Glória Fácil...

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domingo, novembro 27

A cavilha do PCP, a RTP e o 25 de Novembro

Há um documento notável na cobertura noticiosa do 30º aniversário do 25 de Novembro, essa data que é a mais triste para uma certa esquerda festiva, vermelhusca e perigosamente armada em 1975, e a data mais feliz de uma certa esquerda do dr. Soares até à direita, aquela direita militar porreteira que gostava de ter ido mais além na “limpeza” da situação – a avaliar pelo que se vai lendo (e não é desmentido) nas memórias de uns quantos vencedores (e vencidos) da História desses Outono quente.
Esse documento foi publicado no último número a revista Visão e é a conversa entre um militar dos revoltosos esquerdistas, Duran Clemente, aquele que foi substituído no apelo à revolução das massas na RTP-a-preto-e-branco por um filme do tão americano Danny Kaye, e um “moderado”, Vasco Lourenço, o homem que guardará para sempre a “glória” de ter empurrado o camarada Vasco Gonçalves à demissão do Governo em Agosto de 1975 e de ter sido ele, por substituir Otelo Saraiva de Carvalho no Comando Militar de Lisboa, o "gatilho" da revolta da “esquerda militar” dos páraquedistas.
O apelo à revolta das massas de Duran foi “cortado”, em pleno directo, cerca das 20 horas, e a emissão passou para as mãos dos “moderados”, no Porto, em directo do Monte da Virgem. Antes de a emissão passar para o Danny Kaye, eis o que aconteceu, na versão de Duran Clemente:

“Começaram a fazer-me sinais atrás das câmaras. Não percebi. Já tinha dito antes «eu posso ser cortado a qualquer momento porque a antena está no poder dos Comandos». Mas havia ainda um elemento da RTP, ligado ao PCP, que tinha a cavilha no bolso e andava a fugir aos comandos. De uma cabina, telefonou a um dos meus alferes que estava na televisão e disse-lhe: «Diga ao capitão para se despachar, que não consigo aguentar a cavilha no bolso». E como esse alferes não estava a assistir ao que eu dizia, pôs-se a gesticular atrás das câmaras. O meu primeiro pensamento foi que estava qualquer coisa a arder [risos]. Fiquei desconcentrado. Só tinha uma saída: dizer às pessoas que estavam a fazer-me sinais. Perguntei ao [pivot do Telejornal] António Santos se havia problema – como quem diz: «Há fogo?» E, tau, entra o Porto com um filme do Danny Kaye.”

Não resisto à “petite histoire”.
|| Nuno Simas, 17:25

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