Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

domingo, outubro 1

ainda a proposito do enjoativo e contumaz tema

a edição deste sábado do espesso, para além de ter enervado a editora/deputada zita seabra ao ponto de a fazer desistir de um projecto-lei cujo conteúdo por acaso o espesso se abstém de explicar, preferindo frisar que resultaria de um 'entendimento' entre portas e marcelo (ficamos portanto sem saber se o que zita queria era que a possibilidade legal da suspensão provisória do processo 'com base na culpa diminuta' fosse aplicada por regra e ad eternum, ainda que mediante análise caso a caso, quando uma mulher fosse constituída arguida por aborto ou se preconizava uma suspensão automática, sem depender da análise do grau de culpa -- mas enfim, também o que é que isso interessa: sabe-se muito bem qual o objectivo da proposta e não tem nada a ver com a preocupação com as mulheres que abortam), adianta aos seus leitores que o ps 'também recuou' na sua proposta.

e o recuo do ps, assevera o espesso, é o seguinte: haveria a ideia de estabelecer um prazo de 16 semanas no caso de aborto quando haja perigo para a saúde e perigo de morte da mulher grávida, mas agora ficaram nas 10 semanas. assinam a peça três jornalistas três. ora estas três jornalistas, tantas, conseguem, num textinho tão pequenininho, dizer estes disparatezinhos todos, a saber:

-- jamais o ps ou outro partido qualquer poderá 'alargar' o prazo de aborto em caso de perigo de morte para a mulher grávida, porque esse prazo não existe. como se trata de perigo de morte, a intervenção poderá ser feita a todo o tempo, de acordo com a lei existente (se as três jornalistas três tivessem pensado um segundo no que significa 'perigo de morte' eram capazes de ter lá chegado sem a minha ajuda).

-- alargar o prazo de aborto para 16 semanas no caso de perigo para a saúde física e psíquica da mulher grávida (que a lei actual fixa em 12 semanas) nada mas absolutamente nada tem a ver com a questão colocada no referendo e que diz respeito ao aborto voluntário, decidido pela mulher, até às 10 semanas. o que está em causa, precisamente, é perguntar aos portugueses se concordam que se possa abortar até às 10 semanas sem que a decisão passe pelo crivo dos médicos.

-- no meio da confusão que é a notícia, fica-se sem perceber quem é propôs o alargamento para 16 semanas no caso do perigo para a saúde física e psíquica e se isso chegou ou não a ser discutido.

claro que tudo isto se esclarece lendo uma vez, uma vezinha só, a lei em vigor -- por exemplo muito facilmente aqui no glória, indo ao código penal, aqui à esquerda, e procurando lá a alturas do artigo 140 ou 141 (a memória a mim também me falha, às vezes) -- e pensando um pecachichinho e não escrevendo nos jornais tudo o que nos sopram ao ouvido nos passos perdidos ou no telefone. certo, migas?
|| f., 15:59

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