Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

segunda-feira, fevereiro 27

Gays em Timor

Quer-me cá parecer que o jornalismo de causa sobre os temas "gay" está por cá a suscitar muito mais reservas do que em tempos (quase não) suscitou o jornalismo de causa sobre Timor. A minha causa é melhor que a tua. A minha é de Estado e a tua não. A minha é nossa e a tua é...deles...delas...sei lá.
|| JPH, 19:57 || link || (2) comments |

traços de gis

hoje é segunda-feira. há uma semana a gis talvez ainda existisse na cave daquela construção embargada no porto. talvez o grupo de jovens que a matou tenha saído à rua como nos dias anteriores, com mais umas maldades engenhosas em mente, a caminho do seu espantoso passatempo (e há quem fale em 'crime inconsciente'? agora também há torturas 'inconscientes' de pessoas que duram dias? a sério?).

não sabemos quase nada ainda daquilo a que chamamos factos e é possível que nunca saibamos nada daquilo a que chamamos causas (para além do óbvio, e o óbvio é o que é, por mais que se queira negá-lo ou ludibriá-lo).

mas não é cedo para a indignação.

nem para a fúria: não me venham dizer com que é que me posso enfurecer e com que é que não me posso enfurecer.

e não me venham dizer que é normal que ainda não tenha sido mostrada, na tv ou nos jornais (que eu tenha visto, ressalvo) a cara desta mulher que morreu. não é preciso explicar que a exibição de um rosto é uma estratégia básica de humanização e identificação -- e que a sua recusa é uma estratégia básica de abolição.

queremos assim tanto que isto não tenha acontecido que negamos um rosto à vítima? queremos assim tanto esquecer aquilo que supostamente ainda não sabemos?
|| f., 17:50 || link || (4) comments |

Queremos mAMA - A onda cresce

Com rigor e profissionalismo, Vasco M. Barreto tem tomado nota de todas as adesões ao movimento Queremos mAMA (maradona Ao Mundial da Alemanha). É o movimento - caso, por estranho que pareça, não saibam - que apela a alguém na imprensa nacional com autoridade para isso que contrate o maradona para ir à Alemanha ver o Mundial, tendo ele, em troca, de cronicar sobre o assunto, encervejando-se pelo meio ou não, conforme seja a sua santa vontade.

Pois. A onda cresce.

Mas o que eu não vejo é aqueles chamados chamados blogues da primeira divisão aderir à coisa e isso começa a aborrecer-me. Estão à espera de quê? Custa muito?

Tenho dito. Apelo a cada blogonauta que decida aderir a este movimento popular que faça link para o blogue de Vasco M. Barreto.
|| JPH, 17:10 || link || (0) comments |

Factos são factos

Nada como o Benfica para dar alegrias à lagartada.
|| JPH, 16:17 || link || (6) comments |

sábado, fevereiro 25

Gis

a forma como os media estão a tratar o homicídio do porto evidencia uma interessante mescla de engulhos, preconceitos e inépcias. que, de resto, se afirmam quase sempre perante um crime perpetrado por menores. sucede que, neste caso, a esse facto acresce, a crer no que tem sido divulgado, a natureza brutal de uma acção continuada, assim como a natureza da vítima.

e é aí, na natureza da vítima, que as narrativas mais claudicam. começaram por descrevê-la como 'um sem abrigo toxicodependente'. depois surgiu o qualificativo 'prostituto'. depois 'travesti' e 'brasileiro'. e, nos últimos dias, a revelação da sua seropositividade para o hiv e da sua transsexualidade. uma multiplicação de factores de exclusão que se diria quase excessiva e para muitos confusa: quantos jornalistas, para não falar do público, sabem qual a diferença entre um travesti, ou seja, alguém que através da roupa e da maquilhagem assume características de outro género (feminino ou masculino) que não o seu, e um transsexual, ou seja, alguém que assume uma identidade de género que não coincide com o seu sexo biológico? (para não falar na confusão destas duas denominações com a ideia de homossexualidade, claro).

a dificuldade começa logo no modo de nomear. nos seus documentos, a pessoa morta era um gisberto. na sua vida, era uma gis. agora que morreu, assumimos a sua identidade oficial, aquela que negou em vida, ou aquela que escolheu para si? quem é que tem a legitimidade de decidir do género de cada um -- os estados e suas papeladas (ou uma ordem qualquer da natureza) ou o próprio?

não é fácil decidir isso -- e alguns textos assumem uma certa esquizofrenia, ao tratar a vítima por 'a gis' quando é o jornalista que 'fala', enquanto citações, por exemplo da embaixada do brasil, mantêm o género masculino na denominação.

podemos perguntar-nos como será em tribunal, por exemplo. ou no relatório da autópsia.

em todo o caso, os problemas de denominação não se reduzem ao género. são, apetece dizer, de outros géneros.

ao assistir aos jornais da uma das 3 tvs, em que se dava conta da prisão preventiva do mais velho dos jovens envolvidos, constatei que algumas informações relevantes publicadas hoje pelo jornal de notícias -- o facto de a vítima apresentar sinais de tortura, de alguns jovens terem supostamente confessado agressões sexuais (perpretadas, parece, com um pau que, presume-se -- embora a notícia não seja muito clara nesse aspecto -- terá sido introduzido no ânus) e de se configurar a hipótese de a morte ter ocorrido após e em virtude do lançamento num fosso, por afogamento -- não era sequer afloradas pelas peças, em que o carácter 'sem abrigo' e 'toxicodependente' da vítima avultavam e, em alguns casos, elidiam, a sua identidade como transsexual.

conhecendo o apetite das tvs por pormenores macabros e escabrosos, esta reserva não pode deixar de espantar. não é informação relevante que, após dias de massacre e de agonia, a pessoa em causa tenha sido lançada a um fosso ainda viva? não é importante, do ponto de vista da motivação do crime, saber que houve torturas de carácter sexual?

se a vítima fosse uma criança ou um jovem e o crime caracterizado, segundo as convenções do sensacionalismo e da ausência de rigor que se instituiram nesses casos, como 'um crime de pedofilia', alguém acredita que estes juicy bits tivessem sido poupados?

outro pormenor fascinante é o dos discursos desculpabilizadores. que, frisando sempre, evidentemente, não estar a desculpabilizar nada, começaram já a insinuar motivos para a acção dos rapazes. o presidente das instituições de solidariedade social, padre maia, já veio a público dizer que o que se passou estaria relacionado com 'um assédio de um pedófilo a um jovem da instituição' e que 'no clima que existe em relação à pedofilia' os jovens 'tomaram o assunto nas suas mãos'.

note-se que o reverendíssimo padre não está a dizer que o assediador era a vítima. note-se que ele frisa que não está a desculpabilizar as sessões de tortura que se prolongaram por dias (como era? os miúdos saiam de casa para ir torturar uma pessoa como quem vai ao cinema? convidavam amigos?). note-se que ele não está a fazer a apologia do vigilantismo. note-se que ele está, sem se dar conta, a delimitar este crime hediondo a uma motivação de preconceito e ódio -- talvez porque para ele esse ódio e esse preconceito são tão compreensíveis e banais (dir-se-á mesmo 'normais' ) que funcionam, na sua cabeça, como desculpabilização e não como agravante. note-se, finalmente, que vêm da área da igreja católica e dos seus apaniguados as mais insistentes confusões entre homossexualidade e pedofilia e a mais insistente caracterização dos homossexuais como aberrações e predadores sexuais.

não sei qual a orientação pedagógica das oficinas de são josé, instituição católica em que estavam internados alguns dos jovens (a maioria?) em relação à questão da homossexualidade. não sei e não me vou pôr a adivinhar, até porque, felizmente, sendo a orientação da hierarquia da igreja o que é em relação à homossexualidade, há muitos padres que não a subscrevem (de mais de uma forma).

e também não sei qual a orientação -- humana, antes de mais -- do colégio ou instituição onde um professor foi informado por um dos jovens do que se estava a passar e, a crer em algumas notícias que li, levou pelo menos um dia (senão dois) a a avisar a polícia (a não ser que tenha sido a polícia a levar um dia ou dois a agir). se for verdade isso, e se for verdade que a gis na terça-feira, quando foi lançada ao poço, ainda estava viva, esse compasso de espera pode ter feito a diferença entre a vida e a morte. o que pode tê-lo ocasionado e porquê é algo que não devia deixar ninguém indiferente.

a não ser que depois do martírio, depois da inominável agonia, depois deste horror que estremece todas as noções, todos os adquiridos (que sabemos falsos mas mesmo assim guardamos) se queira agora enterrar a gis nas suas múltiplas exclusões em nome da reabilitação dos seus agressores, fazer de conta que o que se passou não foi assim tão mau e que, sobretudo, não foi, não pode ter sido consciente, quanto mais premeditado.

como se pudéssemos -- e quiséssemos -- apagar a gis e o seu terrível destino, para não termos de encarar o que aconteceu e porquê.

que a morte de gis surja no momento em que se discute, no âmbito da revisão do código penal, a adição, ao elenco das circunstâncias que agravam os crimes, o ódio homofóbico (os transsexuais pedem que acrescente também a transfobia), com uma já ampla e, diga-se, penosamente ignara (será que quem escreve aqueles textos de opinião se deu sequer ao trabalho de folhear o código penal para ter uma ideia, mesmo limitada, daquilo de que fala? terá reparado que entre essas circunstâncias se contam já três tipos específicos de ódio -- o racial, o religioso e o político -- e que este último foi junto ao rol em 1995?), reacção de alguns sectores contra a ideia, é uma partida do acaso tão bem pregada que quem acredite em divinos desígnios devia reflectir sobre ela.
|| f., 15:02 || link || (4) comments |

sexta-feira, fevereiro 24

Queremos mAMA - Uma macro-causa

"O que temos aqui é a força de uma coincidência e o embrião para um levantamento popular", escreveu Vasco M. Barreto - e escreveu muito bem, tanto na parte da "coincidência" como na do "movimento popular".

Não reparei no post em causa quando escrevi este mas desde já me associo à Macro Causa que poderemos simplificar na sigla mAMA (maradona Ao Mundial da Alemanha). Faço notar que é rigorosamente a 1ª vez que o Glória Fácil se associa a uma causa na blogosfera. Como esta é mais importante do que todas as outras, concordo com o Francisco quando fala em macro-causa.

Sugiro a Vasco M.Barreto, lançador deste movimento, que vá fazendo o levantamento das adesões. Ou então ao dr. Paulo Gorjão que, noutros momentos da nossa história, já deu provas de ser competentíssimo na matéria.
|| JPH, 12:57 || link || (0) comments |

quinta-feira, fevereiro 23

Coisas que não entendo...

...nem nunca entenderei.

Por exemplo: porque é que este tipo ainda não escreve nos jornais. Se eu mandasse, ligava-lhe e dizia:
- maradona pá, queriamos que escrevesse aqui. Só duas condições: 1ª - escrever tal e qual como escreve no seu blogue (até podia manter a assinatura); 2ª - mas sem os palavrões.
|| JPH, 15:49 || link || (2) comments |

E agora algo de extraordinário!

