Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

sábado, novembro 29

Sorte e azar

Leio aqui que há uma diferença entre Durão e Guterres: uma questão de sorte e azar. Um, Guterres, teve sorte. O outro, Durão, teve azar. Politicamente falando, claro. Ora bolas: então a questão é mais simples do que parece...
|| Nuno Simas, 22:53 || link || (67) comments |

Misoginia esquerdalha

O Abrupto tem toda a razão sobre o post do Barnabé sobre a Odete Santos. Já não é a primeira vez que a misoginia esquerdalha vem à tona no Barnabé - uma mulher, principalmente depois dos trinta ou dos quarenta, tem mesmo que se comportar como uma senhora. Acresce que o Barnabé não é feito por velhos comunistas fiéis (ou infiéis) às "companheiras" ou por socialistas laico-machistas nascidos no Estado Novo. O Daniel tem praí trinta anos.
|| asl, 22:28 || link || (79) comments |

Eu, albanês, me confesso

Tinha bastado escrever a palavrita blockbusters no post Mystic River para me ter poupado a tanta «pancada»... Não o fiz e olha...
Escrevi que o filme era «triste e pouco americano. Por isso, é um bom filme».
O Domingos zangou-se comigo; um marinheiro do Mar Salgado sugeriu-me uns filmes albaneses... Um amigo disse-me que era uma tese peregrina. Alguém me aconselhou (re)ver os clássicos
Já aluguei todos os filmes de Oliver Stone, George Cukor, Otto Preminger. Até vou tirar férias para conseguir vê-los todos em sessões contínuas lá em casa.
Andei deprimido durante uns dias, confesso, mas já passou.

|| Nuno Simas, 14:08 || link || (81) comments |

quinta-feira, novembro 27

Blogorelease

Stand-up Tragedy
Teatro Municipal Maria Matos

20 de Novembro a 14 de Dezembro

quarta a domingo, às 21h30m

excepto domingos às 18h

Texto: Luís Filipe Borges

e Nuno Costa Santos

Intepretação: Tiago Rodrigues

Produção: Mundo perfeito

Stand-up Tragedy é um monólogo que questiona os motivos e a utilidade do humor. Este projecto nasce da colaboração de três criadores cujos percursos já se tinham cruzado diversas vezes.

O texto deste espectáculo é assinado por Luís Filipe Borges e Nuno Costa Santos, dois argumentistas e escritores, membros das Produções Fictícias, a empresa responsável pelos mais interessantes trabalhos no humor português contemporâneo, como os textos dos programas Herman SIC e Contra Informação, entre tantos outros projectos.

A encenação e interpretação do espectáculo será da responsabilidade de Tiago Rodrigues, cuja colaboração com a companhia belga STAN o levou já aos mais prestigiados palcos da Europa, representando em língua francesa e inglesa em países como Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia, Bélgica, Áustria, entre outros.

O percurso destes três criadores cruzou-se mais de uma vez, mas com especial relevância como elementos da equipa do programa ZAPPING, na RTP2, distinguido pelo semanário Expresso como o melhor programa de televisão exibido em Portugal durante o ano de 2000. Agora, uma vez mais, Stand-up Tragedy pretende ser uma aposta na criatividade e na construção de «outros olhares» sobre a forma como vivemos e rimos.


Mundo Perfeito

Av. do Brasil, 15-3ºDto 2700-129 Amadora Tel: 214 950 182 Tlm: 966464069 mundoperfetio@hotmail.com


Links:

www.producoesficticias.pt

http://www.cm-lisboa.pt/cultura/DEC/Teatros/TMMatos/
|| asl, 13:24 || link || (16) comments |

terça-feira, novembro 25

A Vida com Jugal do Casal Ventoso

A SIC-Radical exibiu ontem à noite a primeira experiência de Nuno Markl/Maria João Cruz no cinema. É um verdadeiro filme de culto.
A Vida com Jugal do Casal Ventoso é um chorrilho de tontarias. Contra a história de uma traição, o eterno triângulo amoroso mulher-marido-amante - um formato clássico dos romances saídos da pena de Corin Tellado. A palavra tontaria encerra, neste caso, um elogio - é evidente a inspiração non sense . Será Monthy Pyton? Há uma cena hilariante em que o marido (o traído) contrata um detective privado. Os dois «actores» mais parecia estarem a dançar capoeira, conseguindo, ao mesmo tempo, debitar, aos gritos, o texto do guião.
Se bem me lembro, o «filme» foi rodado numa vivenda em Rio de Mouro, Sintra, e a premiére aconteceu na mesmíssima casa onde tudo - o filme - se passou. Se bem me lembro, a animação era muita. A cerveja também. A actriz era a Maria João Cruz, então jornalista, hoje produtora das Produções Fictícias.
Ontem, diverti-me a (re)ver A Vida com Jugal do Casal Ventoso. Obrigado SIC-Radical.
|| Nuno Simas, 22:11 || link || (8) comments |

Ó Domingos, pá!

Obrigado, pá, Domingos, pá, pela mensagem, pá. Há muito, pá, que não recebia, pá, uma mensagem, pá, de um leitor como tu, pá, sem papas na língua!

Reza assim:
Triste e pouco conhecedor!

"Triste e pouco americano. Por isso, é um bom filme", escreve NS no vosso blog sobre o fabuloso "mystic river". Tem razão em muita coisa que refere acerca do filme, perde toda a razão com esta frase final...
Finalmente, um conselho para NS: vai ao cinema, pá!, é a arte completa! Vais ver que há muitas coisas "Tristes e pouco americanos, por isso bons filmes"...

domingos


Obrigado, pá!, por me esclareceres, pá, que o cinema, pá, «é a arte completa!»
Bem haja!
|| Nuno Simas, 21:43 || link || (4) comments |

Salvar o Odéon

Felizmente ainda há quem manifeste indignação perante o assalto que tem vindo a ser feito aos antigos cinemas de Lisboa. Algumas salas foram impunemente destruídas, outras transformadas em centros comerciais, etc.
Face à ameaça de demolição do Odéon, um grupo de corajosos apresentou um louvável projecto de reabilitação que pretende devolver à cidade uma sala repleta de memórias. Espreitem aqui.
Não deixem também de participar no leilão virtual do espólio do Odéon, onde podem comprar (simbolicamente) as velhinhas cadeiras da sala. Cada uma custa apenas 2,5€.
|| mjo, 21:40 || link || (4) comments |

Causa Nossa (II)

Nem o facto de um autocarro ter caído inteirinho numa majestosa cratera em Campolide, ou do PEC ter caído noutra em Bruxelas, nos permite fingir que não demos conta do facto noticioso do dia: nasceu o Causa Nossa. Mais do importante é, acima de tudo, interessante.

É interessante ver que em Vital Moreira há, afinal, um adolescente de mochila às costas, bilhete do inter-rail no bolso das jeans, a descobrir Itália: “Quanto me sobra o tempo (o que é raro, porém), pego no encantador roteiro veneziano de Corto Maltese, o meu herói de banda desenhada predilecto.

É também interessante – embora não absolutamente surpreendente - perceber o que levou Jorge Wemans a aderir à blogosfera: o “gosto da conversa – entre a cavaqueira, a crítica e o excesso próprio da polémica e do humor”, aliado à “certeza de que não vai ser preciso contabilizar, nem saber quem paga, os custos desta outra forma de continuar a conversar”.

É interessante saber que Luíz Nazaré se assume desta forma: “Sou pecador. Não aspiro à santidade nem cultivo valores de pureza.” E deixa-nos em pulgas a promessa: “Que se lixem os consensos, as conveniências e o conservadorismo lusitano. Farei disso a minha causa.

Tudo isto é interessante. Mas o verdadeiramente importante - dramático mesmo, diríamos – é a vastíssima colecção de banalidades/vulgaridades/clichés do politicamente correcto/e outros horrores inomináveis que detectámos no editorial do blog (que é daqueles editoriais à “novo” DN, sem autor).

Segue a lista:

1. "Queremos contribuir para pensar Portugal e o mundo onde nos inserimos, para além da visão imediata dos calendários políticos e eleitorais."

2. "Mas ele [o nome do blog] revela também metaforicamente o objectivo que nos move, ao serviço da causa do debate democrático numa perspectiva humanista e progressista. Uma causa nossa que gostaríamos de partilhar com todos os que quiserem juntar-se a nós."

3. "Respeitaremos os cânones mais exigentes de um espaço público de opinião. Este espaço não pretende ser uma expressão fútil de confessionalismos pessoais nem de proselitismos ideológicos ou políticos."

4. "Pretendemos privilegiar a discussão de ideias e a controvérsia dos argumentos. Discutiremos opiniões e atitudes, não atacaremos pessoas."

E agora a tradicional cereja no topo do conveniente bolo. Atentem bem nisto:

Queremos ser uma referência na esfera bloguística.

Uff!

PS - Amanhã talvez se produza um comentário a outro hino à maçadoria incluído no mesmo blog, o post "Futuro".
|| JPH, 21:23 || link || (4) comments |

Causa Nossa

Nasceu hoje o Causa Nossa, blog de uma imensidão de pessoas interessantes. O Glória Fácil regista o momento, anunciando, também, que está a preparar a lista das inúmeras banalidades/vulgaridades/clichés que lá detectamos. Soyez Bien Venus.
|| JPH, 19:46 || link || (4) comments |

Lixo, lixo, lixo

"Portugal pode estar em recessão técnica mas não é por falta de livros e jovens romancistas". Caro Pedro, nem "livros" nem "jovens romancistas", mas "exercícios" e "comerciantes".
O fenómeno não acontece apenas em Portugal, mas ocupamos um dos primeiros lugares no "ranking" europeu do lixo editorial (escrever lixo literário será já um elogio).
A julgar pelas vendas, a montanha de lixo tende a aumentar todos os anos. Ou será melhor, talvez, dizer todos os meses? O descalabro é tal que vemos hoje "autores" a fabricar anualmente dois ou mais títulos. Muitos deles até usufruem da "protecção" de supostos "ilustres escritores", que pavoneiam o "mérito" de descobrir eventuais novos talentos e exibem a sua alegada superioridade literária nos prefácios ou nas apresentações dos livros. Dá jeito para eles próprios e também para as editoras.
|| mjo, 19:36 || link || (5) comments |

“O trabalho liberta” em Pinheiro da Cruz

Posso fazer literatura com isto. Posso indignar-me. Posso perguntar: que raio de país é este – e preencher o resto da frase com pontos de exclamação e interrogação. Posso até dizer: um homem faz-se fazendo um filho, plantando uma árvore, escrevendo um livro, visitando Auschwitz – mas, se tiver que escolher, que visite Auschwitz.

