Glória Fácil...

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quarta-feira, abril 12

Salazar e o Hotel Borges

Foi um amigo meu que me contou esta história. Um amigo que já me deu provas de ser um gajo sério, incapaz de inventar.
Ele tinha lido algures que o dr. Salazar tinha por hábito frequentar, com amigas de ocasião, o Hotel Borges, em pleno Chiado. Conservador como era, pedia sempre o mesmo quarto, o 300 ou o 302, não tenho a certeza.
Um dia esse meu amigo, curioso, decidiu pegar na namorada e levá-la ao Borges, que, embora decrépito, conseguira sobreviver ao passar dos anos (julgo que ainda lá está). Perguntou na recepção se o dito quarto estava livre. Estava. Assim que entrou percebeu tudo.
Uma divisão quadrada, grande. Numa parede a janela, virada para a rua. Na outra, oposta, um enorme armário embutido na parede, de portas corridas. E estas, de uma ponta à outra, forradas a espelhos, reflectindo a cama toda, por sinal também enorme.
Feliz com a descoberta, o meu amigo teve assim mais uma razão para se divertir imenso naquela noite. A namorada, ao que ele me contou, é que ficou sem perceber porque razão ele, ao longo da noite, lhe fazia trocadilhos ordinários com a frase "manda quem pode, obedece quem deve".

Ocorreu-me esta história lendo hoje o Filipe Nunes Vicente: "Não sei se será assim, mas os homens que gostam de copular em quartos espelhados são seres frágeis e generosos."

Quanto ao Salazar não me parece. Quanto ao meu amigo, acertou na mouche.
|| JPH, 14:44

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