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quinta-feira, março 24

Mitos de esquerda e estórias com gente dentro

Catarina Eufémia, morta pela GNR em Baleizão, mártir e mito. É, sem dúvida, uma mártir na história oficial do PCP. Basta lembrar que, desde o 25 de Abril de 1974, todos os líderes do PCP vão a Baleizão, todos os anos, a 19 de Maio, para a homenagem nacional à sua mártir. A 19 de Maio de 1954, Catarina Eufémia, assalariada rural, analfabeta, foi morta a tiro pelo tenente Carrajola, da (então) odiada GNR [o "democrata" Salazar governava então o País]. Há um ano, o Expresso publicou uma extensa reportagem desmontando uma parte desse mito: a gravidez de Catarina. Agora, nos Estudos sobre o Comunismo é publicada conclusão de um trabalho de investigação de Natália Santos, com o título "Catarina Eufémia: (Des) Montagem de um Mito". Vale a pena ler e abre o apetite para os restantes capítulos. Sabendo-se, à partida, que o PCP não irá gostar nada. Percebe-se porquê lendo este breve excerto: "Embora Catarina Eufémia seja, afinal, mais um pretexto para fazer aproximar o comunismo das classes mais desfavorecidas, dirigindo-se em especial o PCP àquela de que a camponesa era oriunda, a verdade é que ela permite passar a imagem de um Alentejo fortemente comunizante ou comunista." O mito sobrevive, embora longe dos recordes de audiências. Uma busca no Google por "Catarina Eufémia" revela 656 resultados. Ainda a esquerda radical. Raimundo Narciso, dissidente comunista e um dos operacionais da ARA (Acção Revolucionária Armada, "braço-armado" do PCP nos inícios da década de 70), tem uma página na Internet. Não é uma fonte excepcional de informação nem tem inéditos, mas Raimundo Narciso publicou algumas fotografias dos "operacionais", um pormenor importante para "fixar" a história, com rostos. Na página há igualmente excertos do livro "ARA - Acção Revolucionária Armada. A História Secreta do Braço Armado do PCP". A ARA foi uma organização armada do PCP, mas que nunca visou pessoas nos seus atentados... [Um país, um partido de brandos costumes!?] O autor faz ainda um apelo a quem conheça histórias/estórias sobre a ARA para as enviar por e-mail. A visitar, de vez em quando.
|| Nuno Simas, 16:13

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