Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

segunda-feira, abril 30

volta do correio

caro joão, essa questão estava já do meu ponto de vista dirimida. let's move on, shall we? a não ser que queira ficar por aí. por mim, está à vontade, mas desculpe não lhe poder fazer companhia.
|| f., 20:48 || link || (0) comments |

A Matilde e o "Mundo"

Quinze dias antes de nascer, a Matilde assistiu (por interposta pele da mãe) a um concerto de Rodrigo Leão, no Casino Lisboa.
Até dançou, aos saltos.
Hoje, mais de um mês depois, sorriu ao ouvir a música do Rodrigo Leão.
"Mundo" chama-se o álbum.
Muito apropriadamente.
|| Nuno Simas, 18:12 || link || (0) comments |

glória glória nas alturas

a propósito de pina moura na tvi e de situacionismos a la carte (e consequentes escândalos por menu), podem ler-me aqui. é o chamado adventismo do cinco dias. ou assim.
|| f., 17:17 || link || (0) comments |

domingo, abril 29

Um tipo que escreve uma coisa assim...

...tão justa, só se poderia mesmo chamar João Pedro. Digo-o muito a sério: um grande bem haja!
|| JPH, 21:41 || link || (0) comments |

sexta-feira, abril 27

digo o mesmo, mas em completamente diferente

a natureza das pessoas é o que é, embora nem sempre a que transparece ou titula. às vezes é a natureza da palermice. também preferia não ter percebido isso, mas já percebi (há algum tempo, hélas). e podia não ter sorrido, mas sorri. afinal, é preciso saber situar as coisas.
|| f., 18:39 || link || (0) comments |

quinta-feira, abril 26

na nossa caixa de comentários

está este mail do manuel tavares:

O Deputado Paulo Rangel, que chegou a São Bento como Professor de Direito e agora é também sócio de um Conglomerado de Advogados, falou sobre perigos e ameaças que o actual Governo da Nação lança sobre as liberdades de expressão e de comunicação; falou em tom tal que de três uma: ou vive noutro planeta, ou passou por cá por ouvir anedotas, ou é um brincalhão - já que:
- ele mesmo tem sido parte nomeadamente em programação televisiva que lhe permite exercitar todas as liberdades, inclusivé as de discordar do Governo...
- ignora o "Eixo do mal", mais a "Quadratura do Círculo" e outra programação onde os mais inteligentes dos inteligentes que haveremos entre nós diz mal de tudo e de todos (enquanto finge não se ver ao espelho) ...
- nunca deve ter visto a "Contra Informação", onde se ridiculariza e avacalha em nome do direiro de expressão (e aonde o Marques Mendes foi buscar o epíteto de "Gande Nóia" para se apresentar a crianças de um jardim escola que ignoravam o nome de tão ilustre visitante) ...
Quando é que os jornalistas que não são jornaleiros se começam a indignar?...
E quando o Pública noticia, na primeira página, que "Professores de Sócrates são arguidos" - isso quer dizer que o Primeiro Ministro tem escola de energúmeno?
Onde o Sindicato dos Jornalistas perante tal? e o respectivo Conselho de Deontologia? e a Entidade Reguladora da Comunicação Social? e aquela coisa pobre, doentia e corporativa chamada Clube de Jornalistas que se apresenta coitada na RTP 2?...
Quem ousa estancar tanta mixórdia que escorre na virginal Comunicação Social Portuguesa e nalgumas espécies sem vergonha e sem memória da política nacional?...

- Um manuel farto, enojado, triste, acansado, desiludido - passado á disponibilidade da tropa no dia 24 de Abril de 1974...
|| f., 16:15 || link || (0) comments |

Coitados daqueles jovens anti-fascistas …

… que andavam inocentemente a atirar tinta contra lojas na Baixa… quem os ouve falar na SIC não compreende por que motivo foram detidos estes verdadeiros mártires da liberdade de expressão…
|| Nuno Simas, 14:34 || link || (0) comments |

Há por aí uma amnésia …

…as rádios fazem fóruns, os comentadores comentam… como se Cavaco Silva tivesse sido o primeiro a questionar o modelo de comemorações do Revolução dos Cravos… esquece-se este pormenorzinho: no 20º aniversário da revolução [ao contrário do 30º aniversário da (r)evolução] o então Presidente Soares lançou o mesmo debate… e fez-se diferente… por exemplo, uma festarola com umas centenas de jovens de todos os distritos no Largo do Carmo e visitas ao quartel onde Marcelo Caetano se refugiou e mais tarde rendeu ao general do monóculo… em 1994, fizeram-se coisas diferentes… no ano seguinte, tudo voltou ao tradicional.
... ah... estou a ficar velho…
|| Nuno Simas, 13:57 || link || (0) comments |

deste mundo e dos outros

o joão miranda reagiu a um post meu de anteontem. desculpe, joão, mas só agora dei por isso. e confesso que lhe respondo mais por delicadeza que por vontade.

