Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

terça-feira, setembro 26

rectificação extremamente amável e sem intenção de apoquentar

o extremamente atencioso -- e atento -- maradona, graças a quem me lembrei da entrevista a pedro arroja que se encontra postada mais abaixo, cita um excerto que pode induzir o leitor desprevenido em erro (não consigo fazer link directo para esse post, pelo que vão à causa e procurem o título 'Ganham a acção e depois recebem milhares e milhares de contos!') : não se trata, na pergunta citada, de um medicamento, mas de um médico -- daí falar-se de 'você', dirigido a pedro arroja, enquanto 'médico não licenciado/acreditado pelo estado'. a entrevista é um pouco, como dizer, 'viva' (sim, eu às vezes sou um bocadinho agressiva, e há mais de uma década era-o bastante mais -- ai a idade, etc), mas não chegou ao ponto de dizer (e publicar), com todas as letras, que o pedro arroja enquanto remédio não presta.

o excerto em causa, em que se fala de medicamentos e médicos e da regulação estatal que arroja reputa de desnecessária, aqui vai (a repetir-me assim, ainda começo a suspeitar de alzheimer):

na sua cruzada pela liberalização você defende que não devia haver controle dos medicamentos que entram no mercado, que mesmo a Food and Drug Administration do EUA devia desaparecer. E dá o exemplo da lixívia, que é uma coisa altamente perigosa mas com a qual toda a gente sabe lidar...

Claro. Porque me deram a liberdade, a mim e aos meus antepassados, de aprender lidar com lixívia.

Portanto você propõe que as pessoas tirem cursos acelerados de Quimíca e Biologia, e se munam de um microscópio electrónico, um laboratório e uma gaiola de cobaias...

Não. Eu também não sou especialista em tecidos e compro calças, sei distinguir... E há os farmacêuticos, para me informarem.

E como é que eles sabem? Fazem experiências na família? A sua máxima é que "nenhuma empresa prospera a matar pessoas." A História recente está cheia de exemplos contrários... E só das que foram apanhadas.

Dê-me exemplos.

Nunca mais acabava. Lembra-se da talidomida? E o mais interessante é que a maioria dos medicamentos e outros produtos, como pesticidas, que são "chumbados" pela Health and Food Administration dos EUA, são depois postos à venda noutros países, geralmente do Terceiro Mundo, incluindo Portugal. O que é que chama às empresas que o fazem?

Não ponha a questão assim, porque todo o medicamento tem efeitos negativos. Tudo na vida tem benefícios e custos... O que é importante é saber quem está mais habilitado para reconhecer o que prepondera, se é uma burocracia distante do Estado ou o cidadão.

O objectivo das empresas é o lucro, o do Estado é presumivelmente o bem público. E o cidadão só por si não tem meios para fazer a triagem.

Eu penso que nós realmente temos de nos proteger contra as empresas. Como contra os maus jornalistas, os maus médicos, os maus políticos, e os nossos próprios protectores. Qual o primeiro nível? Auto-protecção.

Quem é que regula a veracidade da informação que as empresas fornecem ao público, quem é que garante que as empresas não vão pôr no mercado produtos com efeitos perniciosos?

A resposta é um processo impessoal que se chama o mercado. A concorrência. Se aparece uma empresa com um medicamento para o fígado mas que não faz bem ao fígado, vai aparecer outra com outro medicamento que esse sim resolve o problema, e vai anunciá-lo em oposição ao outro. Se as pessoas não forem estúpidas, mudam para o segundo.

E até aparecer o medicamento bom, se aparecer e for mesmo bom, quantas pessoas é que foram prejudicadas pelo primeiro?

Não se pode saber. É um risco. Mas há as organizações de consumidores para fazer a filtragem, existem os médicos, os farmacêuticos...

Que podem ser comprados. Aliás você defende que o Estado não devia ter o exclusivo da formação dos médicos e qualquer pessoa devia poder exercer a medicina.

Veja: se eu quiser ser médico e não tiver clientes, vou à falência. Mas se houver pessoas que vêem em mim um curandeiro...

E se não curar nada, lá morre mais meia dúzia de desgraçados para que o resto do mundo perceba que você afinal não presta.

E os familiares pôem-me uma acção em tribunal.

E você diz que não tem culpa nenhuma se viram em si um curandeiro, que nunca apresentou qualquer prova de o ser e se tinham acreditado em si era problema deles. Pagavam com a vida a regulação do mercado. Que espírito de sacrifício admirável.

Veja o que se passa agora. Veja o caso do Hospital de Évora [caso dos hemodializados]. Veja quantos casos há de médicos em tribunal..
|| f., 17:21

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