Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

quinta-feira, junho 30

hellooooooooooo???????

confesso que já havia comentado com várias pessoas o tumular, o ensurdecedor, o enigmático, o nunca visto silêncio de pacheco pereira sobre o caso dinis maria.

era tal a quietude (nem uma agulha bulia) que houve quem começasse com aquele tipo de bocas foleiras, tipo 'se isto tivesse sido o santana, ai ai, não sobrava nada'. Eu cá não ME acredito nisso. mas que estava a ficar ensimesmada estava.

mas prontoS.

tardou mas chegou. duas semanas depois da apresentação do vídeo, quando já estamos todos pelos cabelos com o assunto e já vieram e passaram os ameaços de desistência do candidato e as notícias do afastamento do bode - edson - expiatório - ataíde e das reuniões de damage control com a concelhia e o jorge coelho e sabe-se lá mais o quê, eis o comentário do comentador.

e que diz?

que a carrilho, apesar de bom filósofo reconhecido até e sobretudo internacionalmente cuja inteligência -- sempre, como é costume neste ignaro país, confundida com arrogância, blá-blá, blá-blá -- o faz alvo da costumeira e sempiterna e insuportável inveja deste lamentável país, blá-blá, blá-blá, descaiu (outra vez) o pé para a chinela jetsética, escancarando a tal porta que uma vez aberta nunca mais é fechada, blá-blá, blá-blá.

e prontos, foi isto. desculpem lá, mas continuo ensimesmada.

f.
|| asl, 20:27 || link || (4) comments |

Volto já

Noc Noc... volto já... para fazer a minha colaboração ocasional... dentro de momentos...
|| Nuno Simas, 19:04 || link || (0) comments |

Rochet-Schneider


[Camioneta Rochet-Schneider]


O Martim tem um blogue (mautemponocanil.blogospot.com). O pai do Martim também (lusofolia.blogspot.com). E agora chegou a vez de o avô do Martim, o sr. João Silva, criar o seu. Está lá explicadinho o seu estranho nome, Blog da Rochet-Schneider (blogdarochet-schneider.blogspot.com).

O sr. João Silva, que só conheço de ouvir falar (através do Martim) tem muito que contar - mas muito mesmo. Não é só por já ir nos 89 anos. E por escrever muito bem. É porque teve uma vida preenchidíssima, como fotógrafo e "cameraman", entre Angola e Portugal, dos filmes do Manoel de Oliveira à CGTP. Há ali um testemunho a ir seguindo com muita atenção.

Pena que o neto tenha dado em reacionário. A evolução da espécie também se confirma pelas suas excepções.
|| JPH, 15:44 || link || (0) comments |

quarta-feira, junho 29

Prémio Tulius Detritus da blogosfera de referência

Depois da Coluna Infame, e vão dois: é o segundo blogue que Daniel Oliveira consegue implodir.
|| asl, 19:54 || link || (0) comments |

Barnabé - último capítulo

Afinal parece que o Barnabé está mesmo ferido de morte. O encerramento é coisa de dias. O Daniel chateou-se com o Bruno e saiu. O Bruno, depois, também saiu. Agora preparam-se para fechar a loja. Entretanto a blogosfera de direita prepara-se para fazer uma estátua ao Bruno - assim como a de esquerda fez um dia ao Daniel, por ter rebentado com a Coluna Infame. Por mim, lamento. A sério. E só me ocorre dizer o óbvio: isto assim fica mais pobre.
|| JPH, 14:51 || link || (0) comments |

terça-feira, junho 28

Ídolos meus

Este...
´
[Louis Ferdinand Céline]


...e este

[Jim Morrison]


...e ainda este

[Bruce Chatwin]


...e mais este

[Jean Arthur Rimbaud]
|| JPH, 16:41 || link || (0) comments |

Desvio de direita


O desvio de direita foi estancado, no Barnabé. Encostado às cordas, o perigoso divisionista lá percebeu que o caminho era sair. Daniel Oliveira pode agora voltar. Pode e deve. Por mim, quero o Barnabé como ele o fundou: com linha editorial clara. E com graça - coisa que dali sumiu há uns meses. Parecia-me imbecil deitar pela sanita uma receita que se comprovou, claramente, bem sucedida. Agora, Daniel, deixa-te de tretas e põe-te mazé à escrita.

(Não quero com isto dizer que eu defenda que todos os blogues devam ter linha editorial. Aqui no Glória Fácil - que não é um blogue exclusivamente político - a malta não alinha nisso: eu tenho a minha linha, a Ana a dela, a Fernanda idem e o Nuno - quando nos dá, muito ocasionalmente, o prazer da sua escrita - aspas aspas. A nossa linha é não ter linha nenhuma.)

PS - Entretanto, informo que o facto de ter inserido aqui o logotipo dos barnabitas significa que estou muito agradecido aos que, por mail, me ensinaram esta operação de colocar fotografias. Cool!!!
|| JPH, 15:08 || link || (0) comments |

segunda-feira, junho 27

Dois anos

As coisas mudaram: o Bonirre desapareceu por mor de uma doença indefinível ou de uma longa manus digitalis mas ágrafa. A Sofia escreve cada vez menos, infelizmente, mas de vez em quando ainda grita, como nós, como todas as gajas, que não tem nada que vestir mesmo que seja um poema. O Luís é o meu norte blogosférico: quando o perder, arrumo o blogspot.
|| asl, 21:17 || link || (0) comments |

sábado, junho 25

lisboa é... II

ir à marcha gay foi uma experiência esclarecedora em muitos sentidos. primeiro, porque estavam lá no máximo 500 pessoas. depois porque havia para aí três travestis e dois mascarados e todas as câmaras estavam em cima deles (até apanhei dois fotógrafos a fotografar um cão cuja particularidade era ser um cão e estar ali com a dona).

e depois porque não havia ali uma única figura política de vulto. aliás, tirando uns rapazes e raparigas da js, não vi lá ninguém dos partidos.

nem do be -- a não ser que conte o miguel vale de almeida.

não sei se lá estavam, mas que não os vi, não os vi. e se não os vi, o mais certo é que não estivessem.

só tenho uma dúvida: não estavam lá porque consideram que esta luta é demasiado irrelevante, ou porque a consideram demasiado perigosa?

é possível que nem eles saibam bem.

f.
|| asl, 20:15 || link || (0) comments |

lisboa é...

cheguei agora da marcha gay, com uma dor nos pés que não dá pra acreditar (é pena não haver deus, que isto dava uns créditos). e como aquilo levou para cima de duas horas, deu para pensar nuns novos slogans para o zeca sá fernandes.

(não conheço o senhor de lado nenhum mas aquela pose amistosa, descaída, soixante huitard, está mesmo a pedir que lhe chamem zeca)

por exemplo: lisboa não é rica, lisboa é indigente; lisboa não é limpa, lisboa é cocó de cão; lisboa não é lisa, lisboa é um buraco; lisboa não é boa, lisboa é má. e por aí fora.

f.
|| asl, 19:44 || link || (0) comments |

humanos

não, não tou a falar da banda lá do camané e do david não sei quê e da rapariga de que não lembro o nome. é das campanhas políticas.

desta coisa da 'gente'. agora os publicitários que passam por experts destas coisas (quem será que os convenceu disso é que gostava de saber) resolveram que os candidatos ficam bem é fotografados no meio de gente normal, de preferência feiota e mal enjorcada (será para ver se eles ficam favorecidos na comparação? em alguns casos é manifestamente impossível).

muito risonhos, no meio da multidão indiferenciada, tipo 'olha eu também sou gente'.

quando falta a maçaroca ou quando se pensa que o candidato já é percepcionado como pessoa, fazem-se cartazes como aquele do josé sá fernandes, cuja saloiice dificilmente será ultrapassada. lisboa é gente? a sério? que lindo. até me veio uma lagrimita ao olho. (a sério: será que aquela gente que pensou -- sei que o termo cai mal aqui, mas vai-se a ver e alguém matutou mesmo naquilo, se calhar dias -- aquele cartaz não veio directamente dos anos sessenta, numa máquina do tempo?)

huston, we have a problem: ninguém sabe que mais inventar para promover políticos ou 'gente' para lugares políticos. é o privilégio de uma democracia madura: já gastaram os slogans todos, as composições gráficas, o pancake, o branqueador dental, as criancinhas (há ainda quem insista, claro), os velhinhos, as gajas boas, os gajos bons, os homens da mercearia, os operários, sei lá eu.