Desculpem, mas não resisto. Estou há mais de três semanas à espera que o ambiente blogosférico desanuvie um bocadinho para poder pôr neste blogue algo extraordinário que encontrei aqui. E explico as razões da minha (inesperada) prudência. O tipo de quem quero falar era profundamente anti-semita. Mesmo muito. Depois da II Guerra foi obrigado a sair de França, sob a acusação de colaboracionismo com os nazis (embora no seu país milhões tivessem sido muito mais do que ele, e não sofreram nada com isso). Morreu na miséria algures nos arredores de Paris. Era tão anti-semita que ainda hoje há livros dele proibidos no país onde nasceu e morreu, a França (que aliás tem, em matéria de judeus, um problema de má-consciência para resolver, como vários outros países europeus).
Mas, como já devem ter percebido, o anti-semitismo não é exactamente my cup of tea. E pôr-me aqui a falar sobre um tipo anti-semita, ainda por cima elogiando-o, podia ser mal interpretado. Não quero que um nazizito mais apressado me contabilize como um dos seus. Ainda por cima quando a blogosfera está dominada por discussões sobre anti-semitismo e negacionismo e Holocausto, etc, etc, etc.
Por isso esperei. Mas acabou-se a paciência. O tipo de quem falo, Louis Ferdinand Céline (1894-1961), além de anti-semita era um escritor de génio. Atrevo-me a dizer: o maior género literário do século XX. Leiam a Viagem ao Fim da Noite (1932) e depois conversamos.

O que aqui quero pôr não é nenhum excerto literário do homem. Nem sequer uma das várias entrevistas radiofónicas que deu (e que circulam pela net em formato mp3). O que, gentilmente, vos quero oferecer, é só isto: Céline a cantar. Isso mesmo, não brinco: a cantar. O próprio. Mais ranhosamente francês do que nunca. A voz ao senhor.


A noeud couland
|| JPH, 12:51 || link || (2) comments |

A LER

1. Salas de chuto, por Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.

2. O artigo de hoje do ministro Freitas do Amaral, no PÚBLICO (link indisponível). Trata-se de uma explicação sobre as suas polémicas declarações sugerindo um campeonato de futebol euro-muçulmano e afirmando que a agressão no "conflito" Ocidente-Islão tem partido exclusivamente do Ocidente. De boa fé aceito as explicações do MNE. Mas faço notar que a interpretação (pelos vistos errada) que foi dada a essas declarações fazia todo o sentido no contexto do comunicado da "licenciosidade". E esse não foi desmentido nem rectificado, pelo contrário, o MNE até o reforçou, em declarações posteriores na SIC-Notícias.
|| JPH, 12:03 || link || (0) comments |

quarta-feira, fevereiro 22

Décima primeira lei dos debates na blogosfera

Gerir As Audiências Com Profissionalismo Mas Fazendo de Conta Que Não Se Leva A Coisa A Sério
Por exemplo, fazendo uma tabela das Dez Leis dos Debates na Blogosfera em que a Décima Lei só é revelada uns quinze dias depois da Primeira Lei.
|| JPH, 22:13 || link || (0) comments |

DESMENTIDO

Não sou do Benfica. Não sou de clube nenhum. Gosto de futebol. A quadratura do círculo é possível.

Nota aos leitores: Graças ao João, que não gosta de blogues com música, agora podem ouvir a Radar no Glória Fácil.
|| JPH, 14:26 || link || (0) comments |

Soirée cultural

Hoje, pelas 22h15, a RTP-1 transmitirá um resumo alargado do Chelsea-Barcelona.
|| JPH, 14:12 || link || (0) comments |

terça-feira, fevereiro 21

Benfica-Liverpool (XXVI)

93m35 - Acabou. SLB venceu (1-0). Viva o aeromodelismo.
|| JPH, 21:39 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (XXV)

91m15 - Porque é que os jogadores das equipas portuguesas de futebol se penteiam todos na Isabel Queiróz do Vale?
|| JPH, 21:34 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (XXIV)

86m00 - O Luisão marcou de cabeça. E, curiosamente, a bola até ia alta. Não é como o João Pinto, que gosta de marcar de cabeça quando a bola vai rente ao chão.
|| JPH, 21:30 || link || (1) comments |

Benfica-Liverpool (XXIII)

83m37 - GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLO! Luisão marcou.
|| JPH, 21:26 || link || (1) comments |

Benfica-Liverpool (XXII)

76m00 - Agora que falta um quarto de hora para o jogo acabar e está prestes a entrar um tal de Nelson, o nosso insubstituível Gabriel O Pensador Alves conclui só isto (vocês preparem-se que a coisa é forte): "O Benfica precisa de um jogador mais fresco."
|| JPH, 21:22 || link || (2) comments |

Benfica-Liverpool (XXI)

74m45 - Cada vez que oiço falar num tal de Alcides lembro-me dos melhores bifes de São Miguel. Saudades, ai saudades...
|| JPH, 21:15 || link || (3) comments |

Benfica-Liverpool (XX)

65m30 - Joga bem, o Simão. É rapaz para fintar três gajos do Liverpool numa cabine telefónica. Depois não dá com a porta.
|| JPH, 21:10 || link || (2) comments |

Benfica-Liverpool (XIX)

62m00 - "Era um golo fantástico", diz o relatador sobre uma bola chutada pelo Benfica de longa distância que ia apanhando desprevenido o guarda-redes. Pois "era": em quase-golos o SLB está a ganhar. Antes isso.
|| JPH, 21:07 || link || (2) comments |

Benfica-Liverpool (XVIII)

58m00 - Gabriel o Pensador Alves descobriu agora que o campo esticou. "Atenção, atenção, há mais espaço", diz ele.
|| JPH, 21:04 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (XVII)

56m00 - Livre para o SLB à entrada da área do Liverpool..."outra vez, a bola a passar por cima", diz o relatador.
|| JPH, 21:02 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (XVI)

55m00 - O Benfica não pratica futebol. Pratica aeromodelismo. A bola faz de avião.
|| JPH, 20:56 || link || (1) comments |

Benfica-Liverpool (XV)

Agora a sério, falando de balneários. Uma vez, em trabalho, visitei o balneário dos jogadores do Sporting, em Alvalade. Muito elucidativo. Para já, uma imagem enorme da Nossa Senhora de Fátima; depois um retrato da irmã Lúcia. Por último: os cacifos dos jogadores identificados não com o respectivo nome mas sim com a respectiva fotografia - para que ninguém se enganasse, segundo me explicaram. No Sporting é assim. Nos outros não sei.
|| JPH, 20:50 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (XIV)

48m00 - Bola bem por cima da baliza. Árbitro decreta intervalo no jogo. Tudo pró balneário à procura do sabonete! (A RTP anuncia para "brevemente" o regresso do Gato Fedorento usando imagens de arquivo de Santana Lopes. Saudades, ai saudades - do Santana, claro.)
|| JPH, 20:34 || link || (1) comments |

Benfica-Liverpool (XIII)

47m45 - Livre muito perigoso à entrada da área (engraçado: nunca tinha escrito "à entrada da área") do Liverpool!
|| JPH, 20:32 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (XII)

43m00 - Gabriel o Pensador Alves acabou de usar a expressão "défice atacante". Assim sim!
|| JPH, 20:29 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (XI)

41m23 - Estou a achar estranho que o dr. vpv ainda não tenha comentado o jogo.
|| JPH, 20:25 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (X)

36m40 - Pontapé de baliza! (Entretanto, há alguns minutos atrás, um mariquinhas do Liverpool saiu de maca só porque levou um pontapé na cara.)
|| JPH, 20:22 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (IX)

36m19 - Canto!
|| JPH, 20:21 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (VIII)

23m50 - Monumental fífia do brasileiro que defende "as malhas" (nunca tinha escrito isto, as "malhas"...) do Benfica. Por pouco não entrou. Vai longe, o rapaz. Não tarda nada a lagartada contrata-o. Reúne o perfil.
|| JPH, 20:10 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (VII)

21m45 - O Simão continua a correr à maluca. Mas agora, surpreendentemente, tem a bola nos pés.
|| JPH, 20:07 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (VI)

14m00 - O Benfica só não levou agora o primeiro porque não calhou. Na resposta, Petit marcou um livre aí a uns 25 metros do canto direito (para quem defende) da grande área liverpooliana com um remate que só não foi directo à baliza dos gajos pela escassa diferença de um quilómetro.
|| JPH, 20:00 || link || (1) comments |

Benfica-Liverpool (V)

07m15 - O brasileiro defendeu uma bola. E logo a seguir chutou a bola para a frente. Estou espantado. (Já o Simão anda ali feito maluco a correr para o guarda-redes dos gajos, que tem a bola bem segura. Não estou espantado.)
|| JPH, 19:53 || link || (1) comments |

Benfica-Liverpool (IV)

04m49 - O que foi, agora!?
|| JPH, 19:50 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (III)

03m27 - Fora!
|| JPH, 19:49 || link || (0) comments |

Benfica-Liverpool (II)

1m00 - Canto!
|| JPH, 19:48 || link || (1) comments |

Benfica-Liverpool (I)

0m55 - Penálti!
|| JPH, 19:47 || link || (0) comments |

segunda-feira, fevereiro 20

Sim, a Ordem...

...por mim tudo bem...desde que não me obriguem a inscrever-me. Já tenho obrigações que cheguem. Pode ser assim, Pedro?
|| JPH, 22:20 || link || (0) comments |

desordem

querido paulinho, à conta dessa brincadeira (para quem não saiba, as declarações do presidente do conselho deontológico ao correio da manhã a meu respeito, colocando a minha isenção em causa por via de alegados factos da minha vida privada, declarações essas que não foram alvo de qualquer desmentido ou sequer de uma clarificação ou pedido de desculpas -- públicos, claro, pois os agravos públicos desagravam-se publicamente -- e que não mereceram à direcção do sindicato nem um ai) um por cento do meu ordenado deixou de fazer o caminho da rua duques de bragança e pode servir para pagar jantares aos amigos, ir ao cabeleireiro ou qualquer coisa realmente útil do mesmo género. apesar de estar sindicalizada desde 1994, desvinculei-me do sj enquanto esta direcção estiver em funções (e depois logo se vê) -- não tenho feitio para pagar a quem me insulta.
|| f., 18:17 || link || (0) comments |

A fé lava-se

Leio na imprensa diária que a chuva diminuiu drasticamente a participação popular nas cerimónias da transladação da irmã Lúcia para Fátima. Curioso. Tinha pensado que as massas eram movidas por uma fé inabalável. O sr. Bush, lá nos States, devia atentar no exemplo: melhor do que soldados mais valia mandar umas valentes chuvadas sobre o Médio Oriente. Tecnologia não lhe falta, suponho. Não há fé que resista a uma boa molha.
|| JPH, 15:57 || link || (1) comments |

O duplo "erro" do 24 Horas

A explicação para a ausência de grandes manifestações públicas de solidariedade com o 24 Horas não tem somente a ver com o facto de, como aqui dizia (e bem) Eduardo Pitta, sermos "todos muito finos para nos preocuparmos com jornalismo marron". O problema é esse - e outro.