Posso tudo, e até contar que hoje ao almoço bebi dos melhores tintos nacionais, “Pinheiro da Cruz”, vinho produzido na prisão que lhe dá o nome. E que no rótulo se lê que “a sua alma nasce de sentimentos que os reclusos põem neste trabalho que os liberta”. Trabalho que liberta, trabalho que liberta, isto recorda-me qualquer coisa – “Arbeit macht Frei", se não me engano. Há horrores escondidos onde menos se espera.
|| JPH, 17:25 || link || (4) comments |

segunda-feira, novembro 24

Momento de bárbara beleza

O sr. José Vitorino, presidente da Câmara de Faro, é autor da piada da semana. Um momento de rara beleza.
Foi na inauguração do estádio de Faro. Para o Euro-2004. Foi uma inauguração sem jogo de futebol inaugural. Para economizar, claro, a conselho da senhora ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, claro, que Deus a guarde.
Disse o sr. Vitorino: «Somos um País relativamente pobre. Não podemos andar a esbanjar dinheiro por tudo e por nada.» [Frase retirada da TVI]
O único «futebolista» que se vislumbrou na inauguração foi o sempre sorridente ministro do Euro, José Luís Arnaut. Era vê-lo a dar o pontapézito inaugural na bola. Outro momento de rara beleza.

Talvez não se lembrem, mas:
a) o estádio de Faro custou cerca de 35 milhões de euros;
b) uma parte das bancadas será destruída depois do campeonato europeu porque parece que não há algarvios suficientes para encher o dito estádio em jogos normais.

Eu adoro Portugal! Eu adoro o futebol!
|| Nuno Simas, 22:39 || link || (4) comments |

Mystic River

Clint Eastwood fez um filme magnífico, Mystic River. Não é um filme moralista e foge àquela praga dos happy end. É um filme sombrio. Há mortos. Há assassínios e assassinos de vária estirpe. Há equívocos. O elogio da amizade (essa «coisa» politicamente correcta que povoa muitos filmes americanos) ficou no tinteiro da história destes três amigos unidos por um terrível segredo de juventude, que Clint Eastwood transpôs para celulóide.
Mas Mystic River, com toda a sua violência, tem algo de retemperador: a família aparece como elemento de redenção. E onde também não falta uma traição.
Triste e pouco americano. Por isso, é um bom filme.
Post Scriptum. Desculpem lá ser esta uma «posta» em código, mas não queria contar nem a história nem o final do filme!
|| Nuno Simas, 22:20 || link || (5) comments |

Em directo... de Londres

Boas vindas ao estrangeirado que escreve de Londres.
Londres, diz ele, não é lá muito civilizado (os cigarrinhos, não é?). A «posta» sobre Guantanamo mostra que o rapaz continua em forma, mesmo citando um editorial do The Independent. Aqui fica um bocadinho: Enquanto houver uma prisão onde os presos não têm direito a advogado, não podem ver um familiar, não são acusados de nada, não têm sentença nem prazo de libertação, onde há suicídios e tentivas de suicí­io a rodos, onde, como suspeitamos todos, há tortura... enquanto houver isto tudo, é impossível perceber a linguagem do «sr.presidente». O «sr. presidente» é aquele moço... o Jorge Dabliu.
|| Nuno Simas, 21:15 || link || (4) comments |

Ondas

Saudações ao Ondas, o novo blog sobre surf criado, entre outros, pelo relativo Pedro Adão e Silva. Devo dizer que o assunto rings me a bell. Tive muitos amigos surfistas em Carcavelos. Quando iam para o mar eu ficava na areia a fazer-lhes companhia às namoradas. Dostoiesvski não fazia parte da agenda. Mas o meu profundo conhecimento da biografia do Jim Morrison surtiu, por vezes, o efeito pretendido.
|| JPH, 14:22 || link || (8) comments |

Ambivalência

Passeio na blogosfera, dou de caras com a classe média e fico a saber que há quem ache que, aqui o Glória Fácil, é ambivalente. Não sabia. Fico a saber. Também nos conhecemos pelos olhos dos outros!

Nos blogs recomendados pela classe média há três categorias: Alta Sociedade, Em Apreciação e Ambivalências.

O que vale é não estarmos sós. Temos uns quantos vizinhos ilustres, como O Intermitente, Abrupto, Barnabé, Valete Frates, Vitamina C.

Vejamos o que diz o Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora)

Ambivalência s. f. qualidade do que tem dois valores; coexistência de sentimentos antagónicos em face do mesmo objecto.
|| Nuno Simas, 14:20 || link || (4) comments |

sexta-feira, novembro 21

Here we go again (eu a "querer conversa")

Leio esta frase no Aviz (post "Istambul"):

"Se as bombas contra «interesses britânicos» estão já a ser justificados abertamente («Vêem, vêem?...») pela participação da Inglaterra na guerra do Iraque («É bem feito...»), já os ataques às sinagogas mostram a face abjecta da guerra civilizacional (religiosa incluída) que nos aproxima da barbárie."

Meu caro Francisco: onde é que alguém disse e/ou escreveu "é bem feito", ou mesmo algo parecido? Quem é? Conseguirás, meu caro (repara no meu tom civilizado) comentar outros "comentários" que não aqueles que tu próprios inventas? Porque não crias um pseudónimo blogosférico anti-semita, pró-Al Qaeda e anti-americano primário (ou mesmo universitário) para dizer umas alarvidades que tu depois possas comentar no teu respeitável/assumido/indignado Aviz?

Parecia-me bem. Por mim digo-te que nutro uma admiração sem limites por aqueles jogadores de xadrez que conseguem jogar com (e contra) eles próprios. >
|| JPH, 16:41 || link || (4) comments |

Istambul, Luanda, Darwin

Passei uns dias em Istambul, em Setembro. Achei a cidade assim-assim. Excesso de História para meu gosto, confesso. E um trânsito impossível. Mas registei um final de tarde muito comoventemente ecuménico (e divertido também, com cantorias ladinas) na sinagoga Neve Shalon, há dias alvo de um atentado. Os judeus turcos eram, até esse dia, dos judeus mais felizes do mundo, porque a Turquia sempre os tratou bem.

Depois fui a Luanda. Aí, face à miséria, passei a achar Istambul lindíssima - gostamos dos sítios comparando uns com os outros. O que me leva a dizer, comparando tudo, que o que prefiro mesmo é Darwin, Austrália, cidade capital dos Territórios do Norte. O único monumento que lá vi foi numa autoestrada. No espaço em terra batida entre as faixas de rodagem colocaram uma placa a dizer: "Pista usada durante a II Guerra Mundial". E pronto.

Uma cidade habitada por uma fauna humana a meio caminho entre o Crocodile Dundee e os ZZ Top (com muitos aborígenes pelo meio e emigrantes asiáticos das mais variadas proveniências) merece ser eternamente revisitada. Morro de saudades. E o humor australiano mata-me:

- Há tubarões na praia?
- Não. Os crocodilos comeram-nos todos...
|| JPH, 14:02 || link || (7) comments |

A descriminalização do aborto (II)

Continuação do artigo de Vasco Rato, no "Independente"

"Depois de ter resistido aos projectos totalitários do século XX, a direita deve manter-se fiel a esta tradição libertária. Não se pode pedir que o Estado seja afastado da 'economia' e, depois, exigir que esse mesmo Estado se transforme num guardião de valores e princípios morais que, mesmo se maioritários, nunca poderão ser consensuais numa sociedade pluralista. A direita deve assumir uma postura intransigente em defesa do pluralismo e não da 'maioria moral'.

A segunda questão que se apresenta prende-se com a moralidade do aborto. Para a direita tradicionalista, a interrogação nem sequer se põe: o aborto é sempre 'imoral'. Tal absolutismo e intolerância ignoram as 'realidades' que levaram uma mulher a interromper uma gravidez. Se recusarmos a ideia de que os 'juízos' devem ser feitos no abstracto - sem medir as consequências de tais juízos para as pessoas - as realidades subjacentes à decisão de abortar assumem uma relevância gigantesca. Algumas mulheres, por razões de natureza profissional, engravidam sem estarem preparadas para a maternidade. Outras não terão condições materiais para garantir uma vida digna à criança. A gravidez também pode resultar de casos extra-conjugais ou da irresponsabilidade adolescente.

Pode dizer-se que nenhuma destas razões justifica o aborto. Talvez. Mas tal juízo ignora o contexto da decisão e as consequências que uma gravidez indesejável poderão ter na vida das pessoas, inclusivé da dos recém-nascidos. Nenhuma mulher opta por interromper a gravidez de maneira leviana. São decisões dolorosas que deixam marcas psicológicas e emocionais duradouras e, por vezes, levam ao colapso dos relacionamentos. E se o aborto é uma opção traumática, porquê transformar a mulher numa criminosa? Salvaguardando as três excepções previstas na lei, qualquer mulher que opte por fazer um aborto é uma criminosa. E é aqui que reside o problema essencial: o Estado criminaliza escolhas que deveriam ser do foro privado.

Nenhuma reflexão sobre o aborto pode escamotear o essencial: quando começa a vida? A resposta que se dá a esta interrogação é decisiva, porque determina a resposta que se dá às duas anteriores. Definir o começo da vida pressupõe definir o fim da vida. Hoje, a morte clínica ocorre no momento de cessação da actividade cerebral. Se assim é, faz sentido adoptar a definição de 'vida' aceite pela esmagadora maioria da comunidade científica: a vida começa quando se verifica actividade cerebral. Eis uma definição inequívoca e universalmente aplicável. Significa isto que um feto - até ao início da actividade cerebral - não é uma vida humana. Concordo que o 'direito à vida' é sagrado, apenas discordo de definições ético-religiosas quanto ao início da vida. Pode, é certo, adoptar-se a posição de que a vida começa na concepção e que os fetos são 'vidas potenciais'. Porém, se assim é, as excepções hoje concedidas pela lei - aborto em caso de violação, grave deformação do feto ou grave perigo para a vida da mãe - logicamente deixariam de ser permitidas.

Em Portugal, devemos descriminalizar o aborto, mas não devemos ignorar que muitos portugueses se opõem a essa medida. De facto, julgo que seria uma afronta a estes cidadãos se o aborto fosse pago pelos seus impostos. A solução política é, portanto, permitir o funcionamento de clínicas privadas, mas o custo do aborto seria sempre suportado por quem opta por esse caminho. Tal como o Estado não deve criminalizar uma decisão individual, não há razão para que o Estado pague as despesas dessa decisão através do Serviço Nacional de Saúde. Numa sociedade pluralista, julgo que esta solução é a única que poderá respeitar as sensibilidades de todos os cidadãos. Não terá a "coerência" dos absolutistas, mas poderá humanizar uma lei hipócrita que é sistematicamente violada com toda a impunidade".
|| asl, 13:23 || link || (4) comments |

A descriminalização do aborto

Passo a citar o artigo de Vasco Rato, no "Independente" de hoje que é um dos primeiros apelos públicos de uma personalidade de direita à descriminalização do aborto (que eu tenha visto).

