Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

sexta-feira, março 30

o tempo das nêsperas

das janelas do meu quarto andar aos jardins suspensos do outro lado da rua, seis, sete metros, talvez dez (não sou boa nisto das distâncias). são grandes, estes jardins que ninguém vê, ocultos nos muros altos. são grandes as árvores que os sustêm, as raízes longas a segurar a terra da encosta.

há uma nespereira, agora plena de nêsperas. nêsperas que vejo despontar e engordar e mirrar, do outro lado dos seis, sete ou dez metros da rua. todos os anos assim. ninguém daquele prédio colhe aquelas nêsperas. ninguém usa aquele jardim enorme com vista para o tejo, onde em tempos houve uma figueira (abatida) e um freixo (abatido).

penso às vezes em coisas de criança: uma tábua suficientemente longa para fazer a travessia e resgatar a nespereira do seu olvido. fazer como há mil anos, com os meus primos, um festim de nêsperas, as tshirts manchadas para o lixo (nódoa de nêspera não sai, não sai mesmo), o pó dos troncos e das folhas numa penugem verde que faz espirrar. gelados de nêspera e noz em delírios culinários. tartes de nêspera da avó.

esse travo no doce que as nêsperas do supermercado não têm, nunca têm. e todo o resto que já não há.
|| f., 12:04 || link || (31) comments |

Guarda de honra em São Bento

O Palácio de São Bento tem guarda permanente à porta – são dois soldados da GNR, com farda de gala.
Estão em sentido.
De x em x minutos, deixam a guarita, “marcham”, por assim dizer, e encontram-se a meio caminho num dos degraus cimeiros da entrada do palácio.
Faz parte dos rituais.
Ficam frente-a-frente e falam, baixinho, quase entredentes.
Tenho para mim que eles só fazem isto para comentarem o que se passou desde a última vez que estiveram frente-a-frente.

Já estou a imaginar o diálogo:
- Eh pá, ‘tá frio.
- Não sinto os pés…
- De quem é este carro aqui?
- Ah, deve ser do presidente do Parlamento turco.
- Turco? Mas o gajo não tem nada cara de árabe…
- Olha, olha!
- O quê?
- Olha ali aquela miúda…
- Ui, ui.
|| Nuno Simas, 00:09 || link || (0) comments |

quinta-feira, março 29

Seguro

Muito eu gostava de saber o que conta para a reforma do Parlamento o facto de se poder fumar ou não no edifício? Nada, claro. Estes modismos higienistas de raiz fascista só servem para introduzir ruído no debate que verdadeiramente interessa, o da reforma da actividade parlamentar. Chego a pensar que se calhar é de propósito.
|| JPH, 17:14 || link || (0) comments |

A NÃO PERDER


Depois de amanhã, sábado, dia 31, no Maxime. Trata-se, como decerto repararam, de um concerto dos Ena Pá 2000 (what else?).
|| JPH, 14:50 || link || (0) comments |

Paul Bowles e Portugal



Paul Bowles é um dos meus escritores preferidos.
Fui a Marrocos por culpa dele.
Andei dias e dias a pé no Atlas marroquino e a culpa também foi dele.
O CCB organizou um ciclo dedicado ao autor, em Lisboa.

Bowles era escritor e compositor e inspirou outros.
Alguns dos seus contos são absolutamente fascinantes. As histórias são encantatórias, como são, por vezes, os efeitos do “kif”.
Paul Bowles morreu em 1999, em Tânger.