O facto é que, perante o processo Casa Pia, o 24 Horas também esteve sempre do lado "errado" (e aqui as aspas têm valor de ironia). Em vez de fazer o jogo populista e justicialista das catalinas pestanas e dos pedros namoras deste mundo, o jornal escolheu apostar no escrutínio não dos arguidos mas sim da investigação - ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com o Correio da Manhã ou com a TVI.

Ora isso valeu ao jornal várias acusações trogloditas, como a de pertencerem ao "lobbie pedófilo da comunicação social". Acusações provenientes, na maior parte dos casos, de quem nunca fez mais nada na vida do que ser trombone do Ministério Público e da Polícia Judiciária, duas entidades que, na ausência de resultados concretos, disfarçam a sua incompetência providenciando sucessivas fugas de informação sobre "crimes" e respectivos "suspeitos", por norma "poderosos", que, depois, nunca vemos condenados em tribunal.

Convenhamos: é complicado - e arriscado - para um tablóide alinhar no escrutínio da investigação judicial em vez de fazer o jogo popularucho das "crianças" e da condenação dos "poderosos", mil vezes mais rentável, em termos de audiência. E não só mil vezes mais rentável como também mil vezes mais fácil, porque, como é óbvio, dá mil vezes menos chatices ter ao nosso dispôr o aparelho de Estado policial e os respectivos meios.

Foi este o duplo "erro" do 24 Horas: ser tablóide; e não estar do lado da polícia.

Escolheu o caminho difícil. Só espero é que seja sempre assim - no processo Casa Pia como noutros processos. E tanto no 24 Horas como nos outros orgãos de comunicação social todos. Mas isto, estou consciente, é claramente pedir o céu. As coisas são como são.
|| JPH, 14:01 || link || (1) comments |

sexta-feira, fevereiro 17

quotas ou cotas?

e sentiste a falta, jph?

dos gajos, i mean.
|| f., 20:37 || link || (0) comments |

A rádio do futuro

Não sei se isto é a rádio do futuro. Mas parece-me que se arrisca a ser pelo menos parte da rádio do futuro (por exemplo, a leitura da meteorologia, o trânsito). Experimentem, por exemplo, colocar na caixa de texto dois ou três parágrafos de uma notícia da Lusa; ou dois ou três parágrafos de um texto vosso. É certo que a voz ainda está um pouco robotizada. Mas nada que o tempo não resolva. Admirável mundo novo que nos leva ao desemprego.

Adenda: O seu a seu dono. O link referido foi roubado ao Mau Tempo no Canil. Não é a primeira vez nem será a última.

Adenda II: Este nosso leitor virtual já foi colocado na rubrica Novidades, ali na coluna da esquerda. O Provedor dos Leitores do PÚBLICO passou para o Serviço Público.
|| JPH, 14:58 || link || (0) comments |

Quotas

Começa a impor-se o princípio das quotas de género no jornalismo. Ontem confirmei in loco no Parlamento a urgência da coisa. Na bancada de imprensa não encontrei um único homem. A sério. Nem um para amostra.
|| JPH, 13:51 || link || (1) comments |

quarta-feira, fevereiro 15

rapidez e eficiência

o ministro da justiça diz que a investigação do envelope nove está a demorar muito e zás, o 24 horas leva com uma rusga em cima. eh valentes. e para fazer o quê? para investigar os computadores dos jornalistas. parece que finalmente encontraram lá na pgr alguém que perceba de ficheiros informáticos, eheh. antes tarde que nunca, não é?
|| f., 16:00 || link || (1) comments |

irão para um lado que eu cá sei, parte II

mas ainda assim o que gostei mais na fala do sr do irão foi mesmo aquela de nós querermos a liberdade expressão para fazer pouco dos profetas 'das outras religiões'. ninguém consegue explicar a estes senhores que a malta não tem religião e que estamos muito bem assim, obrigadinha? (já agora, expliquem também ao prof freitas do amaral, ele faltou a essa aula).

apre.
|| f., 15:45 || link || (0) comments |

O jornalismo dá cabo de uma pessoa

Face a inúmeros pedidos de explicações, importa uma palavrinha. A prolongada ausência da Ana Sá Lopes deste blogue deve-se a motivos exclusivamente profissionais. O facto é que ela nos últimos dias esteve a preparar-se para uma exaustiva viagem presidencial a Timor-Leste. Faltam aliás poucas horas para embarcar. O programa é de arrasar qualquer um. Para já, irá fazer o vôo num C-130 da Força Aérea. Já voaram num C-130? Pois, para quem não teve essa experiência, eu explico: o C-130 é um avião super-seguro e super-estável. E, sobretudo, hiper-barulhento (é um avião militar e portanto desprovido de qualquer espécie de forro protector). E mais: como é um avião de transporte, o mais certo é que a Ana (e a restante comitiva jornalística) viaje rodeada de contentores de bacalhau e outras iguarias enviadas para a nossa tropa colocada lá junto dos mauberes (para já não falar dos contentores com medalhas presidenciais, que não cheiram mas ocupam espaço).

Além do mais, o avião é super-lento. Assim, os pobres jornalistas, coitadinhos, serão forçados, à ida, a dormir no Omã e depois em Singapura. E à vinda ainda será pior. Então não é que os vão obrigar a parar (igualmente com dormida incluída) em Creta e nas Maldivas! Enfim, um cenário de horror. Tenham pena da Ana, por favor. Por mim, estou lavado em lágrimas. Juro.
|| JPH, 15:36 || link || (0) comments |

irão para um lado que eu cá sei

de acordo com o nuninho (que saudade! aleluia! eheh!), o embaixador do irão deu em entrevista umas palmadinhas amistosas no nosso ministro dos jogos de futebol entre civilizações e prosseguiu no desporto favorito lá do país dele (ex aequo com as lapidações de adúlteras e homossexuais e a queima de embaixadas de países que não veneram maomé), a negação do holocausto. parece que o estimado senhor andou a fazer contas e concluiu, em nome da liberdade de expressão, que não era possível incinerar seis milhões de pessoas em tão pouco tempo (o tempo que os nazis levaram a incinerar seis milhões de pessoas, precisamente). há muito para explicar sobre isso, diz ele. também acho: onde é que estarão escondidos os milhões de judeus que se eclipsaram da europa enquanto os nazis andavam a persegui-los, a matá-los e a metê-los em fornos crematórios, só para dar a entender que tinham sido perseguidos, mortos e cremados pelos nazis? sim: queremos saber. isto não fica assim. felizmente que existe no mundo um estado sem verdades adquiridas e louvável apego pelo rigor científico para pôr a nu esta gigantesca cabala (caballah?).

só mais uma coisa: sr embaixador, não quer ir a plutão (não confundir com plutónio nem com urânio) ver se eu lá estou? diz que é bonito, que não há lá judeus e ninguém publica caricaturas de profetas, mas liberdade de expressão é o que se quiser.
|| f., 15:11 || link || (0) comments |

E se não fosse para ganhar...

Gosto de tipos com jeito para ganhar dinheiro - invejo-os, na verdade. Tipos cheios de instinto assassino, natural born winners.Tipos, por exemplo, como o Luís Paixão Martins. Nos últimos anos ninguém o pára. Esteve na maioria de Sócrates. E depois na de Cavaco. E - distraído que eu estava - nem tinha reparado que também trabalha para o Isaltino de Morais. Só vencedores.
|| JPH, 14:20 || link || (0) comments |

Aos adoradores de Philip Larkin

The Whitsun Wedding, de Philip Larkin, lido por Michael Fenton Stevens.



The Whitsun Wedding
That Whitsun, I was late getting away:
Not till about
One-twenty on the sunlit Saturday
Did my three-quarters-empty train pull out,
All windows down, all cushions hot, all sense
Of being in a hurry gone. We ran
Behind the backs of houses, crossed a street
Of blinding windscreens, smelt the fish-dock; thence
The river's level drifting breadth began,
Where sky and lincolnshire and water meet.

All afternoon, through the tall heat that slept
For miles inland,
A slow and stopping curve southwards we kept.
Wide farms went by, short-shadowed cattle, and
Canals with floatings of industrial froth;
A hothouse flashed uniquely: hedges dipped
And rose: and now and then a smell of grass
Displaced the reek of buttoned carriage-cloth
Until the next town, new and nondescript,
Approached with acres of dismantled cars.

At first, I didn't notice what a noise
The weddings made
Each station that we stopped at: sun destroys
The interest of what's happening in the shade,
And down the long cool platforms whoops and skirls
I took for porters larking with the mails,
And went on reading. Once we started, though,
We passed them, grinning and pomaded, girls
In parodies of fashion, heels and veils,
All posed irresolutely,watching us go,

As if out on the end of an event
Waving goodbye
To something that survived it. Struck, I leant
More promptly out next time, more curiously,
And saw it all again in different terms:
The fathers with broad belts under their suits
And seamy foreheads; mothers loud and fat;
An uncle shouting smut; and then the perms,
The nylon gloves, mauves, and olive-ochres that

Marked off the girls unreally from the rest.
Yes, from cafes
And banquet-halls up yards, and bunting-dressed
Coach-party annexes, the wedding-days
Were coming to an end. All down the line
Fresh couples climbed aboard: the rest stood round;
The last confetti and advice were thrown,
And, as we moved, each face seemed to define
Just what it saw departing: Children frowned
At something dull; fathers had never known

Success so huge and wholly farcical;
The women shared
The secret like a happy funeral;
While girls, gripping their handbags tighter, stared
At a religious wounding. Free at last,
And loaded with the sum of all they saw,
We hurried towards London, shuffling gouts of steam.
Now fields were building-plots, and poplars cast
Long shadows over major roads, and for
Some fifty minutes, that in time would seem

Just long enough to settle hats and say
I nearly died,
A dozen marriages got under way.
They watched the landscape, sitting side by side
-An Odeon went past, a cooling tower,
And someone running up to bowl - and none
Thought of the others they would never meet
Or how their lives would all contain this hour.
I thought of London spread out in the sun,
Its postal disticts packed like squares of wheat:

There we were aimed. And as we raced across
Bright knots of rail
Past standing Pullmans, walls of blackened moss
Came close, and it was nearly done, this frail
Travelling coincidence; and what it held
Stood ready to be loosed with all the power
That being changed can give. We slowed again,
And as the tightened brakes took hold, there swelled
A sense of falling, like an arrow-shower
Sent out of sight, somewhere becoming rain.

Philip Larkin
|| JPH, 13:16 || link || (8) comments |

As prioridades dos "agentes" culturais

Aqui há tempos, animados por uma controversa dança de cadeiras nos teatros nacionais, centenas de "agentes culturais" mobilizaram-se num enérgico abaixo-assinado pedindo a demissão da ministra da Cultura. Estavam no seu direito, claro. O que me encanita, agora, é que face a declarações de um outro ministro, Freitas do Amaral, que representam um ataque governamental directo à liberdade de criação, os senhores e senhoras "agentes culturais" não revelem um décimo da energia que revelaram face à ministra Pires de Lima. Não me surpreende, muito francamente. Na "cultura", as prioridades são o que são.
|| JPH, 11:20 || link || (0) comments |

terça-feira, fevereiro 14

Todos os namorados são ridículos...

