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sexta-feira, junho 10

Plínio e Gabo

De Plinio Apuleyo Mendoza li uma entrevista no DNA. Já lá vão uns anos desde que "descobri" o embaixador colombiano em Lisboa no suplemento do DN.
“Reencontrei-o”, há semanas, noite dentro, numa divertida entrevista a Ana Sousa Dias, na 2:.

Há dias que “passo” o serão com ele, acompanhado pela música de Mozart, de David Silvian ou de Chet baker.
O livro comprei-o na Feira do Livro de Lisboa, chama-se “O Aroma de Goiaba” (Ed. D. Quixote) e é uma longa conversa (em bom rigor não se lhe pode chamar entrevista a este diálogo entre amigos…) de Plinio com Gabriel Garcia Marquez, criador de “Cem anos de solidão“.
É um livro que data de 1982. Tem 23 anos, portanto. São pouco mais de 200 páginas que se lêem de um fôlego. É assim...
Na Europa, baptizaram a obra de Gabo - em especial “Cem anos de Solidão” - de realismo mágico. [A propósito há quem estabeleça a ligação de Marquez a outro escritor da América Latina, o mexicano Juan Rulfo, que tem dois excepcionais livros editados em Portugal – “A Planície em chamas” e “Pedro Páramo”, da editora Cavalo de Ferro)].
Não resisto a transcrever (espero que a D. Quixote não me processe…) uma parte da resposta de Gabriel Garcia Marquez a Plinio no capítulo dedicado ao “Ofício”. Para resgatar a magia que é ler “Cem anos de Solidão”:
“A vida na América Latina demonstra-nos que a realidade está cheia de coisas extraordinárias. A este respeito, costumo citar sempre o explorador norte-americano F. W. Up the Graf, que nos finais do século passado fez uma viagem incrível pelo mundo amazónico, em que viu, entre outras coisas, um regato de água a ferver e um lugar onde a voz humana provocava aguaceiros torrenciais. Em Comodoro Rivadavia, no extremo sul da Argentina, ventos do pólo levaram pelos ares um circo inteiro. No dia seguinte, os pescadores apanharam nas suas redes cadáveres de leões e de girafas.”
|| Nuno Simas, 00:16

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