Ao longo da vida, ele que foi um viajante empedernido, também passou por Portugal – Lisboa, Funchal. E viveu dois meses numa pensão, na Costa da Caparica, em 1958.
Da Costa da Caparica, Paul Bowles, e o pintor Maurice Grosser, viajaram até ao Algarve e alugaram uma casa em Albufeira.
Anos depois, Bowles descrevia Albufeira como uma pacata aldeia de pescadores!
|| Nuno Simas, 11:53 || link || (1) comments |

era o século xxi, por obséquio

uma pessoa dá por ela e parece que está nos anos 40. ou assim. um dia é o salazar, no outro a irmã lúcia. qualquer dia ligo a tv e não só é a preto e branco como aparece o américo thomaz naquelas tiradas impagáveis, tipo 'hoje é o primeiro dia em que aqui estou desde o último em que cá estive' (e sim, obrigada, escusam de mandar mails a corrigir-me, bem sei que nos anos 40 não havia tv).

enfim. então parece que a rtp esteve ontem o dia todo a fazer directos inflamados de fátima, celebrando o centenário da dona lúcia dos santos, mais conhecida por irmã. não, não posso dizer que isso me surpreenda. aqueles equipamentos da televisão do estado escorrem benzeduras, nem devem conseguir sintonizar mais nada. qualquer dia é só directos do céu, inferno e purgatório, tipo big brother canónico. surpreendente surpreendente é que esta santa mulher, que tanto fez pela imagem de portugal no mundo e no além, não estivesse sequer representada nos 10 grandes portugueses. isso sim, parece impossível. tivesse sido homem e papa ou assim, zuca com ela na lista. mas mulher, nem o facto comprovado e atestado e sei lá mais o quê cientificamente (extremamente, até) de ter passado a vida a falar com toda a sagrada família, deus, anjos e quejandos, lhe serviu para ser distinguida por voto portátil.

ai, povo ingrato.

depois, claro, aparecem uns, com remorsos, a deitar a culpa para os jornalistas. que parece até que há jornalistas que tentam dar a entender, imagine-se, que as histórias das visões e aparições da dona lúcia eram 'marteladas'. mas, por favor, quem é que, sabendo a verdade com v grande, a verdade celeste, liga ao que jornalistas ateus, incréus, acham ou escrevem? quem é que vai agora acreditar que fátima é uma mistificação, quando há volumes e volumes de estudos rigorosos sobre o fenómeno, e a testemunha principal -- na verdade a única, já que os primos coitados se finaram precipitadamente -- nunca desdisse uma letra, uma frase, uma impressão ao longo de 87 anos de vida?

por favor. tenham dó.

e agora, se fosse possível, gostava de poder voltar ao século xxi. se não for muita maçada e não acarretar um milagre, claro.
|| f., 01:23 || link || (0) comments |

terça-feira, março 27

correio de salazar

de vez em quando, há quem proteste por este blogue não ter caixa de comentários. mas tem. só que com uma moderação um pouco mais distendida que o costume. chama-se mail. de vez em quando, esses comentários vêm para o blogue. acontece muito com os da maloud. ou maria de lurdes. aqui vai mais um. obrigada.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------E segundo li o Salazar ganhava entre os de mais de 60 anos do interior
Norte. Aqueles que viviam pior que os porcos nas pocilgas e trabalhavam de sol a sol por uma "malga" de caldo. As férias em Setembro na quinta no Douro deram para ver isto tudo e mais alguma coisa. Deram para ver o Alexandre
da minha idade descalço, roto e ranhoso que não podia transpor os portões dos jardins onde os "meninos" brincavam. Deram para ver, à sorrelfa dos papás, o tugúrio onde em chão de terra coabitavam os Fredericos, mais o rancho de
onze filhos, mais as cabras e as ovelhas. Deram para ver rapazes de dez anos incorporados em "rogas", para as vindimas. Hoje o Alexandre e os irmãos do Alexandre, mais a filharada dos Fredericos de telemóvel na mão agradecem
ao Salazar esse passado glorioso.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
|| f., 23:42 || link || (0) comments |

Striptease

Aqui
|| JPH, 18:55 || link || (0) comments |

todos os homens

sobre o último roth, everyman, que, parece, vai ser lançado agora em português, e coisas que valem a pena, ler rogério casanova.

