
[A feira do Relógio, em Lisboa, antigamente]
É uma mania antiga da política nacional em campanha. E uma mania de certa forma compreensível: é lá que se encontra gente. Seja como for, a coisa irrita. Falo da mania de os políticos em campanha visitarem feiras.
Nas feiras vigora aquilo a que, simpaticamente, se chama a "economia paralela". Ali os "empresários" não pagam impostos; e vende-se muita mercadoria (têxtil, sobretudo) ilegal, contrafaccionada; ninguém passa recibo, ninguém o exige. Tudo à margem da lei - e, por isso, tudo mais baratinho, para quem vende e para quem compra. O chamado pequeno comércio (pequenas lojas de pronto-a-vestir, pequenas mercearias, etc) tem tanta razão de queixa dos hipermercados como desta economia paralela.
Isto é ilegal, toda a gente o sabe, a começar pelos políticos. Só que estes, na sua ânsia de folclore e contacto "popular", assobiam para o ar e até acabam por legitimar a coisa. Pelos vistos, nas feiras não se importam de receber beijos e abraços (e também insultos) de quem não paga nem nunca pagou impostos. Depois não se queixem de não serem levados a sério.
Alguém irá concerteza argumentar que só me estou a preocupar com a arraia miúda, quando devia era dar atenção ao peixe graúdo. Dispenso o populismo barato e as respectivas lições de "moral". Evidentemente que toda a prioridade deve ser dada ao combate ao peixe graúdo, porque aí é que estão os milhões e a grande imoralidade. Do que aqui falei não é disso, é doutra coisa: de como a irresponsabilidade em campanha leva os políticos a fazerem coisas que lhes retiram autoridade/legitimidade para poderem exercer capazmente a função. As feiras são, de certa forma, uma metáfora.
PS 1.
Nem de propósito. Hoje um candidato visitou uma feira. Minutos antes de chegar a GNR passou pelo local apreendendo dezenas de DVDs ilegais. Os factos falam por si.