Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

segunda-feira, janeiro 23

um bastardo é um bastardo é um bastardo, já dizia o shakespeare, e não estava a falar de jornalistas

aquele senhor que dá pelo título (vitalício? isto das eleições e da vontade popular é realmente um mistério, o manel alegre que o diga) de presidente do governo regional da madeira teve esta semana outro acesso dos dele: agora deu em processar jornalistas. não sei do motivo alegado em todos os casos, mas no caso do meu colega joão miguel tavares (com quem quase nunca concordo mas que é um querido) a causa prende-se com aqueles ditos do sr presidente sobre os jornalistas (que eram uns bastardos, disse ele, para não lhes chamar filhos da puta) e com o facto de o jmt ter escrito, no dn, que o sr podia dizer n'importe quoi que tanto lhe fazia.

'bem pode ele espernear, gritar e insultar -- fica giro na tv, dá uns artigos nos jornais, mas quem realmente liga? alberto joão existe somente para nos divertir e entreter. é o bobo da corte. faz palhaçadas alberto joão, faz', escreveu o jmt -- na senda de muitos outros que já disseram e escreveram que o dito é inimputável pelas razões, depreende-se, pelas quais geralmente se considera que as pessoas são inimputáveis.

vai daí, parece que o sr alberto se amofinou e zuca, processou. vai-se a ver e ainda se queixa de difamação. ora se há caso em que fazia sentido poder uma pessoa processar-se a ela própria por propalar indecente e má imagem de si mesma era o do governante da infeliz porém aprazível ilha (o jmt chama-lhe 'ilhota', mas eu não subscrevo: até é grandita). mas a não poder ser assim pelo menos por enquanto (enquanto não mudam o código penal ou fazem um especial para a madeira, já que quase tudo por lá é especial) proponho ao sr que alargue o seu campo de tiro: cá por mim, não escrevi nos últimos anos uma linha sobre ele (embora guarde com desvelo um textito que nos idos de 92 teve a amabilidade de escrever sobre mim e uma reportagem publicada na grande reportagem no sempre saudoso diabo) precisamente por considerar que não merece que se lhe dê importância -- e porque, felizmente, não vivo na madeira.

se vivesse na madeira estou certa que não desconsideraria com tanta bonomia os dislates do sr, nem despediria com tal indiferença os seus desmandos. mas daqui ele é apenas caricatura, por mais virulento e insultuoso que se represente, e todos os gestos soam a folhetim colombiano. ele é o que é o que é e faz questão de o ser de o ser de o ser. e se finge irritar-se por alguém dizer ou escrever ou pensar dele aquilo que ele quer que pensem -- sem deixar alternativa, aliás -- é porque acha que assim, com mais uma cambalhota, nos surpreende e diverte, e porque quer ter a certeza de que ainda estamos a olhar.

ok, já vimos. agora podemos ir à nossa vida, que temos coisas sérias para tratar?
|| f., 19:09

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