sobre coisas que valem muito pouco a pena (se é que pena dão): joão , escrevi o post a que se refere antes de saber, por si, que tinha votado no salazar. dir-me-á que era coisa para se adivinhar, mas, que quer, não me lembrei de me lembrar de si a votar no salazar num programa de tv. mas não tendo escrito o post a pensar em si, joão, poderia perfeitamente dedicar-lho. como diria o roth, dead dead serious.
|| f., 14:08 || link || (0) comments |

diz que é uma espécie de palermice

o nuno não quer postar sobre isto. eu por acaso até quero. é que, perdoem-me, está-se a falar de um concurso de tv, de uma espécie de big brother de figuras históricas, como se fosse uma espécie de referendo. ganhou salazar? ai sim? com quantos votos? e de quem?

é que, sabem, não conheço ninguém que tenha votado neste concurso. e ninguém que eu conheço votaria em salazar, a não ser como blague -- que até rima com blogue e tem o mesmo carácter lúdico.

ganhou salazar e cunhal ficou em segundo. ora que bem. muito bem um para o outro, muito bem para quem votou neles. se isto quisesse dizer alguma coisa, o pnr era o partido mais votado em portugal e o pcp vinha logo atrás. maravilha, hã? isso é que era. uma animação. aliás, faz lembrar o tempo, há uns cinquenta e tal anos, em que só havia isso: os do salazar e os cunhal. pelos vistos, para algumas gentes, deixou saudades. comia-se mal, vestia-se mal, habitava-se mal, falava-se pouco, amochava-se muito. havia os senhores e os criados, e muita criada de servir por aí afora. havia gente a viver em casas sem electricidade nem água nem casa de banho que era um primor. não havia a casa pia, pois não: havia os ballet roses. não havia ladrões? havia, sim. não havia era notícias sobre ladrões nem a tvi. não havia homicídios? ora se não havia. até havia homicídios políticos, que é muito mais fino. os funcionários públicos tinham de jurar coisas estranhas e andar na linha como não se sonha -- ai de quem dissesse mal do governo, quanto mais ir para a rua protestar. havia músicas proibidas, filmes proibidos, e chegou mesmo a ser proibido usar isqueiro.

e havia a guerra, onde os rapazes se faziam homens e se faziam em fanicos. era muito triste, aquela coisa das despedidas no cais com as mulheres de negro a chorar e o barco a dizer adeus. mas já não nos lembramos bem. era muito triste, aquela coisa de não se ter sido capaz de negociar uma saída digna das colónias, enquanto era tempo. mas melhor, muitomelhor, mandar as culpas para os que vieram depois. era muito triste, aquela coisa de termos o mundo todo, até o bom velho vaticano, a torcer-nos o nariz por não sabermos descolonizar como pessoas civilizadas. chato, haver missionários a denunciar massacres feitos por portugueses. mas ninguém é perfeito, não é?

e é tão giro, votar no salazar. é assim uma espécie de voto de protesto. é dizer que não gostamos disto. do regime que temos -- que só depende de nós e dos nossos votos, que chatice. do país que temos -- que só depende de nós e do que fizermos com ele, que chatice. é dizer que não gostamos de nós, que temos o regime e o país que queremos e fazemos.

muito, muito melhor ter alguém a quem culpar. um gajo de costas largas, de cara séria, que conte os tostões e coma a galinhas e os legumes da horta da tia maria, autoritário, sim, mas sééério. mandando matar quem lhe faz frente sim, mas sééério. manipulando eleições sim, mas sééério. mandando prender quem discorda dele sim, mas sééério. arruinando e atrasando talvez irremediavelmente o país sim, mas séééério. perseguindo até ao fim heróis como aristides sousa mendes sim, mas sééério.

