Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

Quinta-feira, Julho 3

As entrevistas

1. Sócrates voltou a dizer, ontem à noite, na RTP-1, que baixar os impostos "é uma aventura". Minutos depois anunciava que ia aumentar as deduções no IRS e baixar o IMI. Ora isto é baixar os impostos. Não nos tente fazer de parvos. Está a baixar os impostos, de facto. Ou seja: a abandonar as políticas de contenção orçamental. Chegou a campanha eleitoral.


2. As medidas têm mérito? Sei lá. Só conhecendo os pormenores (que Sócrates recusou revelar). O conceito de pobreza de Sócrates não é bem pobreza - é indigência. Ele acha que quem ganha mais de 1000 euros/mês já está por cima da carne seca. Não está. Nem, na maior parte das vezes, com 1500 euros/mês. Dentro de dias anunciará que estas medidas vão custar menos ao erário público do que se pensa. É natural: irão abranger minorias. Parecem medidas para exclusivo consumo mediático. Mas admito, claro, poder estar enganado. Uma coisa é certa: são medidas de risco. Quem criar expectativas sentirá o embuste. E irá penalizá-lo. Podem ser muitos ou podem ser poucos. A ver vamos.


4. Manuela Ferreira Leite enfiou-se num beco sem saída. Diz: "Não temos dinheiro para nada". E ao mesmo tempo "exige" os estudos custo-benefício do pacote das obras públicas (aeroporto, tgv, auto-estradas, barragens). Então se "não temos dinheiro para nada" para quê os estudos? Lamento informar: não bate a bota com a perdigota.

5. A entrevista da TVI foi bem conduzida. A da RTP não. José Alberto Carvalho mostrou nalguns momentos uma confrangedora ignorância (no dossier das barragens, por exemplo). Para a próxima deixem Judite de Sousa tratar sozinha do assunto. A não ser que não queiram, claro.
|| JPH, 04:21

5 Comments:

Totalmente de acordo sobre a ignorância de José Alberto Carvalho, mas em desacordo face à postura de Judite de Sousa, que quis andar para a frente quando o primeiro-ministro trocava os pés pelas mãos na questão dos recibos verdes. Deveria ter-se detido no tema, pois é uma questão de grande importância e que apresenta muito pontos fracos.

No que se refere à cobertura que a imprensa fez hoje da libertação de Ingrid Betencourt, pergunto-me porque razão a TSF dizia hoje que a senadora havia saído do avião amparada... É que todas as imagens desmentem esta observação marginal e mentirosa.

Porque mentiu a TSF? Por pura ignorância ou vontade de dramatizar ainda mais a situação?
Blogger RS, at 3:30 PM  
Caro "RS",
Obrigado pelo comentário. Só uma nota de resposta, relativa à TSF. Numa rádio como aquela, exclusivamente informativa e com meios humanos cada vez mais limitados, só há uma maneira de fazer notícias: à pressa. Não é possível doutra maneira. Assim, é natural que se "tresleiam" imagens. Veja, por exemplo, a que ilustra a peça do Sol online. Parece de facto que a senhora vai amparada. Enfim, o que quero salientar é que a maior parte dos erros dos jornalistas não nasce da má-fé ("pura arrogância" ou "vontade de dramatizar")mas sim das contingências da própria profissão. Não estou a desculpar. Constato apenas como as coisas se passam na maior parte das vezes.Volte sempre!
Blogger JPH, at 7:05 PM  
JPH, apenas um pequeno apontamento, já que creio que colocou expressões minhas entre aspas: eu falei de pura ignorância e não de pura arrogância.

Quanto à sua situação da TSF, acredito que de facto se relacione com falta de meios para fazer coberturas mais completas e rigorosas dos acontecimentos.

Volto sim senhor.

Um abraço
Rui Silva, Almada

Nota: este caso Ingrid Betancourt poderia dar um verdadeiro estudo de caso de más coberturas jornalísticas. Ontem, na RTPn, o pivot do jornal das 22 falava com um especialista militar, e apresentava o grupo de pessoas resgatadas como um "grupo de civis". Bem, isso não é verdade. Dos 15 elementos resgatados apenas Ingrid Betancourt é de facto uma civil sem ligações directas ou indirectas ao conflito colombiano. Todos os outros são militares, polícias ou, no caso dos 3 norte-americanos, pessoas ao serviço das empresas militares norte-americanas que hoje se encontra envolvidas nos mais diversos conflitos regionais (na América do Sul, no Iraque, no Afeganistão, etc...).
Blogger RS, at 10:29 AM  
O josé alberto

é mesmo assim

ignorante.Coitado do rapaz!!
Blogger O Puma, at 11:59 PM  
JPH acerta na mouche.

Com a crise a bater à porta, os dois principais partidos parecem apostados em taxar a classe média trabalhadora para distribuir subsídios não só aos indigentes, mas também aos que continuam a fugir aos impostos, sendo pobres perante o Estado e lordes perante a vida.

O problema desta fórmula é que a crise vai adensar-se e a classe média há-de fartar-se do desfilar de medidas completamente ineficazes para o equilíbrio dos seus orçamentos familiares. E tanto a corda estica que algum dia há-de quebrar.
Blogger Pedro Morgado, at 4:11 PM  

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