
É
este comentário de José Pacheco Pereira às supostas diferenças entre o discurso social de Cavaco Silva nas celebrações parlamentares do 25 de Abril e "o discurso desenvolvimentista e tecnológico, muitas vezes deslumbrado, do primeiro-ministro".
Pura desonestidade porque toda a gente ouviu Cavaco invocar
explicitamente um plano governamental em preparação (o Plano de Acção Nacional para a Inclusão) para propor uma "mobilização geral, uma verdadeira campanha em prol da inclusão social".
E pura desonestidade porque toda a gente se lembra até que ponto Sócrates fez do combate à exclusão social (nomeadamente dos idosos, a mais grave) uma bandeira de campanha (entretanto já começada a ser posta em prática, através do Complemento Solidário para Idosos), bandeira que evoluiu em paralelo (e não excluíndo) a do plano tecnológico.
Enfim: um comentário desesperado na sua ridícula tentativa de ver diferenças entre o Presidente e o Governo onde elas manifestamente não existem. Se alguma coisa distancia Cavaco e Sócrates não é aquilo que José Pacheco Pereira pateticamente refere mas sim o facto de o PR continuar a insistir (como já tinha feito na Justiça) em pactos alargados de acção (portanto envolvendo o PSD, pelo menos), quando se sabe perfeitamente que para Sócrates lhe basta a sua maioria absoluta. Esse sim, é o "fosso potencial".
PS1.
Antecipo que nos eventuais comentários a este post venham tiradas do género "blogue porta-voz de Sócrates" e o mais que facilmente se adivinha. Por uma vez façam-me o santo favor de comentar a essência do que foi escrito. E o que foi escrito resume-se em duas palavras: o discurso de Cavaco não revelou qualquer dissonância de fundo face à governação de Sócrates, muito pelo contrário.PS2. Falar em "fossos potenciais" entre o PR e o PM a propósito do discurso de Cavaco é tão muleta do comentário político como submeter esse mesmo discurso à grelha analítica esquerda/direita. São ambas simplificações vulgares nestas ocasiões. O argumento - delirante - invocando um Cavaco "social" e "humano" contra um Sócrates "tecnocrático" e "desumano" visa apenas esconder uma incomodidade: a de não ser possível neste momento usar um (Cavaco) para fazer oposição ao outro (Sócrates).