...não seriam namorados se não fossem ridículos. Para T.



Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te enfim, de um calmo amor presente,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e cada instante

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Vinicius de Moraes
|| JPH, 19:38 || link || (0) comments |

A moda pegou

Não é só o Profeta que não tem rosto; agora é também a solidariedade institucional do primeiro-ministro para com os membros do Governo. Freitas disse o que disse. Vai daí o primeiro-ministro solidarizou-se...através de uma "fonte". Se isto não é uma ordem de despejo vou ali já venho.
|| JPH, 19:12 || link || (0) comments |

As más companhias de Freitas

A vida tem destas coisas e a polémica, quase guerra religiosa, dos cartoons, tem destas surpresas.
Freitas do Amaral, que domingo afirmou que tem sido o Ocidente o "maior agressor" do mundo islâmico, teve a "compreensão" do embaixador do Irão em Lisboa.
A entrevista foi à Antena 1 e a notícia é retirada do Portugal Diário.

Irão elogia Freitas do Amaral

Embaixador em Lisboa considera que o ministro português dos Negócios Estrangeiros disse «palavras boas e lógicas» e comenta o Holocausto

O embaixador do Irão em Lisboa considerou esta terça-feira que a imprensa portuguesa «teve uma atitude positiva» em relação à polémica em torno das caricaturas de Maomé.
Em entrevista à Antena 1, Mohammed Taheri considera que «o ministro Freitas do Amaral teve uma posição que deve ser destacada. Disse coisas muito positivas e muito lógicas».
O diplomata questionou ainda a visão do primeiro-ministro dinamarquês, que considerou que a publicação das caricaturas configuaravam apenas um caso de liberdade de expressão: «Que liberdade é esta que vocês têm que vos permite dizer o que querem de outros santos de outras religiões?».
O representante do Irão em Lisboa disse ainda que é normal que o presidente do seu país queira organizar um seminário sobre o tema do Holocausto: «A liberdade afinal termina quando se fala de Holocausto?».
O embaixador diz que «há muito por contar» e que ele próprio esteve em Auchwitz e fez «as contas». «Para incinerar seis milhões de pessoas seriam precisos 15 anos, por isso há muito que explicar e contar».


Ele há companhias muito inconvenientes!...
|| Nuno Simas, 18:50 || link || (0) comments |

amor comprimido

ouvi hoje com muito interesse uma senhora, julgo que ginecologista, a perorar na sic not sobre o desejo, as relações, as ralações e isso. diz ela que quando estamos apaixonados temos serotonina que é um disparate (será que é assim ou ao contrário? tou um bocado baralhada) e só queremos fazer aquilo mas que ao fim de quatro anos de coabitação a desgraçada da hormona baixa. diz ela que é por isso que muitas relações acabam aos 4 anos (eu julgava que era aos sete, como no filme com a monroe, mas olha). e que as que continuam é porque nas mulheres sobem os níveis de occitocina e nos homens os de vasopressina.

conclusão: nada destas coisas se vendem em comprimidos, bisnagas, ampolas, sei lá? isso é que era o grande presente de s. valentim.
|| f., 15:24 || link || (6) comments |

"Uns para os outros"

No Irão um jornal qualquer lançou um concurso de caricaturas anti-semitas. O que me deixa indignado. Penso mesmo convocar uns amigos para ir ali à embaixada do Irão, no Restelo, pegar-lhe fogo. Dizem-me que o Governo do MNE Freitas não levará muito a mal. Fazendo fé no dr. Canas, serei, quanto muito, condenado por abuso de liberdade de imprensa.
|| JPH, 13:51 || link || (0) comments |

segunda-feira, fevereiro 13

Uma explicação à Dª. Graça

Um dia, lendo um guia do Expresso, dei com referências muito elogiosas a um restaurante no Algarve montanheiro chamado qualquer coisa completamente inesperada como isto: Casa da Tia Anica. Assim que pude fui lá e ainda hoje me espanto com o que encontrei. Na verdade não era um restaurante; era mesmo uma casa, curiosamente da tia Anica. Uma cozinha como as outras todas, quartos no andar de cima, uma sala de jantar e de estar, uma mesa de seis lugares com um naperon no centro, uma fruteira com maçãs, laranjas e bananas, naturalmente de plástico. E uma televisão e um sofá onde estava sentado o marido da tia Anica, comentando com os convidados as últimas "incidências" da bola. A tia Anica e o marido receberam-nos como se fôssemos seus filhos. E até tinhamos uma criança para lhe fazer de neto.

O espanto não acabou aqui. A seguir a tia Anica serviu-nos o almoço. E contou-nos a sua vida. Nascera ali, no Algarve montanheiro, na fronteira com o Alentejo. A certa altura o destino levou-a a Marrocos. E lá serviu como cozinheira na embaixada de França. Imaginam portanto o que este trajecto lhe fez à culinária: o melhor do Algarve (que é o seu interior); o Alentejo; a cozinha magrebina; e uma certa sofisticação francesa. Resultado: um almoço absolutamente inesquecível. E uma dúvida que nunca esclareci: porque carga de água o tipo do Expresso que escreveu aquilo não guardou este segredo só para ele? Não saberia ele que há coisas tão boas tão boas tão boas que, por via de serem tão boas, quase se tornam íntimas?

Sim, arrisco dizer: em certas religiões o nome de Deus não se pronuncia; noutras é o profeta que não pode ser retratado. Na minha religião pessoal, o segredo aplica-se à felicidade. Por regra, não falo publicamente de experiências que me deixam espantado de alegria. Recuso-me - apesar de todas as incompreensões. É pudor, simplesmente. Conservo a alegria guardando-a só para mim. E só digo isto porque percebi - talvez tarde - que devo uma palavra à Dª. Graça, que me providenciou um dos três melhores almoços da minha vida. De sempre.

Aguardo, agora em paz comigo mesmo, o próximo encontro.
|| JPH, 18:31 || link || (0) comments |

eu é que sou maluca

curto, sei lá, bué, a ideia brilhante do nosso ministro dos estrangeiros (para ser lido à letra, em citação de ferreira fernandes, hoje no cm).

a ver se 'eles' vêm à bola connosco, tão a ver? e se nós vamos à bola com eles.

isto é muita leitura, muita pós-graduação em yale, muito romance histórico, muita sport tv, enfim, alta cultura e uma compreensão acutilante, ó lá lá, da alma humana.

sim, que quem andou lá pelos médios orientes sabe que em qualquer tikrit, em qualquer ramallah, há alguém que resiste à ignorância global e sabe quem é o figo e faz uma pequena ideia do nome portugal (isto agora até me chegou uma lagrimita ao olho, que querem, sou eu e o alegre, ai o patriotismo).

tenho porém uma não menos brilhante, digo eu, ideia: bóra mandar as nossas equipas femininas! isso é que era interculturalidade e diálogo. e com uma vantagem: como há para lá plo islão umas facções que nem olham para uma gaja, quanto mais apertar-lhe a mão, estava garantida a nossa vitória e sem faltas. eheh. tou a vê-las a avançar para a baliza e o guarda-redes a olhar para o céu, não fosse ver alguma blasfémia de calções e cabelo ao vento.

ideias boas é consigo, prof! mas a malta também gosta de fazer a nossa contribuiçãozita para a paz mundial. bem haja
|| f., 16:21 || link || (0) comments |

O "bom senso" - derradeira pregação

Por mim, este será o último post sobre o assunto. A não ser, evidentemente, que alguma interpelação me force a voltar. A ver vamos. E o que me interessa, agora, é tentar explicar como a solução do "bom senso" é inviável.

1. O "bom senso" não é prático. No Ocidente publicam-se milhares de jornais; ouvem-se milhares de rádios e vêem-se milhares de canais de TV. Além de que, só na Europa, somos mais de 400 milhões de habitantes e a isto acresce a Internet. Ninguém pode, em bom rigor, evitar que, aqui ou ali, haja alguém que, por alguma razão, que até pode ser a pior de todas, decida fazer algo que venha a ser considerado blasfemo. É impossível impedir isso.

2. No Ocidente só há uma entidade com poder para garantir o "bom-senso" aos media: os governos. A filosofia do "bom senso" mediático implica, portanto, que a liberdade de expressão nos media ficaria sujeita aos interesses de Estado. É claro que sei que há circunstâncias em que essa subordinação acontece, imposta por lei (segredos de Estado, segredos militares). Mas admitimos nós que essa subordinação se alargue? Eu não. E pensam que exagero? Pois digo que não: na Holanda ponderaram-se leis anti-blasfémia depois do assassinato de Theo Van Gogh.

3. O "bom senso" sugere que os media ocidentais se deixem de actos que possam contribuir para incendiar a animosidade do Islão contra o Ocidente. Fosse esta teoria levada à letra e o News of The World não teria contado a história da brutalidade de soldados britânicos contra iraquianos. É isso que querem? Ou haverá uma liberdade (maior) para jornalistas e outra (mais pequena) para caricaturistas?

4. O "bom senso" sugere igualmente que, quanto à representação de Maomé (que uso aqui apenas como exemplo) se faça a vontade ao Islão, deixando de o representar (porque o problema islâmico não é só a sátira, é a representação, pura e simples). Por outras palavras: o "bom senso" sugere todos no Ocidente se subordinem a directivas religiosas, sendo crentes ou não.

5. A teoria do "bom senso" legitima o radicalismo islâmico. Leva-os a pensar que até têm alguma razão na forma como protestam, porque do lado de "cá" há quem lhes dê alguma razão. Isso sim é que é "fazer o jogo de Bin Laden", como dizia um dia destes aquela triste figura que chefia a diplomacia nacional.

6. Os vários discursos "compreensivos" dos Governos ocidentais face à indignação islâmica não tiveram qualquer efeito de acalmia do lado de "lá". Se repararem bem, foi depois de vários desses discursos que as embaixadas foram incendiadas. Para o radicalismo islâmico é pura e simplesmente inintelígel que um Governo não possa fechar um jornal (porque "lá" é assim que as coisas funcionam). Era isso que queriam e isso não lhes podia ser dado. A resposta ocidental "compreensiva" soou portanto fraca aos ouvidos do radicalismo islâmico e, nessa medida, contribuiu para incendiar ainda mais os ânimos.

7. Já disse (e repito) que não vejo obrigação nenhuma no Ocidente de andar a fazer proselitismo democrático pelo Islão - e muito menos pela força, como está a acontecer no Iraque. O que quero, apenas, é deixar claro que o inverso também se aplica: não me apetece ver a terra onde vivo subordinada à tirania do Islão radical. E dessa tirania faz parte tudo o que o "bom senso" defendeu: a subordinação dos media aos interesses dos governos; a compreensão com formas violentas de manifestação da indignação; a subordinação de toda a gente a ditames religiosos que só obrigam os crentes.