é que eu, por exemplo, com ou sem caracteres (e, concedo, talvez até sem carácter) quero é saber como é que quem promete tirar metade dos carros de lisboa se propõe fazê-lo. é que não houve nos últimos dez anos quem não dissesse o mesmo, mas lá praticá-lo, tá quieto.

ou como é que se impedem os carros de ocupar os passeios, se essa tarefa é da psp e a psp depende do ministério da administração interna e não da câmara. como é que vai ser na avenida da liberdade, quando nos fins de semana os saloios que vão ao hard rock cafe quiserem continuar a fazer parque de estacionamento do nosso único boulevard .

como é que vão funcionar os fundos de apoio à reabilitação -- agora são tão complicados e burocráticos e, garantiu-me alguém que se dedica a comprar prédios velhos, recuperá-los e vendê-los, tão corrompidos, que há muito quem, como eu e os meus vizinhos, prefira gastar uns bons milhares de euros do seu bolso para recuperar um prédio em zona histórica que esperar cem anos e algumas luvas por fundos que não se sabe se virão.

quero saber porque é que não há um jardim público em toda a zona da baixa (sim, é onde vivo, porquê?) e os poucos espaços livres, como a encosta entre o martim moniz e o hospital de s josé, estão já reservados a uma urbanização qualquer.

quero saber porque é que os ecopontos estão sempre nojentos e cheios de lixo orgânico e distam tanto uns dos outros que há quem, como eu, tenha de andar quase meio quilómetro albardada com a reciclagem. será porque acham que a malta deve é meter as cenas no carro e levá-las assim ao ecoponto, de preferência de luvas e fato-de-macaco plastificado?

quero saber porque é que a rua do ouro e a rua da prata são vias rápidas, em que não se pode apanhar um táxi ou um autocarro, e porque é que a minha amiga ana, que mora na rua da prata, quando veio do hospital de ter a laura, teve de andar desde a praça da figueira até casa, de camisa de noite e pernas afastadas por causa dos pontos, porque é proibido parar a meio de uma rua comercial do centro histórico. é assim que querem repovoar a baixa?

quero saber porque é quem usa saltos altos (e quem não usa também) tem de todos os dias arriscar a vida nos passeios de lisboa, eternamente esburacados e aos altos e baixos.

quero saber por que é que para mudar a cor de um prédio tem de se pedir autorização mas para cortar árvores centenárias de um jardim privado basta ter vontade.

porra, quero uma cidade. e se houver um candidato que faça isso, até pode ser um andróide. não faço questão nenhuma que seja gente, nem que tenha uma família linda, nem que se misture com o povo, nem que declame poemas do pablo neruda. quero lá saber.

f.
|| asl, 11:03 || link || (0) comments |

c'est la guerre

foi isto, mais coisa menos coisa, que a marquesa de meurtreil disse ao valmont. salvas as devidas proporções (nomeadamente do sarampo ou da rubéola ou lá o que é que dá à bélica sedutora), é assim que te respondo, jph. aliás, isto é uma espécie de declaração pleonástica -- the war is on, como me tenho fartado de dizer.

e a propósito, todos hoje ao marquês às 17 h para a marcha gay. a ver se este país se civiliza um bocadinho.

bora!

a luta continua

f.
|| asl, 10:56 || link || (0) comments |

sexta-feira, junho 24

Mud Wrestling

Seria interessante, para variar, que começássemos aqui uma guerra dos sexos. Isto não pode ser sempre a mesma coisa, esquerda/direita, esquerda/direita, esquerda/direita. Aliás, já surgiram uns ensaios, num interessante confronto entre a Fernanda Câncio e o João "Terras do Nunca" Fernandes. Um confronto, aliás, que nos permitiu a todos ver algo nunca visto na blogosfera (e digo-o sem nenhuma ironia): alguém a defender o políticamente correcto e as suas razões (aqui temos todos a mania, eu inclusivamente, que somos politicamente incorrectos).

Mas eu, porém, não vou por aí, pela guerra dos sexos. Por várias razões, que, bem vistas as coisas, se resumem numa só: a Fernanda toda a razão do mundo (ler post abaixo intitulado "ó jph desculpa lá"). Concedo isso sem custo nenhum. Mas sei, ao mesmo tempo, que voltarei a repetir a brincadeira do "mud wrestling" feminino (ler o post intitulado "A pena que eu tenho"). É algo que a que não resisto (o velho problema do escorpião e do crocodilo). Como, no humor, - era o caso, embora admita que falhado - é praticamente impossível fazer qualquer coisa sem que isso atinga alguém (ou um qualquer grupo) - não há volta a dar: a escolha seria autocensurar-me para lá de um limite (para mim) aceitável.

É esse, aliás, o problema do politicamente correcto: choca de frente com a natureza humana, o famoso "zé germano". Impõe balizas demasiadas estreitas (e com tendência para se ir estreitando) ao pensamento e à sua versão pública, a linguagem. Para sobrevivermos, temos de pensar que valemos alguma coisa; e para pensarmos que valemos alguma coisa temos inevitavelmente de o fazer pensando que somos melhores do que alguém (um indivíduo ou um qualquer grupo). Podemos fazê-lo assumindo de frente a guerra; ou então recorrer ao humor, que permite saídas airosas (na lógica do "é carnaval, ninguém leva a mal").

Portanto, pode ser assim: eu digo inconveniências e a "f." zanga-se comigo; a "f." diz inconveniências e eu zango-me com ela. E zangamo-nos todos uns com os outros. E assim, a discutir, iremos aprendendo umas coisas. Em havendo bom senso, parece-me melhor que o silêncio e a anos luz de uma coisa bem pior, um silêncio unilateral. Acho - modéstia à parte - que esta solução é um verdadeiro ovo de Colombo. Não achas, Fernanda?

PS - Entretanto, agradeço a Louis du Malle (anaturezadomal.blogspot.com) a ajuda que me deu (ver "Melheres socialistas"). Leiam o primeiro comentário, do FNV. Exprime com grande clareza o meu pensamento original sobre esta interessante matéria.
|| JPH, 15:20 || link || (0) comments |

Greve às multas (II)

Agora a sério. Se os senhores agentes decidem transformar as suas manifestações em palhaçadas é lá com eles (e aliás até acho incompreensível a indignação do João [terrasdonunca.blogspot.com]). Mas esta da suposta greve às multas está para lá dos limites do tolerável. Esclareçam-me: podem os polícias fazer greve? Parece-me que não. E uma greve de zelo não é uma greve? Parece-me que é.

Os senhores agentes estão evidentemente a tentar captar a simpatia popular com esta tal greve. A mim, porém, não me comovem. Uma força da lei tem uma obrigação superior de se comportar nos limites da lei. Por mais justos que sejam os seus protestos. A confirmar-se a tal "ameaça", a autoridade do Estado - que compete ao Governo aplicar - estará confrontada com seu mais decisivo teste desde que José Sócrates chegou a primeiro-ministro. E eu espero, sinceramente, que não se deixe enganar - nem nos engane a nós - com greves de zelo que formalmente não existem mas que de facto estão a decorrer. Nem que, nas negociações, ceda à chantagem que esta ameaça representa.
|| JPH, 13:46 || link || (0) comments |

Greve às multas (I)

Eh pá estou ansioso. Estou mesmo ansioso! Parece que os polícias ponderam uma greve às multas. Nem me aguento com a ansiedade: assim, finalmente, vamos poder experimentar prazeres inauditos como os de estacionar no passeio, nas passagens de peões, nas paragens dos autocarros, nos espaços dos deficientes, em segunda fila. Ou até conduzir à maluca pelas ruas da cidade (sobretudo nas faixas "bus") e passar sinais vermelhos à tripa forra e até conduzir a 250 km/h na Ponte Vasco da Gama (uau!). Sim sim, vamos poder experimentar isto tudo, agora que eles se preparam para não passar multas. Coisas que, como toda a gente sabe, não acontecem nunca, nos outros dias, naqueles em que os polícias passam multas.
|| JPH, 13:14 || link || (0) comments |

quinta-feira, junho 23

Eleições directas

Anda animada a discussão nos círculos blogosféricos afectos ao CDS sobre as recentes eleições directas no partido. Tudo porque, n'"A Capital", vozes anónimas do partido insinuaram chapeladas no processo. Se Marques Mendes não se acautelar, ouvirá o mesmo no PSD quando ali institucionalizar este novo método de eleições.

Conhecendo eu relativamente bem como foi o processo das directas no PS, parece-me que se está a fazer uma tempestade num copo de água.

No PS, como agora no CDS/PP, também se insinuaram chapeladas a propósito de sucessivas reeleições de António Guterres em eleições directas. E na altura - penso que na reeleição de 2001, mas não tenho a certeza - foi noticiado. Ninguém valorizou as directas no PS até 2004 (confronto Sócrates/Alegre/João Soares). E elas já decorriam desde (pelo menos) dez anos antes (foi Sampaio que as inventou, foi Guterres que as pôs nos estatutos do PS, após ter sido eleito líder, em 1992).

Significa isto o seguinte: a credibilização das eleições directas nos partidos passa, pelo que já hoje se sabe, por duas coisas: que ao sufrágio se siga um congresso (isto é, um momento público, que amplie à dimensão nacional o debate ocorrido no sufrágio); e que as eleições sejam disputadas. Enquanto assim não for, temos intriga à grande e à francesa.

Nota: Mas, na blogosfera, felizmente, o debate inter-CDS é de rosto aberto, o que significa que dos jornais para aqui esse debate se credibilizou. Ainda bem.
|| JPH, 15:27 || link || (0) comments |

quarta-feira, junho 22

ó jph desculpa lá

mas essa do mudwrestling caiu-me um pedaço mal. deve DE ser o meu lado feminista. e aquela tendência, já q.b. comentada e anotada, para a irritação.

ou pra ver discriminação em tudo.

mas quando leio coisas dessas tendo a interrogar-me sobre a tendência que há para ridicularizar e apoucar (histerizar é tb uma palavra que ocorre) as disputas entre as mulheres.

os homens têm duelos (ao sol ou não), ilustres combates, esgrimas e confrontos. as mulheres é mais concurso de t-shirt molhada.

prontoS, já disse.

(também fica bem metermo-nos uns com os outros de vez em quando, com a vantagem de, como eu não sei fazer linques e tu estás momentaneamente impossibilitado de os fazer, toda a gente saber do que estamos a falar).

f.
|| asl, 17:34 || link || (0) comments |

A pena que eu tenho...

...de não saber pôr aqui fotografias. Porque se soubesse, punha aqui umas de "mud wrestling". Isto para dar o meu contributo (construtivo, como sempre) à solução do conflito interno no Departamento Nacional das Mulheres Socialistas.
|| JPH, 14:41 || link || (0) comments |

terça-feira, junho 21

Tentam fazer-nos passar por parvos (conclusão, se calhar)

Infelizmente estive "inpostável" durante uma data de dias e não consegui concluir a minha resposta à polémica suscitada pelo post "Querem fazer-nos passar por parvos".

É certo, também, que toda a conversa parece já um pouco ultrapassada. Mas apetece-me ainda dizer umas coisinhas - mas pedindo desde já desculpas pela ausência de linques, devem-se somente a problemas técnicos do computador onde escrevo. Aí vai.