não. ao contrário do que se diz, esta é a melhor prova de maturidade de uma democracia. o ditador de há quarenta anos foi a votos de telemóvel e ganhou. em 159.245 votos, teve 41%. façam as contas: 70 mil votos, mais coisa menos coisa? cunhal teve 19%. alguém duvida que há em portugal mais comunistas encartados que gente de extrema direita? pois bem, nem os comunistas, que levam tudo, a começar pelos seus mitos, tão a sério, levaram este concurso a sério.

o "perigo" de salazar ganhar foi agitado desde o início. e que fizeram os portugueses? meus caros amigos, os portugueses estiveram-se nas tintas. é o que salazar vale para a maioria: um encolher de ombros. levem lá a bicicleta. ou será que é uma cadeira desconjuntada?
|| f., 00:12 || link || (0) comments |

segunda-feira, março 26

O post que não vou escrever

Era para escrever um post intitulado "Viva a PIDE" para ilustrar a vitória, nos Grandes Portugueses, da RTP, do "Botas", esse cangalho de Santa Comba Dão de má memória, que dizia que os agentes da PIDE só davam uns "safanões a tempo" aos opositores quando afinal eram actos de pura e simples tortura.
Que se arrepiava quando ouvia falar em democracia.
Que obrigou uma geração inteira a "guerrear" por uma África que nunca foi "nossa".
Um rapaz de vistas largas, portanto, que não compreendeu o tempo em que vivia e continuava a achar que estava no século XV com um pretenso império, do Minho até Timor, como se estivesse a jogar ao Risco.
(A arenga anti-salazarista continuaria no mesmo tom por páginas e mais páginas)
Que qualidades vêem os portugueses neste homem é que eu não sei!
(Mas não.
Não vou escrever).
Os portugueses não têm emenda - viveram quase 50 anos uma ditadura inspirada nessa alminha pequena de Santa Comba e ainda "votam" nele numa pseudo-sondagem.
Mas, enfim, não vale muito a pena gastar cera com o morto.
Até porque não quero postar sobre o assunto.
|| Nuno Simas, 14:24 || link || (0) comments |

sábado, março 24

É feio, senhor Presidente!

Cavaco Silva bem pode dizer quais os critérios, mas não vai conseguir explicar porque raio excluiu o principal rosto da adesão de Portugal à CEE – Mário Soares – do debate de segunda-feira no Palácio de Belém, para assinalar os 50 anos do Tratado de Roma.

Convida ex-ministros dos Negócios Estrangeiros e não convida os ex-primeiros-ministros?
Não podem ser critérios mesquinhos – por ser uma espécie de inimigo íntimo de Soares nos últimos 20 anos.
Não pode ser por ter derrotado Mário Soares nas últimas eleições presidenciais.
Não pode ser por inexperiência política – Cavaco é um profissional, por mais que diga que não.
Não pode ser por distracção.
Não pode ser por não querer convidar Santana Lopes (outro ex-primeiro-ministro), para Belém.

Diz o Presidente que o objectivo é “homenagear os funcionários executivos que criaram condições para uma boa adesão e o bom desempenho que se seguiu”.

Há uma coisa que Cavaco Silva esquece: não foram os “funcionários executivos” que puseram Portugal na CEE.
Foram os políticos, e começaram a fazê-lo logo em 1974 e 1975.
Foram políticos como Mário Soares, entre outros, claro, a quem devemos, para bem e para o mal, a Democracia tal como a conhecemos e (felizmente) a vivemos.
Por isso, É FEIO Mário Soares ficar de fora.
Porque não há argumentos válidos para Mário Soares ficar de fora a nnão ser um ou outro mais ou menos burocrático.
Disse.
|| Nuno Simas, 22:23 || link || (0) comments |

