Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

segunda-feira, maio 23

os incríveis hulks

(olha! de repente tenho acentos. como terá isto sucedido? foste tu, jph?)

acabei de passar outra vez no metro por aqueles rapazes (e raparigas) que distribuem papéis. de escolas de inglês, de explicações, do professor karamba ou mamadu ou catrapimba, de internet grátis, de restaurantes, de oportunidade de ganhar mil euros sem sair de casa, de emagrecer em três dias a banha do inverno, de encontrar o grande amor pagando apenas 25 euros. esses papéis.

é fascinante: está uma destas pessoas na entrada do metro e o resto do túnel é um mar de papéis. aqueles papelitos que a pessoa está a distribuir, e que os passantes arrebanham maquinais e despejam a seguir no chão. agarram neles, muito simpáticos, para não deixarem a pessoa ali de mão estendida, e zás, pumba, no chão, três passos à frente. a juntar aos bilhetes abandonados, ao jornal do metro, aos palitos dos dentes, às bandeletes, aos sapatos desirmanados, às peúgas (agora estou a exagerar, isso é na rua, no metro é mais papéis). uma instalação artística ao acaso, a testemunhar a incrível hulkice desta gente. acham o quê, que o metro, a rua, o mundo, é o seu caixote de lixo privativo? custa muito pôr as merdas naqueles recipientes que existem para, exactamente, pôr as merdas?

tenho uma ideia de reportagem. punha-se alguém a distribuir os papelitos. os papelitos diziam: não me deite para o chão. se me deitar para o chão é um ganda porco. e depois ia-se atrás das pessoas. a ver o que faziam. hulkavam ou não?

f.
|| asl, 17:40

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