A descriminalização do aborto

Inconformado com o resultado do último referendo, o Bloco de Esquerda (BE) pretende realizar uma nova consulta popular sobre a "interrupção voluntária da gravidez". Presume-se que continuará a exigir referendo atrás de referendo até ao dia em que esteja plenamente satisfeito com os resultados. A obsessão plebiscitária do BE revela um profundo desprezo pelos mecanismos da democracia representativa mas, na medida em que introduz a possibilidade de um debate clarificador sobre o aborto, a iniciativa oferece uma oportunidade para reflexão. Mais: chegou o momento de a direita adoptar uma postura arejada em relação ao aborto.

Julgo que a discussão sobre este problema terá de assentar em três pilares: o começo da vida, a moralidade de criminalizar o aborto e, terceiro, a filosofia do Estado em relação às "questões sociais". Comecemos pelo fim: qual deve ser a relação entre o Estado e a esfera privada dos cidadãos? Genericamente, o Estado deve inibir-se de legislar sobre assuntos que apenas respeitam à moralidade e a comportamentos individuais que em nada afectam o bem-estar e a segurança da comunidade. O Estado não pode, portanto, colocar-se numa posição de "árbritro" de gostos, opções ou moralidades. Dito de modo mais simples, o Estado nada tem que ver com as nossas vidas pessoais nem deve intrometer-se no exercício das nossas escolhas e liberdades.


(CONTINUA)
|| asl, 11:54 || link || (5) comments |

Ainda "Os bichos"

O Colaço, da Ânimo, lamenta que não se possa matar o bicho n' "Os Bichos". Ó Colaço, depende das horas a que uma pessoa se levante. Levantar às onze e ao meio-dia e meia ir comer uns chouriços alentejanos parece-me um excelente mata-bicho.
P. S. Informação publicitária suplementar: por enquanto, "Os Bichos" (rua dos Poiais de São Bento, 108, perto do Cantinho da Paz) nunca fecham.
|| asl, 11:43 || link || (5) comments |

Metabloguismo

O blogue é para impetuosos: os que abrem isto e, num instante, despacham uma ideia com as vírgulas no sítio. Os outros estão condenados ou a deixar-se ir pelos seus raros ímpetos (e a escrever pouco) ou a dedicarem-se à patética figura de "treinar" postes: espera aí meia-hora que eu tenho de apurar um "post". Acho que não consigo escrever mais por isto.
|| asl, 11:37 || link || (4) comments |

quinta-feira, novembro 20

"Os bichos" atacam amanhã

Abre amanhã (finalmente) o restaurante "Os bichos", na Rua Poiais de São Bento, 108, perto da Assembleia da República e do agora concorrente Cantinho da Paz.
As famosas empadas de Nisa, enchidos alentejanos, ensopado de borrego, peixe à posta e saladinhas mediterrânicas variadas para quem estiver de dieta estão na ementa feita por Susana e Anabela Bicho. A cozinha está aberta até à 1 da manhã.

P.S. Pessoalmente, isto é uma má notícia: deixo de poder ir lá para casa, como era hábito, sentar-me na cozinha e "filar" o jantar.
|| asl, 16:25 || link || (4) comments |

quarta-feira, novembro 19

Fontes seguras garantem que...

Os jornalistas portugueses que acompanham a GNR no Iraque desapareceram (ainda bem) da primeira página dos jornais (pelo menos do PÚBLICO e do DN). Com eles desapareceram, também, os próprios GNR's, coitados. Os "spin doctors" da corporação ponderam, agora, mandar raptar novamente um jornalista ou dois. Não digam que não avisei.
|| JPH, 15:24 || link || (4) comments |

Estás contente por mim?

Não te acontece o mesmo, minha cara? Andas semanas e semanas, meses por vezes, uma imensidão de tempo a folhear livros atrás de livros e não há nem um que te agarre? Sim, que te agarre, que te prenda, que te fixe, que te impeça de o largares, que não te deixe fugir? É uma angústia, não o sentes? Eu sinto. Mas já adoptei uma solução: a culpa é dos livros. Estão mal escritos, ponto final. Ou não estão escritos para mim, parágrafo.

Nessas alturas apetece-me, sempre, voltar às minhas adorações: a "Viagem" do Céline, o Eça (quase tudo, a começar pelo "Crime do Padre Amaro"). Mas agora não posso, desconheço-lhes o paradeiro - mudanças de casa, livros encaixotados, sabes como é.

Eu andava nisto há semanas, desde o "Koba o Terrível", do Martins Amis. Mas ontem acabou-se. Numa edição de bolso da D.Quixote encontrei o "Cândido", de Voltaire. Derreteu-se a angústia num segundo. Estás contente por mim?
|| JPH, 14:17 || link || (4) comments |

Lobo Antunes e a guerra colonial

Segui, com a atenção possível, a conversa de António Lobo Antunes com Rodrigo Guedes de Carvalho, na SIC/Notícias. Gostei do tratamento por tu. Gostei que Lobo Antunes fosse autorizado a fumar. Gostaria, depois da entrevista, de perceber o que é, para ele, escrever sobre isto ou aquilo. Digo-o porque o escritor afirmou, a certa altura, que nunca escreveu sobre a guerra colonial. Ora tenho a impressão que Lobo Antunes não escreve sobre outra coisa de há 25 anos para cá. Aqui e aqui também se comenta a entrevista.
|| JPH, 13:12 || link || (4) comments |

Silêncio e variações

A proliferação dos manuais de auto-ajuda, dos artigos de revistas cor-de-rosa e a omnipresença dos psicoterapeutas para todo o serviço alcandorou a palavra "diálogo" a uma miraculosa solução (António Guterres serviu-se bem dela na política, mas aqui falamos de outras matérias). Parece, segundo essa caterva de especialistas ou proto, que o "diálogo" favorece, por exemplo, os casamentos. Eu, sinceramente, nunca percebi o que é que há para falar: o amor e etc. percebe-se no silêncio e suporta o silêncio. O resto é vida social.
|| asl, 11:15 || link || (5) comments |

terça-feira, novembro 18

MJO não quer ser secretária-geral

Estou em condições de assegurar que MJO não quer ser secretária-geral - ou presidente - de nenhum partido político; não tenciona, num futuro próximo ou distante, ser candidata à Presidência da República; é-lhe indiferente a Câmara de Lisboa, a do Porto e mesmo a da Figueira da Foz.
Deu-lhe para isto, mas pode ser que passe.

|| asl, 20:47 || link || (4) comments |

Até breve...

A Ana escreveu sobre a eloquência do silêncio. O meu será prolongado.
Prefiro pensar que embarco numa viagem. Sem regresso marcado.
|| mjo, 20:02 || link || (7) comments |

Uma opção difícil

A opção de gerir o silêncio reveste-se de um elevado grau de complexidade. É preciso que os receptores (do silêncio) não incorram na imediata e fatal dedução segundo a qual quem está calado, regra geral, não tem nada para dizer. O recurso à sugestão, às meias-palavras, aos olhares equívocos, a algumas interjeições ou sorrisos, ou mesmo a uma pose esfíngica (cuidadosamente ensaiada) são conhecidos. Acreditem, não é fácil.
|| asl, 16:38 || link || (19) comments |

segunda-feira, novembro 17

Se outros o fazem

Ete blogue, como se pode ver pelos sinais evidenciados ao longo do dia, está a gerir o silêncio. As razões de fundo, provavelmente, são comuns a todos os que se dedicam a essa actividade de gestão.
|| asl, 21:14 || link || (4) comments |

domingo, novembro 16

Back to the future

Valente susto. Teremos sido atacados por piratas informáticos?
Fiz um refresh no Glória Fácil e que vejo?
O post mais recente data de 7 de Novembro de 2003! ! ! ! !
|| Nuno Simas, 22:06 || link || (4) comments |

Ventania

Hoje dormi mal. O vento era tal, lá no burgo, que despertou os alarmes dos carros estacionados nas traseiras do prédio onde vivo. Até às 4 horas da manhã buzinavam de cinco em cinco minutos. «Raios os afundem!», diria Pacheco, o Luiz.
|| Nuno Simas, 21:46 || link || (4) comments |

Jornalistas e guerra

Nunca estive em cenários de guerra ou aproximados. Por isso, falo da cadeira.
Li o que escreveu o JPH. E estou tentado a concordar com o jmf. Mesmo no ponto polémico, o 3º.
E fico por aqui.
Não, desculpem.
Vi o telejornal da SIC e acho que a cobertura do regresso de Maria João Ruela foi um exagero. Estardalhaço a mais.
Agora é que fico mesmo por aqui: espero que a Maria João Ruela recupere rapidamente!
|| Nuno Simas, 21:42 || link || (7) comments |

A SIC, a Maria João e a Jessica Lynch (II)

1. Peço desculpa. Não foi só a SIC que fez directo da chegada a Lisboa do avião do INEM que trazia do Iraque a jornalista Maria João Ruela. A RTP e a TVI também - e, sendo assim, não se percebe nem a ausência da CNN nem da Al Jazeera, e muito menos da BBC.

2. O dr. Balsemão baldou-se (tch, tch...) A estação fez-se representar pelo director de informação, Alcides Vieira. E o governo pelo dr. José Arantes, ex-jornalista, ex-assessor, actual secretário de Estado adjunto do sr. primeiro-ministro. A Globo não mandou ninguém.

3. Aguardemos a palavra do senhor.

|| JPH, 20:08 || link || (4) comments |

A SIC, a Maria João e a Jessica Lynch

A SIC/Notícias está a fazer directos sobre a chegada a Lisboa da jornalista Maria João Ruela. O "pivot" diz, às 19h00, que o avião deverá aterrar dentro de uma 1h00 ou 1h15 - enfim, a tempo do noticiário das 20h00, espera-se.
Os "spin doctors" da estação resolveram transformar a jornalista (que não terá culpa nenhuma nisto, penso eu) na Jessica Lynch portuguesa. Em inglês isto chama-se infotainment, o que em português se pode traduzir por uma valente bosta. Estará lá, no aeroporto, o dr. Balsemão, à espera, ao frio e ao vento, arriscando, também ele, a sua preciosa integridade física? O exemplo só circula de cima para baixo? Não poderá ser ao contrário?
|| JPH, 19:02 || link || (4) comments |

Jornalistas portugueses no Iraque

Tem muito que se lhe diga isto de estar aqui no quentinho a mandar postas de pescada sobre o amadorismo dos jornalistas portugueses que estão no Iraque. Aliás, já vi este número noutras ocasiões, por exemplo em 1999, por causa do acompanhamento do referendo em Timor-Leste.