1. A subvalorização do papel de Cunhal no combate à ditadura conjugada com a sobrevalorização do que fez no pós 25 de Abril (e, sobretudo, do que poderia ter feito mas acabou por não fazer) pertencem ao núcleo duro do argumentário "complacente" (JPP dixit) para com o regime salazarista. A "complacência" passa também por argumentar - como RAF fez no Blasfémias -que o regime salazarista foi, apesar de tudo, menos mau quando comparado com o nazismo ou com o estalinismo. A isto chama-se relativismo. Que, se bem me lembro, era o pecado maior das esquerdas quando tentavam "compreender" o terrorismo. E agora, já não é pecado?

2. Surgiu outro argumento muito interessante, que li no João Miranda (Blasfémias, novamente) e no Nuno Gouveia (Virtualidades): o de eu ser "intolerante" para com os que não "expiaram o pecado" de serem politicamente descendentes de quem não foi relevante nem no combate a Salazar nem, depois do 25 de Abril, às tentações totalitárias. A questão não é "intolerância"; é mais falta de paciência. Todos temos a mesma legitimidade para dizermos o que nos apetece; mas nem todos temos a mesma autoridade. A questão é essa: autoridade.

3. Por outro lado, a mim, por defender a importância de Cunhal no combate à ditadura, atiraram-me logo com o KGB e o "Pravda" e o Laos e o Pol Pot e o "gulag" e o diabo a quatro - ainda para mais treslendo tudo o que escrevi. Se a direita portuguesa nascida (politicamente) no pós-25 de Abril não quer ser encostada ao que se passou antes, então que não passe a vida a encostar a esquerda portuguesa nascida no pós 25 de Abril a coisas pelas quais, pela mesma exacta razão (não eram nascidos), também não têm responsabilidades directas nenhumas.

4. Por último, o suposto "unanimismo" na "glorificação" de Cunhal. Eu não vi "unanimismo" nenhum: li Vasco Pulido Valente, António Barreto, ouvi Soares, ouvi José Ribeiro e Castro, li António Vilarigues (hoje, no PÚBLICO), enfim, consumi muito (como todos nós) do que se disse e escreveu sobre Cunhal nos últimos dias (inclusivamente as recuperações de documentos históricos, como aconteceu na RTP Memória). Vi opiniões de todas as formas, conteúdos e feitios. O argumento do "unanimismo" resulta de puro preconceito. Estava pré-agendado para ser utilizado, fosse qual fosse o teor do debate. E houve debate, felizmente houve. Sem unanimidade nenhuma, graças a Deus - ou a Cunhal, se preferirem.
|| JPH, 14:39 || link || (0) comments |

segunda-feira, junho 20

vídeomaria

eh pá, também. ninguém percebeu? o vídeo era para débeis mentais, caramba. não sabem que nisto das campanhas há que ter vários discursos, conforme o target? qualquer pessoa letrada, culta, com mundo e bom gosto ignora aquilo. faz de conta que não viu.

com tanta dezena de milhar de caracteres e ideias para desbravar, qual é o intelectual que repara num produto audiovisual? experimentem perguntar aos intelectuais que lá estavam. aqueles que não perguntem 'qual vídeo?' e 'qual é o problema?' denunciam a sua falta de intelecto. uma espécie de rei vai nu, mas ao contrário.

realmente.

é que não se pode pensar só nos intelectuais. uma cidade, mesmo se se quer cosmopolita e cultural, como lisboa, tem a sua quota parte de débeis mentais. ainda. para já. é preciso também pensar neles. fazer esse pequeno-grande sacrifício.

e depois é esta a paga? isto é justo, é bonito, fica bem?

não. é feio. é sonso. é indigente. é só para prejudicar. é uma campanha negativa horrorosa, manipuladora, maléfica, invejosa, traumatizada. de gente que tem vergonha de si e da sua família, gente que foi espancada e fechada em quartos escuros a pão e água e levou com o cavalo marinho e o pingalim e o cinto e as correntes e o piaçaba, gente abusada e abusadora (é um clássico), gente que vive em quadros da paula rego, a puxar lustro às botas de guardas republicanos e a torturar cães. gente com raiva da felicidade e da beleza e do brilhantismo e das toilettes dos outros, que nem sabe o que é uma carteira prada e julga que kierkgaard é um antidepressivo.

gentinha.

apre!

o que uma pessoa tem de enfrentar só para servir o país e a pátria e o mundo e o universo.

f.
|| asl, 19:12 || link || (0) comments |

never

there will be many other nights like these
and i'ill be standing here with someone new
there will be other songs to sing
another fall
another spring
but there will never be another you

there will be other lips that i may kiss
but they won't thrill me
like yours used to do
yes i may dream a million dreams
but how can they come true
if there will never never ever be
another you

yes
i may dream a million dreams
but how can they come true
if there will never ever be
another you


isto cantado por chet baker, claro, de preferência numa noite de verão -- esta

f.
|| asl, 02:04 || link || (0) comments |

domingo, junho 19

Verão que é assim

Os cavalos a correr/os miúdos a marrar/as meninas a aprender
|| asl, 19:25 || link || (0) comments |

sexta-feira, junho 17

Post Ramos Rosa

Não se pode adiar o calor para outro tempo? Aproveitava-se adiar o coração.
|| asl, 18:28 || link || (0) comments |

Pedimos desculpa

O JPH quer postar e não consegue. Um problema qualquer com o computador dele. Pedimos desculpa por esta interrupção, a polémica Cunhal-Soares segue dentro de momentos
|| asl, 18:27 || link || (0) comments |

quinta-feira, junho 16

Tentam fazer-nos passar por parvos (II)

O que me espanta (enfim, não me espanta, mas adiante) na maior parte dos multiplos comentários ao 'post' "Tentam fazer-nos passar por parvos" é que respondem a coisas que eu não disse. Repito: não disse.

Não disse que Cunhal foi um democrata. Disse que combateu a ditadura - o que é diferente. E até fiz questão de referir que tinha tentado um "caminho totalitário" em Portugal - o que ninguém parece ter notado.

Não disse que Cunhal tinha sido o único a aplicar-se no combate à ditadura - disse que liderou esse processo. É uma verdade daquelas que não há volta a dar. Sob a liderança de Cunhal, o PCP tornou-se no organização melhor estruturada no combate permanente (diário, constante, persistente) à ditadura. Há milhares de pessoas que só aderiram ao PCP porque de facto, durante muito tempo, foi a única coisa que realmente existiu. Depois, é certo, foram saíndo - umas vezes a bem, muitas a mal -, ou por desgosto com a forma como combatiam a ditadura ou por desgosto por posições do PCP face aos horrores do Leste Europeu ou pelas duas coisas. Mas se saíram é porque estiveram lá dentro. E se estiveram lá dentro por alguma coisa foi.

Não disse que Soares tinha sido o único responsável pelo combate a Cunhal no pós 25 de Abril. Disse que tinha liderado essa luta - e aqui, mais uma vez, é das tais que não há volta a dar.

Disse, por outro lado, que na chamada direita democrática, não conheço ninguém que tenha tido um papel de relevo (liderante) tanto no combate ao Estado Novo como no combate a Cunhal, após o 25 de Abril. A história política do século XX português há-de registar quatro grandes nomes: Afonso Costa (pela I República), Salazar (pela ditadura), Cunhal (pelo combate à ditadura, pelo PREC e pelo seu papel relevantíssimo no Movimento Comunista Internacional) e Soares (por tudo). Lamento, mas não estou a ver aqui ninguém da direita democrática. Ou estou? Salazar?

(Amanhã há mais.)
|| JPH, 21:28 || link || (0) comments |

Santos

E agora uma coisinha para descongestionar do cunhalismo e do carrilhismo: o Santo António na Bica foi, mais uma vez, um inolvidável (podemos dizê-lo?) marco urbano. As fotos estão disponíveis em “O Céu sobre Lisboa” e também reproduzidas n’!A Praia”. Infelizmente, já se acabou.
(Não encontrei o Ivan na Bica, só na Cinemateca, n'"O Homem que Gostava de Mulheres"
|| asl, 20:22 || link || (0) comments |

segredos, piruetas e vídeo

o caso 'dinis' está a dar azo, como seria de esperar, às mais extraordinárias piruetas argumentativas.

eduardo prado coelho, que antes já se referira ao assunto, nomeadamente a propósito da utilização de animais de estimação nas campanhas políticas, investe agora noutra teoria que, a crer no título da crónica de hoje, é sobre as 'vidas secretas'.

lida do início ao fim e depois de novo, a crónica não parece no entanto justificar o nome -- afinal, diz epc, 'a 'apresentação' da família em termos públicos tem sido prática frequente', até porque 'os eleitores, desvinculados de qualquer fidelidade a ideologias, querem conhecer a cara dos candidatos, para saber se eles merecem 'confiança', saber se há neles um lado 'humano''.

fazendo questão de frisar que lamenta essa tendência('não seria preferível uma política em que discutissem ideias mais do que pessoas? pela minha parte, acho que sim'), epc escreve uma crónica inteira para justificar que nela se embarque.

será à luz dessa justificação, dessa apologia enviesada, que devemos então (?) ler o título da crónica?

vejamos: a exposição é desejada pelo 'público', portanto inevitável; a inevitabilidade transforma-a numa coisa obrigatória; a obrigatoriedade fá-la, mesmo se lamentável, desejável do ponto de vista do resultado; e se é desejável do ponto de vista do resultado, é boa, o que, com um bocadinho mais de boa vontade, a transforma numa coisa 'natural'.