é que, joão, confundir qualquer cerimónia com uma missa e qualquer ideia ou ideologia com uma religião a benefício de um argumento único -- o de encontrar uma justificação para a presença do cardeal patriarca nas comemorações oficiais do 25 de abril e, note-se que era esse o fulcro da minha crítica, com estatuto idêntico ao dos presidentes da república (a simples presença do cardeal patriarca não é obviamente um óbice à separação entre estado e confissões religiosas; o que o é sem dúvida é a sua equiparação a figura de estado e, no caso, à mais alta figura do estado) -- é o tipo de coisa que não carece de contradita.

mas pronto, vá.

diz o joão miranda que a 'neutralidade do estado', que eu defendo em relação às confissões religiosas (eu e a constituição e a lei da liberdade religiosa, por acaso) deve existir em relação a qualquer ideologia. ó joão miranda. ou houve uma falta de luz para as suas bandas ontem (talvez mesmo um curto circuito, espero que não tenha havido danos irreparáveis) ou então deve estar a ensaiar anedotas novas.

portanto para o joão miranda um estado democrático e livre celebrar a liberdade e a democracia (é que, sabe, joão? há lugares onde não há uma coisa nem outra, e garanto-lhe que é muito desagradável) é a mesma coisa que dar loas a alá. caramba, joão. terei de lhe explicar que a democracia e a liberdade por definição não excluem ninguém a não ser os inimigos da democracia e da liberdade (e mesmo assim estes só se agirem contra elas, não por delito de opinião)? e que não há comparação possível entre uma cerimónia que celebra todas as possibilidades de pensamento e de vida e uma liturgia que prega um único caminho e uma única visão, condenando todos os outros e outras à exclusão?

terei de lhe explicar que qualquer religião organizada é por definição um sistema totalitário? e que uma celebração não é sempre um acto de fé, podendo ser, por exemplo, uma ocasião para confrontar ideias diferentes do que as coisas devem ser ou foram, visões diversas do passado e do futuro?

tenho de lhe chamar a atenção para o facto de uma celebração não implicar a imposição e veiculação de uma verdade única?

pelos vistos, tenho, joão.

como devo ter de lhe explicar que ao aceitar o lugar que o protocolo lhe oferece como único representante religioso numa cerimónia oficial e ainda por cima alcandorado a figura de proa do estado, o cardeal patriarca está a dizer que afinal lhe interessa o reino deste mundo, contrariando o fulcro dos ensinamentos do seu profeta maior.

(ah, é verdade: aquele fc que lhe apareceu na caixa de comentários não sou eu. acho que se vê logo, mas fiquei com a ideia de que o joão não viu).
|| f., 12:08 || link || (0) comments |

quarta-feira, abril 25

liberdade para tudo, até para aquele casaco

o deputado paulo rangel subiu à tribuna do 25 de abril para decretar o fim da liberdade e o terrível advento da opressão. o país ficou decerto transido. eu, por exemplo, nem queria acreditar na cor do casaco do parlamentar e no bem que ficava com a gravata. se o deixaram aparecer assim, nem tudo está perdido. fosse eu a mandar e a fashion police tinha-o internado de imediato para reeducação demorada, a cargo da eduarda abbondanza e da isabel branco. a não ser, claro, que se trate de um problema constitucional, do género oftalmológico.
|| f., 14:26 || link || (6) comments |

méxico insurrecto

hoje, ao ver as imagens do parlamento mexicano no momento da aprovação da lei que permite a interrupção da gravidez até às 12 semanas, lembrei-me do título de um livro de john reed que li na adolescência.

houve, claro, as ameaças de excomunhão do costume e até, no caso, a advertência do papa ratzinger. mas a lei passou. eram, dizia-se, 2000 mulheres mortas por ano à conta de abortos clandestinos. o méxico é grande e a lei, parece, só irá por agora ter efeito na capital, pelo que muitos abortos clandestinos e mortais poderão continuar a ocorrer. mas é, naquele que é considerado -- ouvi dizer -- o segundo maior país católico do mundo, no coração da américa latina, uma vitória da civilização contra a barbárie fundamentalista, uma magnífica insurreição. viva méxico.
|| f., 13:38 || link || (0) comments |

terça-feira, abril 24

Mais uma vítima do "lobbie" judaico


Pedro Arroja saiu do Blasfémias. Parece que levou mal que lhe tenham criticado no blogue esta pérola: "Presumo que os intelectuais de cultura judaica são sempre mais fieis à sua cultura do que à verdade e que, em caso de conflito entre ambas, optam pela primeira em detrimento da segunda - e sem hesitação." Malandragem sionista, é o que é.
|| JPH, 21:35 || link || (0) comments |

a senhora de

estou boquiabértica. não, não é boquiaberta, é mesmo boquiabértica. 'a senhora de'? quem é que escreve estas merdas? quem é que organiza estas coisas? o 25 de abril ainda não chegou ao protocolo? helllooo?