8. Tenho dito. Viva a República! Viva a Democracia! 25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!
|| JPH, 12:12 || link || (0) comments |

sexta-feira, fevereiro 10

Uma inauguração como deve ser é assim

Chegaram os corta-fitas. O Pedro Correia, o Duarte Salmão, perdão, Calvão, o Luís Naves e o Albano Matos. Prometem inaugurações diárias.
|| asl, 13:27 || link || (0) comments |

Goytisolo no "El Pais"

"La democracia tiene que mantenerse firme en sus principios y evitar toda claudicación, pero exige flexibilidad en la aplicación de sus reglas. Suscribo lo escrito por los editorialistas de The Guardian -"no sería apropiado, por ejemplo, reproducir una viñeta antisemita de las que se publicaban en la Alemania nazi"- y de Financial Times -"la libertad de expresión es una de nuestras libertades más apreciables. Pero no es absoluta: no incluye el derecho de gritar '¡fuego!' en un teatro abarrotado"-. La libertad no nos exime de un mínimo de responsabilidad y el Jyllands-Posten no ha mostrado responsabilidad alguna. Si sería un desatino en un ambiente crispado como el nuestro publicar un editorial titulado ¡Los catalanes quieren desmembrar a España!, lo de la bomba y Mahoma es más insensato aún en una situación explosiva agravada por cuanto acaece en Oriente Próximo. ¡Bastante fuego hay como para arrojarle más leña!

Por mi parte, sin apartarme un ápice de la defensa de la libertad de expresión, me sumo al proyecto de Alianza de Civilizaciones promovido en Naciones Unidas por el presidente del Gobierno como el mejor antídoto contra la espiral de irresponsabilidad y violencia avivada por los extremistas de los dos bandos.
"

Juan Goytisolo
|| asl, 12:51 || link || (4) comments |

A escalada

Enquanto nos países islâmicos a reacção às caricaturas se fez num quadro de escalada de violência, por aqui, entre os socialistas (Governo e deputados) a escalada foi apenas na cretinice. Primeiro, o comunicado de Freitas; depois aquela frase insuportavelmente estúpida de Vitalino Canas na Assembleia da República.

Chego, depois disto, a uma única conclusão. Nesta matéria. Freitas e Vitalino deveriam ter declarado o seu conflito de interesses. O primeiro porque, na verdade, obedece o seu alto critério a um chefe de um outro Estado que não o nosso (o Papa Bento XVI); o segundo porque já foi "vítima" pessoal da liberdade de imprensa (vidé Caso Eurominas, e outros houve, anteriormente).

PS - Sobre este caso dos cartoons penso hoje o que pensava no princípio. Mas não me queiram enfiar no grupo dos que acham que está em curso uma "guerra de civilizações" em que uma das frentes de batalha é a invasão do Iraque. Fui contra, sou contra e todos os dias as informações que vão chegando confirmam que a razão está do lado dos que estiveram contra. Para mim o 11 de Setembro teve uma resposta legítima na invasão do Afeganistão. A invasão do Iraque foi ilegítima e acima de tudo assente numa completa mentira (as armas de destruição maciça). Não me parece que os Estados ocidentais estejam obrigados a exportar a sua democracia e muito menos pela força das armas, o que, como se tem provado, é completamente contra-producente. O que este caso dos cartoons provou foi apenas que estamos obrigados a defender os nossos valores cá, onde vivemos. E a não deixá-los contaminar por valores externos assentes na tirania, na intolerância e na irracionalidade.
|| JPH, 12:41 || link || (0) comments |

quinta-feira, fevereiro 9

errata, segunda versão

diz que afinal a ideia do comunicado era apelar à calma. olha. a mim encheu-me de nervos.
|| f., 21:26 || link || (0) comments |

como é que se diz em dinamarquês 'somos todos dinamarqueses'?

estava pouca gente na dinamarca. é um país pequeno e ameaçava chover. além disso, há as ilusões de óptica: estas coisas tendem a parecer longe antes de se perceber que já cá estão.
|| f., 17:07 || link || (0) comments |

Conversa actual entre jornalistas de política

- Então, estás bem ou vais para Belém?
|| JPH, 13:43 || link || (0) comments |

Indignação fácil

Este blog está atulhado de indignação fácil. Glória a vossas excelências
|| asl, 13:01 || link || (0) comments |

SONAE

É a sigla de Sociedade Obstrutora de Noites Amorosas E...E...E...Enesquecíveis!
|| JPH, 12:19 || link || (2) comments |

Liberdade de expressão

Para que não digam que não tenho dúvidas, eu digo, muito claramente, sim, sim, tenho dúvidas sobre os limites da liberdade de expressão. Até dou um exemplo: não teremos revelado alguma ausência de bom senso expondo aqui ao mundo inteiro os números dos telemóveis de Rui Zink e de Manuel João Ramos? Era mesmo necessário?
|| JPH, 12:13 || link || (2) comments |

quarta-feira, fevereiro 8

medida higiénica

esta da averiguação obrigatória da sanidade mental tem a suas virtualidades, e não só na madeira (embora só por lá a força psiquiátrica da nação se possa ver em palpos de aranha para terminar o serviço antes do fim do século).
|| f., 19:09 || link || (0) comments |

mal entendido e correcção

afinal, onde se lê "virgem maria" deve ler-se "direitos humanos"; onde se lê "profeta abraão" deve ler-se "condena veementemente os ignóbeis atentados de que têm sido alvo as embaixadas da dinamarca e de outros países europeus"; onde se lê "cristo" deve-se ler "liberdade de pensamento e expressão"; onde se lê "religiões monoteístas" deve ler-se "e exige que os governos dos países onde esses atentados ocorreram peçam desculpa aos países atacados e os indemnizem pelos prejuízos sofridos".

prontoS, tá esclarecido
|| f., 19:02 || link || (0) comments |

passa palavra

cidadãos livres de todo o portugal, uni-vos (em frente à embaixada da dinamarca, faz favor)

e aqui vai reproduzida a convocatória, com maiúsculas e tudo:

COMUNICADO - CONVITE

Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa. Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão. Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos. Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre. Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes". Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito. Pela liberdade de expressão, nos subscrevemos

Rui Zink (916919331)
Manuel João Ramos (919258585)
Luísa Jacobetty
|| f., 18:57 || link || (3) comments |

O comunicado

Quem acompanha o Glória Fácil sabe que aqui não costumo alinhar no exercício, algo fútil, de, a propósito de tudo e de nada, defender a demissão do ministro A, B ou C.

A indignação é um direito que se deve exercer com parcimónia. Não convém desbaratá-lo porque senão a certa altura ninguém o leva a sério. Enfim, a velha parábola de Pedro e do lobo.

No caso do tal famoso comunicado, o sr. prof. Freitas do Amaral deu claros sinais de não ter ainda percebido em que país vive.Quanto ao conteúdo do comunicado revejo-me, por inteiro, no que aqui a f. escreveu. Mas, tão importante (para mim) como o que o ministro disse é ainda o que ele não disse. Passo a enumerar.

1. O sr. ministro esqueceu-se de criticar a violência absolutamente desproporcionada da reacção islâmica ao caso das caricaturas.

2. Particularmente grave num MNE é o facto de o sr. prof. Freitas do Amaral se ter esquecido de referir que a violência da reacção islâmica dos incêndios de várias embaixadas europeias em vários países do Médio Oriente. Ataques a embaixadas são ataques à integridade territorial dos países que representam.

3. O sr. ministro esqueceu-se de dizer que proibições como as de retratar figuras religiosas só vinculam os crentes e mais ninguém. Eu, que não sou crente e vivo num Estado laico, não estou vinculado a essas proibições.

4. O sr. ministro esqueceu-se de dizer que quem vigia a violação (ou não) dos limites da liberdade de expressão não são os Governos - são os tribunais.

5. O sr. ministro esqueceu-se de dizer que, no "Ocidente", onde vigora o princípio democrático, as manifestações de indignação são permitidas - mas só no quadro da lei. E as lei proibem incitamentos à morte (pior ainda: ao terrorismo) como aconteceu nalgumas manifestações em cidades europeias, nomeadamente em Londres.

Sendo ministro de Portugal - recordo: um Estado laico - o sr. ministro falou como se fosse um qualquer prefeito da Congregação da Fé. Por muito menos do que isto se demitiu em tempos um senhor chamado Sousa Lara. Na minha modestíssima opinião o sr. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, prof. dr. Diogo Freitas do Amaral, deixou de ter lugar no Governo de Portugal.
|| JPH, 12:26 || link || (0) comments |

terça-feira, fevereiro 7

O capitalismo-espectáculo



O capitalismo é emocionante.
Belmiro de Azevedo deu uma conferência de imprensa para explicar a OPA sobre a PT lançada pela Sonae. Mais de uma hora, por certo. Com alguns pormenores bem intimistas como quando Belmiro deu a palavra "ao Paulo", o filho, para explicar o negócio... e tal. Teve direito a directos nas tv's e tudo. É o capitalismo popular! É o capitalismo-espectáculo!
Uma hora depois, ou assim, Horta e Costa irrompe nos ecrãs para responder que a OPA não era nada bem vinda. Numa palavra: hostil. Horta e Costa apresentou-se com ar grave e sério aos jornalistas, que não tiveram direito a fazer perguntas. As tv´s estavam lá, em directo e assistiu-se a um verdadeiro choque de titãs!

O capitalismo também sofre com esta dialéctica...
|| Nuno Simas, 21:26 || link || (10) comments |

Eu hoje deitava-me assim...

..."licencioso"...(*)
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(*) - Expressão usada pelo ministro Freitas do Amaral num comunicado sobre o caso das caricaturas e aqui traduzida pelo dr. vpv.
|| JPH, 20:57 || link || (0) comments |

vergonha

no momento em que selvagens andam a incendiar embaixadas, a matar pessoas e a apelar à morte de pessoas, alguém vem dizer que o problema está nos cartoons. que há coisas sagradas, intocáveis -- ao que parece, maomé e a virgem maria, não vidas humanas, direitos humanos, a diginidade humana, a liberdade de pensar e dizer o que se pensa.

liberdade até, se for caso disso, de achar que deus não existe e que portanto os profetas são uns tipos alucinados cheios deimaginação cujas palavras, bem ou mal interpretadas, deram e dão (e darão) origem às maiores atrocidades.

liberdade talvez mesmo de achar que a religião é um mal e não um bem (facto que, imagine-se, a história parece encarregar-se de comprovar).

não, não é essa liberdade, que se diria fazer parte do mais sagrado da herança e da alma europeias, essa liberdade pela qual muito se morreu e ardeu na europa, que é sagrada para o ministro dos negócios estrangeiros de portugal, mas o maomé e a virgem maria. nesses é que não se toca. sob pena de, lê-se nas entrelinhas, acontecer isto.

porque, como se sabe, foi com os cartoons que isto começou. a fatwah contra rushdie, o 11 de setembro, o 11 de março, o 7 de julho, os outros dias todos de bombas e mortes que não se guardam na memória -- bali, egipto, tanzânia, quénia -- as decapitações dos reféns no iraque, todas as guerras santas contra "o ocidente", nada disso existiu. não se invocou alá e maomé como fundamento, motivo e legitimação de cada atrocidade, não se prometeram delícias eternas aos bombistas suicidas, com ou sem virgens à discrição.

não -- a culpa é nossa. rimo-nos deles, fazemos pouco, não acreditamos no deus "deles" e se calhar nem no "nosso". como dizia a este propósito um representante da comunidade muçulmana portuguesa no outro dia na rtp (não retive o nome), "o problema é que a europa esqueceu deus".

o problema não está lá, daquele lado (porque há lados, há, e é preciso escolher), nas hordas de fundamentalistas enérgumenos que se acham no direito de exigir que pensemos como eles sob pena de extinção. não: é nosso.

porque temos de compreender. e porque esquecemos deus. e por esse crime, por essa falta, temos de pagar e pedir desculpa.

não chega morrer no autocarro e no comboio e no avião, não chega morrer no escritório do world trade center, a abrir emails ou enquanto se espera na bicha da máquina de café com o troco na mão, não chega morrer porque se quer ver a vista do restaurante mais alto da cidade. não chega.

temos também de ajoelhar e pedir desculpa.

por termos ousado substituir o maomé e a virgem maria pelo livre arbítrio e por decretarmos que as palavras blasfémia, excomunhão e auto de fé não cabem no nosso mundo. por já não vivermos e pensarmos na idade média. por acharmos que quem conspurca o nome de um homem que viveu e morreu há milhares de anos é quem o usa para legitimar atrocidades. por nos interrogarmos sobre a ausência de manifestações de muçulmanos contra os muçulmanos que fazem do deus deles uma caricatura de pavor, ódio e estultícia. por nos recusarmos a "perceber". por, imagine-se, não gostarmos de quem nos quer matar.

por tudo isto, demos a outra face -- e se nos faltar a face, demos outra coisa. o importante é ficarmos todos amigos e em paz.

