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sexta-feira, fevereiro 3

A insuportável pregação do "bom-senso"

Este caso dos cartoons começa a tornar-se deveras irritante. Irritante - para mim - quando vejo alguns dos mais respeitáveis opinadores e políticos europeus - a começar no próprio governo dinamarquês e acabando, por exemplo, na Comissão Europeia - a ceder à insuportável pregação do bom-senso, admitindo que de facto há limites à liberdade criativa quando ela toca o Islão, etc, etc, etc.

Vamos lá a ver se a gente se entende: os muçulmanos têm, evidentemente, o direito todo de se indignarem com os referidos "cartoons". Só o problema não está na indignação. O problema está - como devia ser mais do que óbvio mas afinal parece que não é - na forma como essa indignação se manifesta.

É isto que se está a tornar cada vez mais dificil de explicar. Nos regimes islâmicos eles têm todo o direito se organizarem como quiserem. É para o lado que durmo melhor e aliás até já se percebeu que por lá - há excepções, claro - eles gostam de usar a democracia, quando a têm, para eleger fundamentalistas. É com eles.

Só que, por um feliz acaso do destino - Deus? - não sou um deles. Sou daqui e aqui é a Europa - o "Ocidente", se preferirem. Aqui o princípio democrático estrutura-se em várias coisas e uma delas, basilar, é o princípio da liberdade criativa. E podemos indignar-nos com tudo o que quisermos. Só que há limites às manifestações dessa indignação. E o limite são as leis. Não vale portanto assassinar realizadores de cinema (como aconteceu na Holanda), nem lançar penas de morte sobre escritores (Salman Rushdie) nem chantagear governos democráticos de países democráticos para que estes violem as próprias regras base da democracia (como está agora a acontecer na Dinamarca). Aqui, pelo menos, isso não vale. E, perante as chantagens islâmicas, surgirem vozes ocidentais com peso político pregando o "bom-senso" na tal liberdade criativa, representa, só por si, um condicionamento dessa liberdade. Por outras palavras: é fazer o jogo daqueles que querem transladar para aqui a sua maldita cultura ditatorial (que é, afinal de contas, uma cultura de morte).

Portanto, a solução para impedir a contaminação no Ocidente do pior da cultura radical islâmica não se faz por cedências ao "bom senso". Pelo contrário: tem é que se repetir à exaustão o gesto alegadamente criminoso, até que o fascismo islâmico perceba que quanto mais chantagear e mais ameaçar mais ofendido ficará.

Por mim, dou aqui o meu modesto contributo.



Chega? Ou querem mais?
|| JPH, 12:33

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