e nem vou comentar o facto de o caríssimo cardeal patriarca continuar a sentar-se ao lado dos presidentes da república, mantendo assim o lugar protocolar que foi atribuído pelo regime de salazar ao representante da igreja católica. já comentei isso que chegue, mais a óbvia violação da lei da liberdade religiosa e da constituição da república que obviamente é.

mas 'senhora de'? com menção no protocolo da comemoração oficial do 25 de abril no parlamento da democracia e -- ta-na-na-nã -- da paridade? não há limites para a saloiice? onde é que anda a comissão para a igualdade dos direitos das mulheres quando mais precisamos dela?

apre, que estou com vontade de pedir emprestado ao maradona aquele manancial de palavrões que ele, mais o bom do abril, abriu.
|| f., 20:19 || link || (1) comments |

E la nave va...

Uma selecção de frases com interesse, retiradas do “cerimonial” (tem um total de 33 pontos e 294 linhas) da sessão solene do 33º aniversário do 25 de Abril, quarta-feira, no Parlamento. Que pode ser consultado aqui.


SESSÃO SOLENE COMEMORATIVA
DO XXXIII ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL
10,00HORAS

CERIMONIAL


(repare-se na precisão do horário…)

5. O Presidente da Assembleia da República e a Senhora de Jaime Gama saem do Gabinete da Presidência às 09,41 horas, acompanhados pelo Chefe de Gabinete, dirigindo-se para a base da Escadaria Exterior do Palácio de S. Bento, onde recebe honras militares da Guarda de Honra, aguardando, em seguida, o Presidente da República.
6. O Pavilhão Presidencial é içado na varanda do Palácio de S. Bento às 09,44 horas.
(…)
(… e que dizer do pormenor dado aos cônjuges…)

8. A Senhora de Cavaco Silva sai da viatura na base da Escadaria Principal, cumprimenta a Senhora de Jaime Gama e ambas são imediatamente acompanhadas pelo protocolo à Sala de Visitas da Presidência.
(…)
(… além do detalhe da disposição dos cônjuges…)

14. Já terão, entretanto, ocupado os seus lugares no Hemiciclo os Deputados… na Tribuna A, a Senhora de Jaime Gama dá a direita à Senhora de Cavaco Silva; têm ainda assento os anteriores Presidentes da República - General Ramalho Eanes, Doutor Mário Soares, Doutor Jorge Sampaio - e respectivas Senhoras , os anteriores Presidentes da Assembleia da República e respectivas Senhoras, os anteriores Primeiros-Ministros e respectivas Senhoras. Toma também assento nesta Tribuna o Cardeal Patriarca de Lisboa;

E la nave va!
|| Nuno Simas, 18:18 || link || (0) comments |

parallel universe

vinha a passar pelo fórum picoas. tinha acabado de evitar um daqueles rapazes que distribuem papéis e meditava no gesto de desalento com que ele tinha deixado cair os braços ante a minha indiferença -- estava quase a voltar atrás para lhe pedir um papel, esta gente ganha ao molho e têm de os despachar e afinal o que é que custa pegar naquilo -- quando de um grupo de crianças de quatro ou cinco anos saiu uma menina de caracóis alourados, a correr. continuei a andar a olhar para ela, para o sorriso dela a galope até perceber que era para mim que corria, que era para mim que gritava mamããããã. estava quase a cair-me nos braços quando uma senhora, lá de trás, lhe fez saber que se enganara.
a menina voltou para a risota dos outros miúdos, num pranto de desilusão e vergonha. e eu passei, para a entrada do metro. há no mundo uma mãe de uma menina assim que se parece comigo. ou eu tenho outras vidas e hoje, por uma desregulação qualquer do universo, cruzei-me com uma delas.
|| f., 17:53 || link || (0) comments |

25 de Abril... SEMPRE!

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Andresen
|| Nuno Simas, 16:13 || link || (0) comments |

domingo, abril 22

Bacalhau a pataco...