sexta-feira, março 23

A política de camisa aberta

É um novo fenómeno: a análise política das camisas dos políticos.
Abertas, se possível.
Paulo Portas está de regresso à vida partidária activa (será que alguma vez saiu?) e deu uma conferência de imprensa casual (no domingo daquele conselho nacional estupendo dos alegados empurrões à dra. Nogueira Pinto) e apareceu de camisa aberta em frente às câmaras de TV.
(Anota-se que Paulo Portas, neste seu novo look, de líder-candidato fã da lavoura a candidato a líder de perfil mais urbano não usa cordão de ouro ao pescoço!)
Jorge Coelho, no programa Quadratura do Círculo, comentou a questão de Portas aparecer assim, desgargalado, e assim, sendo ele um candidato a líder da direita.
Numa “entrevista dura” na revista Sábado, Ribeiro e Castro responde e diz que também usa camisas abertas como Portas.
Enfim, a política no CDS-PP também assim… desgargalada… de políticos de peito aberto… tudo às escancaras… inclusivamente as partes podres do partido!
|| Nuno Simas, 11:28 || link || (0) comments |

Salazar? Afinal gostavam, é?

A Marktest fez o seu “Melhor Português de Sempre”, com uma sondagem.
O resultado está aqui.
O resultado é, de todo, patriótico.
O melhor português é mesmo D. Afonso Henriques, o fundador da Pátria e deste triste Fado português (… e ora aqui entra um bocadinho de pessimismo chique).
Em país de poetas, Camões e Fernando Pessoa estão em segundo e terceiro lugar.
E Salazar? E Cunhal? Os dois vates que supostamente voltam a digladiar-se (pelo menos os seus fantasmas) estão cá para baixo na lista.
Mas Salazar tem um resultado fantástico: para os inquiridos mais velhos (65 e mais anos) o melhor português de sempre é Salazar.
Os portugueses levaram com quase cinco décadas de ditadura, com a PIDE, analfabestismo, uma guerra colonial estúpida, sem liberdade nem democracia, mas, mesmo assim, gostaram?
Assusta-me que prevaleça assim a opinião-“taxista” (essa entidade, colectiva).
Desses seres rabugentos que andam aí ruas fora em Lisboa a pedir um Salazar em cada esquina…
|| Nuno Simas, 10:58 || link || (2) comments |

não olhem agora, mas que tá tudo maluco, tá

hoje de manhã, a passear pela net, dei conta de que alguém tinha enfiado o meu nome na wikipédia. sendo a wikipédia a wikipédia, e portanto podendo qualquer pessoa acrescentar e retirar coisas -- conteúdos, como se diz -- a seu bel-prazer das respectivas páginas, zás. apaguei-me.

noutro passeio pela net, mais tardio, constatei que houve quem desse pelo desaparecimento. e quem apelasse, desde logo, à cópia da versão ainda 'em cache', para 'haver provas'.

sim, claro. provas. evidências. óóóóóóó sim. fundamental. para provar a cooooonspiração. a grande coooonspiração que para aí anda. uuuuuuui que medo.

eu sei que não sei quem são estas pessoas, e que elas sabem que eu não sei -- nem me interessa -- quem são, mas não seria mais avisado voltarem lá para donde vieram, aquele sítio com as pessoas com batas brancas, muitos comprimidos e o ocasional choque eléctrico? é que, acreditem, precisam mesmo de ajuda. muita ajuda. toda a ajuda que puderem arranjar.
|| f., 00:32 || link || (0) comments |

quinta-feira, março 22

Um privilégio

Ter um provedor dos leitores só para mim. De borla, ainda por cima.
|| JPH, 10:44 || link || (0) comments |

quarta-feira, março 21

Isenção pouco isenta

Nada menos isento do que a suposta isenção de afirmar que as culpas do triste estado do CDS-PP são repartidas igualmente entre as duas facções. Não são. Quem inventou o problema Directas versus Congresso foi Portas; quem avançou agora (e podia ter esperado pelo congresso ordinário de 2008) foi Portas; quem não tem entende que um requerimento com mil assinaturas tem evidente supremacia sobre deliberações do Conselho Nacional é Portas.
|| JPH, 12:53 || link || (0) comments |

terça-feira, março 20

femme fatale

ó, deus nosso senhor seja louvado. o jph até tem bom gosto musical, lá isso tem. tem sim senhor.