Sentadinho no Snob

- Ó sôr Albino, trazia-me mais um pucarinho, cháchavor!

ouvi muito boa gente chamar de tudo aos muitos jornalistas portugueses que, pelas mais variadas razões, decidiram sair de lá quando aquilo começou (literalmente) a arder por todo o lado (final de Agosto de 1999).

Obviamente que me merecem muita admiração os que decidiram ficar (Luciano Alvarez, Hernâni Carvalho, José Vegar e Jorge Araújo) sitiados no "compound" da UNAMET. Mas entendo muito bem quem achou que não tinha condições para ficar. Ou quem, pura e simplesmente, teve medo de ficar.

Estive lá depois, dois meses, entre meados de Setembro e meados de Novembro desse ano, e percebi claramente que, por aquelas bandas a vida humana não tem qualquer espécie de valor. Corta-se uma cabeça à catanada com a maior das facilidades, acreditem-me. Como alguém me disse, ali a máxima beleza convive de muito perto com o máximo horror.

Mas em Timor uns ficaram e outros partiram. No Iraque, agora, todos quiseram ficar. Eram menos, também, e isso conta (é mais fácil tomar decisões de grupo quando o grupo é pequeno, como era o caso).

Mas é isto, precisamente, que me irrita. Quando um jornalista, por medo do "sindroma do mariquinhas" que depois enfrentará na redacção, não pensa por si mas sim pelo que os outros camaradas envolvidos na mesma situação pensam. Esses camaradas são, afinal, e acima de tudo, concorrentes. Como dizia o Paulo Camacho, na SIC, a partir do momento em que um decidiu ir os outros não tiveram outro remédio se não decidir o mesmo. Quer dizer: não decidiram nada. Chateia-me quando a razão se ausenta.

|| JPH, 16:25 || link || (5) comments |

VPV

Sim, tens toda a razão meu caro jmf, isto é realmente extraordinário: Vasco Pulido Valente está de volta, em grande forma, e logo nas páginas do meu jornal (eh!, eh!, eh!).
|| JPH, 15:35 || link || (5) comments |

sábado, novembro 15

She’s so good (II)

Shyznogud perguntou ao Glória Fácil: "Como é ser jornalista em dias como o de ontem?" Respondo por mim, only me. [Para quem não sabe, o dia de ontem foi o dia em que, no Iraque, raptaram o Carlos Raleiras (TSF) e balearam a Maria João Ruela (SIC).]

É difícil a resposta. Continua a ser, até que libertem o Raleiras [mas a SIC começou exactamente agora a noticiar que essa libertação acabou de ocorrer, embora sabendo que ele ainda não se encontra numa situação completamente controlada]. Mas enfim, só me ocorre um lugar-comum: um aperto no coração - angústia. Uma certa sensação de atordoamento. É importante aqui dizer-se que não conheço nem o Raleiras nem a Maria João. Ou seja: não há nenhuma componente pessoal na minha reacção.

Passado isto, racionaliza-se. No meu caso, sob a forma de irritação.

Irritação 1: Que algumas redacções tenham ligado para o telefone do Carlos Raleiras. Foi a tal ponto que a TSF se viu obrigada a fazer, em antena, um apelo para parassem com os telefonemas, explicando o que toda a gente devia ter pensado de início: que isso podia pôr em risco o jornalista. A estupidez humana não tem limites. E agora irrite-se comigo quem quiser.

Irritação 2: Juízos demasiado apressados sobre o amadorismo dos jornalistas envolvidos naquele incidente. Não sei se são juízos correctos ou não. Sei, para já, que são apressados. Calma.

Irritação 3: Comigo próprio. Queria poder dizer mais – saber mais para poder dizer mais. Mas não sei. Isso implica ter de me aguentar – o que em mim é completamente contra-natura. De todos os problemas é este o menor.

Irritação 4: Reconhecer razão a Paulo Camacho que ontem, na SIC, afirmou: “Bastava um dos jornalistas ter dito que avançava para todos os outros terem de o fazer.” Infelizmente é assim. Parece-me que está aqui o cerne da questão. A ver vamos.
|| JPH, 18:03 || link || (4) comments |

She's so good

Volta não volta recebemos mail dela, da que se assina Shyznogud (e que eu desconheço em absoluto quem seja). Tem sido uma correspondência muito, muito simpática. Vou reproduzir a última cartinha (e em versão ipsis verbis) por duas razões:
1. Faz-me bem ao ego;
2. Tem uma pergunta no fim que me interessa responder.

Bom dia...

Já não é a primeira vez que vos escrevo.. se voltará a acontecer ou não depende dos vipes. Vou começar este mini-mail pelo "principio", é outra que tenho entalada há muito tempo. Acho uma idiotice pegada aquelas opiniões que vos "exigem porq são jornalistas" uma postura de jornalistas (seja lá o q isso for... às vezes o que me parece é q vos exigem uma postura acritica, sem paixão, sem causas... bah!um horror, "portantus") neste mundinho bloguento. Claro q a vossa visibilidade pública tem efeitos, desde logo porq potencia a curiosidade dos blog-leitores. Não nego q as minhas primeiras visitas ao Glória Fácil foram muito fortemente marcadas pelo encanto (sou dada a encantamentos, quéquei-de fazer?) que tinha pela Ana Sá Lopes. Mas rapidamente descobri novos motivos de deliciamento ... o vício alargou-se aos outros escribas (assumo q a acidez, a "brutalidade" do JPH me caíram no goto de forma especial).
Bem... mas tanta conversa para quê, afinal? Easy... não são os jornalistas que leio no Glória Fácil... mas também são. E há momentos em q a vontade de misturar as duas coisas é muito grande...como agora, em q me apetece muito perguntar "Como é ser jornalista em dias como o de ontem?"

até... whenever

Shyznogud


A resposta seguirá dentro de momentos. 'Té já.
|| JPH, 16:37 || link || (4) comments |

O Teodolito

O incauto bloguista lê o texto «Pacheco, o Luiz (II)», tropeça na palavra teodolito e interroga-se: o que significa?

O Glória Fácil está ao serviço dos seus leitores e esclarece, com o auxílio do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia de Ciências de Lisboa:

Teodolito. s. m. Instrumento óptico usado em topografia e geodesia para medir ângulos verticais e horizontais, em meteorologia para determinar o vento em altitude e ainda em astronomia para medir as coordenadas horizontais de um astro.
|| Nuno Simas, 00:30 || link || (6) comments |

sexta-feira, novembro 14

Cuba

Escrevi há umas semanas uma «posta» sobre os presos de Cuba. Ontem, a Lusa deu a seguinte notícia:


Cuba: Libertado jornalista independente após mais de seis anos de prisão

Havana, 14 Nov (Lusa) - O jornalista cubano independente Bernardo Arevalo Padron foi libertado quinta-feira na província de Camaguey (leste de Cuba), depois de cumprir uma pena de prisão de seis anos por "ultraje" ao governo do presidente Fidel Castro, anunciaram hoje familiares.

"Efectivamente, ontem (quinta-feira), Bernardo foi posto em liberdade e encontra-se com a mulher em Camaguey", 500 quilómetros a leste de Havana, declarou à France Presse Laura Pollan, mulher do dissidente Hector Maseda, ele próprio condenado a 20 anos de prisão em Março, depois de ter sido detido juntamente com outros 74 opositores ao regime.

Bernardo Arevalo Padron - fundador da antiga agência noticiosa independente Linea Sur Press, que operava ilegalmente na ilha - foi julgado a 28 de Novembro de 1997 e condenado a seis anos de reclusão por "ultraje" e actividades anti-revolucionárias.

O dissidente declarou por telefone a Laura Pollan que "está de boa saúde, apesar de se sentir um pouco nervoso, depois de tantos dias de clausura", e que irá à capital cubana nos próximos dias, disse a mulher de Maseda.

|| Nuno Simas, 23:27 || link || (4) comments |

Pacheco, o Luiz (II)

O Daniel Oliveira leu o meu post sobre a Pachecal figura.

Conclui ele:

«(...) o drama do Pacheco, um editor excelente e um escritor subaproveitado, é que montou uma personagem e as pessoas acham mais graça à personagem do que ao seu génio. Tem graça que tenha pedido, via postal, à Gulbenkian, um subsídio para os seus óculos. Tem graça que não hesite em falar mal dos que mais o ajudam. Mas é pena, porque o Luiz Pacheco não tem só graça.»

Sei que Pacheco, o Luiz, escreveu, ao longo dos últimos anos, algumas dezenas de páginas em registo diarístico, ainda por publicar. Espero que sejam reunidos em livro. O melhor mesmo seria a Pachecal figura abrir um blog. Deixo uma sugestão de nome: oteodolito.blogspot.com
|| Nuno Simas, 22:39 || link || (4) comments |

Fragmento de um discurso amoroso

AM
|| asl, 17:34 || link || (5) comments |

Jornalistas portugueses no Iraque

Sobre estas histórias dos jornalistas portugueses no Iraque - um (Carlos Raleiras, TSF) raptado, outra (Maria João Ruela, SIC) atingida a tiro - há, infelizmente, muito que dizer. Mas, para já, não é a altura. Quando tudo se resolver, então sim.

Entretanto, o Glória Fácil associa-se ao apelo da TSF dirigido a todos os órgãos de comunicação social: PAREM DE LIGAR PARA O TELEMÓVEL DO RALEIRAS!
|| JPH, 15:35 || link || (4) comments |

quinta-feira, novembro 13

Pacheco, o Luiz

Pacheco, Luiz Pacheco, é, dizem, um libertino. Um escritor maldito, dizem. O próprio berra, grita que não. Também o escreveu, em Literatura Comestível (1972). «Raios afundem [os que], por ternura de simpatia, escárnio maldoso ou parvoíce me chamam escritor maldito».

Tem uma língua afiada. Palavras que, se fossem facas, matavam (isto é uma figura de estilo...). Quando não gosta de alguém, chega a ser violento, brutal. Que o diga Saramago.
Dá-se ao trabalho de comparar textos para concluir que alguém plagiou outro alguém.
Mas quando gosta de alguém, gosta e elogia. Que o diga Pedro Paixão.

Luís Pacheco também foi editor. Editou livros de Cesariny, Herberto Helder – dois dos maiores poetas portugueses (felizmente) vivos.

