Há
quem persista na cegueira. Por exemplo em relação a Ariel Sharon - ou melhor, em relação aos que saudaram a evolução de Ariel Sharon e receiam agora as consequências da sua retirada de cena (como eu).
A cegueira consiste em não perceber que Sharon evoluiu.
Mudou. E para melhor. E o Sharon dos últimos tempos é um Sharon de ruptura com o velho Sharon, o que abriu campos de refugiados palestinianos à fúria sanguinária das milícias cristãos (sim, cristãs, por muito que isso vos custe) ou o que se foi passear provocatoriamente para o Pátio das Mesquitas, abrindo as portas à segunda Intifada.
Tanto este Sharon é de ruptura com o anterior Sharon que foi forçado a romper com o seu próprio partido, o Likud, formando um novo, o Kadima, porque no seu não lhe perdoaram a retirada de Gaza, algo absolutamente impensável no velho general uns meses ou anos antes. Portanto, se antes se criticava, não se podia em rigor poder continuar a fazê-lo, sob pena de se continuar a alinhar objectivamente na lógica do olho-por-olho-dente-por-dente que tem sido a desgraça daquela terra.
É tudo tão simples como isto. O resto é cegueira. Para não dizer pura ignorância.