Ainda as eleições estão a dois anos, e já Marques Mendes amda a vender bacalhau a pataco...
José Sócrates prometeu 150 mil novos postos de trabalho e depois foi o que se viu...
Agora, Mendes ainda é mais exímio e promete que "quando ganhar as eleições de 2009, a prioridade do seu Governo será levar Portugal a atingir um rendimento médio de 80 por cento em relação à média comunitária em 2013".
De promessas estatísticas está o Inferno cheio!
|| Nuno Simas, 23:18 || link || (0) comments |

Os doentes

O que leva um tipo a produzir a um domingo - dia de descanso, de família, de ir ao cinema ou à praia ou passear pelos campos e encher os pulmões de ar, ou de ir à bola ou de cervejar e tremoçar com os amigos, dia pôr as leituras em dia, os jornais de fim de semana, os livros esquecidos, dia de tudo isso e de arrumar a casa -, o que leva um tipo, dizia eu, a produzir num dia assim um 'post' cabalístico de mais de dez mil caracteres sobre a podridão do Estado? Não tem nada melhor com que se divertir? Não, não tem. Gente assim é gente claramente doente. Parece que são "referência" na blogosfera nacional.
|| JPH, 20:25 || link || (0) comments |

Serviço de recados

Deixei o telemóvel em casa. O telefone das urgências é o 21 3187707 ASL
|| JPH, 15:57 || link || (0) comments |

Ainda a tua password

Já não me lembrava como era esta coisa de blogar. Agora, já nem aqui me deixam entrar sem ser à conta da password do JPH. ASL
|| JPH, 15:46 || link || (0) comments |

Cuba do Alentejo

De quinze em quinze dias passo o domingo em Cuba do Alentejo. O Marquês de Pombal, aos domingos, é igualzinho a Cuba do Alentejo. Temos o café do largo, mais nada e vemos três ou quatro pessoas tão desesperadas como os pré-suicidas de Cuba do Alentejo. Fora dos centros comerciais, Lisboa é um lugar estranho. ASL
|| JPH, 15:36 || link || (0) comments |

sábado, abril 21

Sem palavras

Medeiros Ferreira escreveu há três dias um post críptico que toda a gente percebe: está sem palavras. Uma parte do país também. Já vimos isto antes. Pode não acabar bem ASL
|| JPH, 16:23 || link || (0) comments |

A tua password

Tenho na minha vida partilhado com o JPH algumas coisa, incluindo passwords. Um voyeur de passwords delicia-se ao perceber do que é feita a cabeça dos outros. No caso em concreto, não é surpreendente ASL
|| JPH, 14:59 || link || (0) comments |

quarta-feira, abril 18

Avante... Pina Moura

PS compreende decisão de Pina Moura
PortugalDiário/Lusa
2007/04/18 17:24

Deputado vai abandonar política para integrar administração de Media Capital

[Haverá até dirigentes e ex-deputados do PS, como Henrique Neto, que podem aplaudir a decisão do Cardeal...]
|| Nuno Simas, 19:17 || link || (0) comments |

Avante (III)

Saúde: Ministro garante construção centro saúde em Carnide - Presidente da Junta

Lá diz o povo... "Quem não não chora..."
Ou Jerónimo de Sousa: "Quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre"

[Hoje estou muito dado adágios populares e vermelhos e comunistas]
|| Nuno Simas, 19:03 || link || (0) comments |

acto de contrição

i should have known better. fiz um link (dois, por acaso) para o insurgente e já me começaram a aparecer mails de gente que promete que 'vai rezar por mim'. se eu prometer nunca mais os linquar (até há lá uma pessoa de quem eu gosto, mas posso linquá-lo sempre no arte da fuga e não se fala mais disso) não mandam mais as vossas pias acólitas prometer-me a salvação?

já agora, essa de me prometerem que vou ter uma surpresa quando morrer é muito boa. eu apostava o mesmo em relação a vocês, mas, precisamente, não posso.
|| f., 18:51 || link || (0) comments |

Avante (II)

Hoje fiz um perfil de Pina Moura.
Um dos recortes que li foi uma peça, assinada pelo Adelino Cunha, n’O Independente, datada de 2005.
Pina Moura lembra Pacheco Pereira na década de 70 no Porto.
Um (Pina) estava no PCP, outro (Pacheco) no PCP-ML (maoísta).
Recorda Pina Moura: “Lembro-me de o Pacheco Pereira andar com a mão no peito a gritar ‘Estaline está vivo nos nossos corações’”.
[As dissidências demoram a curar]
|| Nuno Simas, 18:20 || link || (1) comments |

Avante (I)

O povo da freguesia de Carnide tirou um bocadito do brilho da inauguração do Hospital da Luz, em Lisboa.
É do grupo BES e o Presidente Cavaco Silva esteve lá, falou e elogiou.
À porta, o povo de Carnide, com bandeiras pretas e vermelhas, protestou à entrada do hospital porque não tem Centro de Saúde na freguesia.
A vida é assim.
A luta de classes é assim.
As ideias do senhor Carlos Marcos ainda vivem… pelo menos ali para os lados de Carnide.