Teve uma vida atribulada. Passeou por Braga, a Idolátrica, o seu esplendor. Viveu com raparigas. Casou com elas. Ensinou-lhes a escrever. Fez filhos. Muitos.

Cruzei-me com ele, há alguns anos, em Setúbal. Vestia umas calças curtas, sapatos largos. Andava na rua, apressado, passo largo, com um saco de plástico na mão. Lá dentro tinha as bombas para a asma. Trocámos umas palavras ocasionais num café. Pacheco atirou a uma amiga minha: «Ó fulana, tás cá com um pernão!...» Sem ofensas. Eram velhos conhecidos.

Um colega (velho jornalista) contou-me que, no tempo do grupo do Café Gelo, Luiz Pacheco aparecia a cravar umas moedas: ora era para um imposto cultural, ora para venda antecipada de livros. Um dia chegou com uns sapatos velhos e gastos. Alguém lhe quis oferecer uns sapatos e perguntou que número calçava. Pacheco, habituado a usar o que lhe dava jeito, deu uma resposta singular: «Calço tamanho universal.»

De Pacheco, Luiz, reproduzo um parágrafo de Comunidade. Um texto é de uma crueldade terna:

«Quando a dor no peito me oprime, corre o ombro, o braço esquerdo, surge nas costas, tumifica a carótida e dá-lhe um calor que não gosto; quando a respiração se acelera em busca de uma lufada que a renasça, o medo da morte da morte afinal se escancara (medo-mor, tamanha injustiça, torpeza infinita), aperto a mão da Irene, a sua mão débil e branca. Quero acordá-la. E digo: «Não me deixes morrer, não deixes...». Penso para comigo, repito para me convencer: «Esta pequena mão, âncora de carne em vida, estas amarras suas veias artérias palpitantes, este peso dum corpo e este calor, não me deixarão partir ainda...» E aperto-lhe a mão com força, e acabo às vezes por adormecer assim, quase confiante, agarrado à sua vida. Ah, são as mulheres que nos prendem à terra, a velha terra-mãe, eu sei, eu sei! São aquelas que nos salvam do silêncio implacável, do esquecimento definitivo, elas que nos transportam ao futuro, à imortalidade na espécie (nem teremos outra) pelo fruto bendito do seu ventre (eu sei, eu sei...).»
Mas Pacheco é mesmo um escritor maldito. Na Net, pelo menos. O Google tem apenas três ou quatro referências ao Homem. [Versão corrigida e aumentada]
|| Nuno Simas, 23:13 || link || (4) comments |

Eu, pois

Passámos as 50 mil page views. O dia de celebrações foi ontem. Chego atrasado. O que já me valeu uma boca do JPH, via SMS.
Li os poemas postados pela ASL, MJO e JPH. Optei por não postar poemas. Lembrei-me de Pacheco, o Luiz. E de um dos melhores textos da Pachecal figura, a Comunidade.
|| Nuno Simas, 22:51 || link || (5) comments |

Avia mas é as notícias!

O gajo do 'post' abaixo é um bruto infame. Defende a pornografia, usa linguagem grosseira amiúde, tem "trashy pleasures" e um gosto pelo humor de fim de linha. Lá porque o 'post' abaixo é precioso (ler em espanhol, p.f.), comovente, desconcertante e doce (tudo o que eu gostava sempre de ver num 'post') não sejam levados ao engano.
J.P.H., avia as notícias porque temos que fechar as páginas!
|| asl, 15:35 || link || (4) comments |

Eu e o Jim Morrison...

...conhecemo-nos em 1980, tinha ele morrido há nove anos.
O encontro deu-se numa das docas de Belém. Eu e amigos preparávamos o velho Barco Íris para nos fazermos ao mar. Um veleiro sensacional, de madeira, metia água por todo o lado, com vela de carangueja e totalmente desprovido de molinetes. E estava nisto quando se ouviram uns acordes de piano eléctrico no ar. Um piano rodeado de chuva e longínqua trovoada.

Riders on the storm
There’s a killer on the road...


Informei-me

- Quem são estes?

O meu irmão, escandalizado com a pergunta – como era possível tanta ignorância? - rosnou

- São os dóres

E assim fomos apresentados.
O passo seguinte dei-o com o meu pai. Perguntou-me que prenda queria para os anos. “Um disco”, mas não disse qual e ele também não perguntou. Fomos a uma discoteca, eu corri para os “Dês”, e tirei o primeiro que me apareceu.

- É este.

E o meu pai pagou. Depois queixou-se do preço. Só nessa altura reparei que tinha tirado um disco duplo, o “Absolutely Live”.
Quando o pus a tocar detestei. A única música minimamente aceitável, para os meus ouvidos então ultra-sensíveis, era o “Alabama Song”, da dupla Brecht/Weil

Oh show me the way to the next whiskey bar
Oh don’t ask why, oh don’t ask why


Com o tempo fui aprendendo a ouvir o disco. E comprei outros. Toda a discografia. E biografias da banda. Hoje sei que partindo disso tudo cheguei a Baudelaire, a Verlaine, aos “Cantos de Maldoror”, a Rimbaud, a Céline.

Não há portanto perdão para a vigarice que se prepara para os dias 6 e 7 de Dezembro, no Pavilhão Atlântico. Quem lá for escusa de ser leitor do Glória Fácil. Não quero audiência dessa.
|| JPH, 14:00 || link || (4) comments |

quarta-feira, novembro 12

(Não gosto de) Celebrações (V)

Não entendo o que se passa, mas a coisa parece ser grave.
O João Pedro "posta" um poema do David Mourão-Ferreira - o mesmo JP que ainda há poucos dias destilava o seu ódio contra a poesia; e a Ana mergulha no lirismo e canta baixinho Chico Buarque.
Uma pessoa sai da redacção para uma ronda pelas urgências pediátricas do hospitais e quando regressa dá com isto: dois amigos às voltas com comemorações poéticas e a ordem para intitular todos os "posts" de hoje com a palavra "celebrações".
Só faltam mesmo os "confettis"...
|| mjo, 17:11 || link || (4) comments |

Celebrações (os nossos “favorites”)

Desde a fundação do Glória Fácil já nos amofinamos/discutimos/polemizamos/cortamos relações/insultamos/indispusemos/irritamos/importunamos/enfadámos [riscar o que não interessa] com os seguintes blogs/bloggers:

Aviz
Outro,Eu
Abrupto
Dicionário do Diabo
Joel Neto
Gabardina
Espuma dos dias
Lisboa a arder
O Vilacondense
Natureza do Mal
Mar Salgado
Ser português (ter que)
Daniel Oliveira
Contra Corrente
Contra factos&argumentos
Último reduto
Almariado
Almocreve das petas
Jaquinzinhos
Comprometido espectador

Obrigado a todos. Quem se sentir injustamente excluído que nos avise, pedindo nós antecipadamente desculpas. Com tempo faremos links.
|| JPH, 17:06 || link || (5) comments |

Celebrações (III)

O que será (À flor da terra)

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo


Chico Buarque/1976
|| asl, 15:49 || link || (6) comments |

Celebrações (II)

Soneto do cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!


David Mourão-Ferreira (1927-1996)
|| JPH, 15:39 || link || (4) comments |

Celebrações (I)

Um dos actos celebrantes das 50 mil "page views" será um post do nosso mais secreto colaborador, o Nuno Simas. Preparem-se, que é coisa fina. Até já.
|| JPH, 15:28 || link || (4) comments |

terça-feira, novembro 11

Anúncio!

O Glória Fácil está quase-quase-quase a atingir 50 mil "page views". Vamos jantar e planear o programa das celebrações: diversas iniciativas que provocarão o espanto mundial.
|| JPH, 22:48 || link || (4) comments |

Isto está tudo ligado (II)

Finda a entrevista a Ferro Rodrigues na RTP, ponho-me à escrita. Finda a escrita, passo para a TVI, onde se transmite o "Big Brother" (alguém tem de ver aquilo, né?). A MJO, irritada com as minhas preferências trashy, muda de canal e vamos parar ao Quim Barreiros. Ora bem: eu até conheço o Quim Barreiros. Em 1995 passei duas semanas seguidas a vê-lo actuar, noite-sim-noite-não. Perguntam-me: onde? Explico: o Quim Barreiros foi a estrela das primeiras partes de alguns comícios de António Guterres - o líder do PS que antecedeu Ferro Rodrigues, que foi por onde comecei este "post". Estão a ver? ´Tá tudo ligado, é-o-que-é!
|| JPH, 22:33 || link || (5) comments |

Cálice

O primeiro disco que tive deve ter sido “Vickie o Vicking”. O primeiro que comprei, numa loja chamada Novipal, que entre imenso entulho também vendia discos, foi o Chico Buarque que tinha o Cálice. Como diria o outro, isto explica tudo. (ISTO É UMA IRONIA)


Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

De muita gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
|| asl, 22:23 || link || (4) comments |

Isto está tudo ligado

Nisto das cabalas de que toda a gente fala - da Casa Pia, de Camarate, da princesa Diana, da Fátima Felgueiras - há uma pergunta que me atormenta. Tentei calá-la, juro que tentei, mas agora não aguento, desculpem. Aí vai: e do Bolama, porque é que ninguém fala?! Pronto, está o desabafo feito.

PS - Só mais uma coisa: obviamente que há cabala neste silêncio sobre o Bolama. Ou não acham isso? Isto 'tá tudo ligado, essa-é-que-é-essa, olá-se-está.
|| JPH, 20:41 || link || (4) comments |

Vão chatear outro!

"Uma das correntes mais fortes - e basta ler os blogues - é exigir aos jornalistas um atestado de santidade (de virgindade, se quiserem...) que não se pede a mais ninguém".
Subscrevo a afirmação certeira do nosso amigo JMF e acrescento: há quem ouse dizer que aquilo que os jornalistas escrevem nos seus blogues "dão má imagem da casa" (entenda-se a redacção onde trabalham) e existem ainda aqueles que insistem em confundir jornalismo com "posts".
Para todos eles: vão chatear outros!
|| mjo, 17:25 || link || (5) comments |

João e Maria

Porque o dia de Verão está a acabar, 'bora lá com mais um post sentimental, que se pode localizar neste magnífico lugar de culto.

João e Maria

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país


Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido


Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim

|| asl, 17:17 || link || (5) comments |

O nosso brinquedo...