(e isto tudo, atenção, sem esquecer abraão -- o tal que é o"profeta" unificador de todas as religiões monoteístas, o tal que, "no fundo", nos une. a não ser, claro, que sejamos esse tipo de gente sem classificação nem lugar no mundo que não se revê em nenhuma religião, monoteísta ou não, e se torce de vergonha e descrença perante um comunicado assim)
|| f., 20:49 || link || (0) comments |

Fala por ti, pá!

"Jamais a posição de agachado motivou o respeito de alguém."
(Miguel Sousa Tavares, agorinha mesmo, na TVI)
|| JPH, 20:36 || link || (0) comments |

Deve ter sido um lapso

Se bem percebi, o ministro Freitas do Amaral esqueceu-se de criticar a violência da resposta islâmica às caricaturas dinamarquesas, nomeadamente os ataques às embaixadas.
|| JPH, 19:54 || link || (0) comments |

Recadinho ao DN

Agora, na SIC-Notícias, está a falar a secretária de Estado Idália Revez.
|| JPH, 19:19 || link || (0) comments |

Bom senso (IV)

E amanhã, na imprensa, muito cuidadinho com as caricaturas do inginheiro! Boçês num se desgrassem...
|| JPH, 18:55 || link || (0) comments |

Irresponsabilidade editorial (III)

A moda pegou! Uma pivot da SIC-Notícias "atropelou" a conferência de imprensa do engº Belmiro de Azevedo, tirando-a do ar. Não tenho palavras...
|| JPH, 18:50 || link || (2) comments |

Belmiro 2011 !

"Queremos ganhar à 1ª volta", disse o engº Belmiro de Azevedo. Meu Deus, que emoção, não aguento isto...
|| JPH, 18:32 || link || (0) comments |

Isenção

Está muito barulho aqui à minha volta. Até agora só registei o início de uma frase do engº Belmiro de Azevedo. Passo a citar: "Somos os máiores (...)"
|| JPH, 18:21 || link || (0) comments |

Bom senso (III)

Alguém retirou o arranjo floral que estava na mesa do engª Belmiro de Azevedo.
|| JPH, 18:20 || link || (0) comments |

Bom-senso (II)

Agora está a falar "o Paulo". Não me interrompam, caramba! Já vos atendo, Santo Deus!
|| JPH, 18:16 || link || (1) comments |

Irresponsabilidade editorial (II)

E, além disso, o Eurosport continuou a sua programação normal. Como é possível?
|| JPH, 18:14 || link || (2) comments |

Irresponsabilidade editorial

A CNN não está a dar a conferência de imprensa do engº Belmiro de Azevedo.
|| JPH, 18:12 || link || (4) comments |

Bom-senso

Estou a ver uma conferência de imprensa do engº Belmiro de Azevedo, em directo, na SIC-Notícias. Não me interrompam.
|| JPH, 18:05 || link || (0) comments |

Piadola "ligeiramente" anti-Bush...

Consultar este link e verificar porquê. É só clickar!
O Martim não deve gostar da coisa.
|| Nuno Simas, 16:23 || link || (0) comments |

"Munique"

Fui ver, ontem. Em plena "guerra dos cartoons" (sem comentários). Algumas notas:
1. Detesto ir ao cinema sozinho.
2. não resisto e a meio saio sempre, cigarrinho oblige. A arte está em escolher o momento certo. Ontem escolhi o momento do parto. É a história da vida de muitos homens: no momento em que mulher berra desalmadamente com um filho que lhe sai das entranhas, o homem passeia-se no corredor fumando. Um "filme" que eu próprio já tinha visto.
3. No multiplex onde fui, a bilheteira estava fechada. Eram as senhoras das pipocas que vendiam os bilhetes. Nem percebo porque é que ainda há pessoas a tratar das pipocas. Um dia tudo serão máquinas. E as pessoas resumir-se-ão a meia dúzia de técnicos de informática, na manutenção das máquinas. Isto sim são amanhãs que cantam. Olá se cantam.

[Notas substantivas dentro em breve, talvez]
|| JPH, 12:15 || link || (1) comments |

Sobre os cartoons...


Lembro-me de ter comprado um jellaba castanho na medina de Marraquexe, em Marrocos, na loja de um berbere que vivia ao lado de uma família cristã.
|| Nuno Simas, 00:33 || link || (0) comments |

segunda-feira, fevereiro 6

Cunhal

Acabei finalmente de ler (meteram-se umas presidenciais pelo meio) o terceiro volume da Biografia Política de Álvaro Cunhal, de José (Álvaro) Pacheco Pereira - o autor, já se vê, tem algo em comum com o biografado…
O título de mais este volume da biografia do líder histórico do PCP – Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política – O Prisioneiro (Temas e Debates e Círculo de Leitores) – é ligeiramente enganador.
Não, não é só a biografia de Cunhal.
Este volume é, acima de tudo, a "biografia" do PCP e faz, por arrastamento, uma história do movimento anti-fascista nas décadas de 50 e 60 ao longo das suas 748 páginas (incluindo as notas e o índice remissivo).
Quem, a partir de agora, quiser historiar a luta contra o fascismo nessas duas décadas terá de ler este livro. Não só pela importância de Cunhal neste período histórico – de todas as lutas da sua vida, Cunhal ganhou essa, contra o fascismo. Mas também pela forma exaustiva como Pacheco Pereira relata, por exemplo, o envolvimento do PCP na campanha presidencial de Humberto Delgado ou os próprios movimentos que se opunham à ditadura. Ou ainda o estudo minucioso dos textos de Júlio Fogaça, arqui-rival de Cunhal, e líder (intermitente) do partido enquanto o líder histórico estava na prisão. E é neste período que Cunhal reforça o seu estatuto de líder e que surgem as campanhas internacionais a favor da sua libertação. É também neste período que Pablo Neruda lhe dedica um longo poema La Lampara Marina, reproduzido no livro, e com um link aqui.
Notáveis são os capítulos sobre o julgamento de Cunhal, sobre as estratégias de Álvaro para combater a solidão na prisão – é bom lembrar que Cunhal esteve preso quase 11 anos, ou seja mais de 4000 dias, 96 mil horas… - e que passavam por desenhar e por um intenso trabalho intelectual, quando a direcção prisional lho permitia. Ou ainda os relatos sobre a vida prisional em Peniche, a descrição da morte de Militão Ribeiro, na penitenciária de Lisboa, ou ainda o último capítulo, o da fuga.
A este volume não falta o drama e a polémica. É o capítulo II, sobre os anos duros dentro do PCP, das purgas e das mortes de militantes – alegadamente a mando da própria direcção do partido. A polémica durou umas semanas após a publicação do livro. Talvez Pacheco Pereira tenha arriscado ao escrever sobre algo – os assassínios – de que não tem (e era virtualmente impossível tê-lo...) sustentação documental ou testemunhal.
Venha o quarto volume!
|| Nuno Simas, 23:40 || link || (1) comments |

Novas... novas... frescas... frescas...

... na blogosfera há um blogue com o nome freeirannow, "dedicated to all free nation in the world. As Iran is now a safe heaven for terrorist group gathering from all over the world. Freeing Iran is now an obligation to all free nations world wide."

Pronto, o sr. Bush já deve ter aqui uns aliados para começar a justificar uma "libertaçãozinha"...
|| Nuno Simas, 23:27 || link || (1) comments |

bom senso

cada vez que oiço ou leio a palavra blasfémia puxo logo da pistola (ou da ak47)
|| f., 18:53 || link || (6) comments |

Olhos azuis

Nem todos os homens bonitos têm olhos azuis. A inversa, porém, é um grande problema.
|| asl, 16:33 || link || (0) comments |

Segregação sexual

Preferia que os homens não entrassem nas lojas de "lingerie" ou que, pelo menos, tivessem autorização só em horários fixos.
|| asl, 16:29 || link || (0) comments |

A comida do pai

A comida do pai sempre foi muito melhor do que a da mãe. Vergonha a minha, mesmo que saiba fazer pataniscas de bacalhau.
|| asl, 16:23 || link || (0) comments |

Coisas simples

Lisboa, a amarelenta, fica deslumbrante nestes invernos. Do Carmo ao Largo Bordalo Pinheiro, do Camões ao Chiado. Andar com o mínimo dos rumos, apanhar o rio cá de cima. Coisas simples, também. Quanto ao resto, se não houver melhor, pode-se sempre rezar.
|| asl, 16:17 || link || (1) comments |

domingo, fevereiro 5

Há "cá" e há "lá"


1.Esta discussão está interessante. E, ao contrário de muitas na blogosfera, é de facto muito importante. E é porque na blogosfera se pode discutir o assunto liberto dos constrangimentos da real politik aos quais a generalidade do poder político ocidental se subordinou.

2. Uma coisa é queremos manter no "Ocidente" as regras ocidentais (democracia, liberdade de expressão, primado da Lei) e outra é querer exportá-las. Quanto à primeira parte, acho que o caminho se faz sem a mínima cedência; quanto à segunda sou contra, e mais ainda quando se faz à força (Iraque), até porque já se viu que "lá" a nossa democracia não resulta.

3. Ou seja: nos países islâmicos eles que se organizem como quiserem. Eu, indo lá, respeito as regras de "lá", como muito bem fez o RAF. Mas "cá" respeitam-se as regras de "cá".

4. "Cá" uma das regras é a liberdade de expressão. A liberdade de expressão inclui o direito de os neo-nazis se manifestarem no Rossio ou o direito de a Livraria Bertrand junto à redacção do PÚBLICO expôr na montra exemplares do Mein Kampf, obviamente com o intuito de os vender (e, logo, lucrar com a propagação do anti-semitismo). Admitindo esta regra - eu, pelo menos, admito-a - tem que se, evidentemente, admitir que a liberdade de expressão também pode incluir o anti-islamismo ou propaganda anti-islâmica. Por maioria de razão.

