Um belo texto no
Cruzes Canhoto (CC) sobre o famoso "
patrulhamento ideológico", expressão em que
Francisco José Viegas se viciou - e
JPP ampliou. O texto do CC é uma resposta a Luís Carmelo que, no
Miniscente, escreveu: "
Aconselho os blogues apenas empenhados na carcaça ideológica, na bajulação à agenda noticiosa diária e nas tricas insossas a repetirem com Mário de Sá-Carneiro as palavras que aparecem no início do Eu-Próprio Outro: “Sou tão grande que só a mim posso dizer os meus segredos”.
Lendo o Miniscente verifica-se, de facto, que não há ali qualquer "
bajulação à agenda noticiosa diária". Posts sobre os Óscares, sobre o filme do Mel Gibson, sobre a "candidatura" de uma professora de Évora a Presidente da República, ao centenário do Benfica são só, naquele blogue, referências subliminares a Mário de Sá-Carneiro. De agenda noticiosa não têm nada!
Escolho do texto do CC a mesma frase que o
João Fernandes escolheu: "
Porquê tal animosidade contra quem (...) se limita a falar apenas do que lhe interessa, do que o diverte, daquilo em que se sente mais seguro ou, como me aconteceu hoje, daquilo em que lhe der na real gana?"
Acrescento só mais umas coisinhas:
1. A obsessão que o Aviz e o Abrupto devotam ao tal de "patrulhamento ideológico" transforma-os, a eles próprios, nos principais patrulhadores ideológicos da actual realidade blogosférica nacional. Denunciam o monstro - e transformam-se nele. Sem se darem conta, claro.
2. Sempre que falam do "patrulhamento ideológico" suscitam uma pergunta imediata a quem os lê: mas afinal de quem é que estão a falar? Nunca dizem, claro. Quem quiser que enfie a carapuça (eu, por norma, enfio). Mas esta prática (de nunca chamar os bois pelos nomes) pode ser objecto de uma vasta gama de qualificativos: vai "falta de frontalidade" à "cobardia" pura e simples. Julgamentos de carácter, claro, pensará JPP. Eu digo: pois...Por mais que me esforçe, não consigo separar a escrita de quem a escreve.
3. Por ora, é tudo.