é aqui, supõe-se, que entram as 'vidas secretas': quem não se expõe, conclui-se, é porque não retiraria nada de útil e desejável, portanto de bom, dessa exposição, ou seja, porque não tem nada de bom para expôr. senão, é claro, evidente, translúcido, exporia o que de bom tivesse para aproveitar disso os resultados. como não?

ou seja: o político que não se expõe, que faz o possível por preservar a sua vida privada, não o fará por desejo de manter a privacidade e proteger os seus próximos de uma exposição e escrutínio público (que, espante-se, nem toda a gente achará desejáveis, bons ou, já agora, úteis), mas porque tem segredos. quiçá inconfessáveis.

a não ser que partamos do princípio de que o título 'vidas secretas' é um engano, um lapso (talvez epc quisesse escrever 'discretas' e saiu aquilo), no seu esforço para justificar o vídeo de carrilho epc lança a suspeita sobre todos os que não comunguem da 'naturalidade' com que o ex-ministro da cultura expõe a sua vida privada.

no mínimo interessante, esta argumentação (digo eu, ainda tonta de tanto mortal empranchado com pirueta invertida). e nada insinuante. aliás, não me lembra nada, mais precisamente, não me lembra nada que se tenha passado há uns meses numa outra campanha.

numa coisa epc tem razão: há aqui duas ordens de problemas. pelo menos.



f.
|| asl, 16:09 || link || (0) comments |

Aviso

Tentarei, ainda hoje, responder ao que foi escrito no Blasfémias sobre o 'post' "Tentam fazer-nos passar por parvos". Registo no entanto, com agrado, que o estilo provinciano de CAA (ai tão culto que eu sou, ai ai, ai ai) não foi seguido nem por João Miranda nem por Rodrigo Adão da Fonseca.

Entretanto chamo a atenção para dois argumentos em que me revejo totalmente: Este (sobre a descolonização) e este (sobre o que Cunhal poderia ter feito mas não fez).
|| JPH, 14:28 || link || (0) comments |

terça-feira, junho 14

Tentam fazer-nos passar por parvos

Os que não mexeram uma palha para acabar com a ditadura
e os que descendem (politicamente) de quem não mexeu uma palha para acabar com a ditadura.

Os que foram irrelevantes no combate ao caminho totalitário tentado por Cunhal
e os que descendem dos que foram irrelevantes no combate ao caminho totalitário tentado por Cunhal.

Os que andaram a incendiar sedes do PCP no “Verão Quente”
e os que descendem desses.

Os que foram pelo internacionalismo europeísta e depois deixaram de ser e agora voltaram a ser
e os que descendem desses.

Tentam fazer-nos passar por parvos.

A Cunhal devo a liderança na luta contra a ditadura; a Soares devo a liderança na luta contra Cunhal (e a Europa e a consolidação da ideia democrática).

Aos outros – descendentes de Spínola e de Freitas do Amaral e de Adriano Moreira e de Manuel Monteiro e de Paulo Portas e de Avelino Ferreira Torres e de etc – ninguém deve historicamente nada de relevante neste país. Nem antes do 25 de Abril nem depois. Antes alimentavam-se do orçamento de Salazar; depois esconderam-se atrás de Soares. Agora blogam.
|| JPH, 16:40 || link || (0) comments |

coerencia

fico sempre confusa quando se elogia alguém pela sua coerência. a coerência, só por si, não é, não pode ser, uma qualidade. sobretudo se for a coerência de ignorar a realidade. de estar errado e continuar errado. a coerência de defender stalin, por exemplo: é uma coerência admirável?

isto dito, lembro-me de uma única vez, há uns 27 anos, em que olhei cunhal e fui por ele olhada. tinha 13 ou 14 anos, e fui com amigas da minha idade a um comício do pcp. era num pavilhão não muito grande e quando entrámos estava tudo a gritar, de punho no ar. atravessámos a multidão até à frente e ali ficámos, as meninas betinhas a olhar para o papão comunista, muito quietas num mar de punhos a martelar pê-cê-pê, pê-cê-pê.

no pavilhão, a única outra pessoa quieta era ele. o rosto inescrutável, observava. depois viu-nos, ali, à sua esquerda, as meninas betinhas que tinham decidido furar o comício para ver como era. fiquei suspensa naquele olhar, na intensidade perversa, quase maléfica, do seu feixe de raios gama, sem ouvir ou ver mais nada. cinco minutos, meia hora? não faço ideia. até que alguém me pôs a mão no ombro e disse: vamos, já chega.

não tive outra ocasião. como jornalista, nunca entrevistei cunhal cara a cara. acho que nunca tentei, sequer. mas surpreendeu-me pelo menos mais uma vez: quando, recém chegada à recém formada redacção da Elle, em 88 ou 89, me lembrei de, a propósito de um daqueles artigos palonços em que se pergunta a uma série de 'individualidades' o que acham não sei de quê -- neste caso, a mulher, presume-se que com m grande --, ligar para cunhal a pedir um 'depoimento'. ele aceitou, o que me valeu telefonemas extasiados de colegas séniores, que queriam saber como tinha eu logrado pôr o sr a falar para uma revista feminina, e sobre assunto tão inusitado. 'tentei', respondi, um pouco interdita com tanto barulho.

sei agora que esta e outras atitudes de cunhal faziam parte de um jogo de escondidas que teria tanto de cálculo como de gozo --o gozo de surpreender, de desfazer a imagem monolítica que ele próprio construíra. e que era hábito nele enternecer-se com os jovens, conceder-lhes privilégios que não reconhecia a ninguém. era talvez a tal fé nos amanhãs cantarolantes. ou sentido de humor, ou seja o que for.

seja como for, era, tornou-se, uma figura familiar, quase tutelar. cresci, crescemos todos, os da minha idade, em volta desta espécie de estátua. a admiração e reverência que em tempos senti transformou-se há muito numa espécie de indiferença, até de desprezo.

sei que é considerado de mau tom criticar os mortos -- sobretudo quando acabam de morrer, já que não fazemos mais nada, na história, que analisar e criticar mortos. cunhal é já a nossa, a minha história. pertence-me. e na minha história é um inimigo. quase íntimo, como disse, genialmente, soares. mas um inimigo. não seria coerente fazer-lhe um elogio, mesmo fúnebre.

f.
|| asl, 01:15 || link || (4) comments |

domingo, junho 12

bagao infelix

desculpem lá (sim, é a minha quinta ou sexta posta seguida, mas pronto, devo estar com problemas): estive agora a ouvir o marcelo sobre o diferendo bagão/constâncio. e vai o 'professor' e diz que 'ficou mal' ao bagão vir agora dizer aquilo.

ficou mal. tipo: ó pá, foste um pedaço infeliz, e quê.

quer dizer. o dr (será professor?) bagão felix foi ministro das finanças até março. em agosto, um mês ou menos depois de tomar posse, foi a um conselho de ministros em évora onde, diz ele, apresentou um cálculo do défice de 6,4%. mas, diz ele, os colegas de governo, com a ilustre excepção, disse o dn, de três ministros, acharam que não se devia dizer aquilo ao país. e vai o bagão e faz uma comunicação ao pais, com o primeiro-ministro (santana lopes), em que diz que o défice é 3% (ou coisa parecida, falha-me a memória) e que a situação permite pensar que há uma retoma, e não sei quê. e vai o primeiro-ministro e diz que quer aumentar os funcionários públicos e baixar os impostos.

primeiro tivemos o dr santana lopes a exigir a vitor constâncio que faça as contas do défice que ele, santana, herdou em 2004.

e agora vem o dr bagão, muito emproado, de lápis muito afiadinho na mão, desfazer nas contas de vítor constâncio, dizer que é um disparate calcular um défice às centésimas e que isto dos 6,8% não é novidade nenhuma e que, basicamente, vitor constâncio é um farsante.

não faço a menor ideia se vitor constâncio sabia ou não da extensão do défice antes de fevereiro. e, a crer no facto de, sendo do ps, procurar através da sua actuação enquanto governador favorecer o ps, não sei que propósitos políticos teria o seu silêncio em relação a um défice resultante de dois anos de governo de durão barroso e na altura da tomada de posse de um governo de santana lopes. se há dúvidas, investigue-se.

mas há uma coisa que é clara e indesmentível, assumida aliás com incrível e nunca vista desfaçatez por bagão felix: o governo de santana mentiu ao país sobre a situação económica com todos os dentes, pivots e dentaduras que por lá havia. bagão mentiu e santana mentiu e mentiram os outros todos.

é sobre isso que eu gostava de ouvir explicações, e não sobre a porcaria das centésimas do cálculo do banco de portugal.

e, já agora, era disso que gostava de ver consequências.

a não ser que mentir ao país sobre uma matéria como as finanças públicas entre na categoria das ofensas menores -- ou, para os que se dizem católicos como bagão e santana, dos pecados irrelevantes -- apagável com umas indulgências e umas palmadas nas costas, tipo, para a próxima fazes melhor, pá.


f.
|| asl, 21:33 || link || (0) comments |

dia da raça

comemorar o 10 de junho com um arrastão de miúdos negros na praia de carcavelos é no mínimo uma ironia. e mais ainda quando por exemplo o pivot de um dos telejornais, creio que o da TVI, falava de um grupo de 'jovens africanos'. jovens, portanto, de áfrica, acabadinhos de desembarcar de uma caravela, a saquear os indígenas que iam encontrando no areal. e sem missangas p'á troca -- malandros.