5. Quando essa liberdade de expressão é sentida como uma humilhação ou uma blasfémia, os que se sentem visados têm obviamente o direito todo de se sentirem ofendidos e de manifestar essa ofensa, como aliás já escrevi. O direito à manifestação da indignação faz parte também da liberdade de expressão.

6. Mas "cá" a manifestação da indignação faz-se dentro dos limites da lei. Com manifestações de rua (mas sem violência) e/ou nos tribunais e até doutras formas (não me chocaria, por exemplo, que os muçulmanos decretassem um boicote ao jornal em causa). No caso dos "cartoons" não foi só isso que se viu. Viu-se isso e muito mais. Ameaças, coacção física e, por exemplo, destruição de embaixadas (que são território de "cá", embora no estrangeiro).

7. Visto que os radicais islâmicos não se sabem comportar "cá" dentro das leis que que nos regem, e que por isso até já foram assassinadas pessoas (e outras, como o Salmão Rushdie, só não morreram porque o Estado as protegeu), acredito que a única forma de lhes "explicar" a coisa é fazendo ver que não há cedências. Ou seja, neste caso concreto, publicando os cartoons quantas vezes forem necessárias até que percebam que há outras formas de expressar a indignação que não seja sob a forma de selvajaria.

8. Os humilhados e ofendidos do islamismo - os que "cá" vivem - têm de, nomeadamente, perceber que não é pressionando um Governo (no caso o da Dinamarca) e chantageando-o economicamente que se impõe limites à liberdade de expressão. "Cá" não são os governos que vigiam a liberdade de expressão; são os tribunais. "Cá" é assim que se funciona - "lá" é como eles quiserem, volto a dizer.

9. As comparações deste caso com o cartoon do preservativo ou o do Je Vous Salue Marie ou a reacção do Vaticano ao Código Da Vinci fazem-se claramente num quadro de pura desonestidade. Alguém se lembra de algum desses casos atingir um milionésimo das dimensões (e da respectiva violência) que este assumiu?

10. Significa isto algo muito simples: por "cá" venceu a luta a contra a intolerância religiosa e a luta pela laicização do Estado e das suas regras. Não podemos, evidentemente, permitir que volte tudo atrás, seja qual for a religião.

11. Dito isto, Ana, um ganda Allah Akbar! pra ti também, adeus e até ao meu regresso, que a minha vida não é isto. Beijinhos. (Amanhã vou ver o Munich. Depois conto.)
|| JPH, 21:13 || link || (0) comments |

Calma, calma,

não fugi. Já lá vou.
|| JPH, 21:08 || link || (0) comments |

Pra desanuviar

Conheci, há pouco tempo, um crítico gastronómico. Esporadicamente falamos de comida, mas é mais de política, nacional e, nos últimos dias, internacional. A coisa ontem misturou-se: no meio da conversa, apareceu o Salmão Rushdie
|| asl, 19:36 || link || (1) comments |

Ainda a coisa

Faço minhas algumas palavras da blogosfera. As de Eduardo Pitta e também as deste Blue Lounge

Eu, da minha parte, prefiro evoluir para uma sociedade que usa as suas liberdades com prudência e inteligência, procurando com persistência ganhar a batalha cultural com o Islão, do que afirmar de uma forma quixotesca a supremacia dos valores ocidentais, que nos estão a encaminhar para ódios inultrapassáveis e para uma potencial guerra.

Rodrigo Adão da Fonseca
|| asl, 18:44 || link || (0) comments |

sábado, fevereiro 4

Guerrilheiros de sofá (mais)

Olha, JPH, isto acabou de acontecer

Durante cerca de hora e meia, cinquenta manifestantes de extrema-direita gritaram "A Dinamarca para os dinamarqueses" e troçaram de cerca de cem muçulmanos que, por trás de um cordão de polícia, ajoelharam no chão para as orações da tarde.
(via LUSA)
|| asl, 21:09 || link || (0) comments |

Guerrilheiros do sofá (breve comentário)


[Cartoon de Robert Ramirez publicado no LA Times]

Ó Ana, lembras-te do 31 que este cartoon deu? Lembras-te? Lembras-te da manifestações judias selvagens por todo o mundo? Lembras-te de vê-los a incendiar bandeiras? Lembras-te de terem mesmo incendiado uma embaixada dos EUA? Lembras-te? Pois eu não. Nem tu. Nem ninguém. Porque nada disso aconteceu. É essa a diferença. Fiz-me entender?
|| JPH, 20:48 || link || (2) comments |

Explicação das tréguas


[Roubado aqui]
|| JPH, 20:39 || link || (0) comments |

Dos guerrilheiros de sofá

Sempre adorei os guerrilheiros do sofá, como aqui o JPH e outros, que desataram a postar os desenhos do jornaleco dinamarquês, apoiante activo do islamófobo polemista dinamarquês, senhor Kaare Bluitgen, que escreveu um livrinho que apresentava Maomé como um pedófilo e que chegou a sugerir que se devia "pichar o Corão com sangue menstrual". O jornalzinho entusiasmou-se com a criatura Bluitgnen, que se queixava que tinha havido desenhadores que se recusaram a ilustrar um livrinho seu, e fez manchetes denunciando o medo do Ocidente em relação ao Islão, convidou ilustradores e fez um editorialzinho a alertar os muçulmanos que têm de aprender que a liberdade de expressão "implica desafiar, blasfemar e humilhar". Tudo começou aqui, como explicou o director do diário de referência dinamarquês à Ana Navarro Pedro, no PÚBLICO. E é em nome desta criatura que desatou a alegre cruzada pela liberdade de imprensa que pulula em alguns jornais de referência europeus e blogues por todo o lado. Quando é que começam a defender a propaganda anti-semita, nazi, fascista, etc.? Vá lá, façam favor. Eles estão no meio de nós, não estão na rua árabe.
|| asl, 20:26 || link || (3) comments |

sexta-feira, fevereiro 3

O problema da arbitragem em Portugal

Espanta-me como certas pessoas inteligentes e cultas enfrentam as discussões que lhes são mais difíceis recorrendo a tácticas argumentativas do mais básico futebolismo.
Nessas alturas, o que lhes acontece à inteligência? Vai de férias? Pede asilo num ser humano ao lado?

Porque é que sempre que se discute oa intolerância islâmica aparece alguém a defender-se com a intolerância católica, como se uma coisa desculpasse a outra? E porque é que quando se discutem os casamentos gay aparece alguém que fala da poligamia?

Porque é que pessoas assim enfrentam estas discussões exactamente da mesma forma que a malta dos futebóis enfrenta as discussões sobre arbitragem ("sim, o teu clube foi roubado, mas na semana passada foi o meu"). Não serão capazes de melhor? É genético ou (de)formação política?

Nota aos leitores: No topo da coluna do lado esquerdo foi posto a rodar Woke Up This Morning, de Leonard Cohen, tema de abertura dos Sopranos. Got myself a gun, uh, uh/ got myself a gun, uh, uh...
|| JPH, 15:17 || link || (0) comments |

A insuportável pregação do "bom-senso"

Este caso dos cartoons começa a tornar-se deveras irritante. Irritante - para mim - quando vejo alguns dos mais respeitáveis opinadores e políticos europeus - a começar no próprio governo dinamarquês e acabando, por exemplo, na Comissão Europeia - a ceder à insuportável pregação do bom-senso, admitindo que de facto há limites à liberdade criativa quando ela toca o Islão, etc, etc, etc.

Vamos lá a ver se a gente se entende: os muçulmanos têm, evidentemente, o direito todo de se indignarem com os referidos "cartoons". Só o problema não está na indignação. O problema está - como devia ser mais do que óbvio mas afinal parece que não é - na forma como essa indignação se manifesta.

É isto que se está a tornar cada vez mais dificil de explicar. Nos regimes islâmicos eles têm todo o direito se organizarem como quiserem. É para o lado que durmo melhor e aliás até já se percebeu que por lá - há excepções, claro - eles gostam de usar a democracia, quando a têm, para eleger fundamentalistas. É com eles.

Só que, por um feliz acaso do destino - Deus? - não sou um deles. Sou daqui e aqui é a Europa - o "Ocidente", se preferirem. Aqui o princípio democrático estrutura-se em várias coisas e uma delas, basilar, é o princípio da liberdade criativa. E podemos indignar-nos com tudo o que quisermos. Só que há limites às manifestações dessa indignação. E o limite são as leis. Não vale portanto assassinar realizadores de cinema (como aconteceu na Holanda), nem lançar penas de morte sobre escritores (Salman Rushdie) nem chantagear governos democráticos de países democráticos para que estes violem as próprias regras base da democracia (como está agora a acontecer na Dinamarca). Aqui, pelo menos, isso não vale. E, perante as chantagens islâmicas, surgirem vozes ocidentais com peso político pregando o "bom-senso" na tal liberdade criativa, representa, só por si, um condicionamento dessa liberdade. Por outras palavras: é fazer o jogo daqueles que querem transladar para aqui a sua maldita cultura ditatorial (que é, afinal de contas, uma cultura de morte).

Portanto, a solução para impedir a contaminação no Ocidente do pior da cultura radical islâmica não se faz por cedências ao "bom senso". Pelo contrário: tem é que se repetir à exaustão o gesto alegadamente criminoso, até que o fascismo islâmico perceba que quanto mais chantagear e mais ameaçar mais ofendido ficará.

Por mim, dou aqui o meu modesto contributo.



