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quinta-feira, novembro 3

Discutamos as metapresidenciais (I)

O debate presidencial está a tornar-se cada vez mais insuportável. Muitos dos nossos melhores comentadores - alguns com página também na blogosfera - decidiram-se, legitimamente, por alinhar com uma ou outra candidatura. E já se percebe, nesses comentadores, o constrangimento por não poderem dizer o que verdadeiramente pensam, e da forma como verdadeiramente o pensam, para que isso não prejudique o seu candidato.

Veja-se, por exemplo, o caso de José Pacheco Pereira. Hoje, no PÚBLICO, ao comentar ao polémica do "político profissional", afirma-a como "a mais estéril das polémicas". Mas depois admite que
"de facto há elementos do discurso de Cavaco que abrem caminho para uma ambiguidade sobre o carácter da acção política em democracia"
pelo que
"aqui há de facto um choque entre duas culturas políticas, que reproduz em parte o choque com o 'eanismo'"
.
Ou seja: acaba por reconhecer que a polémica é tudo menos "estéril" porque admite a tal "ambiguidade" em Cavaco e o tal "choque entre duas culturas". Tivesse sido Paulo Portas a afirmar
"Os Portugueses sabem que não sou um político profissional e que não são as honrarias do cargo de Presidente da República que me atraem"
e Pacheco Pereira já estaria aos tiros - e com toda a razão - denunciando o evidente populismo da afirmação e o que ela representa na exploração dos sentimentos mais básicos do eleitorado face aos "políticos". "Populismo" e "demagogia" foram aliás expressões que Pacheco Pereira já não se coibiu de usar para caracterizar a referência de Soares às pensões de reforma que Cavaco recebe. Temos portanto "ambiguidade" para o seu candidato; e "populismo" e "demagogia" para o seu principal adversário. A evidência dispensa adjectivos.

[continua]
|| JPH, 11:16

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