(para o caso de me aparecer para aí alguém que ache que por ter dito isto acho bem que jovens, negros ou doutra cor qualquer, assaltem pessoas na praia, lamento, mas não. mas também não acho que esta tendência de o discurso dominante colocar os jovens negros sistematicamente de fora -- da nacionalidade, do país, da comunidade -- ao designá-los como estrangeiros seja estranha a este estado de coisas. sem que com isto queira dizer que esse erro desculpa seja o que for)

portugal é branco, disse-me um dia, em entrevista, o rapper general d. é assim que ele o vê, e é assim que muita gente, 'brancos' incluídos, o vê.

uma estranha ilusão de óptica que ergue barricadas e risca fronteiras. e que me lembra aquela notícia que a filomena naves, do dn, assinou há poucos meses. e que dizia, mais coisa menos coisa, que o código genético dos portugueses indicia muito em comum com o código genético dos povos africanos.

surpresa nenhuma, diria eu, tendo em conta a história do país. mas há descobertas científicas que têm a virtualidade de frisar o óbvio.

dito isto, como é que se devem, em circunstâncias como as do 10 de junho em carcavelos, designar os assaltantes? é não relevante a sua cor de pele?

não tive de, enquanto jornalista, escrever sobre este assunto. creio que se o fizesse teria de escrever que, ao que as imagens e os testemunhos publicados indicam, a maioria daqueles jovens eram negros. (chamar-lhes africanos é uma forma de tentar fugir à problemática caracterização pela cor tomando o caminho errado -- o da definição de origem)

muito mais relevante que isso seria saber donde vieram, e como se organizou aquele 'arrastão'. e a que ponto se formulou como emulação de fenómenos de outras paragens.

e como é que se desembrulha este equívoco: o dos nós e do eles.

f.
|| asl, 19:41 || link || (2) comments |

dinis, o precoce

confesso que fiquei apardalada com o vídeo promocional do dinis. não esperava aquilo de uma criança de um ano. que sageza! que à vontade! que acutilância! viram como roubou a cena à mãe e ao pai? como subtil mas determinadamente manteve a pet lola (e toda a gente sabe como os animais de estimação são vitais nas campanhas, não é, professor doutor eduardo prado coelho?) fora do enquadramento?

aquele miúdo tem fibra. diz o edson athaíde (será também professor doutor?) que estavam lá em casa a gravar o vídeo e que o miúdo "estava por ali" (esperto do miúdo! em vez de ir jogar matrecos ou beber uma bujeca, deixou-se ficar em casa, muito ladino, à espera de uma oportunidade) e zás, de repente acharam boa ideia filmá-lo também.

ganda dinis. eles ainda pensam que foi por acaso. e que a boa ideia foi deles. a isso, meu caro pequerrucho, chama-se visão política. estratégia. sentido de estado. sentido do estado a que isto chegou.

então queriam promover o pai sem dar uma oportunidade ao filho, era? isso faz-se? o miúdo é pequeno mas é gente. e tem tanto direito a uma carreira como qualquer outro.

além disso, nisto das famílias reais, toda a gente sabe que não há privacidade nem intimidade, e aquela família é real. really. reality. show!

razão tem o professor doutor daniel sampaio, que aliás sabe do que fala, sendo psiquiatra especializado em jovens e crianças em risco: o que é que tem?

f.
|| asl, 15:12 || link || (0) comments |

postas de felicidade

o bruno de avatares de um desejo questiona: postamos mais quando estamos na merda? deixamos de postar quando temos coisas melhores para fazer, tipo correr pela praia, ler um bom livro, ir às compras, ao cinema, namorar?

as minhas respostas são não e sim.

quando estou na merda tenho tendência a não querer fazer nada. e quando estou a fazer outras coisas, melhores ou mesmo piores, não posto (obviamente). mas gosto de postar e tenho tendência para postar quando estou bem disposta.

nós, as comunicólogas, somos assim. gostamos de comunicar. adoramos ouvir-nos e ler-nos e reler-nos.

umas gralhas, é o que é.

adoro lançar postas no silêncio branco desta janela,

sms sem destinatário, colunas de palavras em marcha no universo, alinhadas e voluntariosas e cegas como pequenos soldados

prontos a tudo, até ao massacre

e prontoS.

f.
|| asl, 14:52 || link || (0) comments |

nuno e jph: querem que isto seja um blogue de gajas??????

é só isso: querem que isto seja um blogue de gajas? é que se não querem, têm de fazer qualquer coisa. percebo isso do chet baker muito bem, myself being a fan, but don't get lost out there nessa wilderness melancólica (mesmo se, se alguém se quiser perder, é o sítio ideal).

f.
|| asl, 14:44 || link || (0) comments |

sábado, junho 11

O meu amor (Chico, Sob Medida, 1979)


Se você crê em Deus
Erga as mãos para os céus
E agradeça
Quando me cobiçou
Sem querer acertou
Na cabeça
Eu sou sua alma gêmea
Sou sua fêmea
Seu par, sua irmã
Eu sou seu incesto (seu jeito, seu gesto)
Sou perfeita porque
Igualzinha a você
Eu não presto
Eu não presto

Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome e sem lar
Sou aquela
Eu sou filha da rua
Eu sou cria da sua
Costela
Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pros carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus

Se você crê em Deus
Encaminhe pros céus
Uma prece
E agradeça ao Senhor
Você tem o amor
Que merece
|| asl, 22:57 || link || (0) comments |

Da liberdade de informação

"Em rigor, não podemos dizer que haja liberdade de informação em Portugal. Mas o importante a acentuar é que essa falta de liberdade que lamentamos não é a mesma falta de liberdade que os nossos detractores apontam”

Foi Vasco Gonçalves quem disse isto, em Agosto de 1975, no famoso discurso de Almada. Trinta anos depois, a sentença (embora sem a "pureza" gonçalvista) é repetida à exaustão por todos os agentes do sistema.
|| asl, 22:41 || link || (0) comments |

Um post de serviço público

E então é assim: "O Homem que Gostava das Mulheres" passa na terça-feira, dia 14, na Cinemateca, às 19.30. Às 21h30 é "A História de Adèle H". "As Duas Inglesas e o Continente" repete na sexta-feira, 17, às 22 horas, encerrando o ciclo Truffaut. No mesmo dia, às 19h30, repete "Jules et Jim".

Entretanto, um dos maiores filmes de John Ford, ou talvez o maior, passa no dia 27 às três da tarde: "O Homem que Matou Liberty Valance".
|| asl, 16:04 || link || (0) comments |

sexta-feira, junho 10

As duas inglesas e o Continente

É o filme favorito de Eva Truffaut,a filha, que entra numa das cenas. Eva esteve ontem na Cinemateca, onde falou do amor que "fait mal", que é o assunto do filme. François Truffaut retomou aqui outro livro de Henri-Pierre Roché, depois de "Jules e Jim". "As duas inglesas..." é simétrico de "Jules et Jim": em "Jules et Jim", um mulher ama dois amigos íntimos; nas "Duas inglesas", duas irmãs amam um francês (a quem chamavam "o continente")que as vai amando sucessivamente. Claude, o "continente", para se libertar - passar o sofrimento para as personagens, como diz - escreve um livro chamado "Jerome e Julien". Estão a ver, não é?
Há cenas maravilhosas. A do jogo do "limão espremido" em que, numa brincadeira infantil, Claude entra em contacto com o corpo das duas irmãs ao mesmo tempo; a surpresa da mãe das inglesas quando lhe é sugerido que Claude terá uma "inclinação" por uma delas: "ELE GOSTA DAS DUAS". O relato da atormentada Muriel sobre a masturbação e a sexualidade infantil. A perda de virgindade de Muriel (excepto, talvez aquele sangue todo). Eu podia continuar a falar disto, mas tenho que trabalhar. Dia 14,é o Homem que Amava as Mulheres. Vou pedir dispensa do serviço depois das nove.
|| asl, 17:10 || link || (0) comments |

Olá, Nuno, bons olhos te leiam

... e vê lá tu, ó JPH se recomeças... atão, pá?
|| asl, 17:09 || link || (0) comments |

Discordância

Desta vez não concordo com a f. O Cristiano Ronaldo (tronco nu ou vestido) é-me igual ao litro
|| asl, 17:07 || link || (0) comments |

Plínio e Gabo

De Plinio Apuleyo Mendoza li uma entrevista no DNA. Já lá vão uns anos desde que "descobri" o embaixador colombiano em Lisboa no suplemento do DN.
“Reencontrei-o”, há semanas, noite dentro, numa divertida entrevista a Ana Sousa Dias, na 2:.

Há dias que “passo” o serão com ele, acompanhado pela música de Mozart, de David Silvian ou de Chet baker.
O livro comprei-o na Feira do Livro de Lisboa, chama-se “O Aroma de Goiaba” (Ed. D. Quixote) e é uma longa conversa (em bom rigor não se lhe pode chamar entrevista a este diálogo entre amigos…) de Plinio com Gabriel Garcia Marquez, criador de “Cem anos de solidão“.
É um livro que data de 1982. Tem 23 anos, portanto. São pouco mais de 200 páginas que se lêem de um fôlego. É assim...
Na Europa, baptizaram a obra de Gabo - em especial “Cem anos de Solidão” - de realismo mágico. [A propósito há quem estabeleça a ligação de Marquez a outro escritor da América Latina, o mexicano Juan Rulfo, que tem dois excepcionais livros editados em Portugal – “A Planície em chamas” e “Pedro Páramo”, da editora Cavalo de Ferro)].
Não resisto a transcrever (espero que a D. Quixote não me processe…) uma parte da resposta de Gabriel Garcia Marquez a Plinio no capítulo dedicado ao “Ofício”. Para resgatar a magia que é ler “Cem anos de Solidão”:
“A vida na América Latina demonstra-nos que a realidade está cheia de coisas extraordinárias. A este respeito, costumo citar sempre o explorador norte-americano F. W. Up the Graf, que nos finais do século passado fez uma viagem incrível pelo mundo amazónico, em que viu, entre outras coisas, um regato de água a ferver e um lugar onde a voz humana provocava aguaceiros torrenciais. Em Comodoro Rivadavia, no extremo sul da Argentina, ventos do pólo levaram pelos ares um circo inteiro. No dia seguinte, os pescadores apanharam nas suas redes cadáveres de leões e de girafas.”
|| Nuno Simas, 00:16 || link || (0) comments |

Vou ali, já venho, mas antes...