Chega? Ou querem mais?
|| JPH, 12:33 || link || (0) comments |

quinta-feira, fevereiro 2

conservadorismo gay ou argumentarismo tolo?

oh, please.

a ideia de que as pessoas que se apaixonam por pessoas do mesmo sexo são necessariamente revolucionárias radicais libertárias de esquerda, ou seja, umas gandas malucas, surge um bocadinho limitada demais para ser defendida por pessoas inteligentes, sobretudo as que propalam os livros em volta.

nunca terão reparado no ror de gente homossexual que pulula na área da direita?

e depois essa da interferência do estado na esfera privada.

pense-se o que se pensar do casamento como instituição, não é aprová-lo que está em causa, mas permitir que cada possa fazer essa escolha, sem que o ESTADO o faça por si (logo, trata-se de uma questão de liberdade, ou de menos estado, certo?).

quando à questão da poligamia, como a do incesto e das idades determinadas para o acesso ao casamento, são questões deveras interessantes. e todas obviamente da mesma natureza -- é aquela velha noção de 'vêm aí os bárbaros', 'ai onde équisto vai parar', sempre proclamada quando se tenta mexer em qualquer coisa relacionada com a sacrossanta 'base moral' da sociedade.

será, por exemplo, que a poligamia, tal como está definida na tradição dos muçulmanos e mórmones (um homem casando com várias mulheres), não levanta por exemplo questões de igualdade dentro do casamento, instituindo o predomínio masculino e portanto sendo contrária ao espírito da constituição? é também uma questão interessante. bóra discuti-la, até porque andam para aí milhares de polígamos aos berros a querer casar?

quanto à proibição do casamento entre mães e filhos, irmãos e quejandos, é claramente outro assunto candente, a merecer amplo debate nacional -- afinal, por que carga de água se considerou a proibição do incesto uma das definições civilizacionais que distingue os humanos dos animais? acho que está na altura de discutir isto, hum? afinal, o que é que os antropólogos sabem disto, e qual é que é o problema da consanguinidade? (pena pena é que o édipo tenha vazado os olhos por tão pouco).

mas o melhor de todos é o argumento da idade estipulada para o casamento -- um argumento extraordinariamente sério, já que é um limite que nem tem mudado nos últimos anos, como se sabe ou não se sabe (no início do séc xx, em portugal, era legal casar crianças de 12 anos do sexo feminino com homens feitos, com a benção da santa madre igreja), e que advém do juízo de autonomia individual e sexual conferido pelo quadro jurídico do país aos cidadãos de acordo com a sua idade. alguém me pode explicar em que é que isso pode prejudicar o princípio da igualdade?

era óptimo que nesta discussão se começasse por respeitat um princípio basilar -- o da seriedade, que não é da constituição mas devia ser constitucional em pessoas que se querem de bem.
|| f., 16:25 || link || (0) comments |

Mas o bobó de camarão estava fantástico

O divertimento é feito de coisas arrasadoramente simples. No caso do jantar de ontem, no brasileiro, o divertimento começou na ementa. Eu comi vatapá, que não estava assim tão bom. A pudicícia é um defeito horrível.
|| asl, 16:15 || link || (0) comments |

sem ou cem?

a propósito do que diz o outro f., o do mau tempo, devo em abono da verdade e objectividade jornalísticas e humanas -- que como é do domínio público são regras sagradas para moi -- acrescentar que a frase da noite foi 'nunca fiz sem', entendida por um(a) do(a)s presentes como 'cem'.

nunca fizeste cem quê?, questionava a pobre pessoa, num esgar de incompreensão e dúvida em que se atravessavam todas as hipóteses libertárias, libidinosas e até sobre-humanas, sentindo-se relegada à mais conservadora e poucochinha das classificações, ainda pior que a que lhe tinha saído no debochómetro.

é que, perceba-se, se alguém diz 'nunca fiz cem' é porque fez para aí oitenta ou noventa e cinco. tipo o quê? ao mesmo tempo? numa semana? na vida toda?

felizmente para a reputação e amor-próprio (respectivamente) dos envolvidos, afinal era sem. quer dizer, com.
|| f., 15:57 || link || (1) comments |

jas ou não jas?

jas jaz mas, de acordo com o que se lê nos diários, vai deixar de jazer. liiiiiiiiinnnnndo!
vamos poder ler de novo uma crónica e quiçá até um editorial semanal deste grande vulto das ideias feitas nacionais, do pensamento sincopado, dos parágrafos silogísticos, enfim, deste prospectivo nobel de todas as categorias, sobretudo a da matemática (dois mais dois, quatro; quatro mais quatro, oito, logo, sou um génio)! óóóó como sobrevivemos este escassos meses sem este farol iluminador dos recantos mais esconsos das mentes? como foi possível termos um quase casamento gay sem as sentenças definitivas, imorredouras, insuperáveis na sua serena e banal acutilância, do taxista mor da nação?

dá-les, ó jas. bemvindo sejas tu entre os semanáiros e bendito seja o fruto do teu suado labor, ó arquitecto!
|| f., 15:46 || link || (2) comments |

Informação útil para a maior parte das mulheres que conheço (*)



Dizem-me algumas senhoras que gravitam nas imediações do meu posto de observação que no Corte Inglês há sapatos Balenciaga [na foto] e de outras famosas marcas à venda por 80 por cento do preço. Significando isto, segundo percebi, que em vez de custarem uma grande fortuna custam apenas uma pequena fortuna.

(*) - Título alternativo: Ajuda grátis aos editores de senhoras jornalistas que demoram três horas a escrever 500 caracteres
|| JPH, 15:39 || link || (0) comments |

Casamentos gay (II)

Mais algumas notas:

1. Para permitir aos homossexuais o direito de se casarem não é preciso legislar. Se bem percebi é preciso apenas des-legislar. Ou seja, retirar um impedimento do Código Civil.

2. Portanto, não estamos perante mais um caso de intromissão do Estado na intimidade dos cidadãos. Pelo contrário: o actual enquadramento é que se mete demais na vida das pessoas, pelo lado das proibições.

3. A questão do conservadorismo inerente à ideia de casamento é interessante mas não passa disso. É, sobretudo, lateral à questão principal,introduzindo-lhe ruído desnecessário. Convém a quem não quer mudar nada.

4. No capítulo dos direitos "fracturantes" já escrevi que me parece haver outras prioridades (a adopção por casais gay). Seja como for, e ainda falando destas matérias, nada impede que tudo se discuta ao mesmo tempo. E se for mais fácil tratar primeiro da questão dos casamentos e só depois das adopções, então que avancem primeiro os casamentos. Quer dizer: não tenho uma ideia fechada sobre o assunto. Admito até que se torne mais possível admitir as adopções gay depois de se permitirem os casamentos gay.

5. Dito isto, discordo frontalmente da ideia segundo a qual é melhor deixar estas matérias para depois porque há "coisas mais importantes" com que os portugueses se devem preocupar (a crise económica, a reforma do Ministério Público, a sobrevivência da Segurança Social, as escutas telefónica, o Apito Dourado, o problema da arbitragem em Portugal, etc, etc, etc). Convém que o país se habitue à ideia de que podemos manter várias discussões ao mesmo tempo, temos neurónios suficientes para isso.

6. Ou seja, não alinho nas teses conspirativas segundo as quais este tipo de discussões só se criam para tapar outras alegamente mais importantes, isentando o Governo do escrutínio a que deve permanentemente ser sujeito. Compete aqui sobretudo aos "media" uma gestão equilibrada das matérias.

7. Tenho mixed feelings sobre a necessidade (ou não) de referendar os casamentos e as adopções gay. Sei que a estas "causas" o referendo não ajuda, como aconteceu em 1998 com o aborto. E também não ignoro que as vitórias do "não" representam sérios atrasos. Só que há outro lado da questão: nada disto foi objecto de qualquer compromisso eleitoral por parte da actual maioria parlamentar. Nem da maioria parlamentar nem de nenhum dos outros partidos - admito que com a excepção do Bloco. Portanto, duvido que a esmagadora maioria da Assembleia tenha carta branca dos eleitores para decidir. Portanto admito como legítima a pretensão de se devolver o assunto aos eleitores, por referendo. E depois quem tiver unhas que toque gitarra.

8. Viva a República! Viva a democracia! 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!
|| JPH, 14:39 || link || (0) comments |

quarta-feira, fevereiro 1

Casamento gay?

Sim, nada a opor, mesmo que até partilhe o argumento que realça o conservadorismo intrínseco da proposta. Seja como for, acho que há, nestas questões fracturantes, matérias bem mais prioritárias.

Falo, por exemplo, da adopção de crianças por casais gay. Digo-o por razões sociais, pura e simplesmente. Há por esse país fora milhares de crianças abandonadas pelos pais e recolhidas por IPSS (algumas sinistras) sem que ninguém apareça para as adoptar. Abrir essa possibilidade aos gays ajudaria certamente a resolver a atenuar esse problema (que, falando curto e grosso, é apenas de oferta e de procura). Prefiro o escândalo que será um casal gay adoptando uma criança ao escandâlo que é, por exemplo, a Casa Pia. Isto sim é prioritário. Urgente mesmo.
|| JPH, 21:46 || link || (0) comments |

Bill Gates

A agenda de Bill Gates em Lisboa incluiu um encontro secreto com o procurador-geral da República. Tema único: folhas Excel.
|| JPH, 16:20 || link || (3) comments |

Pânico

A minha mulher disse-me estar a ler o Glória Fácil. Calma, amor, eu explico...não é o que tu pensas...Repara, por exemplo, que nem fiz aquele post - tão óbvio quanto ordinário - dizendo que há pelo menos duas óptimas razões para ir ver o Match Point.
|| JPH, 16:16 || link || (2) comments |

A "renovação" a caminho

Para se conseguir, finalmente, a famosa "renovação" do PS, nada melhor do que promover uma candidatura presidencial "independente" e, acima de tudo, concorrencial aquela que o partido oficialmente apoiou.

Já estou mesmo a imaginar agora filas de militantes da tal da "cidadania" à porta das sedes do PS, querendo inscrever-se, para assim poderem continuar a dar ao seu candidato o apoio onde agora lhe faz falta - no interior do partido, justamente.

Imagino isto e ainda, do outro lado da porta, o desconfiadíssimo "aparelho" socrático/coelhónico, a analisar as fichas todas, uma por uma. Imagino mesmo - não é difícil, basta conhecê-los - a chumbá-las todas, à cautela, não vá o diabo tecê-las.

Eis portanto a tal da "renovação" no seu máximo esplendor. Só por pura má-fé lhe poderemos chamar "entrismo".
|| JPH, 12:21 || link || (0) comments |

Mais Hamas

Como é possível que Israel corte os financiamentos e não aceite conversar com um partido que não reconhece Israel? É de facto um escândalo!
|| JPH, 11:57 || link || (0) comments |

Elogio da RTP

Um tipo olha para as programações da SIC e da TVI e apetece-lhe vomitar. Reparem: tanto num como noutro canal as telenovelas começam logo pelas 14h00 (TVI) ou 14h15 (SIC). Daí vão, em sessões (quase) contínuas, até à meia-noite. A estucha só é interrompida pelos telejornais das 20h00 (dispensáveis, todos, inclusivamente o da RTP), e por um outro concurso ou magazine. E no prime time é mesmo só a mesma estucha das novelas. Um cenário que se resume, enfim, em três palavras: uma bela merda.

Na RTP (1 e 2) a coisa está diferente. Novelas apenas duas (sendo uma em reposição). E o resto concursos. E, sobretudo, no "prime time", belas séries, e em registos variados (humor, romance histórico, drama). Já aqui tinha falado de Calma, Larry e de Roma. Agora acrescento uma extraordinária série que começou ontem e termina hoje (às 22h15), Empire Falls, que nos oferece um elenco quase perfeito (Paul Newman, Ed Harris, Helen Hunt, Philip Seymour Hoffman e Joan Woodward). E, quase ao mesmo tempo, na RTP-2 - forçando-os a dilemas complicadíssimos e até, porventura, a conflitos conjugais (mas tudo se negoceia) - o excelente 24, mais trepidante do que nunca.

É serviço público? Sei lá! Não sei nem me interessa. Para o peditório das discussões conceptuais balofas há muito que já dei. É bom e isso chega-me.
|| JPH, 11:04 || link || (1) comments |

Curb my enthusiasm

VPV alinhou na discussão mais chata (e velha) da blogosfera nacional, a do liberalismo.
|| JPH, 10:54 || link || (1) comments |

"Amiguismo" literário

Espero que esta polémica acabe em bem. Que no fim sejam todos amigos outra vez.
|| JPH, 10:43 || link || (0) comments |