soube num blogue da morte de Adrienne Shelly. nunca mais tinha ouvido falar dela desde trust e de the unbelievable truth, dois dos primeiros hal hartleys.
adrienne, que agora além de actriz era também produtora, foi encontrada morta no escritório dela em ny a 1 de novembro, o nosso dia dos mortos. parece que não há pistas sobre o homicídio -- ou não havia, nas notícias que li.
acho que é em trust que está a cena que melhor recordo dela, quando se deixa cair de cima de um muro, de costas e olhos fechados, como prova de confiança em martin donovan. há uma cegueira voluntária na confiança, uma suspensão de tudo o que sabemos sobre os outros, sobre nós. mas confiar é também, sempre, antecipar, provocar -- dar os meios, a ocasião para trair. um acto de fé e, ao mesmo tempo, um repto, uma armadilha.
o que se diz quando se confia é: estás à minha altura, à altura da minha confiança, ou vais deixar-me cair?