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quarta-feira, outubro 19

Devaneio sobre um livro de Paul Auster *

Comprei o meu primeiro livro de 2006… A sério. Chama-se “The Brooklyn Follies”, é de Paul Auster, editado pela Henry Holt and Company. Está lá escrito assim: “Copyright © 2006 by Paul Auster”. Umas quantas linhas abaixo, para que não restem dúvidas, segue-se a frase: “First Edition 2006”.

Pessoalmente, começo por gostar dos livros pelas capas, perdoem-me a futilidade. “The Brooklyn Follies” foi publicado em hardcover (capa dura…) e tem uma sobrecapa de papel, ilustrada com fotos de umas quantas pessoas a atravessar uma rua em Brooklyn, presumo eu, para condizer com o título. A capa é bonita. Ponto.
De capa azul e amarelo torrado, o livro faz lembrar um notebook (bloco de notas…). O que nos remete para um outro livro de Auster, “The Oracle Night” (“A Noite do Oráculo”), que também li em inglês.
Nesse livro, o perigoso anti-Bushista que vive em Brooklyn chamado Paul Auster parte de um notebook (bloco de notas), fabricado artesanalmente em Portugal, para construir uma trama emocional à volta de um escritor em crise de inspiração.
[Segue-se um devaneio do escriba:
Em Lisboa, acho que a última papelaria a fazer destes notebooks (blocos de notas) é a Emílio Braga, Lda, que tem uma loja ali para os lados do Marquês do Pombal, não muito longe do Diário de Notícias. Comprei lá muitos. É pena serem caros, mas, afinal, são os nossos Moleskine e, além disso, são cosidos à mão, tresandam a cola e raramente perdem as folhas. Enfim, prova indelével de que se trata de um bom produto artesanal português.
Fim do devaneio do escriba]
Confesso que por estes dias estou um “slow reader” (leitor preguiçoso, lento) e, por isso, ainda não cheguei à página… 50 do livro de Auster.
Mas o início do livro é óptimo - e para mim um romance tem que ter um bom começo – com “punch line” (esta não traduzo).

Cá vai no original (por que não quero que a minha tradução estrague o texto do homem, que vive, e bem, do que escreve…):

I was looking for a quiet place to die. Someone recommended Brooklyn, and so the next morning I traveled down there from Westchester to scope out the terrain. I hadn´t been back in fifty six years, and I remembered nothing. My parents had moved out from the city when I was three, but I instinctively found myself returning to the neighbourhood where we had lived, crawling home like some wounded dog to the place of my birth.

Sou fan (admirador) incondicional do Paul Auster (em literatura não é arriscado dizer estas coisas). Só não gostei muito dos livros de poesia do senhor. Mas isso é porque não gosto de poesia... Não gosto é como quem diz. Há três excepções: Herberto, O’Neill e Cesariny. Desculpem lá corruptela, mas Herberto, O’Neill e Cesariny e a língua portuguesa vão perdoar-me, por certo.

Post Scriptum: Depois de postar este post, descobri que a Companhia das Letras (Brasil) traduziu "The Brooklyn Follies" por "Devaneios no Brooklyn".

*resposta atrasada a asl
|| Nuno Simas, 12:30

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