mas esquece muito a quem não sabe. querido jph, NÃO EXISTE UM ÁLBUM DOS VELVET CHAMADO BANANA. o que há é um álbum dos velvet com uma banana warholiana na capa.

desculpa, prontoS. mas eu levo à letra as letras da minha formação pop: 'she'll build you up/just to put you down/what a clown'
|| f., 19:54 || link || (0) comments |

Era rapaz para lhes dar uns beijos na boca

Ao pessoal da Radar, a única rádio de Lisboa - e se calhar do país todo - onde se ouve Velvet Underground & Nico tocando Run, Run, Run, do álbum Banana (se não me engano). No lodaçal das playlists a Radar é um oásis. É a única rádio onde ouvi o último álbum de Bob Dylan, Modern Times. As outras devem achar que o Dylan é só para intelectuais

(vejam-se, por exemplo, os amAricanos, uma cambada de intelectualóides da treta - piores que os franceses - que até foram capazes de pôr o velho Dylan em número um dos tops lá dos States com este álbum).
|| JPH, 12:14 || link || (0) comments |

segunda-feira, março 19

prova de vida

hoje, aqui.
|| f., 15:50 || link || (0) comments |

Confirma-se

O CDS-PP provou hoje a sua definitiva irrelevância no panorama político português.
|| JPH, 00:24 || link || (0) comments |

domingo, março 18

AVISO AOS LEITORES


1. Estamos vivos. Não parece, mas estamos. Já estivemos mais, é certo. Vejam as coisas assim: fomos ali dormir uma sestinha e já voltamos.

2. Mudamos o nosso mail. O Yahoo funciona bué mal. Doravante escrevam-nos para gfacil@gmail.com. Está lá em cima, é só clicar.

3. Beijinhos.
|| JPH, 15:29 || link || (0) comments |

terça-feira, março 13

Alguma imprensa

Percebo o anonimato deste blogue. É feito por jornalista(s). Tenta ser noticioso. Mas erra cada três em cada quatro. Assinando eu as minhas notícias, tive de fazer uma escolha: não dou tantas notícias como eles; mas também não me engano tanto. São escolhas, acho eu. Os pobres coitados que não têm mais nada do que fazer, fazem blogues anónimos.
|| JPH, 04:33 || link || (0) comments |

Saturação

A carrada de disparates que se têm escrito na blogosfera, nos últimos dias, sobre os media em Portugal fazem-em pensar se não é pura perda de tempo frequentar este meio.

Sobre o DN: tudo e mais alguma coisa, sustentado apenas em opiniões pré-fabricadas, sopradas ao sabor do vento que sopra, sem que ninguém se esforçe por tentar, minimamente que seja - dá trabalho... - apoiar-se em factos (o caso mais notório é o de um pequenito imbecil chamado Eduardo Cintra Torres, que assina no PÚBLICO).

Sobre a RTP: esquecendo, ou fazendo sempre por não querer lembrar, que sempre foi a televisão do Estado, assumida como tal, e que, obviamente, não pode ser outra coisa senão isso - sendo que hoje, agora, é, no cômputo geral (informação+programação) o melhor canal de televisão português generalista, a milhas de distância dos produtos nacionais da "privatização", aquelas excrecências chamadas SIC e TVI. Façam-me um santo favor: comparem-nas. Hoje.
|| JPH, 03:44 || link || (0) comments |

quarta-feira, março 7

deus, pátria, rtp

primeiro julguei que estava a ver mal, depois lembrei-me de que isto é perfeitamente normal: o cardeal patriarca de lisboa, nos seus paramentos, a benzer o monumento dos cinquenta anos da rtp, antes de o presidente da república avançar para o inaugurar.

e o presidente a subir para o palanque, imediatamente seguido pelo cardeal.

tem graça. julguei que esta coisa das cerimónias oficiais e do papel das confissões religiosas nas mesmas e no protocolo de estado tinha sido discutido no parlamento no ano passado e se chegara à conclusão de que era necessário respeitar a não confessionalidade do estado nas ditas cerimónias. mas foi engano, claro. tudo como dantes, quartel general em abrantes.
|| f., 20:27 || link || (0) comments |

"Twilight zone" em São Bento

A política portuguesa entrou numa "twilight zone" ali pelas bandas de São Bento.