[Um pormenor: quando o carro de Cavaco Silva passou, manifestantes houve que bateram palmas! (não percebi bem!)]
|| Nuno Simas, 18:08 || link || (0) comments |

no meu estranho mundo

estranham-se muitas e variegadas coisas. e pessoas.

as que nunca se alegraram com um par de sapatos. as que nunca tiveram pena de um aspirador. e as que têm vergonha de admitir que se alegraram com um par de sapatos ou uma camisa ou um carro novo e que tiveram pena de um aspirador ou de um papagaio ou e um prédio ou de uma nespereira. as que precisam tanto tanto de atenção fingindo tanto tanto que não é isso que querem. as sempre prontas para pensar o pior de toda a gente, só para poderem sentir-se um bocadinho -- muito pequenino -- melhor.

as que passam para o lado negro sem dar por isso (estou a ser benevolente, sim, eu sei que eles sabem), só porque o lado negro os quer.

e eu, que consigo investir afecto nas coisas mais impróprias, também tenho, como do meu velho aspirador que tão bem me serviu e agora já não serve, pena dessa gente. a grande diferença é que sei que não há céu para gente assim. nem aqui, nem em lado nenhum.
|| f., 17:45 || link || (0) comments |

há gentes que me odeiam que dá gosto

mind, mind me. i do love it. especialmente quando constato que há quem há anos siga tudo o que escrevo aqui, só para espumar. que paixão, gentes. não percam já a esperança de serem correspondidas/os. pode ser que um dia.

(pensando melhor, e atendendo aos últimos desenvolvimentos, estou a pensar, em vez de o mandar já para o céu ou para o depósito municipal ou lá o que é, leiloar o meu aspirador. licitação para o mail aqui da tasca)
|| f., 14:41 || link || (0) comments |

terça-feira, abril 17

esquerda por israel (eu, por exemplo, às vezes)

via tiago barbosa ribeiro e seu kontratempos, o manifesto das esquerdas por israel. talvez um bocadinho exagerado na defesa de israel, mas há exageros que se compreendem. podia citar brecht, só para chatear. mas já chateio que chegue assim, certo?
|| f., 20:53 || link || (0) comments |

não era desses

mostrem-me um post como este, sobre uma tragédia doméstica, e eu mostro-vos um post , ou mesmo dois, sobre a tragédia cósmica das ideias fixas (e das fixações).

é assim, nada a fazer (não desfazendo). espero que haja um céu para gente assim, também -- e à parte, por favor. não queremos passar a vida depois de mortos a explicar piadas. canções, lembro-me de várias adequadas, mas não digo.

só um detalhe: o aspirador não era dos abortivos. como imaginam (não, suponho que não imaginem, mas pronto) não tenho necessidade de ter uma coisa dessas lá em casa. sobretudo agora, que a lei foi publicada em diário da república e não tarda está regulamentada e vai ser um fartote, nos hospitais públicos, com os VOSSOS impostos.
|| f., 20:40 || link || (0) comments |

and now, for something completely different

o meu aspirador morreu. tinha-o há 17 anos. era uma espécie de pet. na verdade, uma das mais compridas relações da minha vida. estou desfeita. já tem substituto -- a minha empregada obrigou-me a comprar outro e a traí-lo, assim, como se isto não fosse nada.

apetece-me pôr o tom waits a cantar 'broken bycicles, ooooh busted chairs...all those things that we don't want anymore' e dar-lhe umas festinhas. devia haver um céu para os aspiradores, também.

e, já agora, uma forma leal e digna de nos desfazermos (terrível, esta palavra) dos electrodomésticos que se estragam. em vez de os pôrmos na rua, à porta, e afastarmo-nos a assobiar para o ar, como quem abandona. às tantas até há um serviço de recolha ou assim. não sei. nunca me tinha morrido um aspirador.
|| f., 11:18 || link || (0) comments |

segunda-feira, abril 16

três foi a conta que o joão fez

tem graça.

fiz uma pergunta ao joão miranda. ele preferiu não responder e ignorar a questão essencial do meu post -- que lhe lembrava que já existia, antes da agora promulgada pelo presidente da república, uma outra lei, que permitia o aborto de embriões e fetos HUMANOS até às 12, 16, 24 semanas e a todo o tempo, em quatro conjuntos de casos (perigo para a saúde física e psíquica da mulher, violação, malformação ou doença congénita do feto ou risco de vida para a mulher), e que essa lei FOI fiscalizada pelo tribunal constitucional. E PASSOU. imagine-se uma coisa destas.