... vou pôr uma posta que tinha escrito há uns dias.
Confesso que fico envergonhado pelo fraco contributo que tenho dado ao éter da blogosfera. E haveria tanto a dizer com a disputa de dichotes com o Terras do Nunca e tal.
Devem ser problemas de vizinhança...

O meu atraso no comentário é tal que o duelo de obuses (blogosféricos, claro!) já lá vai!
|| Nuno Simas, 00:02 || link || (0) comments |

quinta-feira, junho 9

othelo mobile

não sei porquê, dei comigo a pensar nas potencialidades dos sms, mms e email na trama do shakespeareano iago. muito mais, infinitamente mais fácil que forjar um bilhete ou uma carta ou meter macaquinhos no sótão dos alvos: deception by technology. instantânea, insuspeita, letal.

beware.

f.
|| asl, 01:58 || link || (0) comments |

and now for something completely different

i don't believe in an interventionist god
but i know
darling
that you do

but if i did i would kneel down and
ask him
not to intervene when it came to you
oh not to touch a hair in your head
leave you as you are
if he felt he had to direct you
direct you
into my arms


into my arms oh lord
into my arms oh lord
into my arms oh lord
into my arms


and i don't believe in the existence of angels
looking at you i wonder if that's true
but if i did i would summon them together
and ask them to watch over you
for to each burn a candle for you
to make bright and clear your path

and guide you into my arms

into my arms oh lord
into my arms oh lord
into my arms oh lord
into my arms

but i believe in love
i know that you do too

and i believe in some kind of path
that we can walk down
me and you

so keep your candles burning
make a journey bright and pure
that you keep returning always and

evermore

into my arms oh lord
into my arms oh lord
into my arms oh lord

into my arms

(nick cave)

f.
|| asl, 01:33 || link || (0) comments |

quarta-feira, junho 8

ana, estamos feitas

se o peter pan vê a minha última posta, ainda se põe a não INSINUAR que isto não é mais um efeito das altas temperaturas na minha fraca moleirinha. vai daí ainda se lembra de não INSINUAR que eu não estou comos calores. talvez mesmo um afrontamento, hã?

ah, e quero agradecer ao bruno sena martins (avatares de um desejo) a substituição das mamas pelos ovários. é muito melhor e não se presta a tantas não INSINUAÇÕES. ovários será, então.

f.
|| asl, 19:05 || link || (0) comments |

ainda a autodeterminação do corpo e do mostrem lá

está ali a dar o portugal-estónia e só me ocorre um pedido (não um grito, mas mesmo assim um pedido algo pungente): o cristiano ronaldo não pode jogar de tronco nu? em vez de termos de esperar os 90 minutos (mais o intervalo) pelo trocar de camisolas com aquela coisa de andarem ali a mandar bolas uns aos outros e a mandarem-se para o chão e assim, podíamos ir logo ao assunto. iam ver como subiam as audiências.

e além disso está imenso calor, o rapaz deve sofrer imenso com aquela roupa toda. ainda se sente mal. é uma questão de saúde, percebem?

pública.

(está-me agora aqui o martim do mautemponocanil, que também é aqui do 266 da avenida da liberdade, a dizer que aquilo afinal é na estónia. que chatice. mas eles andam a correr tanto que aquecem, não é? e ele sobretudo, com aquelas fintas todas, precisa de se sentir mais leve, não é? digam que sim)

whatever: força, ronaldo!

f.

f.
|| asl, 18:54 || link || (0) comments |

mostrem lá, vá

sim, sim. aliás a pergunta que me surge assim de repente é a quem é que os homens em lugares cimeiros (digamos assim) mostraram o quê. ah, já sei: foi a inteligência, a competência e o profissionalismo. e a quem é capaz de avaliar esses parâmetros: outros gajos, claro.

f.
|| asl, 16:33 || link || (0) comments |

O João NUNCA insinua

O João NUNCA quer insinuar o que está a insinuar. O que é que o João NUNCA insinua, afirmando ser a brincar para imediatamente a seguir reclamar que é a sério?
É só aquilo das gajas "subirem na vida" não pelo mérito, trabalho e outras coisas chatas, mas sempre pelas pernas, mamas, etc. A mim não me espanta que o João NUNCA insinue. Já ouvi insinuações destas aos milhares, às resmas, aos kilowatts, desde que comecei a trabalhar, mais ou menos em 1820. Entretanto, a maior parte dos insinuadores "subiram na vida" e são hoje directores de órgãos de comunicação social.
Se fosse provada a tese dos insinuadores, ou dos que NUNCA insinuam, então as direcções das empresas - pelo menos no caso das jornalísticas - estariam nas mãos de gajos que não se deixam seduzir por mulheres, o que aliás não teria mal nenhum. Mas, sinceramente, acho que não.
|| asl, 16:06 || link || (0) comments |

ai ai, o menino

lamento ter de te dizer isto, joão, mas tem de ser: não consegues escrever uma frase sobre este assunto que não releve de um esterótipo dos tais. então as mulheres que usam transparências e 'exibem a coragem' (ou seja, as mamas) fazem-no para provocar os homens? e isso com intuitos 'utilitários'? e esperas que não?

é interessante, essa ideia de que uma mulher que se irrita com a propaganda anti-mulher e os discursos esterotipados seja imaginada e descrita como um ser assexuado, incapaz de participar no jogo da sedução e, certamente, com raiva ao sexo -- e aos homens.

oh, baby, you're so so so so so so so wrong.

e ainda perguntas onde é que anda a propaganda. propaganda is in the air / every time i look (repete, com coreografia)

quanto à autodeterminação dos supostos machos, isso quer dizer o quê, exactamente? daqui a nada ainda te oiço a citar aquele célebre acórdão do nosso célebre supremo tribunal, sobre as malucas das estrangeiras que se puseram à boleia em plena coutada do macho ibérico e zás, tiveram o que mereciam. é do século passado, bem sei -- de há uns enormes e longínquos 10 anos. já lá vai, não é? além disso, as estrangeiras já foram para a terra delas. os juízes é que ainda cá estão quase todos.

mas pronto, vai para dentro, não te constipes (este tempo é tramado, com as mudanças de temperatura, irritante ou não)

f.
|| asl, 12:21 || link || (0) comments |

terça-feira, junho 7

prontoS, prontoS

anita, i come for the rescue. let's go shopping! let's get wild with the money we don't have. bora! bora comprar cenas frescas, tipo autodeterminação do corpo, com alcinhas e transparências e e e e. bora bora bora. iuuuuuupiiiiiiii

f.
|| asl, 16:36 || link || (0) comments |

Um grito

Está a calor a mais e só me apetece dar um grito. Vou aproveitar o blog para dar um grito. Um grito escrito é menos pesaroso que um grito falado. É um grito do mulherio, um grito que sempre abananou os homens (menos os metrossexuais que já compreendem). Um grito de toda a vida, pelo menos desde a adolescência. Um grito que se tenta estancar às vezes, controlar (ou que se tentou mesmo erradicar em algumas épocas porque sim). Um grito demasiado insistente nas mudanças de estação, nas mudanças da hora, nas mudanças. NÃO TENHO NADA PARA VESTIR
|| asl, 14:25 || link || (1) comments |

segunda-feira, junho 6

much ado about everything

o joão peter pan acha que afinal os clips hip hop são mesmo um bocado machistas. mas acha também que não vale a pena irritar-me por tão pouco. porque, diz ele, é a excepção.

a excepção.

e que eu tenho uma pulsão normalizadora, quiçá totalitária.

pois. como é que hei-de dizer? nas palavras imortais do almirante, não gosto de ser esteriotipada (isto é, reduzida a estereótipo). é uma coisa que me chateia. não gosto e reajo mal. como reajo mal ao ver a repetição ad nauseum dos estereótipos de menoridade da mulher em quase todos os lados para que me viro.

ad nauseum quer dizer até ao vómito. até não poder mais, e then some more.

excepção?

estou imersa todos os dias, de manhã à noite, em propaganda anti-mulher. propaganda que diz que as mulheres são menos válidas, não são suficientemente inteligentes ou tão inteligentes como, só servem para certas coisas, são indefesas, são vítimas, são, basicamente, inferiores.

mas deve ser dos meus olhos.

quanto ao pobre do politicamente correcto, dificilmente se encontra uma ideia tão mal compreendida e tão maltratada. o politicamente correcto é só, na sua génese, a assunção de que a linguagem não é neutra (alguém discorda disto?) e que exprime e impõe formas de dominação e de exclusão. e que se queremos rejeitar essas formas de dominação devemos agir também na linguagem.

coisas tão básicas como deixar de usar a expressão judiaria (que segundo o dicionário quer dizer maldade, entre outras coisas) porque é insultuosa para os judeus. ou ciganagem como sinónimo de ladroagem ou aldrabice. ou preto como sinónimo de estúpido. por exemplo. ou, voltando ao masculino/feminino, perceber que ter tomates é ser corajoso e ser um conas é ser cobarde. que quando se quer elogiar uma mulher se diz que se portou como um homem ou 'é tão boa como um homem' e se se quer apoucar um homem se diz que se portou como uma mulherzinha. que quando um menino chora, para o fazermos calar, lhe dizemos 'não sejas menina'. etc. etc. etc.