é o Glória Fácil, como disse a ASL. Divirtam-se, portanto. Com a devida vénia.
|| JPH, 16:58 || link || (4) comments |

São Martinho

Ele está aí fora, o mais belo Verão.
|| asl, 15:56 || link || (5) comments |

"Agenda da blogosfera" (IV)

Sei que o tema é chato. Arrisco-me, até, a provocar abalos na meteórica progressão que orgulhosamente registo no nosso “site meter”. Mas como não gosto de parecer arrogante - pelo menos perante quem me aborda polidamente - volto, por sugestão deste amigo, ao problema da “análise” da “agenda da blogosfera”.

1. É, na minha opinião, impossível fazer uma análise rigorosa de toda a blogosfera (mesmo que só a nacional) – e foi isto que quis dizer desde o princípio. O objecto é de tal forma difuso que é impossível constituir amostras a partir das quais se possa proceder à análise da dita agenda. Pode-se, quando muito, analisar a “agenda” de partes da blogosfera (dos blogs de jornalistas ou políticos ou de arquitectos ou de mães-galinha, por exemplo). Mesmo assim acho complicado, porque uma coisa é a categoria “profissional” do blogger e outra é o conteúdo do blog. Uma coisa não se reflecte necessariamente na outra, pelo menos a tempo inteiro. (Por exemplo: aqui no Glória Fácil - que, para efeitos de rotulagem rápida, pode ser considerado um “blog de jornalistas” - passamos grande parte do tempo a falar de coisas que nada têm a ver com jornalismo ou com a área que todos acompanhamos, política nacional.)

2. Sendo que é impossível estabelecer-se qualquer tipo de amostra para analisar a blogosfera toda – pelas razões que já expliquei - essa lacuna será preenchida por mecanismos substitutivos. Receio portanto que entrem aqui os preconceitos – as agendas próprias, pessoais, históricas – de quem pretenda fazer, à mesma, a dita “análise” da “agenda da blogosfera”. Ou seja, que a “análise” seja feita para se adequar à “realidade” já mentalmente pré-estabelecida. Creio ser uma desconfiança muito legítima. E referi-la aqui pode ter um efeito preventivo.

3. É tudo o que se me ocorre dizer, meu caro Jorge Camões. Obrigado pelo mail. E, de novo, pela gentileza que revelou. Mande sempre.
|| JPH, 15:56 || link || (4) comments |

Às Notas Verbais

Meu caro Anaximandro,

Sei, há muito, que é um dos portugueses melhor informados sobre os meandros da diplomacia lusa. E, como me andam umas comichões a atazanar a curiosidade, deixe-me que lhe pergunte, directamente e sem rodriguinhos, o seguinte: sabe de algum trânsito, no campo da diplomacia cultural, para Luanda ou Salvador da Baía? Esclareça-nos, se for possível. Um abraço
|| JPH, 13:32 || link || (6) comments |

Side by side in my piano

Gosto muito do Mar Salgado. Apraz-me o Mar Salgado. Agrada-me o Mar Salgado. Me gusta lo Mar Salgado. Ich liebe der Mar Salgado. Mesmo quando os marinheiros se amofinam. (Não confundir, s.f.f., com amotinam).
|| asl, 13:13 || link || (4) comments |

O meu poeta é outro...

...quer dizer, o Luís Vaz não faz exactamente o meu estilo. Prefiro outros, mais concretos e palpáveis, como o Drummond de Andrade, que tem uma antologia poética publicada na D.Quixote. Com a devida vénia à rapaziada do Núcleo Duro, eis umas linhas de Drummond

A bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda
|| JPH, 13:03 || link || (5) comments |

Sonhos

Em sonhos, é sabido
não se morre
aliás essa é a única vantagem

Sérgio Godinho - Lisboa que amanhece
|| asl, 11:57 || link || (7) comments |

segunda-feira, novembro 10

Este é muito comprido

(Continuação)

Se dizeis que encomendando
Os que matastes andais,
Se rezais por quem matais,
Para que matais, rezando?
Que, se na força do orar
Levantais as mãos aos Céus,
Não as ergueis para Deus,
Erguei-las para matar.

E quando os olhos cerrais,
Toda enlevada na fé,
cerram-se os de quem vos vê
Para nunca verem mais.
Pois se assim forem tratados
Os que vos vêem quando orais,
Essas horas que rezais
São as horas dos finados.

Pois logo, se sois servida
Que tantos mortos não sejam,
Não rezeis onde vos vejam,
Ou vede para dar vida.
Ou, se quereis escusar
Estes males que causastes,
Ressuscitai quem matastes,
Não tereis por quem rezar.
|| asl, 23:48 || link || (4) comments |

Voltas a este moto alheio (outra vez o Camões)

Catarina bem promete
Eramá! Como ela mente!


Catarina é mais fermosa
Para mim que a luz do dia;
Mas mais fermosa seria,
Se não fosse mentirosa.
Hoje a vejo piedosa,
amanhã tão diferente,
Que sempre cuido que mente.

Catarina me mentiu
Muitas vezes sem ter lei,
Mas todas lhe perdoei
Por uma só que cumpriu.
Se, como me consentiu
Falar, o mais me consente,
Nunca mais direi que mente.

Se são pelos que mataste,
se por vós, que assim matais?
Se são por vós, são perdidas;
Que qual será a oração
Que seja satisfação,
Senhora, de tantas vidas?

Que se vedes quantos vêm
A só vida vos pedir,
Como vos há-de Deus de ouvir,
Se vós não ouvis ninguém?
Não podeis ser perdoada
Com mãos a matar tão prontas,
Que, se numa trazeis contas,
Na outra trazeis espada.
|| asl, 23:38 || link || (5) comments |

Catarina bem promete, eramá!...

A frase do dia é, naturalmente, de Catalina Pestana. Afirmou a provedora da Casa Pia que nunca "comentou um processo judicial". Eramá!!!! (como diria o Luís Vaz)
|| asl, 23:32 || link || (4) comments |

Susaninha

O meu ego tem dias, mas é razoavelmente contentinho. Mas agora ficou um bocadinho insuflado depois de ler André Belo, do Barnabé, dizer que gosta de ler o que aqui escrevo. A ideia de uma presumível comparação com a Mafalda não é verosímil, mas é enternecedora, porque a Mafalda é um boneco da minha geração (todos queríamos ser como a Mafalda).
Já não pego na Mafalda há muitos anos. Ironicamente, o que me vem neste momento à memória é uma tira em que a Susaninha diz meia-dúzia de frases que são "todo um programa":
Acho que é assim:
Susaninha (a rir-se): Hoje estou muito chateada.
Mafalda: não pareces
Susaninha: É para ninguém perceber que estou chateada.
Mafalda: Mas então não o devias dizer.
Susaninha: Isso seria hipocrisia. Acho muito estranho, Mafalda, que defendas a hipocrisia.

Isto dá para adaptar a vários contextos. Um abraço.
|| asl, 22:24 || link || (7) comments |

Engana-se, engana-se...

Ó André Belo, eu adoro sopa...
|| asl, 21:47 || link || (5) comments |

Pertença

- Apesar daquela ruptura, eles ainda se pertencem. É muito esquisito, mas ainda se pertencem.
F. disse isto e saiu, para dar meia volta ao mundo. Fiquei práqui com o computador, o blogger, o lixo acumulado nesta secretária, livros como "Uma ideia para Portugal" de Durão Barroso ou "O Estado da Nação" de Manuel Maria Carrilho a pensar que quando descobrir a linha da pertença, aviso - e talvez aí então escreva um romance (no máximo) ou abra um consultório sentimental sob pseudónimo (mais plausível).
|| asl, 19:25 || link || (4) comments |

Os velhos

Descia esta manhã a imperialista Av. Estados Unidos da América a caminho do metro, mais ou menos irritada com o atraso, mais ou menos irritada com a manhã, mais ou menos irritada com a insónia de ontem (noite, o que é esta chatice?).
E, no caminho, a ocupar todo o largo passeio, os velhos. Velhos, velhos, não como eu - isto é para os 'teenagers' - nem como o meu pai. Velhos, mesmo velhos, velhos acima dos 75 anos. Dois velhos, um homem e uma mulher, ocupavam o passeio inteiro, de mãos dadas, com os braços esticados, imperialistas como a avenida.
Tentei atravessar-me, seguir em frente, pensei que os albarroava e que haveriam de cair, sem largar as mãos, atrapalhando-me ainda mais o passo e a manhã. Quando, depois de algum esforço, consegui ultrapassar os seus corpos velhos e a sua arrogância amorosa, não me comovi nem nada.
|| asl, 14:16 || link || (5) comments |

domingo, novembro 9

Murmúrio fácil

O Tiago Barbosa Ribeiro, autor do óptimo Guerra Civil Espanhola, que anda aqui nos favoritos desde que arrancou, abriu um blogue generalista, depois de participar às vezes no Blog de Esquerda. O novo "espaço" (como agora se diz em certo marketing) chama-se Murmúrios do Silêncio e convida à conversa.
|| asl, 22:08 || link || (4) comments |

Todos os nomes

Depois do debate do Orçamento de Estado, da Comissão Nacional do PS e dos dois discursos de Manuel Monteiro no Congresso da Nova Democracia ficou-me a apetecer discutir nomes. Nomes próprios.
Ora, no universo dos nomes masculinos, Luís e Manuel são os meus preferidos. Há várias razões familiares, mas independentemente disso, têm ambos uma música inexcedível. António é também um nome lindíssimo e gosto particularmente da composição Luís António, embora José Luís e José António também sejam giros, como também José Manuel e Manuel José. Gosto de Eduardo e Francisco, mas não de Sebastião, Gonçalo ou Martim.
|| asl, 21:52 || link || (5) comments |

Mimar as audiências

Obrigada ao MAURO, ao DAVID, ao NLOPES e a todos os que aqui aportam vá lá saber-se porquê.
|| asl, 21:44 || link || (4) comments |

Da idade e outros demónios

MJO passou a vida a querer parecer mais velha, e ainda quer, como escreveu num 'post' abaixo.
Também eu, durante muito tempo parecia - e gostava de parecer - mais velha. Agora já gostava de não parecer mais velha, mas começando-se a parecer mais velha muito nova, não deve haver grande saída.
Esta manhã, ao entrar no jornal, caiu-me uma gota de água gorda nos olhos (que é como quem diz nos óculos). Entrei a limpar os óculos e quando, sem os óculos, carreguei nos botões do elevador, o meu companheiro de viagem fez-me uma daquelas perguntas fatais:
- Já usas lentes progressivas?
Tentou justificar-se, mas já estava dito.
|| asl, 20:51 || link || (4) comments |

Revolta na Bounty

O futebol é tramado. No Mar Salgado, essa suave embarcação, a discussão à volta do F. C. Porto anda a fazer os seus estragos. Os blogues colectivos têm estes "problemas". Nós, aqui no Glória Fácil, somos um exemplo de auto-contenção, que não é necessariamente uma virtude: eu, que sou a favor da codificação do canal 18, andei a morder-me enquanto JPH fazia isto parecer o Cinebolso.
|| asl, 20:31 || link || (4) comments |

Noite de glória para LFB

Foi uma bela "prece" aquela que Luís Filipe Borges nos enviou, juntamente com um convite para o lançamento do seu primeiro título poético, "Mudaremos o mundo depois das 3 da manhã", editado pela Tágide. Agradecemos (uma vez mais) e vamos fazer todos os possíveis para comparecer no Madres de Goa, na próxima quinta-feira.