CDS: Ribeiro e Castro avisa Sócrates que vai derrotá-lo depois de vencer Portas

Lisboa, 06 Mar (Lusa) - O presidente do CDS-PP, Ribeiro e Castro, afirmou hoje que avisou o primeiro-ministro, José Sócrates, que vai vencer a disputa interna com Paulo Portas para depois o derrotar nas eleições legislativas de 2009.
"Vou vencer este desafio [da disputa interna pela liderança do CDS-PP] para depois o derrotar a si em 2009. Disse isto ao primeiro-ministro", referiu Ribeiro e Castro aos jornalistas, em São Bento, após ter sido recebido por José Sócrates.
(retirado da Lusa)

Sem comentários nem pontos de exclamação.
'Inda que a vitória de Ribeiro e Castro sobre Portas tivesse o seu interesse...
|| Nuno Simas, 00:01 || link || (0) comments |

terça-feira, março 6

a transparência da morte

morreu jean baudrillard, aos 77 anos.

perguntei à minha volta e só uma das minhas colegas sabia de quem eu estava a falar.

quando andei na faculdade, ns anos oitenta, era impossível não conhecer baudrillard. lembro-me da excitação com que comprei o meu primeiro livro dele, o de la seduction, numa edição espanhola. lembro-me de como trocávamos os livros dele, de como enchiamos os trabalhos de baudrillard, à mistura com barthes e lipovetzky, o nosso outro filósofo 'de geração'.

de como há pouco tempo comprei um livro dele para o meu sobrinho mais velho -- a transparência do mal -- e de como ele, suspeito, não lhe pegou sequer, apesar de andar no mesmo curso que eu fiz (pelo menos é na mesma faculdade e tem vagamente a ver com jornalismo).
|| f., 19:33 || link || (0) comments |

Vingança perpétua

Em Santa Comba Dão recuperaram a casa do Salazar, fizeram-lhe um museu - e acho muito bem. A meia dúzia de quilómetros, em Cabanas de Viriato, a casa de Aristides de Sousa Mendes jaz morta e apodrece, uma vergonha para a memória do herói de Bordéus. A vingança nunca mais acaba.
|| JPH, 11:46 || link || (0) comments |

domingo, março 4

fenomenologia do vómito

ficámos ontem a saber, entre muitas outras coisas extraordinárias, que segundo uma pessoa que se apresenta como crítico de media -- e que é como tal apresentado no jornal onde escreve --, 'uma relação pessoal publicitada' nos media deveria ser confirmada ou desmentida. e que, não sendo uma coisa nem outra pelos únicos que detêm autoridade para o fazer -- aqueles que supostamente fazem parte da relação --, pode servir para que o mesmo alegado crítico dos media estabeleça teorias sobre o funcionamento de um determinado media onde trabalha uma das pessoas que são apresentadas nos media como integrando a tal relação, imputando à dita, porque 'nunca desmentida', um peso preponderante no dito funcionamento.

a isto, em tempos, chamou-se calúnia. agora parece que passa por crítica de media, e ainda por cima apresentada como paladina da liberdade, da justeza e do bem, do jornalismo 'a sério', livre e impoluto.

não há nada, parece, que uma boa teoria da conspiração não justifique. nada.

incluindo insinuações baseadas na vida privada de jornalistas, insinuações do tipo que se costuma encontrar em comentários anónimos na blogosfera e que vêem agora a luz do dia, num jornal classificado como 'de referência', numa coluna assinada.