em vez de responder à pergunta e admitir o disparate do que escreveu, o joão miranda prefere explicar as 'três formas possíveis' de interpretar o artigo dele no dn. com a devida vénia, dr (é, não é?) joão miranda: eu conto mais. nós, os humanos, somos assim. um verdadeiro milagre.
|| f., 15:09 || link || (0) comments |

afinal, como já suspeitávamos, eles não são de cá

o assunto, bem sei, já chateia. mas é irresístivel. o bom do joão miranda (do blasfémias, sim, esse) estreou-se no dn, na coluna onde esta vossa serva também escreve (eu à sexta, ele ao sábado) a comentar a promulgação da nova lei do aborto pelo presidente e a decisão deste de a não enviar ao tribunal constitucional. ora muito bem vindo, joão. ao dn e a portugal. é que, joão, comentar a promulgação da lei, como aliás o faz hoje também no dn o também joão economista das neves, dizendo que esta infringe o princípio constitucional que estabelece a inviolabilidade da vida humana é um autêntico achado.

é que, joão, mesmo que lhe desse de barato o acerto da ideia de que um embrião até às dez semanas é vida humana -- a vida humana a que a constituição se refere e não a vida humana tal como o joão a define, como células ou um organismo com o genoma humano -- mesmo assim havia um probleminha em toda construção do seu argumentário. é que a lei portuguesa já admite o aborto, em várias circunstâncias, e todas com prazos mais dilatados que o da lei agora promulgada, desde, imaginem os joões, 1984.

e desculpem lá não estar a repetir essa lei, outra vez. é que estou farta de o fazer -- houve bastas causas para isso durante uns meses -- e os leitores do glória não têm culpa de haver quem ignore as mais básicas premissas do real só para ter um argumento redondinho. (para quem não saiba e queira mesmo saber, o glória tem aqui do lado direito um código penal. por alturas do artigo 140 ou 141 podem ler-se os ditos preceitos).

ah, e joão, há-de também, para sair da cena aborto, que já enjoa, explicar-me como é que, à luz da constituição e da tal inviolabilidade, se pode desligar da máquina alguém (pessoa, logo, com genoma humano, logo, vida humana) cujo cérebro parou. não será, joão, porque há certas características, e não o tal genoma, que definem o que é a vida humana tal como a constituição a vê?

a não ser que não tenha tempo e regresse já ao seu planeta de origem.
|| f., 12:23 || link || (0) comments |

estereótipos

não é a propósito do que a inês (mais conhecida por fuckitall) do womenageatrois escreve hoje no 5dias e eu tenho o prazer de publicar, mas está-me a apetecer aviar receitas.

esta é de um pesto que inventei no outro dia. nozes, manjericão, parmesão, flor de sal, pimenta preta e azeite. para cada pessoa, cinco ou seis nozes, um quadrado de parmesão com uns três centimetros, uma colher de sopa de azeite, quatro ou cinco folhas de manjericão e sal e pimenta preta (moída na hora) a gosto. tudo no liquidificador. brummm-brummm e já tá. funciona melhor com massas curtas (penne, farfalle, etc).
|| f., 12:18 || link || (1) comments |

tropical heat wave

chegou o calor. não sei se é de vez, mas ouvi na tsf que a temperatura em lisboa ia chegar aos 27. 27. apre. isto agora é sempre assim, sem avisar? da lã para o linho, sem passar pela casa partida? ainda na sexta feira bati o dente à noite e agora isto? e depois ainda dizem que o clima está como sempre esteve. enfim. só coisas para me prejudicar.
|| f., 12:15 || link || (0) comments |

quinta-feira, abril 12

repeat

já disse aqui que adoro EXTREMAMENTE o maradona?

desculpem se me repito, há coisas que nunca me canso de repetir. é que não há ninguém mas ninguém que me faça rir tanto. e por boas razões -- aí a raridade.
|| f., 21:47 || link || (0) comments |

Ah, maradona, como te compreendo

"O que me impossibilita - e vai continuar a impossibilitar nem que me cresçam azinheiras na ponta do caralho - a utilização dos boxers é, justa e tragicamente, o exacerbado desenvolvimento dos músculos das pernas: devido ao seu volume, a actividade de andar faz com que a secção do boxer que era para ficar esticada e presa ao longo da perna seja inapelavelmente puxada para cima, acumulando-se nas virilhas porções de pano e tecido que tornam impossivel um andar cem por cento heterossexual.

