfim, gajas, é o que é, quem conhece uma conhece todas (ou quase). Agora os
links do Mau Tempo tornaram-se invisíveis e o sitemeter, ao que parece, pediu asilo em parte incerta. Ela promete pôr tudo no sítio. Prometem sempre e a malta acredita sempre. Que remédio.
2. A Constança passou a jogar a solo no
Espectro. (Clap, clap, clap!).
|| JPH, 15:51
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olha
não me ocorre nada. nadinha.
bom ano, então
|| f., 14:49
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A maldição

Parece haver de facto uma grande maldição, uma enorme maldição, ensombrando permanentemente a paz israelo-palestiniana. É sempre assim. E sempre no pior momento possível.
Primeiro foi Rabin. Quando tudo se preparava para ver reforçada a sua liderança de Israel, um jovem radical israelita assassina-o. Inevitavelmente, as coisas acabaram por andar para trás.
Agora é Ariel Sharon. Uma hemorragia cerebral devastadora tira-o de cena. Está entre a vida e a morte - e mesmo que sobreviva dificilmente se imagina que possa regressar à política activa. Tudo indicava que Sharon seria o vencedor das próximas eleições, à frente do seu partido, o Kadima, que criou há semanas em ruptura com o belicista Likud, para quem a retirada de Gaza foi imperdoável.
Agora a situação complica-se tremendamente. Já se especula sobre a hipótese de adiar as eleições. Sobreviverá o Kadima à ausência de Sharon? No campo da paz, que alternativas se poderão afirmar? E Shimon Perez, ainda faz parte do xadrez? Dizem-me os especialistas que não.
Terá de ser sempre assim?
PS. Como muitos outros protagonistas da política israelita, Sharon não teve um percurso linear. Veja-se, por exemplo, o curto perfil que hoje sai no PÚBLICO (pág. 18). Sharon foi talvez o principal autor da vitória esmagadora de Israel na guerra do Yom Kipur (1973). Mas em 1983 foi considerado indirectamente responsável pelo massacre de centenas de refugiados palestinianos em campos do Líbano, ao abrir-lhes as portas a milícias cristãs libanesas. E em 2000, ao visitar o Pátio das Mesquitas, em Jerusalém, deu espaço à segunda Intifada palestiniana. Combateu a revolta com tudo o que podia. Os falcões de todo o mundo adoraram-no por isso - e só a muito custo engoliram o elefante da retirada de Gaza.
Mas a certa altura mudou. Tenho por mim - opinião modestamente pessoal - que o click foi a morte de Arafat e o facto de os moderados terem conquistado força na OLP, facto para o qual Sharon também contribuiu, com a eficaz política de assassinato selectivo de líderes terroristas, como o sheik Yassin (algo que na altura considerei militarmente legítimo). Sharon pertence à geração fundadora do Estado de Israel. E, como Rabin, é um general que não se fechou no seu tanque, disparando a torto e a direito, imune à existência de interlocutores válidos do outro lado. Estava no bom caminho - para desgosto dos falcões de um e doutro lado, esses sim verdadeiros amigos dos terroristas.
|| JPH, 11:19
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Quarta-feira, Janeiro 4
António Gancho

António Gancho morreu. O poeta maldito, louco. Literalmente. Viveu em “casas de saúde” – estava internado no Telhal, arredores de Sintra, desde 1967 – e escrevia uns poemas a descair para o surrealista. Lia Rimbaud e Rilke e não gostava que lhe pusessem o carimbo de surrealista. Nos seus momentos de loucura normal, dizia que era Pessoa, Luís de Camões, os poetas que lia e gostava.
Nasceu em Évora, em 1940. A solidão fez-lhe mal. A perda da mãe ainda pior e desde então não mais deixou os cuidados psiquiátricos nas tais “casas de saúde”. Em Lisboa, sentou-se à mesa dos surrealistas no Café Gelo, ninho do grupo de intelectuais e vadios que Luiz Pacheco apodou de “surreal lisboeto”.
Herberto Hélder, o poeta, guardou-lhe os poemas nos anos sessenta – antes e durante os internamentos no Telhal -, que foram editados mais tarde com o título
O Ar da Manhã (Assírio & Alvim). É, mais uma vez, Herberto que escolhe 11 dos seus poemas para a antologia
Edoi Lelia Doura - Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (Assírio & Alvim).
(Não há muitas fotos de António Gancho. Reproduzo esta de Miguel Carvalhais).
António Gancho morreu aos 66 anos. Um ataque cardíaco durante a madrugada, dizem os jornais.
Tu és mortal meu DeusNoite, vem noite sobre mim sobre nós
dá o repouso absoluto de tudo
traz peixes e abismos para nos abismarmos
traz o sono traz a morte
e vem noite por detrás de nós e sobre nós
e escreve com o teu negro
a morte que há em nós.
Livra-nos e perdoa-nos tudo
redime-nos os pecados
e enforca os nossos rostos em teu nome
In Poemas Digitais
|| nuno simas, 23:27
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Cáceres
O Cáceres Monteiro mudou a minha vida. Se não fosse o Cáceres, eu não teria começado a fazer jornalismo ali, daquela maneira, e ao Cáceres, à época director-adjunto de "O Jornal" e principal dinamizador da redacção - estava sempre na redacção - eu devo tanta coisa que gostaria de escrever e não consigo.
|| asl, 11:51
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Mais outro precedente grave de Sampaio

