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segunda-feira, maio 23

Défice: de tanga em tanga...

Ficámos hoje, finalmente, a saber o valor do défice orçamental. O ministro Mário Lino já se descaiu, há dias no Parlamento: 7% é o número. Afinal, é 6,83%.
O défice, esse tema que reentrou para o debate político no ocaso do guterrismo, lá por 2000, quando se continuava a prometer mundos e fundos e as receitas não cresciam, vai "andar por aí" nos próximos dias. Semanas. Meses.
José Sócrates deve andar tentado a pedir emprestado o discurso da tanga ao actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que, enquanto governou o país, em conúbio* com o CDS de Paulo Portas, de 2002 a 2004, fez do combate ao défice a "mãe de todas as batalhas". Com a ajuda da ministra Manuela Ferreira Leite, que saiu de cena assim que viu entrar Pedro Santana Lopes em São Bento e previu que o homem queria era abrir os cordões aos cofres do Estado para ganhar as eleições.
O certo é que os anos passaram, os governos também e de um défice de cinco e tal por cento estamos agora em sete por cento. Os governos continuaram a bramar contra o défice, a dizer que combatê-lo é uma prioridade.
Comparando 2002, quando o Governo PSD/CDS se queixava do défice de Guterres, a 2005, quando o Governo Sócrates se queixa do défice da dupla Durão/Santana, o filme é o mesmo. Agora, como há três anos, há uma comissão independente para avaliar as contas. Durante a campanha, Sócrates prometeu confiança, atenção ao social - o PS diz-se um partido de esquerda. Agora, com tanto "buraco", José Sócrates parece condenado a um caminho: adiar promessas, sacrificar o seu "estado de graça" e tomar "medidas duras".
Mário Soares, o líder histórico do PS, que nos últimos dez anos retirou o socialismo da gaveta, onde o havia guardado nos anos 80, e andou agora a passeá-lo por alguns fora anti-globalização, já deu a receita: sacrificar promessas eleitorais, justificando esse sacrifício com a grave situação do País. Foi o que fez Durão.
A história repete-se! Será?

Post Scriptum: Isto de défice e de "buracos nas contas" já vem de longe. Para a história ficará aquela frase de Jorge Coelho, em 1995, que se queixou dos "buracos" nas contas que os Governos do professor Cavaco deixaram a António Guterres. Uma linguagem de "cavador e mineiro" de Jorge Coelho que Sousa Franco, ministro das contas de Guterres, não gostou de ouvir. Enfim, estórias.


* Ide, ide consultar o dicionário se ignorais o significado da palavra...
|| Nuno Simas, 17:41

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