estou, para o caso de não terem ainda percebido, a falar de eduardo cintra torres e do seu artigo de ontem (sábado) no público.
|| f., 18:42 || link || (0) comments |

maravilhas do mundo

várias coisas do sábado que agora terminou.

mas espantoso espantoso mesmo é quando o autor de um insulto que nos foi dirigido nos tenta convencer que não nos insultou, porque ao insultar-nos, na verdade, o seu objectivo era insultar outros.
|| f., 01:03 || link || (0) comments |

o decesso do esparadrapo

Dentro daquela lógica de dividir o mundo entre dois tipos de
pessoas, as palavras "difíceis" fazem um bom trabalho.
Infelizmente, nos dias que correm, e pelo menos no que a Portugal
respeita, a desproporção entre os grupos chegou ao ponto de um
deles estar em vias de extinção. Que é como quem diz decesso.

Sabia o caro leitor, antes de ler estas linhas, o que quer dizer decesso?
Calculo que não. É uma palavra quase banida do linguajar corrente,
apesar de ouvirmos as suas versões francesa e inglesa ('decés' e o
verbo 'to decease') todos os dias nos filmes. Decesso é a minha
'nova palavra', desde que a ouvi, há dias, num debate na RTP-N,
dita por um advogado. Foi com um entusiasmo infantil, de criança
que aprende a juntar as letras, que a repeti e partilhei com uma
série de amigos e colegas. Por acaso no mesmo dia em que constatei
que em dezenas de pessoas só três sabiam o que quer dizer
"esparadrapo" (pano com unguento, penso). A maioria retorquia a
pergunta: "Es-quê?". Um ou dois nem o significado de "unguento"
vislumbravam. O mesmo quanto a tergiversar (hesitar, fugir ao
tema), ou estultícia (estupidez). Ou quanto a uma palavra como
"transporte" também querer dizer êxtase ou entusiasmo.

Isto para concluir o quê? Que há um acervo (grande quantidade) de palavras
que nunca são usadas e de significados que se perderam.
Que o arroubo da língua e dos seus infinitos cambiantes gasta os seus
últimos prosélitos, cujo culto sincero se confunde cada vez mais com arrogância ou
barroquismo. Num país que se diz de poetas, as palavras morrem assim,
sem arauto nem enterro, no fundo de um baú onde já ninguém as procura.
Uma tragédia muda, portanto.

(texto publicado no contra os canhões, no dn de sexta-feira, republicado aqui como de costume -- e com especial dedicatória a quem fez o favor de o citar com tão cândida gentileza)
|| f., 00:55 || link || (0) comments |

sexta-feira, março 2

OPA

Quem gosta de acusar José Sócrates de desvios de direita devia olhar com atenção para as práticas governamentais, hoje, na OPA sobre a PT. O "Estado" saiu da sala no momento da votação e a CGD votou contra a desblindagem. Belmiro perdeu e foi, em parte, porque o Governo assim o decidiu.
|| JPH, 20:18 || link || (0) comments |

O Congresso da PT e o capitalismo espectáculo

Está a decorrer na ex-FIL o congresso da OPA da PT.
É ver os directos da SIC-Notícias…
… declarações dos protagonistas à entrada do Centro de Congressos, em Lisboa…
… palmas à chegada de Henrique Granadeiro, o líder da PT (é Portugal Telecom… não confundir…)
Isto sim, isto sim é capitalismo espectáculo!
|| Nuno Simas, 16:11 || link || (0) comments |

Democratas cristãos

Se alguém um dia escrever uma História da Sacanice Política Em Portugal não poderá deixar de dedicar um grosso capítulo ao CDS-PP.
|| JPH, 11:04 || link || (1) comments |

OPA, OPA, OPA...

... oh pá!

Hoje vai ser um dia entusiasmante para o capitalismo!
Há um congresso de accionistas da PT em Lisboa.
|| Nuno Simas, 10:40 || link || (0) comments |