Ontem o Presidente da República conversou, em Belém, com o ministro Manuel Pinho sobre o "caso EDP". Audiência pública e publicitada. Não discuto se a iniciativa foi (ou não) tardia. Pergunto apenas: agora os ministros são os interlocutores do Presidente da República? Eu pensava que era o primeiro-ministro. Mas pelos vistos não tem que ser. Pode ser um ministro. Um dia, na ausência ou indisponibilidade de um ministro, que venha um secretário de Estado. E, na falta deste, um director-geral. E por aí adiante.
Fervendo em patriotismo, habitual nestas épocas, logo todos os candidatos presidenciais se multiplicaram em elogios ao gesto presidencial. Todos - repito. Asneira, e da grossa. Está aberto um precedente complicado. Mais um de autoria sampaística. (O primeiro foi fazer cair um Governo, o de Santana, por incompetência. Pode ser compreensível, de um ponto de vista pragmático, mas está completamente para lá dos poderes presidenciais.)
Não se queixem um dia os candidatos derrotados se (por exemplo) Cavaco Silva, eleito PR, começar a convocar a Belém ministros atrás de ministros, por tudo e mais alguma coisa, passando ao lado (ou por cima) do primeiro-ministro. As formalidades da democracia têm, nalguns casos, conteúdo substantivo. Para isso é que existem. Não me venham depois falar em "exorbitação" de funções e quejandos. Elogiaram o gesto de Sampaio e agora aguentem-se, para o que der e vier. Habituem-se.
|| JPH, 11:13
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Segunda-feira, Janeiro 2
Nota aos leitores - Dakar 2006
Na rúbrica Novidades foi colocada uma ligação ao site do Dakar 2006. Para os maluquinhos dos popós - como eu.
|| JPH, 17:11
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O meu livro de 2005

O meu livro de 2005 não é de 2005, é de 2004. Ganhou nesse ano o Pullitzer para a melhor obra não-ficcional. Trata-se de
Gulag, de Anne Applebaum. Para quem gosta de ler História, sobretudo contemporânea, é leitura a devorar. Uma escrita ritmada, concisa, investigada até ao tutano, na melhor tradição do melhor jornalismo norte-americano: factos, factos, factos, pouca palha, quase nenhuma, mesmo. Eu aconselho-o, sobretudo a quem gosta de fazer comparações entre o Gulag e o Holocausto, metendo tudo no mesmo saco. E também aos admiradores de Churchill, lá por volta da página 470 (na edição portuguesa, da Civilização), onde se conta como o líder britânico devolveu a Estaline centenas de exilados russos, enfiando-os em comboios de volta a Moscovo (muitos suicidaram-se no caminho, nomeadamente mulheres, atirando-se nas pontes com os filhos ao colo). Muito elucidativo.
|| JPH, 14:26
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Vá lá, podia ser pior
De todas as prendinhas que
pedi, recebi uma única: o
Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Mónica (MFM). Aliás, por pouco não recebi dois exemplares. Breves notas:
1. Lê-se bem (isto é, depressa).
2. A autora tem um problema - grave - com as vírgulas. Nunca tinha visto tanta vírgula tão mal usada. Um verdadeiro holocausto virgulino.
3. Os
spice details cumpriram as expectativas. Não duvido do interesse histórico de se saber que em Oxford subia ao andar de cima para namorar com um colega israelita vestida apenas com um casaco tigreza. Espero ansiosamente o próximo volume da autobiografia. Eu e a respectiva editora, claro.
4. Fiquei sem saber - defeito meu, de certeza - de que forma em concreto é que a sua família, e a mãe em particular, objectaram à sua emancipação académica/profissional. Por outras palavras: onde esteve afinal a rebeldia?
5. Enfim: trata-se apenas de um livro de alguém que se leva demasiado a sério.
---------------
Também recebi (eu e mais 500 000) o "Bilhete de Identidade" neste Natal.
Tendo eu uma atracção inegável e pouco edificante por fait-divers, abri o livro com expectativa. Não esperava uma prosa literária de qualidade elevada, mas uns bons momentos de distracção. Cumpriram-se as curtas expectativas: a qualidade da escrita não é digna de registo e os factos prenderam-me - não os fait-divers amorosos, mas sobretudo o relato da sociedade da época, sobretudo da vida da mãe.
Mas quando acabei de ler o livro surgiu-me mais ou menos a mesma questão: onde está, afinal,a rebeldia?
E pensei na história da minha mãe que hoje tem 61 anos. A minha mãe nasceu e cresceu em Grândola, primeira de 3 filhos de um casal classe média. Sendo na altura Portugal um país salazarento e conservador, o facto de a minha mãe viver em Grândola espartilhava ainda mais as opções de vida. Mas a minha mãe estudou, tirou um curso superior, tirou a carta de condução com 20 e poucos anos, optou pelo afastamento da religião, interessou-se por política, e sobretudo nunca me vendeu a história da sua vida como sendo um feito absolutamente extraordinário. Está bem que não teve toda aquela aquela diversidade amorosa nem rumou a Oxford ou algo que o valha, mas seja como for nunca se sentiu como uma classe à parte ou uma elite.
Não sei se a culpa é o do marketing feito à volta do livro, mas a verdade é que este vale muito mais pelos factos históricos nele narrados do que propriamente pela vida da autora. Sem querer tirar o mérito, claro, a nenhum dos factos vividos.
Atenciosamente,Inês SobralPS. Também registei esse excesso doentio de vírgulas; tantas, tantas, mas tantas, que quase as soletrava mentalmente na leitura, como nos ditados da primária; a coisa acalma à medida que se avança na leitura, vá-se lá saber porquê.
|| JPH, 13:15
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Um blogue também serve para isto
Ou seja, para agradecer as mensagens de boas festas que recebi pela "quadra". Sendo o espírito natalício, agradeço-as, sinceramente, todas. Sem excepção.
|| JPH, 10:19
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