Nota: vamos como amigos.
|| mjo, 17:44 || link || (4) comments |

Poema de Luís Filipe Borges

PRECE

"Tinha os ouvidos aguçados para além de todos os limites, à procura do som perfeito. E a vida tornara-se-lhe insuportável"
Joel Neto, O Citroen que Escrevia Novelas Mexicanas


Tenho nas mãos tinta
e na cabeça o sangue

sou homem sábio - sou
das entranhas da terra
chuva do fim do verão

pensamentos de uma personagem de Beckett
tenho
uma caneta de feltro
dentes brancos e uma carteira gorda

sou
um assassino

tenho luvas de cabedal
metal embutido nos membros
e ferrugem no fim das costas

sou
uma
máquina
que ama

e espero.


|| mjo, 17:41 || link || (6) comments |

sábado, novembro 8

Toys'r us 2

O brinquedo não me obriga a nada. O brinquedo tem, como função específica, divertir-me um bocado. O brinquedo não me chateia - e se eventualmente me chatear, arrumo-o.
|| asl, 23:06 || link || (4) comments |

Toys'r us

Para que me serve um blogue? Perguntam-me isto muitas vezes, como perguntam a todos os que se registaram aqui e abrem de vez em quando o "blogger" para "create new post".
Ora o blogue é, para mim, apenas um brinquedo novo. Um puro brinquedo, uma construção Lego. Sinto-me aqui como quando fazia cidades de Lego com o Miguel, o Paulo, o Manel e o João, a construir e a deitar tudo abaixo e depois a arrumar nas gavetas.
|| asl, 22:43 || link || (4) comments |

A anti-heroína

O senhor Jorge Badliu precisava de um herói na II Guerra do Iraque. No caso, foi uma heroína, Jessica Lynch. Segundo a versão inicial e oficial (?), a coluna em que seguia Jessica foi atacada e a soldado combateu os iraquianos até ficar sem balas! Depois, foi resgatada.
Agora, parece que não é bem assim, segundo a própria diz. Parece que não disparou uma só vez...
Leia aqui.
Em Setembro, a Jessica assinou um contrato no valor de um milhão de contos para escrever, em livro, a sua história. Esperemos ansiosamente!

Esta história só me faz lembrar o filme Manobras na Casa Branca. Lembram-se?
|| Nuno Simas, 13:22 || link || (7) comments |

sexta-feira, novembro 7

Com os pés

Acabei de ler agora o "post" do blog-de-esquerda sobre a entrevista de Margarida Rebelo Pinto ao "Independente". Mas, ó José Mário, há uma coisa que me intriga: Margarida Rebelo Pinto diz que escreveu o seu primeiro romance com duas mãos e um pé... e que o pé era para embalar o berço da criança. Mas todos os que já fomos pais sabemos que não dá jeito nenhum embalar berços com os pés. Precisando um berço de criança de ser embalado com as mãos, é muito estranho deduzir que, na atrapalhação, o livro tenha sido escrito com o pé?
|| asl, 23:26 || link || (5) comments |

Glória Glória

IUPPPIIIIIIII!!! O nosso blogue foi finalmente citado num jornal de referência.
|| mjo, 22:00 || link || (4) comments |

Borges, o verdadeiro Borges...

...o Luís Filipe Borges (não o outro, aquele chileno ou argentino ou lá-que-é) lança na próxima quinta-feira, dia 13, no Madres de Goa (na Rua dos Industriais, uma pequena rua perpendicular à Avenida D.Carlos I, a primeira à direita de quem desce do Parlamento para Santos) o seu primeiro livro de poesia, intitulado "Mudaremos o mundo depois das 3 da manhã" (edições Tágide).

Segundo fomos informados pelo próprio, é às 21h e "há gin tónico e comezainas". Os meus amigos Justerini & Brooks também foram convidados?
|| JPH, 21:34 || link || (4) comments |

Confessional

Este blogue faz um esforço por não ser confessional e dedicar-se às coisas verdadeiramente insignificantes. Mas hoje não resisto: o meu filho de 9 anos começou a ler o "Blake e Mortimer" e já despachou todo "O Caso do Colar". Desculpem, mas estou muito contente.
|| asl, 18:31 || link || (4) comments |

Abaixo as propinas

Cruzei-me com a manif. dos estudantes. Eles a descer a rua de São Bento, eu a subir, qual truta a caminho da desova (bela imagem, não acham?).

Adiante: observei-os (a eles e a elas) com muita, mas mesmo muita, atenção. A maior parte (deles e delas) tinha aspecto de quem não toma um banho há semanas. Gente pobre, portanto. Se não têm dinheiro para os sabonetes, como querem que paguem as propinas? Este Governo, de facto...
|| JPH, 14:51 || link || (4) comments |

Incorporar um activo

Continuando esta saga pessoal anti-Letizia Ortiz, congratulo-me com as palavras de Felipe, o Grande, citadas na edição de hoje do "El Pais". Para Borbónzito, o seu casamento permitirá "incorporar un activo" na sua função "por el interés de los españoles". Estamos conversados.
Além disso, Felipe diz que o matrimónio "permite dar la possibilidad de tener un eslabón más en la cadena de la dinastía y nos engarza com la historia". Ora um "eslabón" é um eslabón" e a fonética, nestas coisas, também pode ser um destino.
|| asl, 13:58 || link || (4) comments |

Novos activistas

A Technikart deste mês (o site é este e a revista custa 5 euros) dedica um dossier de quase 20 páginas ao novos contornos de protesto contra a globalização. Ali são explicadas as práticas, as “bíblias”, os valores e os profetas dos novos activistas, que, dentro de poucos dias, vão reencontrar-se no Fórum Social Europeu, em Saint-Denis.
Para além das diferenças entre os movimentos que participam, o sociólogo Erwan Lecoeur explica, em entrevista, as indecisões, o cariz apolítico e as rupturas com o sistema daqueles que saíram directamente das raves para as ruas.
|| mjo, 13:57 || link || (7) comments |

Viva a iniciativa privada!

O hipermercado em que forneço tem uma bela peixaria. Apetitosa. Limpinha. Oferta variada. Serviço bem educado e competente. Um coisa irrestível.

Acontece que o gerente daquela "superfície" deve ter instrucções para fazer o máximo de dinheiro no mínimo de tempo. Portanto, a peixaria funciona com um número de funcionários abaixo das necessidades. Como toda a gente (eu incluído) pede que lhes amanhem os peixinhos, e as senhoras peixeiras o fazem competentemente, o tempo de atendimento é prolongado. Formam-se enormes bichas.

Resultado: aquela peixaria perdeu um cliente (moi). Não há pachorra. Suspeito que, pelas mesmas razões, tenha perdido muitos outros. O gerente vê confirmada a sua vontade de não empregar mais ninguém. Gestão científica, como se vê. O moço vai longe.

Por mim, passei a recorrer às pequenas peixarias do lugarejo onde moro. Conclusão: a atitude do gerente da "grande superfície" acaba por dinamizar o o pequeno comércio local. Isto só pode ser intencional. O moço é um génio. Agrada ao patrão e fica de bem com a sua consciência.

Viva a iniciativa privada, viva!

PS - Em relação ao post intitulado "Abaixo o Estado", PBM (cujo regresso saúdo, embora tardiamente, e por isso mil perdões) faz duas rectificações: o Trim-Trim-Dói-Dói chama-se, na verdade, Dói-Dói-Trim-Trim. Além do mais, não é um serviço inteiramente estatal: "É uma joint-venture entre o Estado e a privadíssima Médis" em que "o Estado dá a massaroca e a Médis trata do resto". Posto isto reafirmo: o serviço funciona bastante bem. E grátis (enfim, paga-se a chamada telefónica, acho eu). Portanto, não me importo nada que o Estado dê "a massaroca". É para isso que pago impostos. Quer dizer: para isto vale a pena pagar impostos.
|| JPH, 13:55 || link || (4) comments |

"Agenda da blogosfera" (III)

O Ser Português (Ter Que) acha que é possível fazer uma análise séria da agenda da blogosfera e explica porquê.

O Liberdade de Expressão acha que não é possível - como eu - e também explica porquê, com argumentos que só não usei porque não me ocorreram, mas que partilho inteiramente.

Em suma: nesta conversa já entrou aí uma meia dúzia de blogs (lá para baixo estão os links).
|| JPH, 13:37 || link || (4) comments |

quinta-feira, novembro 6

Galeria de retratos

No Parlamento há um corredor onde estão expostos os retratos de todos os que presidiram àquela casa desde o 25 de Abril. O retrato mais perfeito é o último, de Almeida Santos. Mas o que eu prefiro é o de Vasco da Gama Fernandes: pintaram-no a fumar. É de homem!
|| JPH, 21:43 || link || (6) comments |

"O teu olhar"

São 21h30. O noticiário da TVI atingiu um dos seus mais elevados picos de imbecilidade de sempre, numa "reportagem" de promoção da novela "O teu olhar". Em inglês a "coisa" define-se facilmente:Trash-infotainment. Os patriotas que traduzam.
|| JPH, 21:33 || link || (4) comments |

Fontes seguras garantem que...

a Casa Real espanhola fez um pacto com os jornalistas para não ser explorado o passado amoroso de Letizia Ortiz.
O acordo, porém, não abrange os jornalistas portugueses...
|| mjo, 21:13 || link || (4) comments |

Em prol da união ibérica

Dando continuidade ao fascínio por Espanha, aqui vai mais uma notinha: as estações de metro de Barcelona têm, desde Julho último, máquinas automáticas de vendas de livros. São similares àquelas que vendem chocolates e bebidas e no seu interior estão dispostos produtos igualmente “comestíveis”.
Os livros de bolso custam 2 ou 3 euros e, enquanto se aguarda o metropolitano, podem escolher-se títulos de Vargas Llosa, Michael Connelly, Anne Rice, Mário Puzo, Lou Marinoff, Arthur Golden ou Perez Reverte. Ah, também lá está o Saramago com “Ensaio sobre a Cegueira” e “A Caverna”.
|| mjo, 17:22 || link || (5) comments |

