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sexta-feira, maio 18

e o jcd tambem quer ter direito ao mesmo que o joão miranda, e longe de mim discriminá-lo

o jcd veio em socorro do joão miranda (é lindo, lá isso não se pode negar), com passagem pelo site do centre for disease control. eu adoro inglês e all things anglófonas, como toda a gente já deve ter reparado, mas achei um bocadinho estranho que o jcd fosse recorrer a estatísticas americanas quando existem as portuguesas e quando estamos a discutir a exclusão dos dadores em portugal.

mas a questão é sempre a mesma. o que o jcd está a defender é um critério estatístico. de acordo com as estatísticas do cdc, há mais transmissão de hiv/sida em contactos sexuais entre homens que têm sexo com homens que em contactos heterossexuais. logo, excluem-se os homossexuais masculinos, independentemente dos seus comportamentos de risco, estabelecendo uma equivalência entre ser homossexual masculino e ter comportamentos de risco.

há várias coisas complicadas (para dizer o menos) neste raciocínio, que julgava já ter explicado post abaixo. mas ou o jcd não leu com atenção ou sou eu que sou uma trapalhona a explicar-me. mas não tem de tomar a minha palavra como verdade, jcd. pode por exemplo investigar o que diz sobre esta matéria o actual coordenador da luta contra a sida em portugal, o epidemiologista henrique de barros, que já várias vezes opinou sobre o critério de exclusão da dádiva de sangue dos homens que têm sexo com homens.

ou pode fazer mais simples: consultar o site do centro de vigilância epidemiológica de doenças transmissíveis, dirigido pela epidemiologista teresa paixão, que tem os dados epidemiológicos relativos a portugal, e constatar o que se passa com a evolução da epidemia.

é que, jcd, os números que encontrou no cdc não só dizem respeito aos eua como, parece-me, têm um problema grave de apreciação: são números acumulados. quer isto dizer que o que está ali plasmado são os números globais desde o início da epidemia nos eua. a análise efectuada assim tem um efeito de distorção óbvio. se no início da epidemia houve uma grande quantidade de homens que tinham sexo com homens cuja infecção foi diagnosticada (e cuja infecção evoluiu para doença e morte), é natural que os números acumulados exibam uma maior quantidade de infecções por essa, chamemos-lhe assim, via. é também natural que, devido a esse facto histórico, os homens que têm sexo com homens estejam mais atentos ao seu estatuto serológico e portanto tomem mais facilmente a iniciativa de fazer o teste.

por outro lado, em portugal, o que os números dão a ver é um total acumulado de infecções e de doentes de sida em que a maioria, em termos de via de transmissão, pertence ainda aos utilizadores de drogas pior via endovenosa. mas a evolução recente da epidemia demonstra que a categoria de transmissão preponderante neste momento, em termos de diagnósticos/estimativas, é o contacto sexual entre homens e mulheres. mais: se o número de homens infectados/doentes é, nos números acumulados desde os anos 80, superior ao número de mulheres, a tendência é de de aumento no número de mulheres diagnosticadas. não só por causa da razão aduzida anteriormente mas porque as mulheres são mais facilmente infectadas que os homens (numa relação sexual não protegida entre um homem e uma mulher, um homem infectad infecta mais facilmente uma mulher não infectada que o contrário).

nada disto tem a ver com correcção política, jcd, mas apenas com interpretação correcta e não preconceituosa de números e de factos. e com uma coisa ainda mais importante: a defesa da segurança transfusional. e, mais importante ainda, a consciencialização do que efectivamente constitui risco em termos de infecção de hiv.
|| f., 12:42

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