(eu e as minhas amigas, que temos andado a usar, pelo que nos culpabilizamos (e com culpa grossa, não fina) estas expressões misóginas, decidimos hoje, neste instante, depois de falarmos ao telefone umas com as outras e depois de grande e aturada reflexão de cerca de um minuto, substituir os tomates, como símbolo de coragem, por mamas. também são redondas e a adaptação é fácil: uma gaja corajosa é a que as tem no sítio, bem grandes, e bem rijas. não interessa se visualmente se constata que isso não é verdade: onde é que já se viu uma mulher com tomates, ou quem é que sabe se os homens corajosos têm tomates grandes ou pequenos? as metáforas são metáforas e pronto.)

quanto àquilo que me falta, joão, confesso que é muita coisa.

mas, correndo o risco da arrogância (que não é das coisas que me faltam), decerto não será ironia e humor. e essa da 'culpa fina', vais-me desculpar, parece-me um pouco falha de graça. sinto culpa, fina ou finíssima, por não me faltar (dizes tu) aquilo que, escrevi, supostamente me faltaria, justificando o meu mau humor feminista? ou sinto culpa por efectivamente me faltar aquilo que, escrevi, supostamente me faltaria e, escreveste tu, talvez não me falte ou é irrelevante que me falte ou não? Ou, ainda, sinto culpa por ser irrelevante que me falte ou não aquilo que supostamente pela sua falta justificaria aquilo que sou?

para quem já se perdeu, as questões devem ser endereçadas à terra do nunca, ao cuidado de peter pan. se ele tiver ido à procura da wendy, a sininho ou o capitão gancho tomam conta da ocorrência.

f.
|| asl, 23:48 || link || (0) comments |

agora a sério

tou um bocado chateada. então o bento não diz nada sobre mim? caramba. anda aqui uma pessoa esforçada e denodadamente a defender todas e cada uma dessas abominações e nada, nem uma palavrinha de incentivo?

não peço a excomunhão, nem nada de parecido. sei bem que não estou à altura de tão grande honra (e pensando bem era difícil expulsar-me de uma confraria da qual não faço parte)

mas uma condenaçãozinha? pequenina? assim minúscula, do género 'a f. é mesmo má'?

vá lá. eu prometo que nunca me hei-de emendar. a sério. nunca.

f.
|| asl, 21:12 || link || (0) comments |

notícia (mesmo) de última hora

o novo papa condena os homossexuais, os 'pseudo-casamentos' homossexuais, as uniões de facto, os 'ensaios' do casamento (que raio será isso????), a reprodução assistida e o aborto.

isto na véspera do referendo italiano sobre reprodução assistida.

diz a lusa.

eu cá não m'acredito. prontoS.

f.
|| asl, 21:07 || link || (1) comments |

notícia de última hora - adenda

jorge sampaio não faz, não diz, não comenta nem responde sobre...


o sr governo. da madeira. mais conhecido, carnavalescamente falando, por bocassa.


jorge sampaio desistiu de fazer, dizer, responder, comentar.


o sr governo da madeira, pelo contrário, não desistiu de nada. nem das pensões nem de dizer tudo o que lhe vem à cabeça nem de ameaçar e coagir diariamente tudo o que remotamente lhe pareça uma forma de resistência, crítica ou dissenção.


e vai uma jornalista e pergunta ao sr governo: "acha que este assunto merece algum comentário do presidente da república?"(bela pergunta, eheh, sobretudo tendo em conta que o assunto em causa era o facto de o sr governo ter dito que havia uns bastardos, para não lhes chamar filhos da puta, que escreviam nos jornais...) ao que o sr governo responde, disfarçando o riso: "neste país já nada me surpreende".

confesso: por uma vez, tenho de concordar com ele.

f.
|| asl, 20:56 || link || (0) comments |

notícia de última hora

jorge sampaio não tem nada a dizer.

não comenta.

não faz nada.

já desistiu de fazer ou dizer fosse o que fosse.

tá farto.


f.
|| asl, 20:51 || link || (0) comments |

domingo, junho 5

never never land

o joão peter pan diz que eu me irrito muito (nisso tem toda a razão, fui aliás eu que o disse). e que estou a ficar muito politicamente correcta (incorrecto: não estou a ficar, esforço-me há muito por ser, ou seja, por ter consciência das marcas discriminatórias da linguagem e por tentar expurgar a minha e os meus comportamentos dessas marcas).

e que me irrito por ver raparigas despidas nos clips.

pois, joãozito, sorry. eu não disse que me irrita ver raparigas despidas nos clips, digo até que não tenho nada contra isso (apre, não entrei ainda, e espero não entrar nunca, na fase j.c. espada). podia até aqui dissertar longamente sobre a minha devoção pela madonna (louise ciccone, of course) e pela forma como assumiu e recentrou o poder da mulher sobre o seu corpo através da sua utilização iconográfica.

o que eu disse, e não te faria a injustiça (que te fazes) de achar que não percebeste, é que me irrita ver raparigas despidas em certos clips, nomeadamente os clips hip-hop, deliciadas a abanar o rabo ao som de líricas impossivelmente machistas em que tudo rima com bitch e ass. se achas que não há diferença entre isso e um clip que estavas a ver no momento 'com três moçoilas a despirem-se' no seu próprio clip, como é que te hei-de explicar?

dizes tu que elas, as dos clips que me irritam, estão lá porque querem, que ninguém as obrigou. ou seja: estás a dizer que não são vítimas. certo: não creio que lhes tenham feito uma oferta irrecusável à padrinho, que as tenham recrutado na ponta de uma pistola. mas essa nunca foi a questão.

a questão não é se aquelas raparigas específicas estão ou não encantadas por aparecer naquele clip, se lhes pagaram bem ou não e se foi ou não o máximo encostarem-se ao snoopy doggy dog (não, não creio que venham daqui a cinco anos armarem-se em linda lovelace e dizer que fizeram aquilo sob ameaça, entre violações e mais não sei que bestialidades).

como não é a questão fazer comparações do género: ah, se for uma gaja a cantar rodeada de gajos despidos a abanar o rabo já está tudo bem. É que se for assim é uma caricatura: é como fazer um clip em que um negro faz de senhor de sul na sua fazenda enquanto os brancos colhem algodão, vivem em barracas e são chicoteados. nada a fazer: é assim que funciona.

a questão é como as coisas se lêem. o objectivo que servem. a questão é (nem acredito que te estou a dizer isto) a da mensagem.

e a mensagem é de submissão. é insultuosa. é degradante -- degrada, percebes? e não tem graça nem humor nem segundos sentidos -- é só aquilo que ali está.

e a irritação de que falava é exactamente a suscitada por esse tipo de olhar: o que diz, qual é o problema? o que diz: já avançámos tanto que isto já não é discriminatório nem ofensivo, como não o são aquelas piadas que passam nas tvs portuguesas sobre os homens que dão enxertos nas mulheres, porque é uma caricatura do machismo e tem imensa graça porque até já nem há discriminação das mulheres, nem mulheres espancadas, nem ninguém que ache isso normal.

podemos portanto ouvir rappers e hip hoppers a debitar rimas sobre enxertos de porrada em bitchs enquanto as bitchs sorriem dengosas à volta, tipo nós gostamos é disto, que é só rir.

e depois dizes: o sudão e mais não sei quê é diferente. porque, joão, é outro mundo, não é? lá é que há discriminação e submissão e porrada e portanto só lá é que as feministas irritadas fazem falta, para se interporem entre a multidão de pedra na mão e uma desgraçada qualquer que engravidou fora do casamento. aqui já não temos motivo nenhum para nos irritarmos. já está tudo resolvido. deviamos fazer como a zita seabra sugeria à rebecca gomperts, da women on waves, e velejar para outras paragens, onde possamos ser lapidadas, queimadas, esquartejadas. isso sim, é que era.

agora andarmos para aqui a irritar-nos com coisas parvas, quando tá tudo resolvido?

tudinho. até já trabalhamos fora e podemos usar o nosso dinheirinho e viver sós e guiar carros e sair do país sem autorização. temos máquinas de lavar roupa e loiça e aspiradores e batedeiras eléctricas para nos aliviarem no nosso trabalho doméstico e infantários onde deixar as crianças. e os gajos ajudam em casa, são tão queridos (há uns que até cozinham e tudo). e temos cada vez mais poder, dizes tu. o poder de nos despirmos em clips, por exemplo. já outros poderes levam um bocadito mais de tempo, mas que diabo. queremos o quê? tudo de uma vez? (isto até foi rápido, disse-me no outro dia outro joão, a propósito. ainda nos anos 60 a lei dizia que as mulheres eram inferiores e deviam estar submetidas ao poder dos homens, e olha para nós agora, quarenta anos depois).

em vez de me irritar, eu devia estar é grata. devo ser maluca.

vê lá tu que as raparigas casadoiras já querem outra vez ficar com o nome dos maridos. até acham graça. (graça mesmo é a conversa que tive esta semana com um meu primo, um rapaz de 44 anos que estava surpreso por uma moça lá dos conhecimentos dele não ter querido ficar com o nome do marido e mais surpreso ainda ficou ao saber que a lei permite nisso a reciprocidade. para quê, perguntava a cara de parvo dele. onde é que já se viu, um marido com o nome da mulher?)

sim, joão, tens toda a razão. tá tudo bem por aqui. o único problema são as gajas como eu, azedas e irritadiças. vai-se a ver e falta-me alguma coisa. talvez uma viagenzita ao mundo maravilhoso da terra do nunca.

f.
|| asl, 15:22 || link || (0) comments |

sábado, junho 4

Bastardos, filhos da puta e tal

"Há aí uns bastardos na comunicação social [do continente]. E digo bastardos para não lhes chamar filhos da puta", disse o rei da Madeira, Jardim.