Fora isto, sou uma pessoa em que não se pode confiar.
"

maradona, in A Causa Foi Modificada
|| JPH, 16:02 || link || (0) comments |

terça-feira, abril 10

Nisto Pacheco não repara (II)

O acórdão aqui referido pode ser consultado aqui.
|| JPH, 22:59 || link || (0) comments |

Nisto Pacheco não repara

Sim, eu sei, fazem-se notícias sobre as pressões do gabinete do PM (e dele próprio) sobre redacções e acho perfeitamente legítimo que se façam. Mas convinha que, perante o vasto cenário de constrangimentos galopantes à actividade jornalística que nos vão cercando, fôssemos capazes de discutir (e contestar) mais do que um assunto ao mesmo tempo.

Alertado pelo Rui, chamo a atenção para uma notícia do Correio da Manhã sobre uma decisão do STJ condenando o Público. A história conta-se numa penada: em 2001, o Público noticiou que o Sporting devia 460 mil contos ao fisco. O Sporting contestou judicialmente a notícia. A primeira instância deu razão ao jornal e a segunda (a Relação)também. Chegado o processo ao STJ, os senhores conselheiros Salvador da Costa, Ferreira de Sousa e Armindo Luís decidiram em sentido contrário, condenando o jornal a pagar ao clube uma indemnização de 75 mil euros.

Agora reparem nesta pérola da acórdão, de 8 de Março passado e da autoria dos senhores conselheiros :

É irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico para que se verifique a ilicitude a que se reporta este normativo, desde que, dada a sua estrutura e circunstancialismo envolvente, seja susceptível de afectar o seu crédito ou a reputação do visado.”

Portanto: a notícia era verdadeira e nas várias instâncias - até no STJ - o Público conseguiu prová-lo. Mas para suas eminências isso não interessa nada. O que interessa é que a notícia, só por si, causou dano ao clube e, vai daí, toma lá que já almoçastes, paga maZé os 75 mil eurinhos que é para não andares praí armado em parvo, porque o direito à honra e ao bom nome se sobrepõe ao direito de informar. Muito bem, temos um lindo caminho pela frente. Aguardemos, sentados, que o dr. Pacheco Pereira manifeste a sua indignação.
|| JPH, 15:16 || link || (0) comments |

co-co-ru-co-co

ler a ex-co-blogger (do sim no referendo) marta sobre a masturbação e a pedofilia vistas pela direita presidenciável francesa. cheguei lá por via da shyz (outra co-co)que cita também outra co-co, a palmira sobre a alemanha, as mulheres, a maternidade e o feminismo.

sim, gostamos umas das outras, as bloggers gajas que não fazem questão de ter blogues de gaja. e citamo-nos, e recitamo-nos, e congratulamo-nos. sim. e às vezes também discutimos sapatos.
|| f., 15:16 || link || (0) comments |

Instrumental

"A não existir dolo, nem facilitação gravosa e excepcional no processo académico do primeiro-ministro, o que sobrará de toda esta questão é bem mais grave do que saber se José Sócrates é ou não engenheiro, agente técnico, ou estudante finalista: é o modo como a comunicação social se coloca perante o poder socialista."

Há, como se costuma dizer, todo um programa nesta frase de José Pacheco Pereira (aqui). No pensamento pachequiano, o que interessa na investigações jornalísticas ao percurso académico de Sócrates já não é, em bom rigor, saber como é que o PM obteve os seus diplomas. O que interessa verdadeiramente, segundo JPP, é que os "media" aproveitem este caso para resolver o seu alegado problema de afirmação "perante o poder socialista". E portanto teríamos, se o pensamento pachequiano fosse lei, uma investigação jornalística feita não ao abrigo do interesse público mas sim de algumas agendas políticas, nomeadamente as do próprio JPP. Mais uma vez se revela a visão instrumental que o nosso historiador tem dos "media". Enfim: nada de novo.
|| JPH, 13:43 || link || (1) comments |

uma câmara contra a cidade

o zelo supersónico com que a câmara de lisboa retirou o cartaz dos gato fedorento do marquês de pombal já foi convenientemente comentado e zurzido por meio mundo. bem que eu gostava, por exemplo, que a câmara demonstrasse a mesma proficiência a resolver as questões que tenho com ela pendentes e que muito martirizam o meu dia-a-dia -- mas paciência.

a questão fundamental está, no entanto, como joana amaral dias já frisou no dn de segunda, rui tavares noutro dia no público (sorry, rui, não reparei qual), e numa peça noticiosa no dn de sexta (não disponível on line) já se estabelecia, pela voz de osvaldo castro, presidente da comissão parlamentar de direitos, liberdades e garantias, no porquê da retirada do cartaz. a câmara alegou que se tratava de 'publicidade sem licença'. e que, ao contrário da propaganda política, que nos termos da constituição (artigo 39º, se não estou em erro) faz parte da liberdade de expressão e é portanto livre, não carecendo de licença de qualquer entidade -- propaganda política exemplificada com o cartaz do pnr -- a publicidade não pode ser colocada em qualquer sítio.