O despeito mata

Acabei de ver a triste cerimónia em que se consumou a minha rejeição por Felipe, o Belo, em favor de uma alegada jornalista, conhecida pelas suas reportagens na TVE onde ficavam "encobertos" os efeitos do Prestige na Galiza e em toda a Espanha.
Depois de lhe ter entupido o correio da Zarzuela com textos épicos, depois de lhe ter explicado as vantagens desta união ibérica, depois de o ter informado que, também eu, me interesso por literatura, acontece isto. Um só consolo: há dois dias o bom do Felipe disse aos espanhóis que ia casar "com toda a convicção". Ora esta proclamação é sintomática e politicamente relevante. (Ferro Rodrigues, por exemplo, vai dizer por estes dias que continuará líder do PS com toda a convicção).
Bem vistas as coisas, não desespero sobre a união ibérica. Nessa altura, Felipe terá dobrado o cabo dos quarenta e, se seguir os passos do senhor seu pai, o iberismo sairá reforçado.
|| asl, 13:05 || link || (4) comments |

quarta-feira, novembro 5

GNR's azuis

Revejo as imagens da parada, em Belém, dos GNR's destacados para o Iraque e confronto-me com isto: fui contagiada. Dei comigo a pensar naquilo que eles vestem...
As fardas especiais utilizadas pelos para-militares são azuis. De um azul muito escuro. A cor até proporciona alguma elegância, mas será a mais adequada para temperaturas que ascendem aos 40 graus? Poderá a escolha cromática traduzir-se em falta de credibilidade militar?
|| mjo, 23:12 || link || (5) comments |

Estrela & Fernando

Como provedora dos leitores do DN, Estrela Serrano acaba por ter, de algum modo, uma certa autoridade sobre o director do jornal, Fernando Lima. Quer dizer: a história repete-se.

Isso já tinha acontecido há uns anos atrás, quando Estrela Serrano conduzia a assessoria de imprensa do Presidente Mário Soares e Fernando Lima coordenava a do primeiro-ministro Cavaco Silva. Os dois (Soares e Cavaco, claro) passaram anos a divertirem-se disparando morteiradas um sobre o outro. Faziam-no directamente ou através das respectivas tropas.

Agora Estrela & Fernando terão imenso tempo para reviver, em conjunto, as partidas que se andaram a pregar. A não ser que o novo director do DN ainda sofra das indisposições que essas partidas lhe provocaram e decida não reconduzir a provedora dos leitores do DN. Estou curioso, confesso.
|| JPH, 16:03 || link || (5) comments |

"Análise" da "agenda da blogosfera"

E pronto. Dupond não concorda comigo nem eu com ele. É a vida. Já este gestor veio em meu socorro e eu agradeço (post: "Enquanto os sociólogos não chegam"). Pedro F também entrou na conversa (post: "Vitamedias"), com umas larachas. Por mim, acho que já me consegui explicar.
|| JPH, 12:53 || link || (4) comments |

Triologia do horror...

...no Centro Cultural de Belém. Dia 26, Mafalda Veiga (buuu!); 27, Mísia (argh!); 28, Maria João (enfim...). Todos aos abrigos!
|| JPH, 12:50 || link || (5) comments |

terça-feira, novembro 4

Trinta anos

Suponho que o FM não tenha ainda 30 anos. Isto porque transcreveu um excerto do livro "A Mulher de Trinta Anos", de Balzac, no qual se explica, em termos concisos, a superioridade das "trintonas" em relação às mais novas.
Concordo com tudo. Não passei ainda a fasquia dos 30, mas isso não é razão para me vangloriar. O caso é difícil de explicar, mas a verdade é que desde os 19, 20 anos que sempre quis ser mais velha. Será que isto passa depois dos 30?
|| mjo, 17:59 || link || (4) comments |

Amis e a guerra

"Es interesante que, en la vida real, la insensibilización es precisamente la cualidad que da a los violentos su poder: el de soportar la violencia. En los momentos que conducen a la violencia, los no violentos entran en un mundo lleno de situaciones desconocidas para ellos y que provocan su repugnancia. Los violentos lo saben. Esencialmente, llevan a los no violentos adonde ellos se sienten cómodos. Hacen que éstos dejen su casa, por así decirlo, para ir a la suya"

Excerto de "La guerra contra el cliché", de Martin Amis, editado pela Anagrama. Para quando a publicação em Portugal?
|| mjo, 17:24 || link || (5) comments |

Robert Arlt

Na última edição do Babelia (suplemento literário do El País) surge um texto de Enrique Vila-Matas (leste Luís?) sobre um livro que, muito em breve, estará nas livrarias portuguesas. Chama-se "Sete Loucos" e o seu autor é Robert Arlt. A primeira tradução portuguesa do livro é da Cavalo de Ferro, editora à qual se deve a publicação de autores inéditos em Portugal.
|| mjo, 16:26 || link || (4) comments |

segunda-feira, novembro 3

Uma "análise" da "agenda da blogosfera" (II)

Dei conta de dois comentários substantivos ao "post" sobre a (im)possibilidade de se fazer uma "análise" da "agenda da blogosfera". Um aqui, que concorda comigo, outro aqui, que discorda.

Quanto ao primeiro, nada a dizer. Quanto ao segundo - que afirma que um "sociólogo sério e competente" poderia fazer "sem grande dificuldades", uma análise da agenda da blogosfera, partindo do "estudo de amostras" como "em qualquer análise científica" - alguns comentários:

1. A blogosfera é tudo e não é nada. Cresce para o infinito. Não há espaço nem comunidade. É radicalmente multifacetada. Como se faz a partir disto uma "amostra"? Não se faz. Ou melhor: só se faz de partes da blogosfera. Portanto, mantenho: uma "análise" da "agenda da blogosfera" é, no meu entender, uma impossibilidade. Pode-se fazer, quando muito, uma análise de sectores da blogosfera (a "análise" da agenda dos blogs de jornalistas, por exemplo). Aí sim - doutra maneira não. E mesmo assim tenho imensas dúvidas.

2. Sou acusado de olhar preconceituosamente para a proposta de JPP (que foi quem se propôs fazer, "com a distância que o tempo trará", uma "análise" da "agenda da blogosfera"). Sabe que mais, meu caro Dupond? Tem toda a razão! Fosse JPP um desconhecido e eu não teria "preconceitos". Acontece que não é um desconhecido. Tem pensamento exposto em muitos lados há muitos anos. Dos "preconceitos" (que não é a melhor palavra, mas enfim...) que criei nasceram as minhas resistências a uma futura/eventual "análise" da "agenda da blogosfera". Olharei essa "análise", se um dia ela for feita, com o maior equilíbrio possível. Mas nunca esquecendo quem a fez - nem a sua "agenda" histórica.
|| JPH, 15:29 || link || (4) comments |

Farol da ética jornalística

O El País, esse farol da ética jornalística ocidental (e mesmo mundial), informa-nos sobre a morada particular, em Madrid, de Letizia Ortiz, noiva do príncipe Felipe. Quem não sabia fica a saber. A MJO está a caminho. Leva uma pistola.
|| JPH, 13:53 || link || (4) comments |

"Cinderela já não mora aqui"

Numa base quinzenal (mais coisa menos coisa) levo o rebento mais velho ao teatro. Há alguma oferta, apesar de tudo - mas estamos em Lisboa, não em Beja ou Vila Real. Já vi de tudo, do melhor (as peças do TIL, Teatro Infantil de Lisboa) ao pior (uma coisa qualquer no estúdio do Padrão dos Descobrimentos, aqui há uns meses). Foi no teatro infantil, numa peça no Cinearte (cujo título esqueci), que me abismei com o talento de Maria do Céu Guerra (fez um montão de personagens e eu só a reconheci numa delas)

No domingo fomos ver "Cinderela já não mora aqui", na Casa das Marionetas (Av. da República, nº 103 B, junto à entrada principal da Feira Popular). Edíficio velho, sala minúscula e desconfortável (para os adultos, que para a criançada qualquer galho serve). Primeiras impressões desagradáveis, a fazer lamentar os 13 euros gastos.

Mas, assim que as luzes se apagaram, uma revelação: teatro "hi-tech", cruzado com cinema e informática de ponta, banda sonora muito competente, diálogos intelígiveis, actores empenhados e profissionais. Bom, muito bom. Só uma recomendação: é para maiores de seis anos. Está o recado dado.
|| JPH, 13:19 || link || (5) comments |

Novidades livreiras

Se este blog tivesse imagens, ele já estaria aqui "afixado". O jugoslavo Enki Bilal é o mais importante autor de BD da actualidade e acabam de chegar às livrarias duas obras inéditas em Portugal, segundo soube hoje a ler o DN: "Corações sangrentos e outras crónicas", de 1989, e "32 de Dezembro", de 1998. Bilal tem bastantes livros editados em Portugal. Todos são importantes. Mas há um, "A caçada", que é a obra-prima das obras-primas: incontornável, indispensável, fundamental, tudo, tudo, tudo. O personagem central é fisicamente inspirado em Álvaro Cunhal. Quem quiser perceber as relações de poder no império soviético deve passar pel'"A Caçada".
|| JPH, 12:34 || link || (4) comments |

domingo, novembro 2

Lamentações

Para além do príncipe Felipe, a ala feminina do Glória Fácil lamenta os casamentos passados e futuros das seguintes personagens: Harrison Ford (com uma sinistra e deprimida anoréctica, mais conhecida por Ally Mc Beal); Pierce Brosnan; Javier Bardem; Sean Connery; Brad Pitt; Al Pacino; Arturo Pérez-Reverte; Antonio Banderas; Mário Vargas Llosa...
(continua em próxima oportunidade)
|| asl, 17:25 || link || (5) comments |

sábado, novembro 1

Raios o partam!

E não se pode exterminar o sitemeter?
|| mjo, 23:09 || link || (5) comments |

Já não vamos a tempo...

Afinal, talvez tivéssemos alguma hipótese...

O Príncipe Felipe vai casar com uma JORNALISTA. Chama-se Letizia, tem 31 anos, trabalha na TVE e é divorciada. E, mais importante ainda, pertence à PLEBE!!!
Pronto, é verdade que estamos um bocadinho tristes (ala feminina da Política do Público), mas satisfeitas com a escolha de uma jornalista.
|| mjo, 21:09 || link || (5) comments |

Notícia do dia

O Príncipe Felipe vai casar. O Príncipe Felipe vai casar. O Príncipe Felipe vai casar. O Príncipe Felipe vai casar.
|| mjo, 21:02 || link || (4) comments |