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Quinta-feira, Setembro 27

"Acho que o país está doido", disse Santana



...e disse muito bem, porque realmente não se faz a ninguém o que a SIC-Notícias lhe fez ontem à noite: estava a entrevistá-lo em estúdio e a meio interrompeu a entrevista para transmitir um directo imbecil sobre a chegada ao aeroporto de Lisboa de José Mourinho. Santana, irritado, esperou que o directo acabasse e depois, ele próprio em directo, explicou que recusava continuar a entrevista: "Acho que o país está doido". E foi à vida dele.

O que a SIC fez não se faz a ninguém - e não o digo por Santana ser ex-primeiro-ministro ou ex-líder do PSD. Digo-o apenas porque jornalisticamente aquela interrupção foi asneira da grossa. E porque tenho a certeza que nunca aconteceria se o entrevistado em estúdio fosse alguém na mó de cima. Evidentemente nos noticiários seguintes da SIC-Notícias o episódio era apresentado como um gesto de alguém que por norma "deixa as coisas a meio". Esteve bem, Santana. São poucos os político que fariam o que ele fez.

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Actualização às 11h13:

1. Há dezenas de referências a este episódio na blogosfera. O sentido esmagadoramente maioritário é de elogio a Santana e crítica à SIC. A começar pelos blogues de jornalistas [I, II, III]. Os habituais teóricos do corporativismo jornalístico terão certamente uma explicação. Jornalistas a criticar jornalistas? Sim, é possível.

2. Ricardo Costa, director da SIC, considerou a reação de PSL "inusitada" e "desproporcionada". Talvez fosse melhor reconhecer que "inusitado" e "desproporcionado" é interromper uma entrevista com um ex-líder do PSD (e ex-primeiro-ministro) sobre a crise profunda que vive um partido que é (ou devia ser) uma âncora do regime por causa de um treinador de futebol no desemprego. Isso sim é que "desproporcionado" e "inusitado" - para além de muito errado.
|| JPH, 00:18

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