O Sindicato dos Jornalistas já reagiu, pedindo a intervenção do sr. Presidente da República. "Ah sim, ele chamou-lhes isso? Eh pá, que chatice...o melhor é ver caso a caso..."
|| JPH, 19:27 || link || (0) comments |

JPH

O João Pedro faz hoje anos. Trinta e cinco, praí. Está muito bem conservado. Parece que recebe hoje, lá em casa, elementos de outros blogues. Não sei se proteste.
|| asl, 19:13 || link || (2) comments |

sexta-feira, junho 3

Forte recomendação

Não posso, em bom rigor, garantir que seja dele. Mas parece-me que é. E por isso que se lixe: o Bandeira, em minha modesta opinião um dos três melhores cartoonistas deste país (os outros são o Luís "Bartoon" Afonso e o António, do Expresso), fez um blogue. Chama-se Bandeira ao Vento (bandeiraaovento.blogspot.com) e é bom comó camandro. Não costumo recomendar blogues de autores que não conheço mas desta vez abro uma excepção. Porquê? Porque sim - que é de todas a melhor razão.
|| JPH, 21:10 || link || (0) comments |

Informações de paradeiro

A meia idade não é um gajo começar a preocupar-se com coisas sérias, como o Tratado da Constituição Europeia ou a influência da China do têxtil português. Não: a meia idade é um gajo querer desesperadamente saber se já está à venda em Portugal a "Las Vegas Centennial Collection" (*) e não conseguir. Isso sim é grave, para um tipo de meia idade como um que eu conheço, assim a dar para o pançudo, meio acarecado, barba cada vez mais próxima do grisalho.

(*) - Trata-se de uma caixa com nove CD's comemorativos dos cem anos da fundação de Las Vegas. Sinatra, Dean Martin, Bobby Darin, coisas assim. Informações de paradeiro para o mail ali no canto superior esquerdo.
|| JPH, 19:24 || link || (0) comments |

é mesmo sério

a loja grande da fashion clinic, junto ao marquês (de pombal, ao cimo da avenida da liberdade, em Lisboa, para quem é de fora ou não é de futilidades) fechou.

pumba. catrapim. zás pás.

é oficial: há mesmo crise. e afecta sobretudo as pessoas de bom gosto (sim, porque as penduriquices e as douradices escada e os monogramas louis vuitton e aqueles casacos azuis escuros de homem com botões dourados mais os sapatos afiambrados com berloques parecem somar e seguir) e que contam os tostões para arrematar umas xanatas miu-miu.

isto é tão triste que nem me consigo irritar. não haverá para aí um cientista que queira fazer um estudo sobre a influência da miuccia no bem estar dos portugueses? prometo que controlo a asl (é fácil, ofereçam-lhe umas xanatas giras -- no fundo no fundo e sobretudo à superfície, somos umas vendidas)



f.
|| asl, 15:14 || link || (0) comments |

brigada, brigada

prontoS. Agora só faltas tu, nuno. Vá lá, diz qualquer coisinha.


f.
|| asl, 15:10 || link || (0) comments |

Watergate

A mais gloriosa história do jornalismo do século XX remete-nos para algumas verdades essenciais que aqui, na nossa mesquinha paróquia, passamos o tempo a esquecer.

Por exemplo, que o que interessa sempre, o que interessa mais do que tudo, não é discutir o recurso (ou não) a fontes confidenciais. É, antes do mais, discutir se as histórias que se contam são ou não verdadeiras. Isso sim é que conta: relatar histórias verdadeiras. Se as fontes são confidenciais ou não é secundário, o que interessa é se contam a verdade.

Tudo o mais - discussões e mais discussões sobre o uso (ou não) de fontes anónimas - surge apenas com um instrumento de algo sinistro: impedir que se faça jornalismo a sério, jornalismo não oficioso, jornalismo que ultrapassa o poder de quem prefere que não se faça jornalismo.
|| JPH, 14:10 || link || (0) comments |

quinta-feira, junho 2

E mais uma

E aquela história da oxitocina aumentar a autoconfiança, a malta também já tinha percebido. Mas sem o spray, claro.
|| asl, 20:46 || link || (0) comments |

Os cientistas II

Aqui há uns tempos, a Central de Cervejas convidou mulheres para um "evento exclusivamente feminino", onde se podia ir e levar "uma amiga". No convite, "féminine-chic", explicava-se que o consumo de cerveja previne o cancro da mama e a osteoporose (entre outras doenças femininas) e que, no dito evento, o nexo de causalidade científica iria ser explicado por uma cientista, cujo nome infelizmente não fixei. Embora seja uma consumidora desse novo e importante medicamento (e o saber popular sempre tenha dito que beber cerveja faz bem ao "leite"), a coisa fez-me confusão. Ou, como diria, F., irritou-me.
|| asl, 20:26 || link || (0) comments |

Os cientistas

Este é um país de corruptos, com a gloriosa excepção dos cientistas. Os jornalistas são uns vendidos, os políticos uns inúteis, os professores incapazes, os comerciantes uns ladrões, e por aí fora. O senhor doutor juíz também já não é o que era. Nem o médico, que também já se tornou, episodicamente, uma besta. Sobra o cientista, o estudioso, o investigador - uma santíssima trindade de actualizados áugures que escapa ao ódio da multidão. Recentemente, um cientista descobriu uma coisa providencial e inesperada: fazia bem aos miúdos sujarem-se. Esta descoberta da ciência - autêntica pedrada no charco que vem revolucionar toda a educação infantil - está publicitada em todas as paragens de autocarro, ao lado de uma embalagem de Skip. A investigação deve ter demorado imenso. (os espaços ao ar livre tinham sido fechados e as crianças impedidas de lá entrar porque a ideia instalada era exactamente a oposta)
|| asl, 20:06 || link || (0) comments |

alô? há mais vida neste blog?

f.
|| asl, 14:45 || link || (0) comments |

correcção

hoje acordei com a tsf (bom, na verdade tendo a acordar com a tsf. felizmente mudaram aquela música choque eléctrico dos noticiários) a contar a história das operárias têxteis que se prostituem para arredondar o salário. de dia na fábrica, à noite na estrada ou na rua ou no vão de escada ou, diz um senhor do sindicato, 'numas casas que há'.

grande parte da notícia era sobre se os maridos sabiam e colaboravam ou não. uns sabem, outros não, foi a conclusão. parece que há uns que estão desempregados e ficam no café ou na tasca da terra a jogar às cartas o dia inteiro e a emborcar bujecas e não dão por nada (só darão por ter dinheiro, milagrosamente, para pagar as ditas, mas o que é que isso interessa. Taditos, estão a beber para esquecer ou mesmo para não tomarem conhecimento de terem uma mulher puta. e com um bocado de sorte, quando chegarem a casa, ainda lhe acertam um enxerto por os fazer passar tamanha vergonha). parece que há outros que levam as mulheres ao local de engate e depois vão buscá-las. não mencionaram o caso de um ou outro que ficasse nas redondezas, para o que desse e viesse.

também não falaram de nenhum marido a quem tivesse ocorrido dar também o corpo ao manifesto.

dizia o jornalista, a introduzir a peça: há no vale do ave operárias têxteis que trabalham de dia e se prostituem à noite. interessante escolha de palavras. portanto à noite não estão a trabalhar. estão a quê?

é por estas e outras que o politicamente correcto introduziu a expressão trabalhadores do sexo. e é por estas e por outras que o politicamente correcto faz tanta falta. é por estas e por outras que é tão enervante ouvir as pessoas falar do politicamente correcto como se fosse um critério de correcção partidária, ou lá o que é que pensam que é.

é por isto tudo que às vezes só me apetece passar à luta armada (sim, sim, estou outra vez irritada, e sim, sei que isso faz mal à saúde, prejudica a pele e de um modo geral me faz uma pessoa menos agradável. not looking to be loved, though. not by everybody, at least)

f.
|| asl, 14:24 || link || (0) comments |

quarta-feira, junho 1

irritem-se, porra

hoje estava no ginásio a suar 30 minutos num daqueles aparelhómetros e a olhar para os écrãs das tvs (para quem não sabe, nós os dos ginásios suamos a ver tv) quando na sic notícias passava uma entrevista a uma palestiniana a quem a família quis castigar por ter tido sexo antes do casamento queimando-a viva.

regaram-na com gasolina e chegaram-lhe um fósforo, para 'lavar' a 'honra'. chama-se a isso, como muitos de nós já sabem, um crime de honra, e são aos pontapés, nos países chamados islâmicos (e não só). a rapariga, então com 17 anos, não morreu, apesar de ter ficado num estado lastimoso (a crer no aspecto dos braços, a única parte de pele que lhe vimos -- o resto, incluindo a cara, estava coberto com um manto negro) e foi levada para fora da palestina por uma organização que se dedica a lutar contra estas barbaridades.

no écrã ao lado, passava na mtv um vídeo hip hop, com um rapaz a gesticular e um ramalhete de moças semi despidas a bambolear-se. não reparei na banda, mas vídeos com rapazes a gesticular rimas que incluem invariavelmente bitch e raparigas semi-despidas a bambolear-se à volta deles como se fossem deus renascido é mato na mtv. e noutros sítios.

não tenho nada como raparigas semi ou mesmo despidas. mas vê-las usadas como adereços em clips é coisa que me irrita solenemente. e irrita-me tanto mais quanto ninguém parece sequer reparar nisso, quanto mais irritar-se. para não falar do que me irrita que as próprias não se irritem com isso. enfim, eu irrito-me muito (mas isso toda a gente já deve ter percebido).

haverá quem, perante isto, diga que há coisas que nunca mudam. e que o nível de objectificação e de desrespeito pelas mulheres é uma espécie de inevitabilidade e que nos devemos dar por muito satisfeitas por já não sermos queimadas vivas por dá cá aquela palha e podermos abanar o rabo em vídeos sem vir atrás de nós um mano ou pai torquemada qualquer de tocha na mão.

eu acho que não. acho que temos andado distraídas e que temos tendência para facilitar e perdoar e contemporizar.

acho que temos andado com medo de ser ridículas. medo de que nos achem ridículas e nos chamem histéricas e obsessivas e obcecadas e obstinadas e nos digam que o nosso mal é não sei o quê.

o nosso mal é esse, precisamente: não sabermos qual é o nosso mal.

sou suspeita, bem sei, mas para mim o nosso mal é não nos irritarmos mais.

f.
|| asl, 20:59 || link || (6) comments |