a visão camarária é interessantíssima e muito reveladora (e não vou, como a joana, falar das toneladas de publicidade que a câmara permite por aí, até em cima de monumentos, quando lhe dá jeito). o cartaz dos gato, apesar de não fazer menção a qualquer marca comercial nem pretender -- à primeira vista -- vender nenhum produto ou serviço, é publicidade. porquê? porque os gato são um grupo humorístico e não um partido, um sindicato, ou uma agremiação contra o aborto (por exemplo).

apesar de a mensagem do cartaz ser claramente política, formulada em resposta a uma mensagem política e como tal reconhecida pela câmara, o carácter não claramente político de quem a formula -- um grupo de cidadãos -- parece impedir a câmara (e a maior parte dos jornalistas que escreveram sobre o assunto) de colocar a hipótese de se tratar de propaganda política.

este entendimento da política e do discurso político como algo cuja formulação 'pertence' aos que se apresentam agremiados em partidos ou outras organizações relacionados com partidos é uma negação do valor mais básico da democracia: a cidadania. ou seja, é uma negação da ideia de cidade.

bravo, carmona e associados. já sabíamos que vocês não sabiam. não sabíamos era que de tal modo não sabem que não sabem que nem se importam que se saiba.
|| f., 12:43 || link || (0) comments |

mais provas

tenho-me esquecido de dizer. há uns tempos que estou também aqui. com maiúsculas e tudo, para variar.
|| f., 12:36 || link || (0) comments |

e pronto (com dedicatória)

o professor cavaco lá promulgou a lei. fez o que devia, com uns recados para o parlamento que ainda não li (quando ler aviso) e outros, bem óbvios, para aqueles que esperavam que um presidente colocasse as suas convicções sobre um determinado assunto acima do seu dever de garante máximo da democracia e do estado de direito, atraiçoando o sentido de um referendo -- quiçá com a desculpa salazarenta de que o povo não sabe o que quer.

achavam -- e diziam-no, até -- que cavaco lhes devia isso porque foi para isso que votaram nele.

correu-lhes mal, mal, mal. e é muito muito muito bem feito.
|| f., 12:17 || link || (0) comments |

prova de vida

estamos, sim. não se apoquentem.
|| f., 12:16 || link || (0) comments |

terça-feira, abril 3

Ora seja muito bem vinda!

E prontos, aumenta a descendência deste blogue. Às 14h23 nasceu em Lisboa uma menina de 2,9 kg e olhos azuis, filha do nosso adorável Simas e de sua santa esposa, Susana. Lamentavelmente, a criança não se chamará Esmeralda Andreia Elisabete - como a f. insistentemente sugeriu - mas sim Matilde, que também é um belo nome. Força Simas. E já sabes: o mais difícil agora são os primeiros 25 anos!
|| JPH, 16:13 || link || (0) comments |

domingo, abril 1

by the way

um dia, o meu pai contou-me como foi quando votou no humberto delgado. não me lembro se o meu pai me contou isto antes ou depois do 25 de abril.

o meu pai foi votar e quando lá chegou disseram-lhe que já tinha votado. ele insistiu que era falso e lá o deixaram votar.

é a memória mais poderosa que eu, que nasci no fim do salazarismo, tenho de salazar. chega-me perfeitamente. como definição de salazar e desse tempo que fazia heróicos os nossos gestos hoje banais. e do meu pai, claro.
|| f., 02:00 || link || (0) comments |

autofagias

às vezes ainda fico espantada. bom, digo isto e parece que não sou de me espantar, e sou. sou muito de me espantar. de me irritar, de me alegrar, de amarinhar pelas paredes, de gritar, de bater com o pé, de saltar de alegria, de uivar de felicidade. chorar menos -- tem dias.

a malta é reactiva, sim. e com um bocado de sorte nunca vai chegar ao estado zen da amiba.

mas isto para falar das fúrias soltas na blogosfera e de como isso, mesmo a mim que sou uma rapariga de pêlo na venta, me espanta. há gente que espuma de ódio, que refocila no mais fundo do asco e do insulto, que acalenta fixações como se não tivesse mais sentido na vida, que tricota conspirações num infindável patchwork.

é extraordinário. a sério que é.

pode ser pontualmente lisonjeiro, decerto, para os alvos, descobrirem-se assim fundamento de tanto congeminar. mas o que impressiona mesmo é o fito. que esperam os que tanto odeiam? que prémio?
|| f., 01:15 || link || (0) comments |